terça-feira, 30 de janeiro de 2018

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

dentro de mim

foto B. Berenika
Dentro de mim
há pássaros que cantam.
E eu me sinto cansado de partir.

Sou homem
- mas não sei pra onde ir.
Sou pássaro
- mas não sei por que me espantam.

Carlos Nejar

domingo, 28 de janeiro de 2018

o menino que nós amamos

Há 74 anos o cantor, compositor, ator e físico Rodger Rogério continua um menino no chão sagrado do seu coração.
Parabéns pelo seu dia todos os dias!
Na ponta do lápis, vou repetir o que tu já sabes: NÓS TE AMAMOS!

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

os acusadores

“Alguém certamente havia caluniado Josef K., pois uma manhã ele foi detido sem ter feito mal algum.”
Frase que começa o livro O processo, de Franz Kafka, escrito em 1920, lançado em 1925, um ano após a morte do autor, e de uma atualidade impressionante.
Ambientado em uma atmosfera claustrofóbica, burocrática e absurda, narra a angustiante história de um rapaz que na manhã do seu aniversário é surpreendido por dois guardas, encarregados de levá-lo por ser alvo de um processo, de crime não especificado.
Acima, Anthony Perkins em uma cena do filme homônimo, dirigido por Orson Welles em 1962.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

versos em alto mar



Em 1938, o jovem de 24 anos Marcus Vinicius da Cruz de Melo Moraes, o futuro 'poetinha', ganhou uma bolsa do Conselho Britânico para estudar língua e literatura inglesas na Universidade de Oxford.
Em setembro daquele ano, a bordo do navio Highland Patriot, escreveu o belamente dolorido Soneto da separação, motivado pela saudade da namorada Tati, que se tornaria sua primeira esposa.
Os versos partem de uma ausência, e não de uma ausência que nos parte quando tudo, “de repente, não mais que de repente”, se faz “triste o que se fez amante”.
Mas por licença poética, se conjuga nas duas ausências... quando se faz “da vida uma aventura errante”.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Caio


manter o foco

Paisagem urbana - 109 Sul, Brasília.

ano que vem, mês que foi

“E fique sabendo: quem não se arrisca não pode berrar. Citação: leve um homem e um boi ao matadouro. O que berrar mais na hora do perigo é o homem, nem que seja o boi. Adeusão.”
- Trecho do despoema-imagem Pessoal intransferível, de Torquato Neto, escrito em 1971, um ano antes de ele apagar a luz...
E a desfoto-poema de Torquato na exposição A pureza é um mito, de Hélio Oiticica, em Londres, na Whitechapel Gallery, 1969, um ano depois do antológico Tropicalia ou Panis et Circencis, disco que tem suas letras Geleia geral e Mamãe, coragem.

domingo, 14 de janeiro de 2018

Lucky, Harry

Lucky - O realismo é uma coisa. 
Garçom – Ah, é? Como assim?
Lucky - É a prática de aceitar uma situação tal como ela é... e está preparado para lidar com ela.
Garçom - Está dizendo que o que você vê é a sua realidade?
Lucky – Mas o que você vê não é a minha realidade.

O diálogo, aparentemente banal, é um breviário que define bem a essência do ótimo Lucky, ou mais precisamente no título original Lucky is Harry Dean Stanton, filme dirigido por John Caroll Lynch, lançado no final do ano passado.
A sacada dos roteiristas Logan Sparks e Drago Sumonja em homenagear o grande ator de Paris, Texas, criando um personagem fictício baseado na vida do próprio Harry, apresenta uma diferente narrativa cinematográfica, um argumento pouco visto na história do cinema.
Harry Dean Stanton estava com 90 anos de idade quando se animou e não pensou duas vezes em aceitar o convite. Mesmo dizendo que os roteiristas conceberam aquele personagem, o ator interpreta a si mesmo, veste-se de sua vida, reveste-se de seus dramas e fantasmas, desnuda-se em sua solidão.
Lucky nunca casou, não teve filhos. Harry também não. Os dois participaram da Segunda Guerra, como cozinheiros. Fumam um maço de cigarros por dia. São ateus em uma jornada espiritual. A morte é iminente, ambos têm mais passado que futuro, mas "se vamos voltar ao nada, a única coisa que podemos fazer é sorrir", reflete. A vida é presente em cada segundo diante o precipício. Lucky, ou Harry, ou Lucky e Harry, destilam o potencial ranzinza da velhice com doses de Bloody Mary e comentários espirituosos, ácidos, sem poupar quem está ao seu redor, sem dar espaço aos idiotas que se aproximam. “Só há uma coisa pior que silêncio constrangedor: conversa fiada”, diz.
O percurso narrativo do filme tem a alma de um documentário na pele (ou película?) da estrutura ficcional. As linguagens não se confundem: uma está incorporada à outra, por força do protagonista, pela presença do ator. O personagem Lucky interpreta o ator Harry. A realidade para cada um é aceitar a proximidade do fim, sabendo lidar sem autocomiseração. O que Harry vê na vida “inventada” de Lucky é a sua realidade. Mas o que Lucky “vê” em Harry não é a sua realidade. O cinema, em sua beleza e magnitude conceitual, atinge o poder de espelho descritivo, o tempo e o espaço diegéticos dentro da trama, os limites, coerências e particularidades do drama no mesmo fôlego da ficção e realidade.
O carismático Harry Dean Stanton, com sua esculpida cara de um tio nosso que queremos bem, fez quase trinta filmes ao longo de seis décadas. Mas não é o engenheiro técnico Brett de Alien, o oitavo passageiro nem o recuperador de bens Bud de Repo Man, que ficaram tão fortemente marcados como Travis, o andarilho com amnésia do filme de Wim Wenders, 1984. Não por acaso, Lucky faz longas caminhadas em estradas desertas e ruas desoladas de uma cidadezinha do Arizona, numa referência indireta ao lendário outro personagem, ou seja, numa citação direta ao ator.
Harry Dean Stanton faleceu em setembro do ano passado. Não viu seu último filme na tela. Mas como Lucky, esteve dentro do filme. E o que vemos, é a realidade dele.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

volando vengo, volando voy

"Yo llevo en el cuerpo un dolor / que no me deja respirar / llevo en el cuerpo una condena / que siempre me echa a caminar..."
- Manu Chao, Desaparecido, disco Clandestino, 1998

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Peter Pai

Um dos maiores desejos da cantora Rita Lee quando criança era se encontrar com Peter Pan. Aliás, queria que o rapazinho que se recusava a crescer viesse lhe buscar, assumi-la e sumirem, tirá-la daquela vidinha sossegada ainda nada mutante.
E eis que em uma noite, do terraço do casarão onde morava em São Paulo, a ovelhinha negrinha da família avistou Peter no céu! A menina gritava eufórica. O pai apareceu esbaforido, preocupado:
- Rita, o que está acontecendo?
- Peter Pan! Peter Pan! Eu vi o Peter Pan!
- Onde?
- Logo ali no céu, pai!
- Me conta como era.
- Três luzinhas.
- Ok. De que cor?
- Coloridas.
- O que elas faziam?
- Uma dancinha.
- Ok. Como era essa dancinha?
- Mudavam de lugar uma com a outra.
- O que aconteceu depois?
- Sumiram de repente. Juro que eu vi, pai. Não é mentira!
- Rita, eu acredito em você e vou te contar uma verdade: Papai Noel, coelho da Páscoa, Deus e o diabo, céu e inferno, essas bobagens não existem, quem compra os presentes é sua mãe. O que você viu não foi o Peter Pan. Você viu um disco voador, minha filha!

deforma trabalhista

“Papai, eu aceito”, diz a platinada deputada Cristiane, a bebê do Brasil, filha de Jefferson, o Bob, ao ser convidada pelo temeroso, o ilegítimo, para ministério do Trabalho.
E la nave afunda.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

boletim das trevas


Segundo o jornal Folha de São Paulo, o temeroso está em repouso no palácio-clínica Jaburulogia, recuperando-se de uma infecção urinária. A febre baixou, tudo baixou, e o ilegítimo passou a revirada do ano fazendo xixi normalmente.



Para o antenado jornalista e crítico de cinema Jose Geraldo Couto, “as notícias são contraditórias, uns dizem tê-lo ouvido desabafar: ‘não tenho mais saco’, outros garantem que ele não tem porra nenhuma”.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

de manhã

Esperou acabarem os fogos pra olhar o Ano Novo...

eso es lo que siento

“Esse ano foi tão ruim que ‘Volver a los 17’ nem com a Mercedes Sosa.”
- Assis Ximenes, citado na excelente, lúcida e oportuna crônica do amigo Romeu Duarte, publicada no jornal O Povo, CE, de hoje, e na sua página no Facebook.

janeiro

Janus, deus romano das mudanças e transições, dos inícios, das escolhas.
Inventor das guirlandas, dos botes, dos navios, das moedas de bronze.
Olha para o presente, tem a chave do futuro. Olha para o passado, tem um olho em dezembro.

eus

Fogos explodindo em cores, luzes e formas nos céus na tradicional saudação pelo novo ano, e rapazes, moças, casais, famílias, todos de costas para o espetáculo, com seus Smartphones e iPhones, nesse fenômeno doentio das selfies...