sexta-feira, 20 de outubro de 2017

o poeta no seu dia

Hoje, 20, Dia do Poeta, um abraço no poeta de primeira  Climério Ferreira, lançamento do livro Poesia de quinta.

o nosso amor a gente inventa

"É preciso reinventar o amor, toda a gente sabe."
- Arthur Rimbaud

A alma inquieta do poeta, um dos mais forte do Simbolismo francês, se foi aos 37. Aliás, não foi, continua nas paredes da memória, reinventando-se em cada verso lembrado. Hoje ele faria inimagináveis 163 anos, traficando sonhos.
Acima, arte urbana com a imagem do poeta, de Ernest Pignon, Paris, 1978.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Vinicius, 104 anos

Para o amor
e outros precipícios
nada melhor do que Vinicius.

104 anos do poetinha.

poeta de primeira

“Quisera escrever um verso tão pequeno
que coubesse no coração de todo mundo”

Assim Climério Ferreira  começa o poema Desejo I, traduzindo o conceito afetivo do seu novo livro Poesia de quinta. Durante sete anos, sempre às quintas-feiras, o poeta mandou e-mails para amigos queridos e escrevia um “versinho” que cabia muito bem no coração de todos.
O piauiense-brasiliense Climério com sua poesia curta, suave e profunda, é um dos parceiros mais importantes com vários compositores da música cearense, do que se denominou no início da década de 70 de Pessoal do Ceará, como Ednardo, Fagner, Fausto Nilo, Petrúcio Maia, Vicente Lopes, além de canções com Dominguinhos e os irmãos Clodo  e Clésio, com quem lançou discos ótimos, como São Piauí e Chapada do Corisco.


Discreto, minimalista, avesso às badalações, Climério só quer escrever seus “livrinhos”, como costuma dizer. Por mais que “se esconda”, é impossível não abraçar esse poeta de primeira.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

roll over, Chuck!

"Se você quer tocar rock and roll, vai tocar como Chuck Berry, ou baseado em algo que aprendeu com ele, porque não existe outra escolha. Chuck realmente pavimentou o caminho."
- Eric Clapton
O rock and roll faria hoje 91 anos de idade

persiana indiscreta


"A imagem definitiva da saga de Aético Neves é a dele na janela de sua casa em Brasília, no Lago Sul, logo após o resultado da votação no Senado que o livrou do afastamento, olhando a movimentação na rua.
A foto, assinada por Luis Gustavo Nova, retrata o que restou do senador tucano: um pária, salvo por seus cúmplices, com medo da vida real."
- Kiko Nogueira

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

incenso de bombas

O ataque terrorista em Mogadíscio, capital da Somália, sábado passado, deixou até agora 276 pessoas mortas e mais de 300 gravemente feridas. Foi o pior ataque na história do pequeno país do oriente africano.
O grupo jihadista Al Shabab, ligado à Al-Qaed, que tenta derrubar o governo central apoiado pela ONU e pela União Africana, explodiu dois caminhões-bomba próximos a um hotel e um movimentado mercado.
Em tempos remotos, a Somália foi um dos países mais prósperos no comércio de incenso, mirra e especiarias para o resto do mundo. O Egito faraônico foi o maior importador desses itens considerados luxuosos.
Historicamente é um país de resistência aos impérios europeus, que ao longo dos anos derivou em constantes guerras civis, instabilidade política e muita pobreza. Franceses, britânicos e italianos estabeleceram domínios na região nos séculos 19 e 20.
A guerra entre grupos organizados dentro do mesmo Estado-nação somali, na década de 90, fez o Estados Unidos marcar presença com sua mania de xerife do mundo. George H. W. Bush, o pai, enviou uma tropa de elite com a finalidade de capturar generais que obedeciam ao líder Mohammed Farah na chamada Batalha de Mogadíscio. O que o governo em Washington calculava tudo resolvido em uma meia hora, durou um tiroteio de mais de 15 horas. A operação foi um fiasco, e deixou mais de mil mortos entre somalianos e soldados estadunidenses.
Os roteiristas hollywoodianos deram a sua versão heroica no filme dirigido por Ridley Scott, Falcão Negro em perigo, em 2001, tradução no Brasil para Black Hawk down, em referência aos dois helicópteros UH-60 abatidos.
Mas o ataque letal desse final de semana não despertará interesse para mais uma produção para se assistir no conforto dos multiplexes. Falta, para os roteiristas, um "leitmotiv" mais atraente nessa ópera apocalíptica.
Assim como não gerou comoção nas redes sociais, com fotos trocadas nos perfis. A Somália não é a França.

retrocesso


inéditos de Kafka

Quando Franz Kafka morreu, em 1928, aos 41 anos, seu amigo e também escritor Max Brod, tornou-se seu biógrafo e testamenteiro. Organizou e publicou muitos de seus escritos, entre eles Amerika e Narrativas do espólio. É dele Franz Kafka, a biografia, publicada em 1934 e reeditada quarenta anos depois.
Poucos, pouquíssimos conheceram tão bem o escritor tcheco quanto Max Brod. Há quem o considere um canalha traidor, porque Kafka o pediu, no leito de morte, que queimasse seus papéis pessoais e obras incompletas, por considerar sem muita qualidade.
Max Brod prometeu mas não cumpriu. E a "traição" trouxe à Literatura obras como O processo e O castelo. Obras que muitas vezes foram lidas, nos originais, pelo autor ao amigo e alguns poucos mais chegados. Kafka era de uma timidez patológica, e Max Brod não descansou enquanto não publicou os inéditos e lhe dedicou uma biografia.
Max Brod morreu 40 anos depois de Kafka, no final de 1968, em Tel Aviv, Israel, onde morava.
Com ele ficaram mais de 40 volumes com documentos, cartões postais e objetos pessoais do escritor. Relíquias que não foram levadas à público, e que continuaram em segredo nas mãos da secretária de Brod, Esther Holfe.
Essa senhora faleceu em 2009, aos 101 anos de idade, lá mesmo em Israel. Foram outros cabalísticos 40 anos após a morte do patrão.
Estudiosos de Kafka temem pelo estado físico desse tesouro. Esther Holfe morava em um apartamento úmido, mal cuidado, ao lado de cachorros, gatos, e quem sabe, baratas kafkanianas. Nada mais irônico.
Espera-se alguma notícia da revelação desses inéditos, que tenham sobrevividos aos processos de metamorfoses..
Na foto acima, de Ev Hoffe,Max Brod e Esther Hoffe. 

domingo, 15 de outubro de 2017

dias de Nietzsche em Turim

Em Turim, Itália, no ano de 1889, nada menos do que Friedrich Nietzsche protege um cavalo que é brutalmente espancado pelo seu dono, numa praça. O filósofo abraça-se ao pescoço do animal, em prantos.
De volta à sua casa, Nietzsche então permanece imóvel e em silêncio durante dois dias estendido em um sofá, até que pronuncia as definitivas palavras finais: “mãe, eu sou um idiota”. E vive por mais dez anos, mudo e demente, sendo cuidado por sua mãe e suas irmãs.
Esse é ponto de partida do filme húngaro O cavalo de Turim (A torinói ló), 2011, e o que aconteceu com o animal socorrido é o tema desenvolvido pelo cineasta Béla Tarr nesse belíssimo exemplar de cinematografia.
Nietzsche, o grande pensador da evolução humana, faria hoje 173 anos.

fogo cerrado

Brasília, 37,5 graus.

Calor recorde, baixa umidade, queimadas, racionamento d'água, STF, Senado, Câmara... 

suprema vergonha

“Quando a política penetra no recinto dos tribunais, a justiça se retira por alguma porta.”
O primeiro-ministro francês François Guizot ao pronunciar essa frase, ainda em meados do século 19, jamais imaginou que se tornaria uma máxima na política de sempre. Ou sim.

acerte o relógio


sábado, 14 de outubro de 2017

at arriving at the right time

George Harrison, All things must pass, 1970,  é o terceiro disco-solo de Harrison, o primeiro como ex-beatle, e - dado importante - o primeiro álbum triplo da história do rock gravado por um único artista. Em 2001 foi lançado em CD duplo.

George guardou muitas de suas composições na época dos Beatles, não querendo “competir” com as músicas da parceria “oficial” Lennon-McCartney. O repertório de 28 canções dos três vinis tem criações que se tornaram clássicas, como My sweet Lord, a ótima If not for you, de Bob Dylan, canções escritas com Eric Clapton, Bobby Whitlock, Dave Mason...
Além dos cantores citados, o guitarrista convidou para dividir várias faixas: o grande pianista de música soul Billy Preston, o lendário roqueiro de arena Peter Frampton, o baterista e vocalista do Genesis Phil Collins, e o amigo Ringo Starr, pra dar aquele toque beatle, e o disco ficar “with a little help from my friends”.