sábado, 31 de março de 2018

libélulas e baionetas

Em 1968 o fotojornalista Evandro Teixeira registrou libélulas pousadas nas baionetas de soldados durante evento, em Brasília, com a presença do marechal Costa e Silva.
A foto rendeu-lhe uma noite de prisão.
1964: nunca mais outra vez!

o primeiro dia

O fotojornalista Evandro Teixeira foi o único civil no Forte de Copacabana na madrugada do dia 1º de abril de 1964.
Fez registros exclusivos do primeiro ato da ditadura militar.
1964: nunca mais outra vez!

sexta-feira, 30 de março de 2018

tears in Heaven

Em 2007, o cantor, compositor e guitarrista Eric Clapton lançou A Autobiografia. Os relatos abertos, de coração escancarado, sem autocomiseração, fazem da publicação um livro de dor.
A travessia tumultuada do artista começou ainda no ventre, quando sua mãe aos 15 anos engravidou de um soldado no período em que tropas americanas e canadenses ocuparam a pequena cidade Ripley, ao sul da Inglaterra, no final da Segunda Guerra, 1944.
No ano seguinte os militares retornaram aos seus países, e a garota se isolou dos vizinhos para esconder a gravidez precoce. O romance furtivo com um aviador canadense deixou na barriga o menino Eric, que nasceu às escondidas, sob o manto da culpa, e foi criado até adolescente como “irmão” de sua mãe e “filho” de seus avós.
Entre inúmeras desilusões amorosas, brigas com os colegas da banda Cream, Jack Bruce e Ginger Baker, os atritos com George Harrison e Mick Jagger, por se apaixonar pelas respectivas mulheres, o trauma pela morte do amigo bluesman Stevie Ray Vaughan em 1990, na queda do helicóptero da equipe de Clapton após um show, o mergulho profundo no álcool e nas drogas, as desesperadoras crises de reabilitação, tudo fez do cantor um dos artistas mais deprimidos e angustiados que muitos desconhecem.
O ponto de virada em sua vida foi a dor maior, quando seu filho Conor, em 1991, aos 4 anos, caiu do 49° andar do apartamento onde morava com a mãe, a modelo italiana Lory Del Santos, de quem Eric estava separado.
O guitarrista largou tudo que antes não conseguia. Voltou aos shows e gravações. A bela e dolorida canção Tears in Heaven, dedicada ao filho, lançada no disco Rush, 1992, tornou-se um hino de saudade, aceitação e transmutação.
Eric Clapton sofre de neuropatia periférica, um mal que lesiona o sistema nervoso causado pelo excesso de álcool que consumiu. O guitarrista tem dificuldades de tocar seu instrumento, pois os movimentos das mãos e pés são afetados pela doença.
Com todas as limitações, Clapton é grato por estar completando hoje 73 anos. Como ele diz na canção acima, “beyond the door / there's peace, I'm sure / and I know there'll be no more / tears in Heaven…”

aquela estrela é a dele...

Onze meses hoje que a vida vento vela o levou daqui...

quarta-feira, 28 de março de 2018

invento o cais

"O mundo não está interessado nas tempestades que você encontrou. Ele quer saber se trouxe o navio."
- William McFee, escritor inglês

a alma do tempo

Segundo consta nos alfarrábios pré-Wikipedia, no dia 8 de janeiro de 1840 o abade Louis Compte, capelão de um navio-escola francês, aportou de passagem pelo Rio de Janeiro, e apresentou ao jovem Imperador Dom Pedro II, a invenção do Daguerreótipo, primeiro aparelho a fixar a imagem fotográfica. A data foi escolhida para celebrar o Dia Nacional do Fotógrafo.
Há controvérsias quanto a esse dia, e na imprecisão de outros cartapácios históricos, registra-se esse encontro em 16 de janeiro.

Uma data ou outra, se reverberou ao longo desses quase dois séculos que o Imperador solicitou ao francês uma demonstração do invento, digamos uma espécie de “test drive” da curiosa geringonça que ousava registrar a alma do tempo.
A comitiva monárquica acompanhou o abade prestativo com a parafernália por alguns pontos da Capital. No dia seguinte, no salão do lendário Hotel Pharoux, no local onde hoje é a Praça XV, foram apresentadas as imagens da fachada do Paço Imperial, chafariz do Largo, a Praça do Peixe, o Mosteiro de São Bento, e mais algumas fotos de objetos que estavam por ali naquela manhã ensolarada de “happening” histórico, sem direito nem conhecimento de “selfies”.
Abaixo, a agora digitalizada vista do Paço, considerada a primeira foto oficial brasileira.
Essa é a magia da fotografia: a simetria do tempo. Seja no dia 8, 16, hoje e sempre.

segunda-feira, 26 de março de 2018

alto-mar

"Um barco está seguro no porto. Mas os barcos não são construídos para isso."


- John A. Shedd

quinta-feira, 22 de março de 2018

o cinema mudo deu o que falar


Hoje o cinema completa 123 anos de sua primeira exibição.
O curtíssimo-metragem A Saída da Fábrica Lumière em Lyon foi apresentado a uma curiosa plateia numa sala, e mostrava a saída dos operários da fábrica, a maioria mulheres, que produzia películas fotográficas, de propriedade dos irmãos Auguste e Louis Lumière, não por acaso os produtores e diretores da novidade.

Mas vale dizer que eles não foram os autores do invento, o cinematógrafo, aparelho de filmagem e projeção.
Léon Bouly foi quem criou a máquina, em 1892, e batizou de "Cynématographe", que já era um aperfeiçoamento do trabalho de Thomas Edson..

terça-feira, 20 de março de 2018

equação

"Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que diz respeito ao universo, ainda não adquiri a certeza absoluta." 
- Albert Einstein

Uma máxima adequada para comemorar hoje os 102 anos da Teoria da Relatividade.

segunda-feira, 19 de março de 2018

dia de José

O pintor francês Georges de La Tour, do final do século 16, tem uma obra de beleza fascinante, uma técnica de claro-escuro como poucos sabiam aprofundar. Foi o maior discípulo de Caravaggio.
A vida de La Tour foi outro fascínio. Criava uma enorme quantidade de cães, era intempestivo e não levava desaforo para casa, ou para o atelier, onde passava todo o seu tempo, numa pequena cidade ao norte da França. O cristianismo e as pessoas comuns são os temas de sua vasta obra, somente descoberta no começo do século passado, e hoje espalhada em museus na capital francesa e Estados Unidos.
O belíssimo quadro acima, São José, o Carpinteiro, é de sua autoria, pintado em 1645, e encontra-se no Museu do Louvre.
Hoje é feriado local em Fortaleza e mais quarenta cidades brasileiras. Dia de São José, dos Carpinteiros, dos Marceneiros...

sábado, 17 de março de 2018

as vozes de Marielles

Protesto contra a execução da vereadora Marielle Franco, Cinelândia, RJ, 2018
"Mesmo calada a boca, resta o peito
silêncio na cidade não se escuta"
Chico Buarque, Cálice, 1973

quinta-feira, 15 de março de 2018

a pergunta que não quer calar

A interrogação feita pela vereadora Marielle Franco, um dia antes de ser executada, remete ao canto de paz de Bob Dylan, Blown’ in the wind, composto em 1962 e gravado no seu segundo disco, um ano depois.
Numa única pergunta, assustada e resiliente, a lúcida e corajosa militante do Complexo da Maré resume a série de questionamentos que o compositor de Minnesota fez em plena guerra fria, “quantas balas de canhão precisarão voar até serem para sempre banidas?”, “quantas mortes ele causará até saber que pessoas demais morreram?”, “quantos anos algumas pessoas podem existir até que sejam permitidas ser livres?
Marielle enfrentou a guerra fria da injustiça, da barbárie institucionalizada pelo poder, pisou o campo minado do mal que a força sempre faz, como apontava Belchior.
Até quando outras Marielles pombas da paz precisarão sobrevoar entre balas os rios de outros janeiros?

crônica de uma morte anunciada


morte anunciada


sexta-feira, 9 de março de 2018

eterno enquanto dure

Invitation, arte de Renato Casaro, 1993
"O cinema é um veículo de vida e morte. De vida, porque permite às pessoas e objetos continuarem vivendo como imagem, muito tempo após o seu desaparecimento. De morte, porque nessa imagem tornada perene está a própria negação da existência. Não temos Marilyn, James Dean, Bogart, todos esses mitos. Temos só a imagem deles."
- Luiz Carlos Merten em Cinema: entre a realidade e o artificio, 2003

quinta-feira, 8 de março de 2018

a saudade pontua o encontro

 
Cartaz: foto, Bárbara Cunha, criação e design, Guilherme Luigi.
Saudade, belíssimo documentário de Paulo Caldas, sobre o sentimento que está em todos nós e a palavra que só existe na língua portuguesa.
O filme, elogiado na Mostra de Cinema de São Paulo ano passado, lançado no circuito comercial em janeiro, recebeu o prêmio de Melhor Documentário no FESTin - Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa 2018, em Portugal.
No próximo dia 22 terá exibição com debate no Cinema Dragão do Mar, em Fortaleza, com a presença do diretor.

A Mulher

Minha mãe, meu pai, e eu no aquário da barriga dela.
Dois homens dependentes e carentes da força da Mulher.