domingo, 25 de fevereiro de 2018

o Conde do Planalto

Arte-colagem: TT Catalão
O escritor inglês David Glover em seu livro Vampires, mummies, and liberals: Bram Stoker and the politics of popular fiction, 1996, diz que a reinvenção do mito do vampiro na era moderna não ocorreu sem uma certa dimensão política.
Em sua análise, o aristocrático Conde Drácula, sozinho no seu castelo com serviçais dementes, surgindo apenas durante a noite para alimentar-se dos seus súditos, é simbólico da natureza parasitária do Ancien Régime – referindo-se ao sistema social e político aristocrático que foi estabelecido na França dos séculos 15 a 18, com regime centralizado e absolutista em que o poder era concentrado nas mãos do rei.
Qualquer semelhança com o vampiro neoliberal do enredo da Paraíso do Tuiuti tem tudo a ver.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

a geografia afetiva de Eugênio Leandro

Um merecido e oportuno artigo sobre um dos mais talentosos artistas cearense, Eugênio Leandro. Publicado nO Povo (CE) de hoje, a jornalista e professora Lilian Martins faz um apanhado analítico e afetivo do trabalho do compositor, cantor e escritor, através de seus discos, livros e shows.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

teus "zoi" clareia o roçado...

Flor da paisagem, primeiro disco da cantora Amelinha, 41 anos este mês de seu lançamento.
As composições de Ednardo, Fagner, Abel Silva, Petrúcio Maia, Brandão, Luiz Gonzaga, Zé Dantas, Ricardo Torres, Pepe, Beto Mello, a parceria na canção-titulo de Fausto Nilo e Robertinho de Recife...
A capa com a singela foto de Mauricio Albano, feita numa casinha à beira da estrada para Aquiraz, Ceará, a plantinha que ele improvisou ali na hora numa latinha de óleo Pageú... A contracapa com a foto de seu irmão José Albano, uma frondosa mangueira com o cheiro da brisa da praia de Sabiaguaba.
Um disco com a voz da fina flor da música cearense.
Um canto que faz da distância uma paisagem.

intervenção em Brasília


caminhar

"A utopia está lá no horizonte. Aproximo-me dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu nunca deixe de caminhar."
- Recorrendo a Eduardo Galeano, nestes temerosos tempos distópicos.

o melindroso


terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

cinema de montagem

"Os montadores atravessaram com os olhos uma estrada de 49 quilômetros de imagens."
- Sergei Eisenstein, sobre o filme Outubro (Октябрь), 1928, codirigido por Grigori Aleksandrov.
Com sua teoria embrionária de montagem intelectual, a genialidade do cineasta disseca as relações entre religiões e fanatismo político, e discorre de forma precisa o intenso processo revolucionário da Rússia desde 1917 até a tomada do poder pelos bolcheviques.
Os 149 minutos originais na tela foram resultado de um ano na mesa de montagem, com o diretor orientando Esfir Tobak na moviola.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

enredo de uma cidade partida

Em 1996 o grande letrista da música brasileira Paulo César Pinheiro escreveu O dia em que o morro descer e não for carnaval, musicada e gravada pelo saudoso Wilson das Neves.
A composição é muito sintomática nestes tempos intervencionistas, depois que uma faixa foi estampada dizendo que morro vai descer e não for carnaval.
No vídeo abaixo, o encontro de duas gerações, que se espelham e reverberam o talento de nossa música em todos os gêneros: das Neves e o rapper Emicida, dividindo na mesma cadência o compasso do samba e do coração, dissecando a geografia atualizada da letra.