domingo, 30 de julho de 2017

há 18 domingos que Belchior não morreu

Vamos sair pela rua da Consolação (...) e sonhar com o domingo em nosso coração. ”

- versos da canção “Passeio”, de Belchior, 1974.

Passeando na parede da memória da consolação.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

o Lampião de Chico

foto Tibico Brasil
Tive a honra de ser assistente de direção do filme Corisco e Dadá, de Rosemberg Cariry, 1996, onde Chico Alves fez o papel do lendário Lampião.
Os dias em que convivi com o ator, no set de filmagem quem chegava era Lampião, tamanha a entrega da interpretação. Os atores que faziam o bando do cangaceiro, muitos deles figurantes do interior do Ceará, se magnetizavam com a caracterização do personagem, e o reverenciavam. Mais do que seguiam as indicações do roteiro, obedeciam as ordens do chefe. O sertão do Cariri virou um mar de cinema.
E coisas do Universo: ontem Chico Alves faria aniversário, hoje faz 79 anos que Lampião se foi pro outro lado do sertão. Imagino a conversa dos dois...

segunda-feira, 24 de julho de 2017

o dia seguinte


O Último Dia de Sol, de Nirton Venancio 

Na madrugada de 1.º de abril de 1964, dia seguinte ao golpe militar no Brasil, um ativista político foge com a mulher e o filho pequeno. A ação, baseada em fatos, passa-se numa pequena cidade do interior nordestino.

Exibição na programação Brasília em Plano Aberto - Mostra de Curta-metragens, tema Ditaduras, CCBB Brasília, 2 de agosto, 19h30.

sábado, 22 de julho de 2017

y así pasan los sábados


O clássico bolero cubano Quizás, quizás, quizás, composto em 1947 por Osvaldo Farrés é uma das músicas mais gravadas do mundo. Há uma versão até em árabe, do cantor argelino Abdelkader Chaou, do começo dos anos 2000.
Foi na interpretação de Nat King Cole que a canção ganhou maior projeção internacional. O célebre cantor de voz aveludada fez muitos shows em clubes, casinos e teatros em Havana, na metade da década de 50, quando a ilha de Fulgêncio Batista era um balneário norte-americano. Nat gravou “uizás em 1958 no disco Cole español, e com o sucesso, seguiram mais dois álbuns com repertório latino-americano, turnês por três anos a bordo de luxuosos navios e palcos europeus.

A semente representativa da composição está no legendário Bueno Vista Social Club, ponto de encontro de jovens músicos na Havana dos anos 40: Compay Segundo, Ibrahim Ferrer, Omara Portuondo, Rúben González... Fechado na década de 50, foi reaberto no começo dos anos 90. E graças à percepção do guitarrista de blues Ry Cooder e o olhar do cineasta Wim Wenders que os “jovens velhinhos” foram revelados para as novas gerações. As filmagens do show dos remanescentes do Buena Vista no Carnegie Hall, em Nova Iorque, e em Armsterdan, e entrevistas, resultaram no documentário que leva o nome do clube, premiado no European Film Awards, e indicado ao Oscar em 1996.
A gravação de Quizás do vídeo abaixo é de 2005 nos estúdios EGREM de Havana, para o disco “mi sueño, de Ibrahim Ferrer. O septuagenário cantor convidou sua colega Omara e o jovem pianista de jazz Roberto Fonseca, revelação da música cubana, já com vários cds, e uma espécie de componente de um novo Buena Vista, que sem perder a referência e o cunho tradicionalista, aborda com reverência a música cubana numa visão moderna.
Quase todos buenavistenses já se foram. Somente Omara continua encantando seus boleros, na beleza de seus 86 anos.
Ibrahim Ferrer não viu Mi sueño lançado. Faleceu logo após a gravação, numa tarde de sábado...

terça-feira, 18 de julho de 2017

noites de Fellini

“Ir ao cinema é como voltar ao útero. Você se senta na escuridão e espera surgir a vida na tela”
- Federico Fellini
Cena de Que estranho chamar-se Federico (Che strano chiamarsi Federico), de Ettore Scola, 2013.
Baseado em recordações pessoais do diretor, o filme mostra os primeiros anos da carreira de seu amigo Fellini.

adestramento



domingo, 16 de julho de 2017

nunca mais outra vez

O último dia de sol, de Nirton Venancio.

Na madrugada de 1.º de abril de 1964, dia seguinte ao golpe militar no Brasil, um ativista político foge com a mulher e o filho pequeno. A ação, baseada em fatos, passa-se numa pequena cidade do interior nordestino.

Exibição na programação Brasília em Plano Aberto - Mostra de Curtas-metragens, tema Ditaduras, CCBB Brasília, 2 de agosto, 19h30.

Nunca imaginei que fosse exibir meu filme com o país novamente em uma ditadura. Não é a mesma configuração dos 20 anos sem sol que o Brasil viveu após o golpe de 64, mas é uma ditadura. Uma ditadura técnica, derivada de um outro golpe, asséptico, institucionalizado, mediático.
Quando decidi fazer esse curta-metragem, reconstituindo um episódio pessoal – a detenção de meu pai quando os militares tomaram o poder – fiz um recorte do que o país inteiro viveu, duas décadas de arbitrariedades, de prisões, de torturas, de mortes, de “suicídios”, de corpos em valas comuns, sumidos, jogados ao mar. Por mais de quarenta anos que pais não têm seus filhos de volta, que filhos não conhecem seus pais, que brasileiros perderam o passado em cárceres e ainda ecoam em seus ouvidos a ira de seus carrascos. A tortura como instrumento do Estado, e da lei, foi uma marca registrada de cinco governos militares.
E assim como meu pai me guardava em sua luta e esperança por democracia, vejo-me agora diante dos meus filhos lamentando o Brasil que eles estão vivendo. Mas meu lamento sertanejo é revestido de luta, tenacidade, esperança.
Quando o país voltou a ser iluminado pela redemocratização, pela Lei da Anistia, pelas Diretas Já, pela eleição por voto de um operário para presidente, e pela primeira mulher a assumir a chefia de Estado e de governo da República, lembrei-me da letra de Vitor Martins, cantada por Ivan Lins, “Aos nossos filhos”, e enviei ao Universo, para onde foi meu pai, os versos finais parafraseados, dizendo-lhe que finalmente “brotaram as flores, cresceram as matas, colhemos os frutos”.
Hoje recorro à mesma letra, e converso e adjuro aos meus filhos que me “perdoem por tantos perigos / perdoem a falta de abrigo / perdoem a falta de amigos... / perdoem a falta de folhas / perdoem a falta de ar / perdoem a falta de escolha. ” Os dias estão assim. Mas não permanecerão assim. O empenho e luta pela democracia representativa, e não de porta-vozes, continua. Imensos sacrifícios não ficarão em vão.
Na foto acima, de Deise Jefiiny, o ator Joca Andrade no papel de tenente Castelo, e equipe, Sebastian Matias, Nirton Venancio e Pedro Rodrigues.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

cores de Frida Khalo


Arte Naïf, Arte Moderna, Surrealismo, Realismo Mágico, Simbolismo, Primitivismo, Naturalismo, Realismo Social, Cubismo...
Todas as Fridas em uma só.
63 anos hoje que ela não morreu.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

judge the ripper

Cena do filme Do Inferno (From hell), de Albert e Allen Hughes, EUA, 2001.
“Em um país em que as absurdos são renovados diariamente, embora esperada, a sentença de Sérgio Moro é indecente, humilhante.
Sua declaração inoportuna, de que não sentiu ‘satisfação pessoal’ tem a mesma sinceridade de Jack, o Estripador, chorando em cima das vísceras da sua última vítima.”
- Jornalista Luis Nassif em artigo no site Jornal GGN.

terça-feira, 11 de julho de 2017

poemas no sereno

74 poemas sem título compõem O livro das perguntas, uma obra singular no universo deslumbrante de Pablo Neruda, publicado em 1974.
113 anos hoje de nascimento do poeta chileno.

deforma política

arte-foto Paulo Kauim

50 x 26


Senado aprova reforma trabalhista


50 tons de cinza traíras


reforma trabalhista

Remem! Remem! Remem!

bólides encapuçados, caminham lentos, não têm o que mirar *

Abaixo a escultura-instalação Parade for Peace, do artista tunisiano Bel Haj Taib, exposta na Bienal Dak’Art de Arte Contemporânea Africana, em Dakar, Senegal, 2006.

A peça multifacetada, composta por vários capacetes sobre troncos esculpidos, formando tartarugas, num contraditório e simbólico desfile militar esperançoso de paz. 

* verso da canção Atrás do balcão, de Zé Ramalho, gravada no disco A terceira lâmina, 1981.

a idade de memória



Ontem de madrugada, algumas horas antes da partida da escritora Elvira Vigna, faleceu outra grande expressão da cultura brasileira, Ecléa Bosi, psicóloga, escritora e professora emérita da USP.
Entre tantos livros fundamentais para a memória e a valorização da terceira idade, um se destaca para a compreensão, alerta e recognição do idoso, Memória e Sociedade - Lembranças de Velhos, 1979, um volumoso ensaio polifônico sobre o tempo e suas relações com a vida dos imigrantes e operários de São Paulo.



No começo do anos 90, Ecléa foi a criadora e entusiasta do programa Universidade Aberta à Terceira Idade, na USP, coordenado por ela até ano passado. A iniciativa pioneira coloca o idoso na universidade sem vestibular, sem necessariamente incluí-lo no percurso didático de um aluno em graduação, mas cursando as disciplinas escolhidas com os demais. A professora argumentava que os jovens sentarão ao lado de velhos pedreiros, domésticas, não como servidores, mas como companheiros de aprendizados.
Ecléa tinha 81 anos de memória em sociedade com o presente e o futuro.

o pai do Chico

“O meu pai era paulista...”, começa a letra de Paratodos, de Chico Buarque, faixa título do disco lançado em 1993, onde segue desfolhando sua árvore genealógica, as referências e afinidades eletivas em sua música.
O reverenciado historiador Sérgio Buarque de Holanda, que hoje faria 115 anos, gostava de sair nos fins de semana, com sua esposa Maria Amélia, e sempre encontrava lotados os restaurantes na noite carioca. Brincalhão, tinha um argumento infalível para conseguir uma boa mesa: chamava o maître a um canto e dizia: "sou pai do Chico Buarque.”

a voz de Orfeu

Agostinho dos Santos, com seu canto veludoso, é referência inevitável em canções como Felicidade, Balada triste, Estrada do sol, e entre tantos clássicos, Manhã de carnaval, composição de Luis Bonfá e Antonio Maria, que teve repercussão internacional a partir da trilha de Orfeu de Carnaval, filme ítalo-franco-brasileiro, dirigido por Marcel Camus, em 1959, baseado na peça de Vinicius de Moares.
O cantor teve projeção principalmente nos Estados Unidos, por toda década de 70, tornando-se praticamente um dos interpretes da Bossa Nova em discos e shows, como o de Carnegie Hall, Nova Iorque, em 1962, junto com Orquestra de Oscar Castro Neves.
Agostinho se foi no auge da carreira, precocemente aos 42 anos, em desastre aéreo nas imediações do Aeroporto de Orly, em 11 de julho de 1973.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

a última hora de Elvira

Faleceu hoje pela manhã, em São Paulo, uma das maiores escritoras da literatura contemporânea, Elvira Vigna, aos 69 anos. Reconhecida e premiada no meio literário, escreveu romances, contos, ensaios, livros infantis, além de ser jornalista, artista plástica e roteirista de cinema.
Estreou aos 41 anos, com o belíssimo e oportuno Sete anos e um dia, de 1988, ambientado na época da abertura política. Uma obra-prima como narrativa e preciosidade contextual. Seu último livro, Como se estivéssemos em palimpsesto de putas, Prêmio APCA 2016 de Melhor Romance, é outro exemplo de vigor na estrutura formal descritiva.

Em 2012, quando foi diagnosticada com câncer de mama, recolheu-se e dedicou-se a escrever enquanto se tratava, publicando sete livros no Brasil e exterior.
Elvira, soube-se agora, preferiu manter em segredo sua luta contra a doença, por receio que não fosse mais convidada para eventos literários.
Seu legado é um testemunho, um relato do homem e seus conflitos e esperanças, inserido em interrogações do mundo moderno, da vida social e política. E soube muito bem descrever essas inquietações, como modestamente abre o primeiro parágrafo do seu último livro:
“Mas nessa hora que faço, vou contar uma história que não sei bem como é. Não vivi, não vi. Mal ouvi. Mas acho que foi assim mesmo.”

já que sou brasileiro

A música não é dele, foi composta por sua esposa Almira Castilho e seu amigo Gordurinha, mas Chiclete com banana ficou como uma espécie de marca registrada de Jackson do Pandeiro.
O simpático e franzino paraibano já fazia sucesso no rádio e em shows, nas décadas de 40 e 50, com Sebastiana, A mulher do Aníbal, O canto da ema, e outros forrós aloprados, mas foi quando começou a mascar chiclete com banana que estourou definitivamente, e, pode-se dizer, criando de uma forma tosca e brincalhona o primeiro samba-rock.
Gravada em 1959, Chiclete com banana expressa em letra bem humorada e irônica a necessidade de manter a pureza da nossa música, sem influência de ritmos estrangeiros, mais exatamente da terra do Tio Sam, que só vai botar o bebop em nosso samba "quando ele tocar o tamborim / quando ele pegar no pandeiro e no zabumba / quando ele aprender que o samba não é rumba". Eles têm chiclete, e nós, yes! temos banana, que engorda e faz crescer. Então, cante lá, que eu canto cá.
À época da composição, o rock'n'roll reverberava pela América latina e Ocidente, refletindo não somente um gênero, também como comportamento de uma geração pós-Segunda Guerra, que veio explodir como um caleidoscópio cultural na década 60. As influências eram inevitáveis. Tanto é que o próprio Jackson do Pandeiro, batizado José Gomes Filho, logo no início da carreira adotou o "Jack" em homenagem a um ator de faroeste que ele adorava, Jack Perrin. O acréscimo do "son" foi ideia de um produtor, o Pandeiro, por ser o instrumento que ele começou a tocar, presente de sua mãe.
Alceu Valença costuma dizer que Luiz Gonzaga é o Pelé da nossa música, e Jackson, o Garrincha. E faz sentido essa analogia: os dribles e o domínio que o paraibano tem com os ritmos, ao longo de mais de trinta discos, é impressionante. Ele vai do forró ao samba, passando com a mesma verve de interpretação e personalidade, pelo baião, xote, xaxado, coco, arrasta-pé, quadrilha, marcha, frevo... Não à toa, ficou conhecido como "O Rei do Ritmo".
Em 1982, após um show em Brasília, Jackson sentiu-se mal no momento do embarque no aeroporto. Era diabético. Passou uma semana internado, faleceu em decorrência de embolia cerebral, no dia 10 de julho, em um hospital na W3 Sul.
E nosso samba ficou assim: "tururururururi bop-bebop-bebop / tururururururi bop-bebop-bebop /tururururururi bop-bebop-bebop..."

aprendendo a jogar

Em 5 de janeiro de 1982 Elis Regina foi convidada do programa Jogo da Verdade, apresentado pelo jornalista Salomão Ésper, na TV Cultura, São Paulo.
Foi um show de raciocínio lúcido, pensamento astuto, reflexões brilhantes e verdadeiras, pertinentes àquele momento da música brasileira.
Questionada pelo jornalista Maurício Kubrusly sobre a participação de cantores consagrados em festivais na televisão, Elis foi direta na dosagem da pimentinha.
“Eu acho que eles não deveriam participar desse festival oficial. Se já existem, já se impõem, já têm o seu mercado, seria legal que eles não entrassem nessas 'gasolinas' da vida, nesses 'postos de gasolinas'* da vida porque, sabe? auxilia a gente. É mais uma via pra gente poder escoar a loucura da gente, porque senão fica tudo... sabe? aquela loucura via Embratel, padronizada, que nem ervilha em lata, entendeu? só muda a marca. Não é legal, loucura é loucura, sabe? e é fundamental. Deixa por aí, solta, como o diabo gosta, entendeu? e a gente vai catando um pedaço daqui, um pedaço dali, vai se reformulando, e de repente quando a gente... quando os homens perceberem, eles ‘tão com a cabeça feita. Porque é só isso que tá dando pé. O importante é a gente não fazer esse jogo, não aceitar esse jogo, a gente continuar... fique fora, salte fora, como é que é? parada de sucesso, então como é que é não parada de sucesso. Se é o sucesso, entendeu? O importante é também não deixar o espaço ser ocupado por qualquer coisa, como ‘tá, né?”
*A cantora se refere ao Festival MPB Shell.
Foi a última entrevista, gravada 14 dias antes de sua morte.

domingo, 9 de julho de 2017

do maior encanto

37 anos hoje que Vinicius de Moraes não morreu.

"...em seu louvor hei de espalhar seu canto..."

la nave viene

fotos de Raimundo Cavalcante
Uma vez, eu vi chegar do alto-mar um barco de cristal*... a noite trouxe o Amarcord de Fellini na praia do Titanzinho, em Fortaleza.

Quando amanheceu, Fellini trazia na bandeira a estrela matinal*... não fora sonho.
*versos de Fausto Nilo em Barco de cristal, 1973.

sábado, 8 de julho de 2017

alienígenas


letra bem escrita sem papel *

foto Tiago Santana
Patativa, sua poesia é "ispinho e fulô" no meu roçado. Você canta lá e eu escuto cá.
Hoje, quinze anos sem o passarim.
* verso da canção Passarim de Assaré, letra de Fausto Nilo, musicada por Fagner, gravada no disco Soro, 1979.

Brasil de dentro

Eugênio Leandro, cantor, compositor, trovador, menestrel, contista, múltiplo talento e uma das mais belas vozes da música cearense, solta seu cata-vento de cantigas e romances pros ventos abençoados de Juazeiro do Norte.
Na apresentação de hoje, a participação afetiva e luxuosa de Abidoral Jamacaru, Luiz Carlos Salatiel, Lifanco Kariri e Clarice Trummer.
Eugênio encantará canções do novo disco, Escrito nas jangadas, lançado ano passado, onde musicou poemas de Marcio Catunda, além de outras tantas aplaudidas em seus shows.

vista grossa

Adaptação do cartoon de Ricardo Clement "Alecus", México.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

um dia vestido de saudade viva

Sete anos hoje sem o cantor e compositor piauiense-brasiliense Clésio Ferreira.
Juntamente com os irmãos Clodo e Climério, foi referência em belíssimas composições para muitos cantores que surgiram na década de 70.
Uma história interessante por trás das canções: Clésio fez uma melodia para o poema Memória, de Carlos Drummond de Andrade, mas descobriu que outro compositor tinha feito. Clodo fez uma nova letra para a música, Raimundo Fagner ouviu, gostou, e pediu para gravar. Assim, nasceu o primeiro grande sucesso do cearense, Revelação, faixa de abertura do disco Eu canto, 1978.
Nesse mesmo ano foi lançado o ótimo Chapada do Corisco, o segundo disco da carreira dos Ferreira, produzido por Fagner. Clésio, o primeiro à direita na capa, tinha 65 anos.

nossos destinos foram traçados

Exatamente no dia 7 de julho de 2010, 20 anos depois que o cantor Cazuza se foi, morreu Ezequiel Neves, aos 74.
O jornalista e produtor musical foi o grande amigo do exagerado, responsável pelo começo da carreira, na época do Barão Vermelho.
Os dois continuam em seu show daqui até a eternidade.

remember when you were young?

foto Mick Rock, 1969
Em 1965 Syd Barrett fundou com Roger Waters a banda Pink Floyd. Foi autor das ideias estilísticas e musicais que definiram o rock progressivo e marcaram toda discografia.
Barrett também deu nome à banda, inicialmente The Pink Floyd Sound, inspirado nos cantores de blues dos anos 20, Pink Anderson e Floyd Council. “The” e “Sound” foram retirados logo na década de 60.
As composições do álbum The dark side of the moon, de 1973, têm forte inspiração na saída de Barrett, em 1968, com a saúde abalada pelas viagens sem volta...
O tributo dos integrantes se completa mesmo no disco seguinte, Wish you were here, 1975, com a faixa Shine on you crazy diamond, dividida em nove partes, dedicada a ele.
Syd retirou-se definitivamente para o lado escuro da lua há 11 anos. Tinha 60.

alienígenas


sete

7/7/17
7 é visto como o número da espiritualidade.
7 dias da semana. 7 cores do arco-íris. 7 notas na escala diatônica. 7 chacras do Yoga. Quatro períodos de 7 compõem o ciclo lunar. 7 são as virtudes. 7 os pecados capitais. 7 são os arcanjos. 7 as glândulas endócrinas. 7 as maravilhas do mundo. 7 os sábios da Grécia Antiga. 7 as pragas do Egito. 7 são os sacramentos. 7 os livros do Antigo Testamento. 7 linhas de Orixá da Umbanda. 7 as dores de Nossa Senhora. 7 palmos a sepultura. 7 ondas no Ano Novo. 7 braços o candelabro. 7 trompetas o Apocalipse. 7 são as Artes. 7 os anões. 7 vidas tem o gato. Pintando o 7.

Saudade tem sete letras. “A tua presença / entra pelos sete buracos da minha cabeça.”
A sete chaves guardam-se os segredos.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

cê tá pensando que sou loki?

69 anos hoje do mutante Arnaldo Baptista.

além do nacionalismo

“A música brasileira do século 19, a dita do período romântico, amarga há muitíssimo tempo a condição de patinho feio da história da música no País. É vista como mera imitação dos europeus e simplesmente esquecida, marginalizada. Não chega às salas de concerto, não é gravada nem é objeto de estudos. Só é citada quando se encaixa na visão de que serviu de escada para o nacionalismo cujo esplendor aconteceu com Villa-Lobos, no início do século 20.”
Essa observação precisa e lúcida é do jornalista e crítico musical João Marcos Coelho, em artigo ao jornal O Estado de São Paulo, nos 150 de nascimento do compositor, pianista, organista e regente cearense Alberto Nepomuceno, em 2014.

Coelho aponta o músico como o mais consistente símbolo de virada de concepção sobre a música brasileira do século 19.
Nesse mesmo ano foi lançado o ótimo e oportuno livro A formação germânica de Alberto Nepomuceno, do pianista e escritor paulista João Vidal, que desmitifica o dístico de que o compositor cearense foi apenas o “precursor” no nacionalismo musical, revelando e relevando a importância de suas inúmeras peças inspiradas nas tradições e caracteres brasileiros, mas ofuscadas pelo lema e estereótipo de caráter nacional.
Maxixe, lundu, polcas, estão presentes na música de Nepomuceno, assim como habanera, tango e polcas, Wagner e Brahms.
Também, vale salientar, Nepomuceno não foi um imitador ou divulgador da música europeia, o que se compreende bem na pesquisa de João Vidal, curiosidade que o título do livro provoca. O autor coloca o compositor cearense como um grande e talentoso músico, que soube muito bem empregar a síntese de influências e ecletismo em suas criações.
Hoje, aos 153 anos de seu aniversário, Nepomuceno continua praticamente sem nenhuma grande comemoração no país.

eu canto em português

"Não tem pátria um povo que não canta em sua língua", dizia o grande compositor Alberto Nepomuceno, que hoje completaria 153 anos de nascimento.
O maestro cearense defendia o uso do português no bel-canto. No final do século 19 fez um concerto inteiro de canções de câmara em português, no Rio de Janeiro, incomodando os críticos que consideravam o nosso idioma grosseiro e inadequado para a música lírica.

Em 2014, por ocasião do seus 150 anos, Nepomuceno recebeu algumas homenagens. Merecia e merece muito mais. Pelo menos, os lançamentos de livros, as palestras, os recitais, os CDs lançados com regravações, têm o mérito de não deixar um compositor de tamanha importância cair no esquecimento de verbetes em enciclopédias.
Um desses discos é o ótimo Luz e névoa, com a pianista Gisele Pires-Mota e o tenor André Vidal. O canção-título teve sua estreia em 1915, no então Instituto Nacional de Música do Rio de Janeiro, com a interpretação de Marietta Campelo e o autor Alberto Nepomuceno ao piano, que aplaudiriam a beleza de homenagem de Gizele e Vidal.
Luzes sobre a névoa da memória.

o voo solitário

A banda cearense Banana Scrait, radicada em São Paulo, lançou em 2014 o ótimo álbum Giostra, dividido entre canções próprias e adaptações de composições do maestro Alberto Nepomuceno.
Com delicadas texturas elétricas e arranjos de sopros, o disco é uma bela e solitária homenagem ao grande músico conterrâneo do século 19, que hoje completa 153 anos de nascimento.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

quadros de amor

A jornalista e crítica de arte Laura Cumming, do britânico The Guardian, elaborou uma lista em que considera as dez melhores pinturas de amor.
Numa constelação de obras que pintores criaram ao longo de séculos, é relativo, discutível e difícil fechar um índice tão moderado sobre o tema.
A seleção da crítica reúne quadros de artistas em períodos e movimentos estéticos diferenciados, colocados em ordem cronológica, do primeiro, o barroco A Noiva Judia, do holandês Rembrandt, século 17, ao décimo, o pop-art Love do norte-americano Robert Indiana, 1966, que virou uma icônica imagem reproduzida em escultura, postais, camisetas, botons, estampa de selo, e até piso de quadra de tênis.
Destaco o curioso Autorretrato como Tehuana, de Frida Khalo, de 1943, que começou a pintar três anos antes, logo quando se separou de seu grande amor, o também pintor Diego Rivera. Frida tem um olhar tristonho... e sobre as características sobrancelhas espessas, a imagem de Rivera, como uma tatuagem na alma. Não à toa, a obra é também intitulada Diego em meus pensamentos. Não por acaso a autora vestida como uma devota, com o Tehuana, um traje típico regional dos mexicanos, muito usado em eventos religiosos.
Rembrandt foi um artista quase obsessivo pelo autorretrato em suas pinturas, talvez em uns cem quadros esteja presente. Mas desde a Renascença, quando essa representação de si mesmo passou a ser reproduzida na história da arte, Frida Khalo é a que mais disseca o próprio espírito nos traços e nas tintas, a que mais dilacera sua condição emocional, expõe as vísceras de suas dores, sem constrangimento e muito menos autocomiseração. A arte e o amor pelo avesso.

cinema em plano aberto

Começa hoje, às 19h30, no CCBB Brasília, a Mostra Brasília em Plano Aberto, onde reúne 48 curtas-metragens documentários e ficção, formando uma espécie de cartografia da produção brasiliense realizada nos últimos 40 anos.
Idealizado e dirigido por Mauricio Witczak e Wol Nunnes, o projeto seguirá até 5 de julho do próximo ano, com exibições sempre às primeiras quartas-feiras de cada mês, com apresentação de quatro filmes e a presença dos diretores para um bate-papo com a plateia. É uma longa mostra de curtas.
Acima, cena de Vestibular 70, de Vladimir Carvalho, filme merecidamente escolhido para abrir a mostra, numa justa homenagem ao veterano cineasta paraibano-brasiliense que completou 82 anos em janeiro.
(Meu filme O último dia de sol, 1999, reconstituição sobre um episódio ocorrido um dia após o golpe militar de 1964, será exibido em 2 de agosto).

terça-feira, 4 de julho de 2017

a volta


o cinema que continua

Abaixo, o cineasta iraniano Abbas Kiarostami nas colinas que cercam a capital Teerã, onde seu filme Gosto de cereja (T’am e guilass) foi rodado, em 1997, Palma de Ouro em Cannes.
O longa tem um dos finais mais criativos da história do cinema. Após desenvolver por mais de uma hora a narrativa de um homem de classe média tentando suicídio, vagando por paisagens rurais e desertos, pedindo ajuda para o ato extremo a pessoas que encontra, o cineasta surpreende entrando ele mesmo em cena, gravando. Libera os atores que interpretam os soldados, que colhem flores, e o filme termina. O espectador sai, mas o filme continua: o homem, afinal, suicidou-se?
Abbas Kiarostami faleceu ano passado, em 4 de julho, aos 76, na França, onde morava desde 2010.
Seu cinema grandioso continua.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Geddel Vieira preso


bate, coração

"comigo / a anatomia ficou louca / sou todo coração –
em todas as partes palpita.”

- Vladimir Maiakovski, trecho do poema Adultos, 1920
Postal com relevo, Portugal, postado a bordo do navio Congo, 1904

when you're strange

"When you're strange / faces come out of the rain, rain, rain / when you're strange / no one remembers your name / when you're strange / when you're strange / when you're strange..."
Essa letra do guitarrista Robby Krieger, musicada e cantada por Jim Morrison, é a cara de Jim Morrison.
People are strange foi gravada no segundo disco de The Doors, Strange Days, de 1967. Segundo a lenda, os dois músicos, em um dia daqueles psicodélicos, deprimidos, deu na telha de subir o Laurel Canyon, na Califórnia. Contemplaram não sei o quê lá de cima, quando desceram, voltaram com a composição pronta.
De lá pra cá surgiram várias análises em torno da letra: que é sobre as pessoas marginalizadas pela sociedade, que aborda a cultura hippie e o consumo de drogas, que é sobre a fragilidade do próprio cantor... o que é mais provável.
Hoje faz 46 anos que o doce estranho Morrison não voltou mais.

eu não estou interessado em nenhuma 'tiuria'...

“Eu acho que a gente precisa abrir novamente a discussão sobre música brasileira, sabe? Eu acho que é preciso voltar novamente a polemizar sobre música brasileira. Muita coisa tá acontecendo na música popular brasileira. Quer dizer, está acontecendo e as pessoas não ‘tão vendo, não ‘tão falando, não ‘tão dizendo, não ‘tão querendo. Mas tá acontecendo muita coisa. E é preciso que os meios de comunicação, os críticos, as pessoas, tomem um conhecimento mais preciso disso. E os compositores novos estão todos abertos à polêmica. Estão todos abertos à discussão. Estão interessados nesse papo de música popular brasileira.
Quer dizer... fala-se que depois... depois... de Caetano, de Chico, de todos que estão aí, não apareceu mais ninguém. É muito interessante observar com mais cuidado, porque tá aparecendo muita gente. Marcus Vinicius, Walter Franco, Carlinhos Vergueiro, o Pessoal do Ceará... muita gente, muita gente. Fagner... o Luiz Melodia, o Raul Seixas... todos. Todos os novos são muito bons. Eu tô muito interessado no trabalho desse pessoal. Não tô interessado no passado. O resto pra mim é passado. E eu não tô interessado no passado. O resto é material de discussão. O resto é tradição. Então, eu tô interessado em uma linguagem nova... dentro da música popular brasileira. Novas palavras, novos signos, novos símbolos.
Quer dizer, a música popular brasileira precisa se ‘desprovincianizar’, e precisa perder o medo dos ídolos. Nós não ‘tamos interessados em idolatrias, em mitologias. Todos os mitos são iguais a... aos sabonetes, iguais aos pacotes de açúcar... iguais aos pacotes de macarrão e às frutas dos supermercados. Pra que esconder esse papo? Pra que ficar cultuando, pessoal? É mais interessante uma perspectiva de trabalho, uma perspectiva de uma abertura mais nova. O Brasil é grande. E o trem tá dividindo o Brasil como um meridiano. Tudo é norte, tudo é sul! Tudo é leste, tudo é oeste! Tudo é sol e tudo é lua! Todo tempo é tempo. Todo tempo é contratempo.”
- Belchior, aos 28 anos, transcrito do programa MPB Especial, TV Cultura, São Paulo, 2 de outubro de 1974, direção Fernando Faro.

domingo, 2 de julho de 2017

apenasmente flora*

foto Pedro Paulo Paulino
- Esse ipê, florindo entre os pés de catingueira e mandacaru, rouba a cena no sertão do Canindé, CE, à margem da BR 020 ou, como diz o matuto, "no beiço da pista".
- Galileu Viana

Lindo o ipê, lindo o matuto.
* Belchior em Ypê, gravada no disco Objeto direto, 1980

suprema vergonha

“Quando a política penetra no recinto dos tribunais, a justiça se retira por alguma porta.”


O primeiro-ministro francês François Guizot ao pronunciar essa frase, ainda em meados do século 19, jamais imaginou que se tornaria uma máxima na política de sempre. Ou sim.

sábado, 1 de julho de 2017

beleza do tempo

A linda garota à esquerda é a atriz Olivia de Havilland, aos 23 anos em uma cena de ...E o vento levou (Gone with the wind). Ao lado, o mesmo encanto completando 101 anos hoje.
Belas na simetria do tempo que o cinema e a vida eternizam.