quarta-feira, 17 de outubro de 2018

terça-feira, 16 de outubro de 2018

instruções para esquivar o mau tempo

Em primeiro lugar, não se desespere e em caso de agitação não siga as regras que o furacão quererá lhe impor.
Refugie-se em casa e feche as trancas quando todos os seus estiverem a salvo.

Compartilhe o mate e a conversa com os companheiros,
os beijos furtivos e as noites clandestinas com quem lhe assegure ternura.
Não deixe que a estupidez se imponha.
Defenda-se.

Contra a estética, ética.
Esteja sempre atento.
Não lhes bastará empobrecê-lo,
e quererão subjugá-lo com sua própria tristeza.
Ria ostensivamente.
Tire sarro: a direita é mal comida.

Será imprescindível jantar juntos a cada dia
até que a tormenta passe.
São coisas simples, mas nem por isso menos eficazes.
Diga para o lado bom dia, por favor e obrigado.
E tomar no cu quando o solicitem de cima.

Dê tudo o que tiver, mas nunca sozinho.
Eles sabem como emboscá-lo
na solidão desprevenida de uma tarde.
Lembre que os artistas serão sempre nossos.
E o esquecimento será feroz
com o bando de impostores que os acompanha.

Tudo vai ficar bem se você me ouvir.
Sobreviveremos novamente, estamos maduros.
Cuidemos dos garotos, que eles quererão podar.
Só é preciso se munir bem e não amesquinhar amabilidades.
Devemos ter à mão os poemas indispensáveis,
o vinho tinto e o violão.

Sorrir aos nossos pais como vacina contra a angústia diária.
Ser piedosos com os amigos.
Não confundir os ingênuos com os traidores.
E, mesmo com estes, ter o perdão fácil
quando voltarem com as ilusões acabadas.
Aqui ninguém sobra.

E, isto sim, ser perseverantes e tenazes,
escrever religiosamente todos os dias, 
todas as tardes, todas as noites.
Ainda sustentados em teimosias se a fé desmoronar.
Nisso, não haverá trégua para ninguém.

A poesia dói nesses filhos da puta.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

última pesquisa eleitoral

©Valdi Ferreira Lima

o carinho do mestre

Um jovem engenheiro desempregado dá aulas para sobreviver, em uma escola num bairro operário em Londres.
O professor é negro. Os alunos, a maioria brancos, e muitos deles indisciplinados, decididos a atrapalharem as aulas. Acostumado com hostilidades, o professor segura firme e não se amedronta.
Produzido em 1967, Ao mestre, com carinho (To Sir, with love), dirigido por James Clavell, tornou-se um clássico como filme ao tratar de questões sociais e raciais, concebendo o confronto de um professor idealista com uma turma de adolescentes socialmente desajustados.
Na África do Sul, uma tal de Publications Control Board, proibiu o filme, alegando à época que era "ofensivo ver um homem negro ensinando uma classe de crianças brancas"
O carisma e a interpretação perfeita do ator Sidney Poitier foram determinantes para estabelecer uma empatia com o público.
Ah, parabéns, professor #Haddad13

mil vezes Marielle


domingo, 14 de outubro de 2018

ele tinha um sonho

Em 14 de outubro de 1964, quatro anos antes de ser assassinado, Martin Luther King recebeu o Nobel da Paz.
Sua luta contra a desigualdade racial através da não violência, os corajosos e históricos discursos como "I have a dream", em frente ao Memorial Lincoln em Washington, em 1963, e contra a guerra do Vietnã, em 1967, outorgaram a Luther King o reconhecimento de liderança na resistência pelo fim do preconceito racial.
Aos 35 anos, foi o mais jovem a receber um prêmio Nobel.

amar


lírico

arrudA, poeta paulistano, livro Topografia das ondas, 2017, Ed. Patuá

pontes e muros

foto: Arquivo pessoal
“Ao longo das próximas semanas assistiremos a um combate entre construtores de pontes e construtores de muros. Pobre Brasil se os construtores de muros ganharem.
O Brasil, um país amado no mundo inteiro pela sua cultura, pela sua alegria e generosidade, não pode permitir que o ódio se alastre e triunfe.”

- José Roberto Agualusa, escritor angolano, residente em Portugal, em sua coluna no jornal O Globo, dia 12 deste mês.
Muito ligado ao Brasil, assim com o moçambicano Mia Couto, Agualusa morou por quatro anos entre Pernambuco e Rio de Janeiro. Quando esteve aqui para a terceira edição da Feira Literária Internacional de Maringá, em setembro de 2016, logo após o golpe, disse que “o triunfo da estupidez e da injustiça nunca deixa de me surpreender. O País foi sequestrado por um grupo de delinquentes.”

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

prece

Nossa Senhora de Aparecida, padroeira do Brasil, me disseram que viesse aqui, pra pedir de romaria e prece, paz nos desaventos... ilumina a mina escura e funda em que estamos vivendo...
Como eu não sei rezar, só quero mostrar meu olhar, meu olhar, meu olhar aflito, entre o medo e a esperança.
Senhora da cor de Marielle, de Mestre Môa, de todas as cores, de toda a gente, derramai Sua benção no coração dos que estão em paz porque merecem, dos que estão com ódio porque precisam.

dia das crianças

Quando pequeno fui ao cinema. Nunca mais voltei para casa.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

nós e eles


O momento político do Brasil ganhou espaço no enorme telão de LED do primeiro show de Roger Waters, pela turnê Us and Them, na Arena Allianz Park, em São Paulo.

Na noite de ontem, 9, Waters provocou aplausos e vaias do público ao enquadrar o candidato #elenão na lista dos neofascistas. 

Os ultrajantes que vaiaram, a rigor, erraram de show, confundiram os Rogers.

82 tons de Zé

Há 82 anos o Zé está fora do tom da mesmice, na contramão da música pra pular brasileira.
Parabéns, eterno garoto do sertão de Irará.

bate outra vez

Há 110 anos nascia Cartola.
Há 110 que as rosas falam na música brasileira.


O mundo é um moinho, este país está um moindo, Seu Agenor. Mas meu coração sempre bate outra vez com esperança quando ouço suas canções.
A benção, mestre. Tiro minha cartola para você.