terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

coincidências no Cassino

Daniel Graig, o novo James Bond, em "Cassino Royale", de Martin Campbell. Foto EON Productions/AP

O novo filme do agente James Bond, "Cassino Royale", trará para a ficção uma situação parecida com o assassinato do brasileiro Jean Charles de Menezes em uma estação de metrô de Londres, em julho do ano passado, depois de ser confundido com um terrorista. No filme, o protagonista mata a tiros um suspeito de terrorismo, mas depois descobre que a vítima era inocente. Bond tentará salvar a própria imagem depois que a filmagem da execução, registrada pelo circuito interno de TV, é divulgada em todo o mundo.

A coincidência está incomodando as autoridades britânicas. O filme será lançado em novembro próximo, e será o vigésimo primeiro da série sobre o agente secreto a serviço de Sua Majestade. Os diretores sempre se revezam nessas produções. Desta vez ficará sob o comando de Martin Campbell, que fez recentemente "A marca do Zorro". Quentin Tarantino chegou a ser especulado para a função, que "prometeu" fidelidade integral ao romance de Ian Fleming, lançado em 1953, no qual é baseado o filme. Imagine o que o enfant terrible faria da história!... Até o ex-Bond Sean Connery se propôs a dirigir o novo trabalho, o que seria muito "passional". Os produtores, então, preferiram confiar em um diretor com experiência em filmes de ação.

"Cassino Royale" é uma refilmagem. A produção original de 1967 trazia o embrionário personagem James Bond, vivido por ninguém menos que Peter Selles (o da "Pantera Cor-de-rosa") que recebia o cargo do Bond aposentado vivido David Niven. A direção foi assinada por Val Guest, Ken Hughes, Joseph McGrath, Robert Parrish e (pasmem!) John Huston. O elenco era ainda mais eclético: Jean-Paul Belmondo, Peter O'Toole, Deborah Kerr, William Holden, Charles Boyer, Orson Welles, a até Woody Allen! E claro, Ursula Andrews, no papel da bela espiã Vesper Lynd, a primeira bond-girl, que nessa versão 2006 será interpretada pela francesa Eva Green, que há três anos ficou conhecida com "Os sonhadores" (The dreamers), de Bernardo Bertolucci.
A novidade central está no ator inglês David Graig, que está no elenco de "Munique", de Steven Spielberg. A ele coube assumir uma linhagem que inclui o citado Connery (seis filmes), Roger Moore (sete), Timothy Dalton (dois), Pierce Brosnan (quatro) e o inexpressivo George Lazenby (um).

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