sábado, 25 de fevereiro de 2006

Cléa Simões, atriz

Cléa Simões aos 52 anos. Foto O Estado de Minas

Outra perda lamentável foi a da atriz Cléa Simões, de 79 anos. Ela morreu na manhã de ontem, no Hospital de Clínicas de Niterói, em conseqüência de falência múltipla dos órgãos, insuficiência renal e hipertensão. Cléa começou na TV Globo em 1966, na novela "Eu compro essa mulher". A última participação foi em 2002, em "Coração de estudante", no horário das seis.

A atriz, que fazia parte também da Velha Guarda da Portela, atuou em novelas e filmes. Apesar de ter sido mais atuante e conhecida na tv, foi no cinema onde melhor demonstrou o seu talento: destaco "Ladrões de cinema", de Fernando Cony Campos, em 1977, e no ano seguinte, "A deusa negra", do nigeriano Ola Balogun. Ainda nos anos 70, participou de algumas pornochanchadas, como "Essa gostosa brincadeira a dois", de Victor di Mello, que também a dirigiu em um dos episódios de "Como era boa nossa empregada", e "Costinha, o rei da selva", de Alcino Diniz. Participou até de "Sabor de paixão" (Woman on top), uma fraca produção americana dirigida pela venezuelana Fina Torres, em 2000. 

No teatro, atuou em "As feiticeiras de Salem" clássico texto de Arthur Miller, dirigido e adaptado no Brasil há uns dois anos por Mário Pérsico, da Cia. Clássica de Repertório, e "Do mundo nada se leva", outro clássico dos palcos americanos, de George Simon Kaufman, traduzido aqui por Maria de Lourdes de Araújo Lima, em 1951. Nas telas é famosa a versão dirigida por Frank Capra, em 1938, assim como a adaptação do texto de Miller para o cinema, "As bruxas de Salem" (The crucible), de Nicholas Hytner, em 1996.

Sempre simpática, e com aquele perfil de governanta de "...E o vento levou", Cléa Simões nasceu no Pará, morou no Rio de Janeiro durante quase toda a vida. Ano passado esteve em Belém para a avant-première do documentário “O negro no Pará – Cinco décadas depois...”, vídeo produzido pelo Instituto de Artes do Pará (IAP) e pelo Programa Raízes, criado pelo Governo do Estado em 2000, sobre o livro “O negro no Pará sob o regime da escravidão”, do professor e historiador paraense Vicente Salles. No trabalho dirigido por Afonso Gallindo, ela fala sobre a importância do autor e de sua pesquisa. A atriz era neta de barbadianos que migraram para a Amazônia no século XIX e gravou cantos originários do povo de Barbados.

2 comentários:

Claudio Eugenio Luz disse...

Poxa, se não fosse você ter postado eu não ficaria sabendo. Li a folha de são paulo, fui no site do uol, terra e li o estado de são paulo e não vi nenhuma referencia.Isso é sintomático ou o carnaval encobriu?

hábraço

claudio

Anônimo disse...

Foi uma experiência única.
Mesmo doente, realmente uma bela mulher,

Afosno Gallindo