terça-feira, 20 de setembro de 2016

eu vou tomar aquele velho navio

"Oh minha honey baby, baby, baby / Honey baby... / Sim.../ eu estou tão cansado / mas não pra dizer / que eu estou indo embora..."
- Wally Salomão, trecho de "Vapor barato", 1971


Fernando Alves Pinto e Fernanda Torres em "Terra estrangeira", de Walter Salles e Daniela Thomas, 1996.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

os segredos dos museus

"Os museus guardam os piores segredos do poder e das pessoas."

O reflexivo, perturbador e imperdível Francofonia, de Alexander Sukorov, 2016.

o samurai do cinema

"Pegue meu eu, subtraia dele filmes e o resultado será zero", dizia Akira Kurosawa.

Parafraseando o mestre japonês, subtraia da cinematografia mundial os seus filmes e o Cinema ficaria perto de zero.

Assim como Yasujiro Ozu dissecava de forma minimalista os sentimentos humanos, Kurosawa simetricamente fazia o mesmo com seus belíssimos filmes de narrativa operística, épica.

Hoje, 18 anos subtraídos de sua presença.

aspas


atualizando o aplicativo


arte e poder

"Os interesses do Estado e das artes raramente coincidem"

Francofonia, de Alexander Sukorov, 2015, é um exemplar de reflexão sobre arte e poder em uma fluente narrativa de documentário e ficção.

Os temas que se entrelaçam nas relações humanas e artísticas, da política e da história, da bestialidade das guerras e da eternidade da arte, têm o Museu de Louvre como guarda e detentor simbólico da civilização.

O cineasta russo se supera em genialidade a cada filme.

Abaixo, os atores Louis-Do de Lencquesaing e Benjamin Utzerath, respectivamente o diretor do Louvre Jacques Jaujard, e Conde Wolf-Metternich, general da ocupação nazista em Paris.

o cangaceiro

foto Marco Antonio Cavalvalcanti

"Perdi as contas de quantos convites recebi para fazer cangaceiro. Respondia sempre a mesma coisa: 'Já fiz um cangaceiro para não fazer mais nenhum'"
- Othon Bastos

O ator e seu icônico personagem Corisco de Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha, 1964, no catálogo da mostra O Cinema de Othon Bastos, CCBB-Brasília, 2011.

o futuro antigamente

"Enquanto as descrições de mundos futuros invariavelmente estimulam a imaginação, nada envelhece tão rápido quanto o futuro, pois o presente está sempre nos seus calcanhares."
- Jean-Claude Carrière, roteirista.

A atriz Brigitte Helm nos calcanhares do futuro de Metropolis, ficção científica alemã dirigida pelo austríaco Fritz Lang, 1927.

o gladiador do cinema

“As filmagens tiveram imensos problemas. Jean Simmons teve de ser operada de urgência, Kirk Douglas chegava muitas vezes atrasado e apanhou um vírus durante dez dias, Peter Ustinov, Laurence Olivier e Charles Laughton tinham compromissos urgentes pelo mundo e Tony Curtis tinha um pé engessado por ter torcido o tendão de Aquiles. Além disso, Dalton Trumbo fazia alterações no roteiro todos os dias.”

Trecho do ótimo Stanley Kubrick – Filmografia Completa, de Paul Duncan, publicado em 2003, sobre a complicada produção de Spartacus, épico rodado em 1960, com locações em Madrid e California, baseado no romance homônimo de Howard Fast.

Kubrick dizia que fez de tudo para tornar a história autêntica, pois achava o roteiro muito bobo, mesmo escrito por um nome do porte de Dalton Trumbo, que esteve na lista negra de Hollywood na época do macarthismo.

Contando a saga do gladiador que nasceu escravo e luta na arena pelo fim da escravidão no sangrento Império Romano, o filme é um exemplar de direção cinematográfica, com uma perfeita condução dramática dos conflitos entre os personagens e a coreografia externa das grandes locações.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

you are here


Roger Waters, 73 anos derrubando muros, construindo pontes com música.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

coração de cinema

Sensorial, onírico, impressionista.

Laurie Anderson vê cinema quando fecha os olhos e abre o coração. Música que se mescla à alma em uma só imagem. A vida como lado externo da morte. A morte como o lado de dentro da vida. Os cães como devem ser os homens. Os homens como podem ser os cães. A saudade como um encontro.


"O que vês quando fechas os olhos?"

O que vês quando apagam as luzes na sala? A alma humana na psicografia da tela do cinema.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Regina Dourado

A atriz Regina Dourado se orgulhava de sua foto que fiz para o cartaz do filme Tigipió, de Pedro Jorge de Castro, 1982.

Sempre repetia do momento exato que captei a sua emoção em uma das cenas mais importantes.

Fico honrado pela oportunidade. Você é que me dá cartaz, Regina. Hoje seria seu aniversário. Meu coração lhe abraça com saudade.

(São três fotos feitas para o cartaz: a da Regina esperando José Dumont que vem a cavalo, sob a árvore seca).

o assovio de Thielemans

foto Henryk Marian Malesa

O grande gaitista belga de jazz Toots Thielemans tinha uma forte proximidade com música brasileira, mais precisamente a Bossa Nova, gravando com Astrud Giberto, Oscar Castro Neves...

Aquarela do Brasil, seu disco com Elis Regina, de 1969, foi o começo de sua paixão, e de tanto ouvir e acompanhar cantores e compositores em shows, lançou nos anos 90 os discos temáticos The Brazil Project, em dois volumes, com canções de Tom Jobim, Dori Caymmi, Ivan Lins, Caetano Veloso, Sivuca, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Luis Bonfá, Djavan...

Compôs trilhas para o cinema que hoje estão na nossa memória afetiva: Perdidos na noite (Midnight cowboy), John Schlesinger, 1969, com Henri Mancini em Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tiffany's), 1961, Jean de Florette, de Claude Berri, 1986... Misturava suas doces melodias com harmônica, guitarra e, uma de suas habilidades marcantes, assovio – de onde tirou o prenome Toots.

O talento de Thielemans seguia gerações e gêneros, gravando e em alguns participando da banda, de Charles Parker, Benny Goodman, Miles Davis, Ella Fitzgerald, Frank Sinatra, Ray Charles, Oscar Peterson, Johnny Mathis, Quincy Jones, Bill Evans a Paul Simon, Billy Joel, Nick Cave...


O músico faleceu hoje enquanto dormia, aos 94 anos. A música continua. Basta ouvir, por exemplo, Bluesette, seu clássico de 1962.

domingo, 21 de agosto de 2016

fogo medieval

O romance distópico de ficção científica de Ray Bradbury, Fahrenheit 451, publicado em 1953, e levado ao cinema por François Truffaut em 1966, trata de uma América hedonista e anti-intelectual que perdeu totalmente o controle, e todos os livros são queimados e o pensamento crítico suprimido.

O escritor, que hoje faria 96 anos, escreveu o romance no porão de uma biblioteca, em uma máquina alugada. Era o começo da Guerra Fria, e isso lhe inspirou para criticar uma sociedade americana disfuncional e assustadora em seus conceitos intelectuais.

Bradbury declarou em entrevista que a imagem da queima de livros significava a supressão de ideias, e de como a televisão, à época ainda uma curiosa novidade, destruía o interesse pela leitura.

Que diria ele hoje!

a vida de Polanski

"Eu sou o homem do espetáculo. Estou sempre atuando."
- Roman Polanski


Para entender bem a declaração do cineasta polonês é preciso ler a biografia Polanski, uma vida, escrita por Christopher Sandford, publicada em 2007.

As quase 500 páginas fazem uma autêntica, e possivelmente definitiva, dissecação da vida e obra de um dos maiores diretores do cinema contemporâneo.

As três páginas do prefácio de José Wilker é outra preciosidade á parte.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Maravilha do Brasil

Elke Georgievna Grunnupp, a moça que nasceu em Leningrado e se fez Maravilha no Brasil, capa de revista aos 18 anos.

O céu ficou hoje uma maravilha com sua chegada, Elke!

Elke, Mulher Maravilha!


fora, ditadura!

Em 1972, Elke Maravilha estava no Aeroporto Santos Dumont quando viu na parede um cartaz de procurados políticos pela ditadura militar.

O cartaz estampava a foto de Stuart Angel, filho de Zuzu. Elke retirou e rasgou em pedacinhos.


Esse simples ato de revolta lhe causou a prisão. Anexado ao processo estava o cartaz rasgado, acusada de prejudicar a localização do rapaz foragido. Cinismo dos militares, como se não soubessem que Stuart morrera torturado barbaramente nas dependências da Base Aérea do Galeão em 14 de junho de 1971, arrastado por um carro com a boca pendurada ao cano de descarga.

Elke passou seis dias presa e perdeu da cidadania brasileira. Só foi libertada por ajuda do advogado de sua amiga Zuzu. Por anos foi uma apátrida, até que requisitou a cidadania alemã, a única que tem até hoje, que lhe dá cidadania na nossa memória.