sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Frida


colhendo os morangos

O ator Victor Sjöström, na pele de um culto e respeitado professor de medicina. A caminho de receber um prêmio pelos seus 50 anos de trabalho, vê-se aproximando da morte. No percurso, em sua simplicidade, reflete sobre sua vida, seus erros...

A fala no ótimo filme de Ingmar Bergman, "Morangos Silvestres" (Smulltronstället), 1958, remete à máxima do antigo sábio grego Sócrates, "tudo que sei é que nada sei", que por sua vez recorreu à inscrição no Oráculo de Delfos, "ó, homem, conhece-te a ti mesmo, e conhecerás os deuses e o universo", atribuída aos Sete Sábios, 650 anos a.C.

Ou seja, "é você olhar no espelho / se sentir um grandessíssimo idiota / saber que é humano, ridículo, limitado / que só usa dez por cento de sua cabeça, animal...", como tocava Raul.

O conhecimento não é monolítico, nem finito.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

um girassol da cor dos seus cabelos

 
No dia 23 de dezembro de 1888, em um momento de forte depressão, o pintor holandês Vincent Van Gogh cortou uma navalha um pedaço da própria orelha esquerda. Embrulhou em um lenço e levou para uma amiga, a prostituta Rachel, que desmaiou ao receber o mórbido presente natalino. "Guarde com cuidado", dizia um bilhete anexo.

Essa é a versão que conhecemos sobre o fato ao longo desses dois séculos, desde as Enciclopédias Barsa, Delta-Larousse... até a Wikipédia. Em 2009, os historiadores suíços Hans Kaufmann e Rita Widegans publicaram o livro A orelha de Van Gogh, Paul Gaugin e o pacto de silêncio (Van Goghs Ohr, Paul Gauguin und der Packt des Schweigens), resultado de dez anos de pesquisa, e conta outra história para a atitude radical do pintor.

No bombástico livro, os autores apontam situações que em parte sabemos, a relação dificil de Van Gogh com o pintor francês Paul Gauguin. Morando juntos por um tempo, os dois discutiam muito sobre conceitos e formas de criação artística, e suas teorias eram sempre incompatíveis. Van Gogh, de temperamento instável, não se conformava com o plano do amigo sair do atelier nos arredores de Paris e voltar para a capital. Queria mantê-lo sempre por perto. Gauguin era um exímio esgrimista, e numa violenta discussão o fere acidentalmente. Diante da tragédia, sem quererem repercussão, os dois fizeram pacto de silêncio. Apaixonado pelo amigo, Van Gogh manteve a história de autoflagelo. Foi internado por um ano num hospício, e ao sair, no tempo que não se imaginavam as selfies, postou-se diante do espelho e pintou para a posteridade, e eternidade, o autorretrato reproduzido abaixo. O quadro encontra-se exposto no Instituto de Arte Courtauld, em Londres.

Van Gogh foi ao extremo: suicidou-se dois anos depois do acontecido.

O livro de Kaufman e Widegans, em uma investigação preciosa, baseia-se em inúmeras cartas de amigos e dos próprios pintores, relatórios policiais, escritos de testemunhas, notas de jornais. A leitura joga novas luzes sobre os girassóis e nos deixa com a pulga atrás da orelha - sem trocadilhos.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Joe Cocker

Os sete minutos de Joe Cocker no filme "Woodstock", de Michael Wadleigh, cantando "With a little help from my friends", foi o momento que mais me marcou quando assisti ao documentário sobre os três emblemáticos dias de paz, música e amor. 

O vozeirão do cantor britânico, com essa mesma canção dos seus conterrâneos Beatles, do álbum "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band", 1967, marcou-me igualmente pela abertura da série americana "Anos Incríveis" (The Wonder Years), que a TV Cultura exibia nos anos 90.

Cocker é também o roqueiro predileto do meu irmão Vagner. Sempre associei um ao outro, sei lá porque, ou porque sim. E não à toa, foi o mano que me deu a notícia que nosso Joe partiu hoje pra outras dimensões incríveis. 

As coisas podem até caminharem em linha reta, passado não tem curva, como diz Renato Godá, mas histórias se tocam em alguns pontos, nas dobras, nas esquinas. Lugares, canções, aromas, conectam os afetos.
Joe Cocker, com sua voz gutural, sua performance energética, e seu tipo de anti-herói viking, era doce na mesma proporção.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Maïwenn

A atriz e cineasta francesa Maïwenn. Dirigiu o ótimo "Polissia" (Polisse), em 2011. 
Entre os filmes mais conhecidos, atuou em "O Quinto Elemento", do ex-marido Luc Besson, e seu mais recente trabalho é ótimo "O amor é um crime perfeito" (L'Amour est un crime parfait), 2013, dirigido pelos irmãos Jean-Marie Larrieu e Arnaud Larrieu.

Keith, 71


A figura emblemática do estilo musical surgido nos EUA no final dos anos 40, de uma lista bastante seletiva, é o guitarrista Keith Richards, pela musicalidade, comportamento e todos os etc e tais...

Keith é a alma do Rollings Stones. Keith é alma do próprio rock and roll.

Hoje ele completa 71 anos de pedras rolando.

domingo, 30 de novembro de 2014

ls nave va

"Precisamos dos poetas para dar coerência aos sonhos."
Luigi Pirandello

gente jovem reunida

Feira da Música de Fortaleza encerra com show de Rodger Rogério, com a participação de Marcos Vitoriano. Gente jovem reunida cabelo ao vento cantando as músicas desse jovem de 70 anos. Rodger, vou repetir o que tu já sabes: a garotada canta tuas canções na ponta do lápis.


Emocionante ver uma geração nova em sintonia com o trabalho de um dos maiores compositores da música cearense.

Uma honra ter Rodger Rogério, Vitoriano, Cristiano Pinho, Herlon Robson, Edmundo Vitoriano Jr., no meu documentário Pessoal do Ceará - Lado A lado B.

você tem fome de quê?...

"Tudo ao mesmo tempo agora", texto e direção de Maria Vitória. Último dia ontem. Quem perdeu, perdeu, não perca a próxima temporada. Você, ilustre desconhecido, aceite o próximo convite pra esse jantar com as atrizes Sara Síntique, Jéssica Teixeira, Maria Vitória e Nádia Fabrici, todas ao mesmo tempo Úrsula Laura, dona de casa e bailarina.

"Tudo ao mesmo tempo agora" é denso, tenso, largo, profundo, inquietante, não se sai dessa ceia impunemente. Reflita enquanto faz a digestão. Eu trocaria a trilha sonora clássica por uma moderna, experimental, rasgada, mas eu não montei a peça, e se neste mundo eu me chamasse Raimundo, seria uma rima e não uma solução.

Belíssimo trabalho! Excelente a química de atuação do elenco, aliás, mais do que química, é alquimia com a beleza de quem conversa com a comida. Parabéns a todos do Grupo Terceiro Corpo. Teatro!

(Particularmente foi emocionante assistir à peça no Teatro Universitário Paschoal Carlos Magno, em Fortaleza, templo onde noutros tempos trabalhei com Chico Alves e Graça Freitas, pais de Maria Vitória. Ontem à noite estavam todos ali ao mesmo tempo agora).

For Rainbow colorindo o Dragão


terça-feira, 25 de novembro de 2014

For Rainbow


tudo que é sólido desmancha no ar...

 

foto Nirton Venancio

Homenagem ao grande escritor e filósofo americano Marshall Berman, que ontem faria 74 anos e se foi ano passado. Sua sólida literatura não desmanchará. 

Berman foi, aliás, é um dos maiores pensadores da modernidade. Seu livro mais conhecido, o ótimo "All that is solid melts into air: The experience of modernity", de 1982, lançado no Brasil em 86 com o título "Tudo que é sólido desmancha no ar", é uma análise interessantíssima do que seja modernismo e do que se diz pós-moderno. O título da obra é uma alusão ao pensamento exposto no Manifesto Comunista de Karl Marx e Friedrich Engels, de 1848. Goethe, Baudelaire, Dostoiévski, as vanguardas do século passado, todos passam pela dissecação crítica desse estadunidense que ia na contramão dos conceitos capitalistas e bélicos de seu país. Berman pra mim tinha um comportamento beatnik.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

domingo, 23 de novembro de 2014

o renegado

 
 foto Nirton Venancio

Os riffs de Marcelo Pinheiro, da Banda Renegados, Ceará. 
Show de encerramento do 24º Cine Ceará, Theatro José de Alencar, Fortaleza, 22/11/14

Waits

Thomas Alan Waits, Tom Waits, um dos últimos beatniks da música.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

o olhar do cinema

A atriz americana Jayne Mansfield ficou conhecida por suas artimanhas de publicidade, muito mais do que por seu "talento" nas telas. Fazia de tudo para atrair a atenção de todos. Um dos principais incidentes envolveram Sophia Loren.

Seus seios eram o foco de um golpe de publicidade notória. Em 1957, durante um jantar em homenagem à estrela italiana, no restaurante Romanoff, em Beverly Hills, Mansfield entrou no local chegando mesmo, fazendo-se notar a cada passo e rebolado, e "naturalmente" foi direto à mesa onde estava a convidada. Chegou, cumprimentou, e sentou-se, separando Loren de seu companheiro de jantar, o ator Clifton Webb. A intenção foi desviar a atenção da mídia sobre a atriz, já consagrada em clássicos como "Quo Vadis?", "Noites de Cleópatra", "O signo de Vênus", além de ser casada com o grande produtor de cinema Carlo Ponti.

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A sequência de fotos mais conhecida mostrou o olhar de Loren caindo sobre a decote de Jayne Mansfield, que se inclinou sobre a mesa, permitindo que seus seios ficassem à mostra, expondo um mamilo. 


Sempre analisei essa imagem como um dos conceitos mais forte que definem uma narrativa cinematográfica. Ali não era um filme, claro. Mas na tela quando a expressão de um personagem desenha uma reação muito forte diante do que não vemos, mas conseguimos "ver" através desse olhar, o cinema atinge sua mais completa tradução. Cinema é sugestão. Cinema é também o que está fora do quadro. É o outro lado da lua.
A arte não imita, reflete a vida. Os volumosos e belos seios de Mansfield chamaram a atenção do mundo e dos presentes no Romanoff naquela noite. Mas foi o olhar de Sophia Loren que se cristalizou para sempre com o incidente. Sophia, atriz. Mansfield, estrela. Longa é a arte, breves os seios de Mansfield.

a paisagem e a distância - ensaio 1

Biblioteca Nacional, Brasília, 2013
Foto: Nirton Venancio

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

menino passarinho


Para mim poderoso é aquele que descobre as / insignificâncias (do mundo e as nossas). / Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil. / Fiquei emocionado. / Sou fraco para elogios.

― Manoel de Barros, trecho do poema 'Tratado Geral Das Grandezas Do Ínfimo'


As coisas não querem mais ser vistas por pessoas razoáveis: / elas desejam ser olhadas de azul / - que nem uma criança que você olha de ave...

- Manoel de Barros


Hoje ele saiu pra pescar outros passarinhos...



  Manoel se esqueceu de se atrasar hoje... 


 E você, Manoel, monumentou a Poesia.


"Só dez por cento é mentira", documentário dirigido por Fábio Fabuloso, 2008, sobre a vida e obra do sulmatogrossense Manoel de Barros. Com lúcidos e bem humorados 91 anos de idade, à época, o autor é considerado o poeta mais original em língua portuguesa. O filme é uma espécie de desbiografia, "mentiroso" na porcentagem certa.

Ele continuou passarinho hoje. E essa sua "mentira" é cem por cento verdade. Minha lágrima molha seu chão...



O retrato do Poeta enquanto livro.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

o Saci contra-ataca

Halloween que nada! Isso é um evento tradicional dos países anglo-saxônicos, com especial relevância nos dominadores Estados Unidos. Nossa identidade cultural é o moleque SACI PERERÊ, que se comemora hoje, 31. 

Nosso personagem mitológico foi criado pelos índios da região sul do Brasil no fim do século 18, e morando na mata, é guardião das plantas sagradas que utiliza para fazer remédios curativos. As bruxas do Tio Sam não estão com nada, só sabem assustar e nos roubar doce e guloseimas.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

toca Raul!

 foto Kika Seixas

Assisti a todos os shows do Raul Seixas. Pelo menos os que passaram onde morei e moro. No final dos anos 70 saí de Fortaleza pra Salvador num ônibus da Itapemirim pra assistir a um show do maluco beleza na Concha Acústica da capital baiana. Em Brasília, não perderia por nada a apresentação que ele fez no dia 8 de março de 1989, no antigo Gran Circo Lar (foto), onde hoje está a nave branca do Museu da República. Raul e Marcelo Nova faziam turnê para divulgar o disco "Panela do diabo". Ele estava visivelmente debilitado, a voz trêmula, mas o mesmo brilho de um grande artista.

Ele voltou a Brasília em agosto para um show no Ginásio Nilson Nelson. Eu perdi, estava viajando. Foi a última apresentação do Raulzito. Nove dias depois ele partiu na sombra sonora de um disco voador.

25 anos hoje sem a mosca na sopa. Como ele dizia, "é preciso cultura para cuspir na estrutura".

terça-feira, 19 de agosto de 2014

a alma do tempo

"As pessoas não olham muito. As pessoas pensam muito. E isso não é a mesma coisa", dizia o grande fotógrafo Henri-Cartier Bresson.

Em 19 de agosto 1989, há exatos 175 anos, foi anunciado e apresentado ao mundo em Paris o primeiro dispositivo fotográfico, desenvolvido por Louis M. Daguérre. Não creio que a Fotografia tenha sido inventada por uma única pessoa. Foi resultado de vários processos, descobertas e invenções, passos decisivos de grandes nomes como Joseph Nicéphore Niépce, Fox Talbot, Hércules Florence...

Em homenagem ao evento histórico, hoje é comemorado o Dia Mundial da Fotografia, com várias atrações por todas cidades do planeta. Aqui em Fortaleza, está programada no Bar Estoril, a exposição "Entre o Documento e a Ficção - Fronteiras da Fotografia", com exibição de trabalhos de fotógrafos cearenses e latino-americanos. A abertura será às 19h.

O meu clique para os amigos que sabem tão bem capturar a alma do tempo e das gentes:
 
Galba Sandras, Mauricio Albano,José Albano, Silas de Paula, Gentil Barreira,Mercedes Lorenzo, Marcos Vieira, Nely Rosa, José Rosa Filho, Marcos Guilherme, Jarbas Olibeira, Marcos Guilherme, Jarbas Oliveira, Celso Oliveira, Tiago Santana, Chico Gadelha,Kennedy Saldanha, Arlindo Moreira Barreto, Deise Jefinny, Fábio Meireles, Nikolas Leiva, Mel Lopes, Eden Barbosa, Jacques Antunes, Clara Capelo, Mário Luis, Priscilla Sousa, Celiane Oliveira,Tibico Brasil, Ricardo Baptista, Drawlio Joca, Reiko Miura, Leo Mamede, Alex Meira, Antonio Luiz Mendes, Miguel Freire, Roberto Iuri, Petrus Cariry, Solon Ribeiro, Taline Pontes...
  
Em especial ao meu tão meu Rubens Venancio, autor da foto acima.

domingo, 17 de agosto de 2014

no meio do calçadão

No meio do calçadão tinha o Drummond
tinha o Drummond no meio do calçadão
tem o Drummond
no meio da minha vida tem o Drummond...

Nunca me esquecerei que naquele dia 17 de agosto,
há 27 anos, você partiu de vez pra Itabira...

sábado, 16 de agosto de 2014

37 anos que Elvis não morreu

Já cunharam a lenda de que "Elvis não morreu". Lembro-me que, há 37 anos, ao ouvir a notícia de sua morte no rádio, pensei o mesmo.

dizem que sou louco...

Ele dizia que "o indivíduo bem equilibrado é insano", e que "essas palavras que escrevo me protegem da completa loucura".

Assim foi Charles Bukowski. Aparentemente uma definição contraditória de si mesmo, como se negasse um momento em que se encontrou no outro.

O poeta, contista e romancista nascido na Alemanha, e naturalizado norte-americano, que hoje faria 94 anos, foi um artista lúcido, por isso a loucura protegida, ou conceituada, por sua obra. Afinal, ele dizia que "a diferença entre a Arte e a Vida é que a Arte é mais suportável."

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

milhões pra Luan

Ministério da Cultura aprova projeto de R$ 4,1 milhões para turnê de Luan Santana.

Para sua aprovação, o projeto apresentado ao Ministério da Cultura argumenta que tem como objetivos "difundir as raízes sertanejas enquanto manifestação cultural e artística a partir da música romântica", "promover acesso a entretenimento musical de qualidade", "gerar um ambiente diferenciado com atmosfera especial para o público" e "democratizar a cultura"

É pouco? 

era de Aquário


"Uma Exposição Aquariana: 3 Dias de Paz & Música", assim foi anunciado o maior evento da música popular, o Woodstock, que começou em 14 de agosto de 1969, na cidade de Bethel, estado de Nova York.

Uma multidão de mais 400 mil pessoas com o dedo em V, cabelo ao vento, gente jovem reunida, e o cartaz de mais de trinta músicos... Jimi Hendriz, Janis Joplin, Richie Havens, Arlo Guthrie, Joan Baez, Santana, Creedence Clearwater Revival, The Who, Jefferson Airplane, Joe Cocker, Johnny Winter, Crosby, Stills, Nash & Young, entre outros.



Muitos recusaram os convites, pelos mais variados motivos. Dos Beatles, dizem que John Lennon exigiu que tocasse com ele a Plastic Ono Band; Led Zeppelin achou que seria apenas mais uma banda se apresentando; o inocente empresário do Jethro Tull argumentou que teria muita droga e sexo; The Doors não foi porque falaram que Jim Morrison estava inseguro diante tanta gente; o filho de Bob Dylan adoeceu poucos dias antes...

Woodstock ficou marcado como um retrato comportamental, exemplificou a era hippie e a contracultura do final dos anos 1960 e começo de 70. E isso não é pouco.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

toda a vida

“Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons, mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis.”
- Bertolt Brecht

O destacado dramaturgo, poeta e encenador alemão do século XX, com seus trabalhos artísticos e teóricos, influenciou profundamente o teatro contemporâneo. As apresentações de sua companhia, Berliner Ensemble, realizadas em Paris durante os anos 1954 e 1955, tornou Brecht mundialmente conhecido.

Hoje completam 58 anos de sua morte. Ele continua imprescindível.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

naquela mesa está faltando ele...

Numa tarde, 13 de agosto de 1969, o grande músico, compositor e bandolinista brasileiro de choro, Jacob do Bandolim, passou horas na casa do mestre Pixinguinha, no bairro de Ramos, Rio de Janeiro, conversando sobre música e a vida, como sempre fazia nesses encontros. Voltou para sua residência, perto de anoitecer, já cansado. Pouco depois que adentrou a varanda, Jacob passou mal e faleceu nos braços da esposa.

Além de grande compositor, Jacob era um entusiasta, um obcecado pela preservação da memória brasileira, e além de gravar shows e eventos ligados à música instrumental, deixou uma vasta coleção discos, que cuidava com esmero em sua casa, em Jacarepaguá.

Em 2002, o produtor e compositor Hermínio Bello de Carvalho, conseguiu, depois de muito trabalho, criar o Instituto Jacob do Bandolim, onde estão, felizmente, preservados e digitalizados quase 6000 gravações de audios, mais de 1500 documentos pessoais, e sua coleção de vinil.

imaginação

"Existe algo mais importante do que a lógica: é a imaginação. Se pensamos primeiramente na lógica, não podemos imaginar mais nada."

Alfred Hitchcock, o mestre do suspense. O único. O inimitável.

Hoje ele faria 115 anos de sustos inimagináveis.

the wall

Há 53 anos, na fria madrugada de 13 de agosto de 1961, iniciou-se a mais imbecil construção do homem: o Muro de Berlim, separando a Alemanha em Oriental e Ocidental.

Durante os 28 anos de existência, o muro, com seus quase 70km de extensão, separou não somente um país, mas polarizou o mundo, no que Drummond chamou de "tempo de homens partidos".

Na onda revolucionária que se propagou no Bloco do Leste, em 1989, o muro foi destruído, cortina de ferro rasgada, com a euforia de multidões de alemães dos dois lados, que se reencontraram, e dessa forma simbolizando e manifestando um novo tempo, porque, "os lírios não nascem das leis" - recorrendo mais uma vez ao poeta de Itabira.

Há muros e "muros" ainda para serem derrubados, dentro de nós e lá fora. Há o meu lado e o teu. Isso e aquilo. "Tudo tão difícil depois que vos calastes... | E muitos de vós nunca se abriram", citando outra vez Drummond, em seu preciso poema "Nosso tempo".

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

na passarela


"eu sou da América do Sul, eu sei, vocês não vão saber..."

A famosa capa do LP "Abbey Road", dos Beatles, foi tirada há exatos 45 anos, em 8 de agosto de 1969.

E esta postagem não vai para Lennon e McCartney, e sim para meu amigo Ricardo Augusto.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

tomateiro cubista

"O tomateiro" é um dos quadros mais famosos de Pablo Picasso. Foi leiloado em 2004, em Nova Iorque, por quase 7 mil dólares.

O pintor espanhol concluiu o óleo sobre tela justamente no 7 de agosto, há 70 anos.

72 caetanos

Caetano, 72 anos. 
Um abraçaço, menino de Santo Amaro!

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

civilização posterior

"Depois de Atenas, após a Renascença, estamos agora entrando na civilização do traseiro."


Do visionário Jean-Luc Godard, em seu filme "O demônio das onze horas" (Pierrot le fou), de 1965. 

Lembrei-me desse "vaticínio" do cineasta depois que li há pouco, pela internet, sobre um tal concurso Miss Bumbum Brasil. As candidatas representando seus respectivos estados, todas com perfil de "heróinas" BBB, por razões óbvias são apresentadas de costas. Precisam mostrar o que e com que pensam.

mundo moinho

"Ouça-me bem, amor | preste atenção, o mundo é um moinho..."

Jorge, o Amado.

No próximo dia 10 ele faria 102 anos.
Hoje fez 13 anos que ele se foi para outras tendas dos milagres.

saudoso Adoniram

Se o senhor não tá lembrado, dá licença de contar, o saudoso Adoniran Barbosa faria hoje 104 anos cantando o samba do Arnesto...

Banden Powell, 77

Esse é um dos melhores discos de Baden Powell, numa vasta e rica discografia de quase 50 títulos, como "Os Afro-sambas - Baden & Vinícius", de 1966, os três volumes de "Baden Powell Quartet", 1970, "Samba triste", 1972...

Nesse "À vontade", de 1963, se não me engano o quinto ou sexto disco de sua carreira, Baden abre magnificamente com "Garota de Ipanema", de Tom Jobim e Vinicius, e entre as dez faixas, tem outros clássicos como "Berimbau", em parceria com o poetinha, "Samba do avião", de Tom, "Saudades da Bahia", de Caymmi... O LP é uma obra-prima de um dos maiores violonistas de todos os tempos. 

Hoje Baden Powell faria 77 anos.

Little Boy

Foto: LITTLE BOY

Lembro-me que em 2007,  o então Ministro da Defesa japonês, Fumio Kyuma, disse que era “inevitável” que os Estados Unidos lançassem duas bombas atômicas sobre o Japão, durante a Segunda Grande Guerra Mundial. Isso teria evitado que a União Soviética entrasse também na batalha do Pacífico. Mas o que é isso, sr. Kyuma? Pelo amor de Buda!

O cara com seus olhinhos miúdos e raciocínio idem, considerava, e deve pensar ainda, que as bombas sobre Hiroshima e Nagasaki conseguiram “acelerar o fim da guerra”. Essas declarações absurdas repercutiram muito mal entre os sobreviventes e seus descendentes, claro, e incomodaram o primeiro-ministro à época, Yoshihiko Noda.

Há exatos 69 anos, às 8h15 do dia 6 agosto de 1945, a bomba "Little boy" foi lançada sobre a cidade de Hiroshima, matando instantaneamente cem mil pessoas. O local de 350 mil habitantes tinha um porto militar insignificante. Não havia necessidade para o ato. O Japão já estava derrotado, sem condições para a continuidade da guerra, com fábricas militares destruídas. E o sr. Kyuma vem com um papo desse!

Do outro lado, na terra de Rambo, onde o império sempre atira primeiro e pergunta depois - quando pergunta -, as justificativas são igualmente doentias. Ao longo dessas seis décadas do lançamento das duas bombas pelo governo dos EUA, é cada vez mais repudiante a conversa dos americanos para esse genocídio.

O nojento Theodore "Dutch" J.Van Kirk, que morreu mês passado, aos 93 anos, foi major-aviador do avião Enola Gay, bombardeiro B-29 que lançou a coisa.  Do alto da sua senilidade arrogante, ele não se arrependeu do que fez, dizia que passou um bom tempo se preparando para o momento, e que "foi uma das missões mais fáceis" da sua vida. Esse abominável senhor do voo da morte, pelo que li uma vez, vivia em um luxuoso asilo na Geórgia, e passava horas lustrando as 15 Medalhas Aéreas que ganhou após a "missão". Deve ter recebido num final de tarde a visita do tal ministro japonês para um chazinho verde com cookies...

O bombardeio sobre o Japão foi o maior ataque terrorista da história. No mínimo 50 vezes mais letífero que o 11 de setembro de 2001. Muitas imagens dos efeitos do cogumelo de fogo ficaram na lembrança de todos. Imagens como essa foto do garotinho chorando entre os destroços. Garotinho, que ironicamente é a tradução literal do nome da bomba.

Vinicius de Moraes traduziu bem o que resultou da estupidez humana em seu poema "Rosa de Hiroshima", que Gerson Conrad, do grupo Secos e Molhados, musicou em 1973:

Pensem nas crianças
mudas telepáticas
pensem nas meninas
cegas inexatas
pensem nas mulheres
rotas alteradas
pensem nas feridas
como rosas cálidas
mas oh não se esqueçam
da rosa da rosa
da rosa de Hiroshima
a rosa hereditária
a rosa radioativa
estúpida e inválida
a rosa com cirrose
a anti-rosa atômica
sem cor sem perfume
sem rosa sem nada.

Lembro-me que em 2007, o então Ministro da Defesa japonês, Fumio Kyuma, disse que era “inevitável” que os Estados Unidos lançassem duas bombas atômicas sobre o Japão, durante a Segunda Grande Guerra Mundial. Isso teria evitado que a União Soviética entrasse também na batalha do Pacífico. Mas o que é isso, sr. Kyuma? Pelo amor de Buda!

O cara com seus olhinhos miúdos e raciocínio idem, considerava, e deve pensar ainda, que as bombas sobre Hiroshima e Nagasaki conseguiram “acelerar o fim da guerra”. Essas declarações absurdas repercutiram muito mal entre os sobreviventes e seus descendentes, claro, e incomodaram o primeiro-ministro à época, Yoshihiko Noda.

Há exatos 69 anos, às 8h15 do dia 6 agosto de 1945, a bomba "Little boy" foi lançada sobre a cidade de Hiroshima, matando instantaneamente cem mil pessoas. O local de 350 mil habitantes tinha um porto militar insignificante. Não havia necessidade para o ato. O Japão já estava derrotado, sem condições para a continuidade da guerra, com fábricas militares destruídas. E o sr. Kyuma vem com um papo desse!

Do outro lado, na terra de Rambo, onde o império sempre atira primeiro e pergunta depois - quando pergunta -, as justificativas são igualmente doentias. Ao longo dessas seis décadas do lançamento das duas bombas pelo governo dos EUA, é cada vez mais repudiante a conversa dos americanos para esse genocídio.

O nojento Theodore "Dutch" J.Van Kirk, que morreu mês passado, aos 93 anos, foi major-aviador do avião Enola Gay, bombardeiro B-29 que lançou a coisa. Do alto da sua senilidade arrogante, ele não se arrependeu do que fez, dizia que passou um bom tempo se preparando para o momento, e que "foi uma das missões mais fáceis" da sua vida. Esse abominável senhor do voo da morte, pelo que li uma vez, vivia em um luxuoso asilo na Geórgia, e passava horas lustrando as 15 Medalhas Aéreas que ganhou após a "missão". Deve ter recebido num final de tarde a visita do tal ministro japonês para um chazinho verde com cookies...

O bombardeio sobre o Japão foi o maior ataque terrorista da história. No mínimo 50 vezes mais letífero que o 11 de setembro de 2001. Muitas imagens dos efeitos do cogumelo de fogo ficaram na lembrança de todos. Imagens como essa foto do garotinho chorando entre os destroços. Garotinho, que ironicamente é a tradução literal do nome da bomba.

Vinicius de Moraes traduziu bem o que resultou da estupidez humana em seu poema "Rosa de Hiroshima", que Gerson Conrad, do grupo Secos e Molhados, musicou em 1973:
 
Pensem nas crianças
mudas telepáticas
pensem nas meninas
cegas inexatas
pensem nas mulheres
rotas alteradas
pensem nas feridas
como rosas cálidas
mas oh não se esqueçam
da rosa da rosa
da rosa de Hiroshima
a rosa hereditária
a rosa radioativa
estúpida e inválida
a rosa com cirrose
a anti-rosa atômica
sem cor sem perfume
sem rosa sem nada.

terça-feira, 5 de agosto de 2014