terça-feira, 28 de fevereiro de 2006

coração premiado

"De tanto bater, meu coração parou", filme de Jacques Audiard. Foto Sédif Productions / France 3 Cinéma

Candidato em 10 categorias da premiação, o filme "De tanto bater, meu coração parou" (De battre mon coeur s'est arrêté), de Jacques Audiard, confirmou o favoritismo na 31ª edição do César, a mais importante distinção no cinema francês.

Na cerimônia, ocorrida sábado passado, 25, o longa faturou as estatuetas de melhor diretor, melhor filme, melhor ator coadjuvante, para Niels Arestrup, atriz-revelação, a chinesa Linh-Dan Pham (o que não foi bem uma "revelação": ela ficou conhecida em 1992, com o filme "Indochina"/Indochine, de Regis Wargnier). Foram premiadas ainda as categorias técnicas, como melhor roteiro adaptado, de Jacques Audiard e Tonino Belacquista; edição, de Juliette Welfling; fotografia, de Stéphanie Fontaine; e trilha sonora, de Alexandre Desplat, também consagrado no Festival de Berlim.
O evento não tem a divulgação merecida, principalmente nessas semanas quando a imprensa mundial se volta em torno do Oscar.

O filme narra o conflito de um homem de 28 anos, dividido entre seguir os passos de seu pai no imoral e às vezes brutal mercado de negócios imobiliários, ou se tornar um grande pianista, assim como foi sua mãe. A produção é uma refilmagem de "Fingers", de 1978, com roteiro e direção do americano James Toback, visto como um "cineasta maldito", autor de filmes difíceis, pouquíssimo conhecido no Brasil, hoje com 62 anos. "Exposed", de 1983, com Nastassia Kinski, talvez seja o seu filme mais "popular"...

glauberianas dois

foto Acervo Tempo Glauber

"Os senhores, que antes me chamaram de gênio, agora me chamam de burro. Devolvo a genialidade e a burrice. Sou um intelectual subdesenvolvido como os senhores, mas, diante do cinema e da vida, tenho pelo menos a coragem de proclamar a minha perplexidade."

Glauber Rocha em carta ao jornalista José Carlos Oliveira, em 1967, referindo-se aos críticos. Naquele ano "Terra em transe", seu terceiro longa-metragem, fora lançado e bastante polemizado, e marcaria a primeira reação violenta do cineasta em relação à crítica.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2006

filmes dos anos 70

"A noite americana" (La nuite americaine), 1974, de Francois Truffaut. Foto Les Films du Carrosse

O CinUSP Paulo Emílio, São Paulo, dedica o mês de março a um de seus mais bem sucedidos projetos dos últimos anos, a série Para Gostar de Cinema, que chega em 2006 à sua terceira edição fazendo uma retrospectiva de filmes dos anos 70. São apenas seis filmes, portanto, seria improvável representar aqui todos os gêneros, estéticas e estilos cinematográficos que marcaram essa década na história do cinema. A seleção, portanto, não tem como objetivo abranger toda essa diversidade. Tampouco se poderia limitar a exibir filmes que se consagraram de tal maneira que foram revistos muitas vezes nas décadas seguintes. Filmes como a série “O Poderoso Chefão” ( The godfather), 1972, de Francis Ford Coppola, e “Taxi driver” (Taxi driver), 1976, de Martin Scorsese.

O objetivo da mostra, por outro lado, é instigar o espectador a conhecer filmes que não sejam suficientemente conhecidos, e que possam desenvolver um novo olhar e uma nova leitura dos anos 70, marcados no Brasil e no mundo por governos de repressão; ao mesmo tempo, a juventude daqueles tempos buscava por novos meios de expressão. Isto fica claro em “Os Doces Bárbaros”, 1976, de Jom Tob Azulay, documentário brasileiro que registra uma turnê musical na qual os músicos Gil, Caetano, Gal e Bethânia propõem através da música e da dança uma postura libertária contrária ao pensamento conservador da direita militar, e contrária ainda às posturas oposicionistas tomadas pela esquerda.

Também foi a década em que o cinema colocou pela primeira vez o sexo no centro da narrativa fílmica. No Brasil, as pornochanchadas tomaram em grande escala as salas de cinemas do país, com enredos cômicos entremeados por cenas de sexo entre homens viris e algumas das mais belas mulheres brasileiras. Eram filmes produzidos de maneira rápida e barata, que chegaram a representar 70% da produção nacional no período.

Teria sido possível escolher alguma pornochanchada nacional para exibição nesta mostra, mas o que isto teria a acrescentar em tempos de profunda banalização sexual na TV, em que detalhes ditos “ginecológicos” são explorados pelas câmeras? Por que não retomar a temática sexual com um dos filmes mais controversos e explícitos da Trilogia da Vida de Pier Paolo Pasolini, “Mil e uma noites”, (Il fiori delle mille e una notte), de 1974, que propunha, então, uma visão radicalmente diferente do sexo no cinema?

São questões como estas levantadas acima que permeiam a seleção desses filmes, buscando ainda alguns diálogos possíveis entre eles. Por isso ainda, o filme de Pasolini é acompanhado na mesma semana por “A Marquesa d’O” (La Marquise d'O), 1976, que, com o bom humor e o estilo ímpar de Eric Rohmer, investiga a partir de um conto do século XVII o mistério da gravidez de uma mulher casta.

Completam a mostra outros dois filmes europeus de dois grandes diretores da década de 60: François Truffaut, precursor da Nouvelle Vague, é representado por seu “A Noite Americana”, (La nuite americaine), 1974, uma ode à arte de fazer cinema, e “O Passageiro – Profissão: Repórter” (The passenger), 1975, de Michelangelo Antonioni, uma obra-prima em si mesma, pela riqueza de recursos cinematográficos. E há ainda o filme de Arnaldo Jabor, “Toda nudez será castigada”, um grande sucesso da década em que o cinema nacional esteve mais próximo do público brasileiro, com filmes ao mesmo tempo populares e de grande qualidade.

Com o fim de aprofundar a análise desses filmes, acompanham suas sinopses textos de ensaístas, críticos e cineastas que procuram destacar ao espectador algumas das mais significativas qualidades de cada obra, justificando por que elas devem ser vistas. No mês em que a comunidade USP se renova com a chegada de novos alunos, a série Para Gostar de Cinema espera conquistar novos públicos para o CinUSP Paulo Emílio, espaço cultural tão valioso para a Universidade, mas espera ainda despertar dentro de seus já habituais espectadores, através dos textos apresentados e dos filmes em si, um novo olhar e uma nova maneira de se relacionar com o cinema.



O texto acima é do catálogo de apresentação que está sendo preparado para a Mostra. A seleção de filmes está ótima, e, claro, pelo número reduzido dos títulos selecionados não dá para abranger todos as tendências e estéticas que marcaram a época. Mas, é lamentável a ausência de um filme nacional do gênero que se denominou pornochanchada. A explicação dada explica, mas não justifica. Qualquer filme produzido na chamada Boca do Lixo representaria muito bem a "visão radicalmente diferente do sexo no cinema" que se fazia no Brasil naquele período.

domingo, 26 de fevereiro de 2006

o olhar de Marcelo Gomes

Marcelo Gomes, diretor de "Cinema, aspirinas e urubus". Foto página www.urubus.com.br

"Quando eu era pequeno, viajava muito para o sertão. Aquelas imagens me impressionavam. Todos aqueles silêncios espaciais.”

“Quando as pessoas falam bem do roteiro do filme, fico muito feliz. Trabalhava 10, 12 horas por dia."

“Eu não era um diretor conhecido, não era do eixo Rio-São Paulo, era estreante, não tinha dirigido novela, o filme não teria atores globais. Não sei exatamente quais foram os motivos, muita coisa deve ter contado para rejeitarem tanto o projeto. Acho que o título assusta um pouco, também.”

“É uma história sobre pessoas diferentes que convivem, sobre troca. Há algo de alteridade no filme que é muito contemporâneo. Você compreende mais sobre quem você é quando conhece a cultura do outro.”

"Eu não quis filmar um sertão à escola de samba."

“Dá um pouco de decepção ver essa dificuldade de distribuição por aqui. Mas não sou rancoroso, quero filmar mais. Este é exatamente o filme que eu queria ter feito.”


Trechos da entrevista com cineasta Marcelo Gomes no jornal Correio Braziliense de hoje (www.correioweb.com.br). Seu primeiro longa-metragem, “Cinema, aspirinas e urubus”, é um dos melhores lançamentos nacionais. O filme acumula vários prêmios em festivais no Brasil e no exterior, e surpreende, encanta e incomoda pela maneira originalíssima de mostrar o cenário inóspito, mas humano, do sertão nordestino.

sábado, 25 de fevereiro de 2006

os documentários de Herzog

os "inimigos íntimos" Werner Herzog e Klaus Kinski, 1981. Foto Project Filmproduktion

O cineasta alemão Werner Herzog, de 65 anos, fez no cinema um caminho às avessas. Depois de conquistar prestígio com filmes de ficção como "Aguirre, a cólera dos deuses" (Aguirre, der zorn Gottes), 1972, e "Nosferatu, o vampiro da noite" (Nosferatu phantom der nacht), 1978, voltou ao documentário. É a porção não-ficcional da obra de Herzog que o Festival Internacional de Documentários – É Tudo Verdade enfoca na Retrospectiva Internacional de sua 11ª edição, que ocorre em São Paulo, de 23 de março a 2 de abril, e no Rio de Janeiro, 24 de março a 2 de abril, com extensão em Brasília, de 3 a 16 de abril.

A mostra trará 10 títulos, desde "Fata Morgana" (Fata Morgana), segundo longa de sua carreira, realizado entre o fim dos anos 60 e o início de 1970, até o recente e desafiador 'O homem-urso" (Grizzly man), 2005. A retrospectiva exibirá também "Meu melhor inimigo" (Mein liebster feind), 1999, em que aborda sua tumultuada relação artística com o ator Klaus Kinski (1926-1991).
Completam a mostra "O grande êxtase do entalhador Steiner", (Die grosse ekstase des bildschnitzers Steiner), 1974, sobre o campeão de esqui Walter Steiner; "Lições da escuridão"(Lessons of Darkness), 1992 , uma análise sobre a Guerra do Golfo; "Sinos do abismo: fé e superstição na Rússia" (Bells from the deep: faith and superstition in Russia), 1992 ; "Pequeno Dieter precisa voar" (Little Dieter needs to fly), 2004 , sobre o prisioneiro de guerra alemão Dieter Dengler; "Juliane cai na selva" (Julianes sturz in den dschungel), 1998, enfocando uma sobrevivente de desastre aéreo; "O diamante branco" (The white diamond), 2005, que reconstitui um curioso experimento científico.

postais - 01



Filme "Fantomas" (Fantomas - le mort qui tue), de 1914, dirigido por Louis Feuillade (1873-1925). O cineasta foi comparado ao americano David W.Griffith (1875-1948) por seu trabalho na criação da linguagem cinematográfica. Morreu aos 52 anos e fez mais de oitenta filmes.

Cléa Simões, atriz

Cléa Simões aos 52 anos. Foto O Estado de Minas

Outra perda lamentável foi a da atriz Cléa Simões, de 79 anos. Ela morreu na manhã de ontem, no Hospital de Clínicas de Niterói, em conseqüência de falência múltipla dos órgãos, insuficiência renal e hipertensão. Cléa começou na TV Globo em 1966, na novela "Eu compro essa mulher". A última participação foi em 2002, em "Coração de estudante", no horário das seis.

A atriz, que fazia parte também da Velha Guarda da Portela, atuou em novelas e filmes. Apesar de ter sido mais atuante e conhecida na tv, foi no cinema onde melhor demonstrou o seu talento: destaco "Ladrões de cinema", de Fernando Cony Campos, em 1977, e no ano seguinte, "A deusa negra", do nigeriano Ola Balogun. Ainda nos anos 70, participou de algumas pornochanchadas, como "Essa gostosa brincadeira a dois", de Victor di Mello, que também a dirigiu em um dos episódios de "Como era boa nossa empregada", e "Costinha, o rei da selva", de Alcino Diniz. Participou até de "Sabor de paixão" (Woman on top), uma fraca produção americana dirigida pela venezuelana Fina Torres, em 2000. 

No teatro, atuou em "As feiticeiras de Salem" clássico texto de Arthur Miller, dirigido e adaptado no Brasil há uns dois anos por Mário Pérsico, da Cia. Clássica de Repertório, e "Do mundo nada se leva", outro clássico dos palcos americanos, de George Simon Kaufman, traduzido aqui por Maria de Lourdes de Araújo Lima, em 1951. Nas telas é famosa a versão dirigida por Frank Capra, em 1938, assim como a adaptação do texto de Miller para o cinema, "As bruxas de Salem" (The crucible), de Nicholas Hytner, em 1996.

Sempre simpática, e com aquele perfil de governanta de "...E o vento levou", Cléa Simões nasceu no Pará, morou no Rio de Janeiro durante quase toda a vida. Ano passado esteve em Belém para a avant-première do documentário “O negro no Pará – Cinco décadas depois...”, vídeo produzido pelo Instituto de Artes do Pará (IAP) e pelo Programa Raízes, criado pelo Governo do Estado em 2000, sobre o livro “O negro no Pará sob o regime da escravidão”, do professor e historiador paraense Vicente Salles. No trabalho dirigido por Afonso Gallindo, ela fala sobre a importância do autor e de sua pesquisa. A atriz era neta de barbadianos que migraram para a Amazônia no século XIX e gravou cantos originários do povo de Barbados.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006

Guará Rodrigues, ator


O ator Guará Rodrigues morreu terça-feira passada, 21, no Rio de Janeiro. Muito querido no meio cinemtográfico, ele não se notabilizou por papéis de protagonista nos inúmeros filmes de que participou. Como seu amigo Wilson Grey, Guará foi um coadjuvante de talento. E, nessa condição, marcou época no cinema brasileiro, em especial na faceta desse cinema que, meio impropriamente, chamamos de "marginal".

De fato, se formos olhar a filmografia de Guaracy Rodrigues, nascido em Belo Horizonte há 70 anos, encontraremos obras como "Signo do caos", 2003, de Rogério Sganzerla, "Louco por cinema", 1994, de André Luiz Oliveira, e uma série de trabalhos feitos com o cineasta Julio Bressane: "Matou a família e foi ao cinema", 1969, "O Mandarim" 1995, "Brás Cubas", 1985 "O rei do baralho", 1973, "Barão Olavo, o horrível", 1970.

Trabalhou também em vários filmes de Neville d´Almeida, como "Os sete gatinhos", 1977, "Jardins de guerra", 1968, "Rio Babilônia", 1982. Guará fez parte do elenco de "O circo das qualidades humanas", 2000, de Geraldo Veloso. Em depoimento sobre o amigo, Veloso diz que "poucos sabiam mais de cinema do que ele. Guará era personagem constante de si mesmo, não conseguiu ser ator: era ele mesmo que representava a si próprio".
Sua morte repentina surpreendeu a todos.

guia dos festivais

Saiu mais uma edição do excelente catálogo editado por Zita Carvalhosa e equipe. Trata-se de uma fonte de consulta de primeira linha. Cada vez mais aperfeiçoada. Com 160 páginas, o pesquisador encontra os festivais mais importantes e duradouros em primeiro bloco. Depois, em outras divisões, vem os mais novos e/ou aqueles que sofreram solução de continuidade. Há tabela com bilheterias brasileiras em 2005, lista de festivais internacionais, lançamentos brasileiros, endereços, fones e e-mails de produtores, distribuidores, etc. Pela qualidade das informações, checadas com rigor, colecionar os Guias é mais que recomendável.

Pedidos pelo e-mail guia@kinoforum.com.br

animação no exterior


O curta-metragem “Historietas assombradas (para crianças mal-criadas)”, terceiro filme de animação dirigido por Victor-Hugo Borges, é um dos finalistas do Prix Jeunesse, um dos principais prêmios internacionais para a produção infantil para TV no mundo, na categoria de produções para crianças de 7 a 11 anos (ficção). A premiação acontece em maio, em Munique, Alemanha.
Produzido por Mayra Lucas e Paulo Boccato, pelas empresas Glaz Cinema e Neoplastique, o filme é resultado do programa “Curta Criança”, financiado pela TVE Brasil e pelo Ministério da Cultura. Realizado com R$ 60 mil provenientes do programa, o projeto resultou em um curta 35mm, um curta para televisão, e um piloto para série de TV. São três histórias baseadas em lendas brasileiras, que misturam terror e humor, contadas por uma velhinha para sua netinha, que insiste que só irá dormir após ouvir uma história “muuuito assustadora”. A vovó e sua netinha, dubladas respectivamente por Miriam Muniz (falecida recentemente) e Isabela Guasco, foram feitas com a técnica stop-motion; as lendas foram feitas em 3-D, numa técnica denominada “toon shade”, que imita o 2-D.

O curta estreou em festivais de cinema no Anima Mundi, em julho de 2005, e, desde então, acumula inúmeros prêmios: Melhor Curta pelo Júri Popular na Mostra Rio BR; Melhor Curta Brasileiro e Melhor Filme pelo Júri Infantil no Goiânia Mostra Curtas; um dos 10 Favoritos do Público e Prêmio TV Cultura no Festival Internacional de Curtas de São Paulo; Melhor Animação no Vitória Cine Vídeo; Prêmio Canal Brasil na Mostra Tiradentes, e Prêmio da Crítica na Mostra Curta Cinema. O filme também acaba de ser o único curta paulista selecionado para o Cine-PE 2006, que acontece em abril no Recife.

“Historietas” é o primeiro filme de animação da Glaz Cinema, empresa que tem se dedicado nos últimos anos à produção de curtas, documentários e longas-metragens. Atualmente, finaliza seu primeiro longa, “Corpo”, dirigido por Rossana Foglia e Rubens Rewald, e começa a produção do segundo, “Um Dia”, com direção de Jeferson De. Desde 2004, a Glaz tem se focado também no segmento de animação.
Atualmente, a empresa está produzindo nesse gênero os curtas “Yansan” e “Cânone para três mulheres”, ambos do premiado diretor Carlos Eduardo Nogueira (de “Desirella” e “253-b”); “Ícarus”, novo filme de Victor-Hugo Borges; “Osmar, a primeira fatia do pão de fôrma”, de Alê McHaddo (vencedor do prêmio da Academia Brasileira de Cinema com “A lasanha assassina”), e “4=1”, de Nelson Nascimento. Também prepara seu primeiro longa de animação, “Minhocas”, em co-produção com a Anima King, e séries de TV para o público infantil, entre as quais uma baseada em “Historietas”.

domingo, 19 de fevereiro de 2006

hegemonia ocidental

"O grande ditador" (The great dictator), de Charles Chaplin, 1940

"A hegemonia cultural da civilização ocidental se construiu na base da 'superioridade racial' dos brancos. Nenhum instrumento foi tão importante para essa hegemonia do que Hollywood. E os arquétipos de Hollywood têm profundo caráter racista. Os filmes de cowboy ou de farwest apresentavam os indígenas, massacrados pelos colonizadores, como bandidos, enquanto John Wayne e seus colegas, como mocinhos. Por sua vez, os filmes de guerra dos EUA são sempre contra outras raças — asiáticos (japoneses, coreanos), africanos, árabes. Pouparam sempre o país que promoveu a maior 'limpeza étnica' da história da humanidade – os alemães, contra os judeus, os ciganos, os socialistas e comunistas. O único filme de peso que atacou frontalmente o nazismo, "O grande ditador', feito por Chaplin, causou tanto mal-estar que seu diretor teve que abandonar os EUA antes mesmo da estréia do filme."

Emir Sader, sociólogo, em artigo no jornal Correio Braziliense de hoje.

filme bósnio vence em Berlim

Jasmila Zbanic, diretora de "Grbavica". Foto AFP/Johaness Eislele

O filme "Grbavica", de Jasmila Zbanic, ganhou ontem o Urso de Ouro no Festival de Cinema de Berlim. O filme narra o trauma posterior à Guerra da Bósnia, as consequências permanentes dos estupros sistemáticos de mulheres pelos soldados sérvios durante aquele conflito.

A cineasta, de 30 anos, disse que "a guerra na Bósnia acabou há cerca de 13 anos e até hoje os criminosos de guerra Radovan Karadzic e Ratko Mladic vivem livremente na Europa". O filme coloca no centro das atenções as 20 mil mulheres violentadas durante o cerco de Sarajevo.

Outros dois filmes compartilharam o Urso de Prata: o iraniano "Offside", de Jafar Panahi, que trata dos esforços inúteis realizados por mulheres e meninas para assistir a uma partida de futebol em Teerã, e "A Soap", de Pernille Fischer, sobre uma confusa mulher dinamarquesa.

O Urso de Ouro para melhor diretor foi dado aos britânicos Michael Winterbottom e Mat Whitecross, por "The Road to Guantanamo", polêmico e oportuno filme contra a prisão militar norte-americana em Cuba.

O Urso de Prata para melhor atriz foi dado a alemã Sandra Hueller, por sua atuação em "Requiem", dirigido por Hans-Christian Schmid. O prêmio de melhor ator foi para o também alemão Moritz Bleibtreu, por "The Elementary Particles", de Oskar Roehler.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

CineSul

Estão abertas até o dia 23 de março as inscrições para a 13ª edição do Cinesul - Festival Latino-Americano de Cinema e Vídeo, que acontece entre os dias 13 e 25 de junho de 2006, no Rio de Janeiro.

O Cinesul selecionará obras de ficção ou documentais, produzidas na América Latina e Caribe, que tenham sido finalizadas entre março de 2004 e março de 2006. Serão aceitos longas-metragens em película e produções em vídeo de curta, média e longa-metragem. As obras devem ser inéditas em salas comerciais e televisão no Brasil.

O formulário para inscrição e o regulamento estão disponíveis na página www.cinesul.com.br

sistema de cotas

Brasil e Argentina estão promovendo junto com outros países da América do Sul, como Uruguai, Chile, Paraguai, Peru, Bolívia e Venezuela, um sistema de cotas para proteger as indústrias nacionais de cinema, conforme escreve hoje John Hopewell na edição diária do 56º Festival de Berlim da revista norte-americana Variety, ao entrevistar o novo presidente do Instituto do Cinema Argentino (INCAA), Jorge Alvarez.

As primeiras negociações aconteceram no Festival de Punta del Este, Uruguai, no começo de fevereiro. Os dirigentes dos institutos voltarão a se reunir para discutir o tema no próximo festival de Mar del Plata, no início de março.

Brasil e Argentina possuem hoje sólidas bases industriais. O cinema argentino lançou apenas no ano passado 67 filmes, alguns dos quais foram grandes sucessos de bilheteria. Mas os demais países do Mercosul não estão nas mesmas condições, apesar de alguns apresentarem sinais de melhora.

distribuição delicada

Beto Brant dirigindo Lílian Taublib em "Crime delicado". Foto Priscila Prade

"Eu já dialoguei com as grandes produtoras - não tenho nenhum problema em trabalhar com elas. O conflito começa a ocorrer quando há uma intervenção nos roteiros, que, às vezes, são desenvolvidos ao longo de um ano e são o ponto de partida dos longas. Não quero ter de entrar em acordo com distribuidoras para fazer meus filmes. Não gosto que tentem me enquadrar."

Beto Brant está lançando seu quarto longa-metragem, "Crime delicado", com roteiro baseado no romance homônimo de Sérgio Sant'anna. O filme foi distribuído inicialmente com apenas quatro cópias. Para abranger o circuito nacional sua produtora, a DramaFilmes, está lançando cópias por meio de exibição digital.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

Curta-se


O Festival Luso-Brasileiro de Curtas-metragens de Sergipe, o CURTA-SE, chega a sua 6ª edição. De 23 de janeiro até o dia 03 de março estarão abertas as inscrições para os realizadores de cinema e vídeo que quiserem participar das mostras competitivas e informativas do evento com seus trabalhos de até 15 minutos nos formatos de 16mm, 35mm, Betacam, dvd e outras modalidades.

Cerca de 20 mil pessoas já assistiram aos quase 380 filmes em curta-metragem exibidos nas 5 primeiras edições do CURTA-SE em salas de cinema, institutos parceiros e espaços públicos, além do canal de televisão a cabo TV Cidade (Canal 20 na NET).

Mais uma vez o Festival acontecerá em Aracaju e São Cristóvão. Essa é uma iniciativa que caracteriza a expansão do evento, que já percorre outras cidades do interior sergipano, como Laranjeiras, Estância e Japaratuba durante as exibições do CURTA-SE Itinerante.

Em 2005, cerca de 220 trabalhos do Brasil e 14 de Portugal foram inscritos para o festival. Desta vez, mais de 80 filmes serão selecionados por um júri escolhido pela diretoria da Casa CURTA-SE. Os premiados receberão troféus e terão seus filmes exibidos em três cidades do interior sergipano na próxima edição do Festival. O Banco do Nordeste premia financeiramente o melhor curta com temática nordestina.

Os interessados podem cadastrar seus dados através da ficha de inscrição disponibilizada no site da Centro de Estudos Casa CURTA-SE, www.curtase.org.br, onde também se encontra o regulamento, e enviar os filmes para o endereço rua Teixeira de Freitas, 175, Salgado Filho, 49020-530 - Aracaju-SE.

o anjo negro da Bahia

O ator Mário Gusmão (1928-1996). Foto jornal Correio da Bahia/arquivo

Será exibido no próximo domingo, 19, nas redes públicas de televisão de todo o País, às 23h, o documentário "Mário Gusmão, o Anjo Negro da Bahia", dirigido por Élson Rosário. O trabalho faz parte da segunda edição do DocTV, e conta a vida e obra do ator baiano em três linhas temáticas: a artística, a militância política no movimento negro e a espiritual. Carlos Petrovich, Paloma Rocha, Nilda Spencer, Orlando Senna, Jackson Costa, Carlinhos Brown, são alguns dos entrevistados que conviveram com Mário Gusmão, muito querido em Salvador, principalmente no bairro Liberdade, onde morava.
Assim como Grande Otelo, foi um ícone da presença negra no cinema brasileiro no século passado. Um de seus trabalhos mais conhecidos foi em "A idade da terra", de Glauber Rocha, 1980. No documentário alguns depoimentos são ilustrados com fotos, textos, cartazes, programas, trechos de filmes e ingressos de espetáculos teatrais e de dança dos acervos da Escola de Teatro da UFBA, Teatro Vila Velha, Espaço Xisto Bahia, Teatro Castro Alves e do Centro de Estudos Mário Gusmão.

Mário morreu na madrugada do Dia Nacional da Consciência Negra, 22 de novembro de 1996, de câncer no pulmão. Nos últimos anos de vida, antes ainda de saber da doença, uma das coisas que mais lutava era por sua aposentadoria. Queria o reconhecimento legítimo por tantos anos de trabalho, mas não tinha como comprovar todas as peças e filmes em que trabalhou. Dizia que "a produção não dava recibo".
Recebeu várias homenagens durante o enterro realizado no Jardim da Saudade. Mas para seu amigo e vizinho Edilson Santana, "para um artista, foi a indigência". De fato, nenhuma rede de televisão sequer notificou o fato, e os jornais dos dias seguintes apenas se limitaram a registrar a sua morte.

Viva Solanas!


"Nenhum sacrifício ou esforço se pode compreender sem uma grande paixão. A minha é o cinema, e como estou perseguindo a uma deusa, me sinto cada dia mais contente."

Fernando Solanas, cineasta argentino que completa hoje 70 anos. Muitos filmes e muitos anos de vida para ele!

Chico Xavier no cinema

O médium Chico Xavier, fotografado por Jean Mazon, para a revista O Cruzeiro, em 1944

O cineasta Breno Silveira e boa parte de sua equipe em "2 Filhos de Francisco" vão se unir novamente para contar a vida do médium Chico Xavier. O projeto é uma parceria entre Conspiração Filmes, Lumière e Columbia, com apoio da Globo Filmes.
Quem está empolgadíssimo é o escritor Marcel Souto Maior, autor de "As vidas de Chico Xavier" (Editora Planeta), que já vendeu cerca de 200 mil exemplares e serve de base para a adaptação cinematográfica.

Em fase de roteirização, o filme será rodado em 2007 e provavelmente com lançamento no final do mesmo ano. Marcel participa da equipe de roteiro, e a idéia é repetir o processo quase jornalístico do primeiro longa de Breno. Os autores do projeto em andamento adiantam que "o filme vai fugir dos efeitos especiais. Não terá nada de fantasmas, assombrações, essas coisas. Queremos retratar a realidade com a verdade que o '2 Filhos' tem. Vamos contar a história de um brasileiro movido pela fé que ajudou milhares de pessoas a lidarem com a morte."

Marcel acaba de lançar "As lições de Chico Xavier", onde conta sua relação - um jornalista cético - com o médium durante a produção da biografia. É o terceiro trabalho dele sobre o assunto. "Por trás do véu de Ísis", livro-reportagem onde o autor investiga os fenômenos mediúnicos, também vai ao cinema. Será um documentário narrado pelo escritor e dirigido por Emiliano Ribeiro, que fez em 1996 o longa "As meninas", baseado no livro de Lygia Fagundes Telles.

Charles Ortega, pintor

"Enfant a la tortue", de Charles Ortega

Outra morte pouco divulgada foi a do pintor Charles Ortega, na última segunda-feira, 13, em sua casa perto de Cannes, França. Amigo e discípulo de Pablo Picasso, Ortega era de origem espanhola e nasceu na Argélia, em Orano, em 1925. Muito ligado ao cinema, tinha como amigos mais próximos os atores Anthony Quinn, Gerard Depardieu, Alberto Sordi, o estilista Pierre Cardin e muitos outros artistas e intelectuais. Ortega pertencia à chamada “família pictórica” de Braque, Chagall, Miró, Dali. Durante a Segunda Guerra, com apenas 18 anos, foi prisioneiro na Alemanha e internado num campo de concentração de Mathausen, onde permaneceu por dois anos. Os nazistas lhe queimaram as mãos para impedir que pintasse. Sobrevivente, voltou a viver na França, a poucos quilômetros de Cannes, quando conheceu Picasso, que tinha uma casa na cidade, e freqüentou aulas no seu ateliê.
Entre as obras mais conhecidas de Ortega estão as Marinas, a série de quadros dedicada a Maio de 68, as sensuais Frissonnantes, assim como o ciclo do orientalismo, as naturezas-mortas e os famosos retratos de Brigitte Bardot, Jean Marais, Jean-Claude Brialy, Charles De Gaulle, Quinn, Cardin, entre outros.

Waleriam Borowczyk, cineasta


Foi pouco divulgada a morte do cineasta polonês Walerian Borowczyk, há dez dias, em conseqüência de uma complicação cardíaca.

Borowczyk tinha 83 anos. Foi um artista polivalente: pintor, grafista, escritor e sobretudo cineasta do erotismo, dotado, segundo André Breton, de uma "imaginação fulgurante". Dois anos depois de concluir seus estudos na Academia de Artes de Varsóvia, em 1951, conquistou o grande prêmio nacional de grafismo por seus cartazes para o cinema.

A partir de 1946 dirigiu alguns curtas de animação, mas teve que esperar até 1957 para ser reconhecido com o filme de animação "Byl sobie ras", co-dirigido com Jan Lenica. Borowczyk revolucionou o cinema de animação, ao introduzir o humor negro, gags surrealistas e uma técnica nova baseada na divisão do roteiro em cenas.

Em 1958, viria o filme "Dom", também dirigido em colaboração com Lenica, com o qual recebeu o grande prêmio em Bruxelas. Conhecido por seu cinema surrealista, radicou-se em Paris, onde colaborou com Chris Marker, em "Les astronauts" (1959) e fez outros filmes de animação como "Renaissaince" (1963) e "Les jeux des anges" (1964). Em 1963, fez seu primeiro longa de animação, "Theatre de Monsieur et Madame Kabal".

A partir de 1968, passou da animação para a ficção. Então viriam filmes como "Mazeppa", "Goto - Ille d'Amour", e "Blanche" (1971), um conto medieval shakespeariano. Sua esposa, Ligia Branice, aparece nesses dois filmes. Em 1974, foi lançado no cinema seu primeiro filme abertamente erótico (na época, proibido para menores de 16 anos): "Contos imorais" (Contes inmoraux), no qual atuam, entre outros, Fabrice Luchini e Paloma Picasso. Borowczyk nesse trabalho dava uma visão da sexualidade com o passar da idade em quatro episódios.

O cineasta voltou a Polônia em 1975 para rodar "História de um Pecado" (Dziejz grechu), e regressou a França no mesmo ano onde filmou "A Mulher e La Bête", (La bête), no qual aparecem cenas de acasalamentos eqüinos e masturbações tão provocadoras que muitos espectadores deixavam a sala no meio do filme.

Em 1977, filmou na Itália "Atrás do muro de um convento" (Interno di un convento), com sua esposa no elenco, fazendo uma religiosa moralista enclausurada que se confronta com algumas companheiras vítimas dos tormentos da carne. A Borowczyk se deveu ainda o filme "Emmanuelle 5" (1986), quinto filme sobre as tórridas aventuras da heroína, vivida por Sylvia Kristel, marcado por um erotismo obscuro e fiel.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006

rebelião em Brasília

capa do livro de Antonio de Pádua Gurgel, editora Revan, lançado em 2004

Iniciarão neste próximo final de semana as filmagens do documentário longa-metragem "A rebelião dos estudantes", baseado no livro homônimo de Antonio de Pádua Gurgel, com direção Alvarina Souza Silva.

O filme focalizará as manifestações estudantis em resposta ao golpe militar de 1964, localizando-as no contexto histórico, político, social, econômico e cultural do Brasil e do mundo nas décadas de 1960 e 1970.

Serão registrados episódios ligados a construção da nova capital da República, a criação da Universidade de Brasília, passeatas e outras manifestações estudantis, o massacre que resultou da visita do embaixador americano à UnB em 1967, a morte de Edson Luis de Lima Souto, a ocupação de colégios por secundaristas, as invasões da universidade pela polícia, a prisão de um policial pelos universitários, e o acampamento que os estudantes realizaram dentro do Congresso Nacional.

O longa exibirá imagens, fotos e reproduções de jornais e documentos da época. Estão previstos depoimentos e relatos de personalidades de alguma forma envolvidas nos fatos, como Oscar Niemeyer, um dos grandes defensores da criação da UnB; o jornalista Franklin Martins, autor do prefácio do livro e na época presidente da União Metropolitana dos Estudantes; o então deputado federal Márcio Moreira Alves, que em protesto contra a invasão da Universidade pronunciou o discurso usado como pretexto para a decretação do Ato Institucional nº 5; o artista plástico Athos Bulcão, professor da UnB nos anos 60; e a escritora Ana Miranda, que até a decada de 70 morou em Brasília.

A pesquisa inclui consulta aos arquivos do Centro de Documentação da UnB, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, e outros arquivos oficiais e particulares, além de fazer uma busca minuciosa em jornais que trataram do assunto, como o Correio Braziliense, Jornal do Brasil, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo.

"A rebelião dos estudantes: Brasília, 1968", o livro de Antonio de Pádua Gurgel, se diferencia de tudo o que já foi escrito sobre os movimentos estudantis de 68, fundamentalmente por ser um trabalho que trata do movimento estudantil em Brasília. O autor registra os principais acontecimentos que ganharam vida na capital da República sem se preocupar com análises, e sim, em reconstruir os fatos historicamente através de documentos.

revelando os Brasis

Estão abertas até o dia 27 de fevereiro as inscrições para o Revelando os Brasis Ano II, que viabilizará a realização de 40 vídeos digitais em municípios brasileiros. O projeto é uma parceria do Ministério da Cultura, por meio da Secretaria do Audiovisual, com o Instituto Marlin Azul e está recebendo histórias reais baseadas em pessoas ou fatos verdadeiros, ou de ficção.

Para se inscrever é preciso ser morador de município com até 20 mil habitantes e ter, no mínimo, 18 anos de idade. Todos os textos serão avaliados por uma comissão que escolherá as 40 histórias que serão transformadas em vídeos com 15 minutos de duração.

Os autores selecionados dirigirão seus filmes, mas, antes, participarão de cursos preparatórios de roteiro, direção, produção, operação de câmera, som e edição, no Rio de Janeiro.

Revelando os Brasis é um projeto de formação e inclusão audiovisual que viabilizou, em sua primeira edição, a produção de 40 vídeos, das 417 histórias recebidas, de diversos municípios brasileiros, proporcionando a criação de obras que retratam a diversidade do País.

O regulamento e a ficha de inscrição podem ser encontrados na página www.revelandoosbrasis.com.br e, também, estão disponíveis nas agências e postos de atendimento dos Correios localizadas em todos os municípios do Brasil com até 20 mil habitantes.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

Altman favorito

Robert Altman, diretor de "A prairie home companion". Foto AP/CBSNEWS

Uma saraivada de críticas à política do maluco George W. Bush surgiu de forma inesperada com o musical country e aparentemente banal "A prairie home companion", de Robert Altman, exibido ontem em Berlim. A fita tornou-se a favorita ao Urso de Ouro, segundo a crítica alemã.

Para a atriz Meryl Streep, que está no elenco, "esse filme é subversivo porque trata de algo que, ultimamente, se perdeu nos Estados Unidos: o senso de humanidade e o humor. Basicamente, fomos criados sem fronteiras, por alemães, irlandeses ou paquistaneses. Somos tudo”. Altman, por sua vez, foi ainda mais direto: “Não acredito que vivamos uma guerra nos Estados Unidos, mas sim uma campanha de bombas”.

"A prairie home companion", programa de rádio transmitido ao vivo há 30 anos, aos sábados, basicamente com música country, é o tema do novo filme do octogenário Altman, como sempre composto por uma rede de personagens e elenco estelar, e retrata a imaginária última transmissão do programa, que seria encerrado por estar fora de moda, mostrando não só o que ocorre no palco como também nos bastidores.

"Boa noite e boa sorte" (Good night and good luck), dirigido pelo ator George Clooney, indicado a vários prêmios no Oscar 2006, foi premiado na mostra paralela Cinema for Peace, como “o filme mais valioso do ano”. A fita é alegação a favor da liberdade de informação e sobre a caça às bruxas de supostos comunistas durante a era macarthista no início dos anos 50 nos Estados Unidos.
Os temas em Berlim continuam polêmicos.

coincidências no Cassino

Daniel Graig, o novo James Bond, em "Cassino Royale", de Martin Campbell. Foto EON Productions/AP

O novo filme do agente James Bond, "Cassino Royale", trará para a ficção uma situação parecida com o assassinato do brasileiro Jean Charles de Menezes em uma estação de metrô de Londres, em julho do ano passado, depois de ser confundido com um terrorista. No filme, o protagonista mata a tiros um suspeito de terrorismo, mas depois descobre que a vítima era inocente. Bond tentará salvar a própria imagem depois que a filmagem da execução, registrada pelo circuito interno de TV, é divulgada em todo o mundo.

A coincidência está incomodando as autoridades britânicas. O filme será lançado em novembro próximo, e será o vigésimo primeiro da série sobre o agente secreto a serviço de Sua Majestade. Os diretores sempre se revezam nessas produções. Desta vez ficará sob o comando de Martin Campbell, que fez recentemente "A marca do Zorro". Quentin Tarantino chegou a ser especulado para a função, que "prometeu" fidelidade integral ao romance de Ian Fleming, lançado em 1953, no qual é baseado o filme. Imagine o que o enfant terrible faria da história!... Até o ex-Bond Sean Connery se propôs a dirigir o novo trabalho, o que seria muito "passional". Os produtores, então, preferiram confiar em um diretor com experiência em filmes de ação.

"Cassino Royale" é uma refilmagem. A produção original de 1967 trazia o embrionário personagem James Bond, vivido por ninguém menos que Peter Selles (o da "Pantera Cor-de-rosa") que recebia o cargo do Bond aposentado vivido David Niven. A direção foi assinada por Val Guest, Ken Hughes, Joseph McGrath, Robert Parrish e (pasmem!) John Huston. O elenco era ainda mais eclético: Jean-Paul Belmondo, Peter O'Toole, Deborah Kerr, William Holden, Charles Boyer, Orson Welles, a até Woody Allen! E claro, Ursula Andrews, no papel da bela espiã Vesper Lynd, a primeira bond-girl, que nessa versão 2006 será interpretada pela francesa Eva Green, que há três anos ficou conhecida com "Os sonhadores" (The dreamers), de Bernardo Bertolucci.
A novidade central está no ator inglês David Graig, que está no elenco de "Munique", de Steven Spielberg. A ele coube assumir uma linhagem que inclui o citado Connery (seis filmes), Roger Moore (sete), Timothy Dalton (dois), Pierce Brosnan (quatro) e o inexpressivo George Lazenby (um).

a polêmica do Código

Tom Hanks em "O código Da Vinci", de Ron Howard

Uma guerra de bastidores entre a Igreja Católica e a Sony será vista nos cinemas dos Estados Unidos, a partir de 19 de maio, sob o título "O Código da Vinci". A fita é uma adaptação do best-seller de Dan Brown e abrirá o Festival de Cannes. A Opus Dei, entidade católica retratada pelo autor como o “braço negro” da Igreja, desferiu contra-ataque massivo ao filme e a produtora Sony organizou uma página na internet para comentários sobre a obra de Brown.

Desde já o filme constitui material para polêmica, sobretudo para a produtora, que, ciente de pisar em terreno argiloso, deixou a direção nas mãos de Ron Howard, Oscar de direção pelo chato "Uma mente brilhante" (A beautiful mind), 2001. Além disso, não foi casualidade a escolha de Tom Hanks para o papel do estudioso Robert Langdon, que contracena com os franceses Jean Reno e Audrey Tauton.

A página www.thedavincichallenge.com, será colocada no ar na próxima quinta-feira, 16. A finalidade é dar voz e visibilidade aos críticos de "O Código" e exibirá cerca de 45 ensaios de escritores, acadêmicos e líderes cristãos e evangélicos, que comentarão fatos ligados ao cristianismo levantados por Brown. Aos interessados a página terá link para discussões on-line.

domingo, 12 de fevereiro de 2006

curta brasileiro premiado em Berlim

O fotógrafo Walter Carvalho, o jogador Marcelinho e a diretora Anna Azevedo em Berlim

O filme "BerlinBall", da diretora carioca Anna Azevedo ganhou na noite deste sábado o Berlim Today Award, mostra competitiva do Festival de Berlim dedicada a novos diretores. O documentário é estrelado por três garotos de Campina Grande (PB) que sonham em seguir os passos do conterrâneo Marcelinho Paraíba, astro do Hertha Berlin.

Berlinball" era o único filme brasileiro numa mostra competitiva do festival alemão, um dos três mais importantes do mundo.

O roteiro do filme foi selecionado em junho de 2005, entre os mais de 200 inscritos no Summer Workshop do festival. A Berlim Today é dedicada a cineastas iniciantes - com apenas um longa-metragem no currículo - e este ano reúne filmes que tratem da capital alemã nos dias de hoje. O projeto de Anna foi um dos dez três escolhidos para serem produzidos pelo festival.

Com fotografia de Walter Carvalho, o curta de 15 minutos mostra a Berlim idealizada pelos meninos de Campina Grande. Para esses aspirantes a craques, a maior representação da cidade alemã é a camisa do Hertha Berlin. "BerlinBall" concorria com o filme de ficção "Under these wings", do holandês Harrie Verbeek, e a animação "If you need me", dirigidos pelos cineastas Darija Andoviska, da Macedônia, e Mladen Djukic, da Bósnia-Herzegóvina.

Eduardo Souza Lima - O Globo

sábado, 11 de fevereiro de 2006

destinos alterados

Peter Ketnath e João Miguel em "Cinema, aspirinas e urubus", de Marcelo Gomes

Dá para desconfiar de certas exaltações: o jornal The New York Times elogiou o filme brasileiro "Cinema, aspirinas e urubus", que estreou ontem em Nova York. A observação da crítica Manohla Dargis dizendo que "o filme é sobre duas pessoas comuns, que não estão preocupadas com a história ou a política, mas com simplesmente sobreviver ao dia-a-dia”, minimiza as pretensões do diretor e roteirista Marcelo Gomes. No início dos anos 40, no interior de Pernambuco, Johann é um comerciante alemão que foge da guerra em seu país. Vende aspirinas na estrada, apoiado numa novidade tecnológica: o cinema. Exibe filmes de graça para os povoados, precedidos de comercias de... aspirinas! Ranulfo é um sertanejo que tenta escapar da miséria de sua terra para sobreviver. Os dois personagens "fugitivos" se encontram no mesmo espaço, debaixo do mesmo sol massacrante, e seguem juntos pelo sertão arcaico vendendo o remédio milagroso, respeitando as diferenças. Adentram numa realidade tão cruel quanto a guerra deixada para trás pelo alemão, enquanto o outro vai cada vez mais de encontro a "vida seca" da qual fugia. A crítica do NYT viu o filme por um lado só.

Fico com a afinada percepção do cineasta Karim Aïnouz:
"Há infinitas correntes dos chamados filmes de estrada. Dentre elas, há aquelas que revelam um desconforto com uma identidade nacional em mutação, como 'No decurso do tempo' (Im lauf der zeit), de Wim Wenders, 1976. Há aquelas que acompanham a crise existencial de um personagem, como em 'Flores partidas' (Broken flowers), de Jim Jarmusch, 2005. E há filmes em que essas duas tendências se mesclam, em que seus personagens agem e derivam por causa de suas próprias indagações, mas também porque a história se encarrega de alterar seus destinos. É o caso de 'Cinema, aspirinas e urubus', o ótimo filme de estréia de Marcelo Gomes."

temas explosivos em Berlim

George Clooney, irreconhecível em "Syriana - a indústria do petróleo", de Stephen Gaghan

George Clooney tornou-se ontem a estrela do Festival de Berlim com a exibição de "Syriana – A indústria do petróleo" (Syriana), thriller corrosivo sobre as relações entre os círculos políticos e petroleiros. Ainda que tenha sido exibido em caráter hors-concours, a fita de Stephen Gaghan (Oscar de melhor roteiro em 2000 por "Traffic", de Steven Soderbergh), ofuscou os dois filmes da mostra competitiva: "A soap", de Pernille Fischer Christensen, e "Slumming", de Michael Glawogger. Isso por duas razões: a constelação de astros (além de Clooney, Matt Damon, William Hurt, e o ótimo Christopher Plummer) e o explosivo tema (petróleo e política).

Clooney, de barba e 13 quilos a mais, encarna Bob Barnes, veterano da CIA enviado ao Oriente Médio com a missão de eliminar o príncipe Nasir, herdeiro do trono de um país árabe. Para consternação dos EUA, Nasir lembra os direitos de exploração de gás natural a uma sociedade chinesa em detrimento da texana Connex Oil. Paralelamente, em Washington, a Connex é investigada pelo Departamento de Justiça, mas ambicioso advogado é encarregado de obstruir os trabalhos. “Não pretendemos dar lições a ninguém nem impor verdades. Trata-se de bom filme para começar discussão sobre a dependência do mundo à produção de petróleo, mas também sobre a corrupção, a eficácia da CIA...”, disse Clooney, que concorre ao Oscar este ano como ator-coadjuvante por "Syriana", além de diretor com o seu "Boa noite e boa sorte" (Good night and good luck), filme também indicado noutras categorias.

Já o dinamarquês "A soap" aborda turbulenta história de amor entre uma mulher e um travesti que acorda de uma cirurgia de mudança de sexo. "Slumming", por sua vez, é história ambientada em áreas marginais de Viena e da República Tcheca, onde um poeta decadente e alcoólatra manipula as pessoas e lhes faz mal por prazer. Temas igualmente explosivos.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006

formação audiovisual


A Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura comunica que está disponível o edital do Programa de Apoio à Formação Audiovisual – Filme/Vídeo de Conclusão de Curso 2005-2006. Podem participar Escolas e Cursos Regulares, de Nível Superior, e Cursos Técnicos de Capacitação Profissional, conforme as categorias: Filme Tese e Vídeo.

Realizada em parceria com o Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual (Forcine),a iniciativa viabilizará trabalhos de conclusão de curso de estudantes de Cinema. O programa, além de investir na formação de profissionais da área audiovisual, objetiva a inserção das obras produzidas no mercado exibidor, principalmente no circuito de Festivais e emissoras de TV Públicas.

Para a categoria Filme Tese, destinado às escolas de nível superior, serão selecionados seis projetos de filmes de 13 minutos, que terão apoio de até R$ 30 mil cada. Para a categoria Vídeo, destinado aos cursos de capacitação profissional, serão selecionados quatro projetos de vídeos digitais de 13 minutos, que terão apoio individual de até R$ 13 mil.

A análise da qualidade dos roteiros e da viabilidade técnica dos projetos caberá a uma Comissão de Seleção, constituída por representantes dos diversos segmentos do audiovisual.

As inscrições estarão abertas até o dia 7 de abril e o edital encontra-se disponível no site do MinC (www.cultura.gov.br) no link Apoio a Projetos/Editais.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006

curtas no ar

A Associação Brasileira de Documentaristas, ABD - São Paulo, acaba de negociar com a TAM a exibição de curtas-metragens durante os vôos da companhia. Os filmes a serem escolhidos não se limitam a São Paulo, podendo ser de qualquer lugar do Brasil.

As bases do acordo estão desenhadas, mas ainda não completamente definidas: os curtas serão remunerados a partir de um valor mínimo de 30 reais por minuto pela exibição durante um mês.

Duas restrições básicas foram colocadas pela TAM: 1) apesar do grande contingente de curtas brasileiros do gênero catástrofe, as cenas de desastre aéreo estão vetadas, por razões óbvias; 2) cenas de sexo, da mesma forma, para que os passageiros não perturbem as aeromoças...

O mérito da iniciativa e execução do projeto é do vice-presidente da ABD, Romeu di Sessa. A curadoria também fica sob sua responsabilidade, possivelmente ao lado de um representante da empresa aérea.

Maiores informações: romeu@diromeu.com.br

inéditos em Brasília

"Djomeh", do iraniano Hassan Yektapanah

De 14 de fevereiro a 5 de março, a sala de cinema do Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília, recebe 15 longas-metragens que ainda não chegaram ao circuito comercial da cidade. É a terceira edição da mostra Inéditos em Brasília, que traz recentes e premiadas produções, assinadas por grandes nomes da cinematografia da França, Argentina, Irã, Noruega, Estados Unidos, Inglaterra, China, Portugal, Espanha, Itália e Argélia.

Sempre sob a curadoria do pesquisador João Juarez Guimarães, o público de Brasília terá a oportunidade de assistir a verdadeiras obras-primas da cinema mundial. Destaque especial neste terceiro ano são os dois títulos da controversa diretora francesa Catherine Breillat, "Uma adolescente de verdade" (Une vaie jeune fille), 1976, e "Para minha irmã"(À ma soeur!), 2001. A cineasta é conhecida pela forma pouco ortodoxa de lidar com a sexualidade feminina.
Destacam-se também dois filmes do norueguês Bent Hame: sua estréia na ficção "Ovos" (Eggs), de 1995, e o recente "Histórias de cozinha" (Salmer fra kjøkkenet), de 2003, escolhido pelo júri como melhor filme da Mostra de São Paulo em 2005 e o melhor da Quinzena de Realizadores do Festival de Cannes, 2003.

Outros títulos consagrados internacionalmente são: "Bolívia" (Bolivia), do argentino Israel Adrián Caetano, que trata da vida de um imigrante em Buenos Aires e que conquistou a crítica internacional do Festival de Londres; "Como matei meu pai" (Comment j'ai tué mon père), 2001, assinado por Anne Fontainne, uma realizadora que aos poucos vem construindo uma sólida carreira no cinema francês, e rendeu a Michel Bouquet o Prêmio Cesar de Melhor Ator; o iraniano "Djomeh" (Djomeh), 2000, de Hassan Yektapanh, sobre uma história de amor entre um afegão e uma iraniana, prêmio Câmera de Ouro do Festival de Cannes; o norte-americano "A mão do desejo" (Spanking the Monkey), 1994, de David O. Russel, escolhido o melhor pelo público do badalado Festival Sundance; o inglês "Neste mundo"(In this world), 2002, de Michael Winterbottom, vencedor do Urso de Ouro do Festival de Berlim, entre vários outros grandes filmes premiados.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

longa confidência


"O cinema se parece com o romance. Como um romance, o filme me faz uma longa confidência, me abre um mundo e reclama para ele a minha liberdade."


Barthélemy Amengual, crítico e pesquisador de cinema. Nascido na Argélia em 1919, faleceu ano passado na França, onde morava desde 1968. Publicou quase vinte livros. São estudos, análises e reflexões que vão de Chaplin a Eisenstein, passando por René Clair, seu cineasta predileto. Um de seus livros mais conhecidos é "Chaves do cinema" (Clefs pour le cinéma), de 1971, publicado no Brasil pela Civilização Brasileira numa ótima tradução de Joel Silveira.

domingo, 5 de fevereiro de 2006

elenco realista

Nakh Kumar Raju dirige a atriz Dimple Kapadia em "Hum tum pe marte hain", 1999

Uma notícia, no mínimo, muito curiosa: o cineasta indiano Nabh Kumar Raju está fazendo um filme cujo elenco inteiro se constitui de ex-criminosos. E não se trata de ação social, e sim de estratégia para obter verossimilhança, pois o roteiro desenvolve uma intrigada história com mafiosos. Mafiosos de lá.
Com anúncio nos jornais, compareceram aos testes cerca de 3 mil candidatos! Entre os escolhidos, um chefe da máfia local que hoje passa por julgamento, um "ex-sequestrador" e um "ex-ladrão"...

sábado, 4 de fevereiro de 2006

cinema brasileiro para todos


“O cinema brasileiro deveria custar R$ 2, qualquer filme brasileiro que entrar em cartaz. Quer a panacéia? É essa. A única saída é transformar o cinema na diversão acessível, a mais barata que existe. Até 1980, havia público fiel ao cinema brasileiro: as classes C e D. Esse público não existe mais. Ele não tem R$ 12 para ir ao cinema. A entrada, em 1970, custava uma passagem de ônibus.”


“O governo deveria estimular quem quiser abrir salas de cinema para exibir filmes brasileiros. Deveria haver uma forma de financiamento, sem burocracia, sem encheção de saco, mas com todo acompanhamento. As leis no país foram criadas para quem já tem estrutura. É preciso estimular a abertura de novas salas. Aqui é terra de ninguém. A ambição do cinema brasileiro é ganhar Oscar...”


Trechos da entrevista do cineasta Carlos Reichenbach, o Carlão, ao jornal Correio Braziliense de hoje.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2006

olhos de gueixa

Uma semana antes da estréia, o longa "Memórias de uma gueixa" (Memoirs of a geisha), de Rob Marshall, foi proibido pelo governo chinês, sob a alegação de que poderia reacender no país sentimentos hostis em relação ao Japão.

A Sony, distribuidora do filme, já havia sido notificada de que o público chinês poderia não gostar de ver três de suas principais atrizes (as belíssimas Ziyi Zhang, Gong Li e Michelle Yeoh) nos papéis de gueixas japonesas, que muitos chineses consideram prostitutas. Jornais e programas da tv local freqüentemente falam da ocupação da China pelo Japão nos anos 1930 e 1940.

Baseado no livro homônimo de Arthur Golden, lançado no Brasil pela editora Imago, o filme foi produzido por Steven Spielberg e concorre ao Oscar deste ano em 6 indicações (direção de arte, figuro, fotografia, música, som e edição som). O enredo conta a vida de uma jovem vendida pelos pais para viver como escrava numa casa de mulheres e receber treinamento para se tornar gueixa. Ambientado no Japão das décadas próximas à eclosão da Segunda Guerra Mundial, a história tem o mérito, entre tantos outros, de expor o lado machista oriental. As gueixas passavam anos de rigoroso aprendizado, começando na adolescência, e até mesmo na infância, para depois divertir homens, geralmente uma elite formada por empresários, políticos, artistas e até membros da Yakuza, a máfia japonesa. A diversão consistia basicamente em cantar e dançar. Mas ficou comum, principalmente fora do Japão, serem confundidas com prostitutas de luxo. Atividade que ocorria, não necessariamente.

Apesar da proibição, é possível comprar dvds piratas do filme nas ruas de Pequim e Xangai por apenas US$ 1.

parceria com os franceses


Em abril, um grupo de produtores e diretores brasileiros estará em Recife para o curso Produzir no Sul, projeto do Festival des 3 Continents da Cidade de Nantes, na França, pela primeira vez no Brasil graças a parceria entre a Prefeitura do Recife, Fundação Joaquim Nabuco e Embaixada da França. O encontro visa promover co-produções internacionais, além de oferecer consultoria para projetos de todo o Brasil, selecionados pelos parceiros franceses.

O Produire au Sud – Brasil acontecerá de 7 a 10 de abril e terá 16 participantes. Estão aptos a concorrer projetos de longas-metragens em fase de desenvolvimento. O curso será ministrado pela produtora Elise Jalladeau (da ArtCam International e Festival des 3 Continents), o especialista em vendas internacionais Pierre Menahem (da Scalpel, ex-Celluloid Dreams), o roteirista Gualberto Ferrari, e um brasileiro ainda não definido.

Mais informações nas páginas www.recife.pe.gov.br e www.fundaj.gov.br

"Cafundó" em Los Angeles

Leona Cavalli e Lázaro Ramos em "Cafundó". Foto Lucas Barreto

O filme "Cafundó" estréia na direção do ator Paulo Betti e co-dirigido pelo roteirista Clóvis Bueno, é um dos sete indicados a melhor filme no 14º Annual Pan African Film Festival, em Los Angeles, de 9 a 20 deste mês. O evento é organizado pelo ator norte-americano Danny Glover e aborda exclusivamente filmes com temáticas afro-culturais.
É o único brasileiro concorrente, ao lado de produções dos Estados Unidos, África do Sul, Canadá, Haiti, Congo e Burkina Faso, na África. Vencedor de 4 kikitos no Festival de Gramado do ano passado, o filme conta a vida do ex-escravo João de Camargo, fundador de uma igreja em Sorocaba, São Paulo, que mesclava diversos rituais religiosos.
O lançamento no Brasil está previsto para começo de abril.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006

mostra paulista de cinema nordestino


Com o apoio da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, o documentarista Gregório Bacic, diretor do programa Provocações da TV Cultura, realiza a Primeira Mostra Paulista de Cinema e Vídeo Nordestinos. O objetivo é exibir a produção audiovisual do Nordeste nas cidades de periferia da Grande São Paulo. O acesso do público às sessões será sempre gratuito. A exibição dos filmes será realizada ao ar livre ou em lugares fechados. A Mostra acontecerá em abril deste ano.

É na periferia de São Paulo onde vive a maior concentração de nordestinos fora da região Nordeste. A organização da Mostra pretende levar o cinema a quem não tem condições de ir até ele. Serão exibidos filmes e vídeos, de ficção e documentário, da Bahia, Sergipe, Alagoas, Piauí, Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Maranhão.

O endereço para envio de cópia dos filmes em dvd, até o dia 5 de março, com o termo de autorização de exibição preenchido e assinado é Rua Oliveira Alves, 472, ap. 162, 04210-061 São Paulo - SP, aos cuidados de Gregório Bacic.

Maiores informações com Maria Eduarda Andrade, no endereço dudaandrade@gmail.com

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006

concurso de roteiro do MinC


Estão abertas as inscrições para o Concurso de Apoio ao Desenvolvimento de Roteiros Cinematográficos promovido pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura. Até 8 de abril os interessados poderão inscrever roteiros inéditos de longa-metragem no gênero ficção.

Serão apoiados dez projetos, no valor de R$ 50 mil cada, nas categorias de Roteirista Estreante e Roteirista Não-Estreante. Criatividade artística, inovação de linguagem, comunicabilidade e relevância da abordagem de valor cultural estão entre os aspectos importantes a serem considerados nos roteiros.

A seleção será feita por uma Comissão composta por especialistas na produção cinematográfica, dentre os quais haverá um membro de cada região do país e um membro indicado pela Associação de Roteiristas de Televisão (ARTV).

O Edital de Desenvolvimento de Roteiros compõe o Programa de Editais 2005-2006 encontra-se disponivél no site do Ministério da Cultura ( www.cultura.gov.br ) no link Apoio a projetos/Editais.