domingo, 31 de dezembro de 2017

2017: um tsunami em meu peito

Belchior, Luiz Melodia, Jerry Adriani

Kid Vinil, Nelson Xavier, Francis Vale, Pedro Carlos Álvares

venha, 2018


precedente


Rita de Sampa

“Nascer no 31 de dezembro é sacanagem. Levo um ano literalmente nas costas para fazer aniversário e ouvir: ‘hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa, é de quem quiser, quem vier’. Quando criança, o que me consolava era o ditadinho ‘os últimos serão os primeiros’, até que um primo engraçadinho riu na minha cara: ‘Sim, os primeiros a chegar por último!’”
- Rita Lee em Uma autobiografia, 2016.
Aos 69 anos, a cantora, com seu humor gostosamente debochado, deve estar de piada com a nova idade.

sábado, 30 de dezembro de 2017

já é outra viagem

“Não me sigam que eu também estou perdido. Ou façam ou descubram o próprio caminho. Façam como eu, inventem. Ou melhor, não façam como eu, inventem. ”
- Belchior em entrevista ao jornalista Josué Mariano, em seu escritório, São Paulo, 2002.
Onze anos depois, o cantor em seu exílio voluntário em Passa Sete, RS, fotografado por Ingrid Trindade.
Oito meses hoje que ele está encantado como uma nova invenção.

duas mulheres

foto Maira Sales
Mona Gadelha, cantora, compositora, poeta, jornalista. A história do rock, do blues e das canções cearenses não passa por ela: está nela. Nos anos 70, 80, as emoções perigosas de quem fazia música na contramão dos bons costumes do lugar, tinham em Mona a postura e o comportamento feminino de quem pinta com talento e ousadia a cor do sonho que a música nos traz.
Patti Smith, cantora, compositora, poeta, escritora. Com seu disco de estreia, Horses, 1975, que Mona segura nas mãos e no coração, deu largada ao movimento punk com o canto feminino, a postura da mulher no comportamento do rock, o intelecto das canções nos movimentos políticos. Suas letras contestam, discordam, avançam na via contrária das setas estabelecidas.
A escorpiana Mona fez aniversário dia 28 de outubro. A capricorniana Patti, hoje. Mona Smith, Patti Gadelha: tudo a ver, tudo a cantar, tudo a ouvir.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

meias três-quatro



16 anos sem a garotinha desbocada que não se enquadrava na mesmice da música 'prapular' brasileira.

quarto de hotel

“Estou triste, tão triste / e o lugar mais frio do Rio é o meu quarto...”
- Caetano Veloso em Estou triste, do álbum Abraçaço, 2012

O cantor no frio de um quarto de hotel em Santiago, Chile, 2016, dedilhando os olhos tristes da canção I only have eyes for you, de Harry Warren e Al Dubin, 1934.
A solidão das pessoas nessas capitais, como dizia um antigo compositor cearense.

loneliness before me

"Algum dia eu ainda irei compor uma música que explique o que é fazer amor com 25.000 pessoas durante um show e depois voltar para casa sozinha."
- Janis Joplin

solidão urbana

510 Sul, Brasília

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

civilização posterior

"Depois de Atenas, após a Renascença, estamos agora entrando na civilização do traseiro."
Do visionário Jean-Luc Godard, em seu filme O demônio das onze horas (Pierrot le fou), de 1965.
Lembrei-me desse "vaticínio" do cineasta depois que li há pouco a excelente, lúcida e oportuna crônica do amigo Romeu Duarte na página do jornal  O Povo online e aqui no feicibuque

então é Natal?

Em 1995 a cantora Simone gravou o CD 25 de dezembro com doze faixas com temas natalinos. É um disco cheio de versões de clássicos como de Irving Berlin, White Christmas e Silent Nights de F. Gruber, respectivamente Natal branco" e Noite feliz, além de Jesus Cristo de Roberto e Erasmo Carlos e "Boas Festas", do grande Assis Valente.
Mas o que ficaria mesmo marcada é a indefectível versão de Happy xamas/Was is over, de John Lennon e Yoko Ono, cometida por Cláudio Rabello, por aqui intitulada Então é Natal", trilha sonora de shoppings e supermercados nesta época de Menino Jesus e presépios piscando lampadinhas led.
São 22 anos ad nauseam.
O disco vendeu mais de um milhão de cópias, chegou ao mp3 e todas as plataformas digitais.
É difícil de aguentar até com John Lennon. Ou talvez porque a sonoridade dessa versão já contaminou a original.
A música do ex-Beatle é sobre a guerra do Vietnã, e usa o Natal como uma representação de final de ano, quando todos se mostram alegres e cordatos (o tal "espírito natalino"!), mas, na verdade, fica a pergunta que não quer calar: "And what have you done?".
Pensa-se no aspecto comercial, molda-se um adestramento religioso, mas não a essência da mensagem de resistência pacífica daquele Cristianismo com o qual John, mesmo sendo ateu, se identificava.
Versões como essa Então é Natal, pelo imediatismo contextual, é um verdadeiro esquartejamento poético das obras.
Nem Simone imaginou atravessar tantos dezembros.

ocupação

TT Catalão

cheeegaaa!!!


o aniversariante do dia


sábado, 23 de dezembro de 2017

e o que você fez?

Um jovem casal com o casamento em crise, um pai cheio de ressentimentos vivendo com uma mulher em perturbado estado alcoólico, garotos saídos da adolescência em permanente conflito e cobranças, carentes de afeto... E um homem de meia idade, sobrevivido de um passado complicado, empregado de um ferro-velho, tentando refazer sua vida. Ele chega a esse seu núcleo familiar em plena noite de Natal, e o que seria uma confraternização, mostra-se um desfilar de escamações. Troca de mágoas, queixas, dissabores em vez de troca de presentes. À mesa, um cardápio de pesares, compunções e desconsolos dá lugar à tradicional ceia de boas festas. Não há o ritual de amigos secretos, e sim, de inimigos íntimos.
Com esses personagens, situações e ambientações, desenvolve-se o roteiro de um filme denso, sombrio e verdadeiro: Feliz Natal, longa-metragem de estreia como diretor do ator Selton Mello, em 2008.
A construção narrativa é claramente influenciada por cineastas “contraventores” dos bons costumes de filmes que não fazem concessão à mesmice, não compactuam com o lugar-comum de um cinema dopante, como a argentina Lucrecia Martel e os norte-americanos Paul Thomas Anderson e John Cassavetes. Selton Mello segura firme na direção, demonstra o mesmo talento que tem à frente das câmeras, anuncia-se como um cineasta que não vai usar o seu nome, talento e reputação com filmecos de dramaturgia televisiva, o que se confirmou com os ótimos O palhaço, 2011, e O filme da minha vida, 2017.
Feliz Natal, com destaque para as atuações de Darlene Glória e Lúcio Mauro, ganhou apenas um prêmio em festivais, o de fotografia para Lula Carvalho, em Paulínia, e não teve grandes números em bilheteria. Apesar do reconhecimento de parte da chamada “crítica especializada”, é um filme lamentavelmente subestimado, errônea e apressadamente visto como uma exposição da condição humana sem saída, através da célula familiar, quando é exatamente a sinceridade do discurso que se propõe à reflexão, e que estejamos sempre atentos. Essa é a função sagrada da arte: espelharmo-nos para nos repararmos. A arte não condena, esmiúça nossas vísceras para que continuemos juntos, talhando e aprimorando nossa convivência neste mistério chamado vida.
Selton Mello ambienta seu filme justamente no contexto de uma noite onde a hipocrisia tem seu formato mais acabado, descrevendo uma conjuntura do cerne familiar como personificação de todas as relações humanas. Afinal, as grandes guerras começam entre quatro paredes, entre marido e mulher, entre irmãos, entre amigos. O amor também.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Natal Maravilha


tudo é igual quando canto e sou mudo...


Keith rock and roll

A figura emblemática do estilo musical surgido nos EUA no final dos anos 40, de uma lista bastante seletiva, é o guitarrista Keith Richards, pela musicalidade, comportamento e todos os etc e tais...
Hoje ele completa 74 anos de pedras rolantes.
Guitarra "La Pirata",projetada especialmente para o aniversariante pela Teye Master Guitars.

o "lobinho" Keith

O guitarrista e baixista Keith Richards, que hoje completa 74 anos, quem diria, foi escoteiro. E gostava. Em seus relatos de sexo, drogas e rolling stones, na autobiografia Vida, 2010, ele diz que foi uma das melhores coisas que lhe aconteceu quando criança, no começo dos anos 50, e se tornou membro de uma tal Patrulha do Castor da Sétima Tropa de Escoteiros.
Leu todos os livros de Robert Baden-Powell, o tenente-coronel do exército britânico fundador do escotismo, e para ele era importante a disciplina para aprender as habilidades de sobrevivência. Keith tinha até uma barraca no quintal, onde passava horas comendo batata crua, como "dever de casa".
Certa noite, muitas pedras roladas depois, já definitivamente um "bad old man", estava sozinho num quarto de hotel em turnê dos Stones, e assistia pela televisão uma cerimônia sobre o 100º aniversário do Movimento Escoteiro. Automaticamente, atento e respeitoso, perfilou-se diante da TV, e com os três dedos na testa fez a saudação oficial dos escoteiros: "Líder da Patrulha do Castor, Sétima Tropa de Dardford, senhor!"
Ele achava que deveria se apresentar.

domingo, 17 de dezembro de 2017

joga pedra na Geni

foto Leo Aversa
"Acho que vou começar a usar esses fones na rua. Gosto de caminhar e, por onde caminho, nos bairros chiques do Rio, as pessoas finas passam com seus carros grandes e gritam: 'viado filho da puta!', 'viado, vai pra Cuba', 'vai pra Paris, viado'. O único consenso é o 'viado'”.
- Chico Buarque, sobre estes tempos temerosos longe da delicadeza.

yellow submarine

capa Thiago Martins
"Vanderlei Costa é um dos mais camaleônicos performers do Distrito Federal. É daqueles artistas que sabem não apenas traduzir, mas incorporar a concretude, a frieza, o calor e a loucura de uma cidade em constante mutação e mutilação, no limiar entre o texto e a performance, entre a razão e o delírio, entre o corpo e o desejo, entre a poesia e caos."
- Adeilton Lima, ator e poeta, no texto preciso da orelha do livro Subsoloamarelo, lançado neste domingo, 17, na programação paralela do 6º Curta Brasilia - Festival Internacional de Curta-metragem, no cine Brasília.
No seu primeiro livro, Vanderlei Costa desce ao subsolo de sua moradia na Asa Norte para, como uma radiografia caleidoscópica, subir ao céu da cidade-capital, projetando com seus poemas, textos e fotos de apresentações conceituais a beleza e inquietações de cada um de nós.
foto Manuela Pereira
O subsolo é corpo que abriga o corpo do poeta. Que planeja o dia e inspira a palavra, desnuda as roupas e veste as cores, desconstrói a mesmice careta e ergue o tesão de viver. Um submarino amarelo sob o leito do Paranoá que emerge no planalto central do país.

sodade

Sete anos sem o canto perfumado da cabo-verdiana Cesária Évora.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

um nome da saudade

A saudade hoje tem mais um nome: Pedro.
O cinema tem mais uma saudade, a música tem mais uma saudade, a vida cultural cearense tem mais uma saudade.
Valeu sua passagem por esse jardim, pelas ruas, pelas noites, pela Praia de Iracema.
Quando se vai um amigo, vai também um pedaço de nós, das horas divididas, dos dias compartilhados, dos sonhos esperançados.
Tornamo-nos eternos no coração de quem nos quer bem.
Eu te quero bem, amigo.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

à altura dos corações

Yasujiro Ozu, o cineasta do cotidiano, dos laços e desenlaces familiares.
Criador dos planos com tripé baixo, sua câmera-tatame está sempre à altura dos corações dos que partem e dos que voltam.
Minimalista, com serenidade e sutileza, seu cinema disseca sentimentos que mexem com todos, como deve ser para o entendimento e reflexão de todos nós, seres imperfeitos metidos a sabidos.
Em seus filmes, Ozu estabelece uma estrutura neorrealista, confrontando o velho e o novo Japão, muito bem definido no envelhecimento e na modernidade, nos filhos e nos pais, nas cidades e nos costumes, no efêmero que somos, no eterno que pretendemos.
Como em conceito taoísta, o cineasta veio e se foi no mesmo dia, 12 de dezembro. Os 60 anos que se ligam entre o seu Yin em 1903 e o seu Yang em 1963, reúnem as forças da transformação contínua, da vida que surge à vida que se destina.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

o anjo torto de Vila Isabel

"Sou do sereno poeta muito soturno..."
Noel Rosa viveu apenas 27 anos, de boemia e poesia, dos 107 que não faria hoje.
Ele foi um dândi enviesado, um irreverente com suprema inteligência, no começo de um século reverencioso aos bons costumes do lugar. Do jeito que atravessava a noite e curtia a vida, não alcançaria estes mitológicos 2000 anos depois de Cristo.
Noel Rosa: Uma Biografia, de João Máximo e Carlos Didier, lançada em 1990 e logo recolhida pelas sobrinhas herdeiras do compositor, é o mais completo relato da vida do artista.
O livro foi proibido através de ações judiciais, alegando desrespeito à vida privada da família, possivelmente por mencionar os suicídios da avó e do pai de Noel.

O texto é primoroso, com a elegância que o biografado merece.

domingo, 10 de dezembro de 2017

a vida de Clarice

"Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento."
- Clarice Lispector através da personagem Lóri em Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres, 1969.
Hoje ela faria 97 anos rendida à vida.
Abaixo, a escritora fotografada por Bluma Wainer, Paris,1946, imagem usada na capa do ótimo Clarice, uma biografia, do americano radicado na Holanda Benjamin Moser, 2009. Uma pena que o título na edição brasileira, pela Cosac Naify, omita um dado importante do título original, Why this world: a biography of Clarice Lispector. O "por que este mundo" é ao mesmo tempo uma pergunta-afirmação bem tipica das inquietações e mistérios de Clarice.

sábado, 9 de dezembro de 2017

que mistérios tem Clarice?

"Ao vê-la, levei um choque: os seus olhos amendoados e verdes, as maçãs do rosto salientes, ela parecia uma loba – uma loba fascinante. Não tenho qualquer lembrança do que conversamos naquela ocasião, porém quase nada devo ter eu falado, a não ser talvez algumas palavras de elogio a sua literatura. Ela era afável e simples mas de pouco falar. Saí dali meio atordoado, com aquela imagem de loba na cabeça. Imaginei que, se voltasse a vê-la, iria me apaixonar por ela."

- Ferreira Gullar, que se foi há um ano, sobre a primeira vez que viu Clarice Lispector, que se foi há 40 anos hoje e faria 97 amanhã.
O encontro fascinante aconteceu numa tarde de domingo na casa da escultora Zélia Salgado, Ipanema, 1956.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

o último take

Notícia triste nesta manhã... O cinema cearense perde um dos seus mais autênticos e combativos cineastas: Francis Vale.
A ele devo o primeiro take do meu documentário Pessoal do Ceará - Lado A Lado B, cedendo-me equipamentos, equipe e muito afeto. E partiu dele a homenagem que recebi no Festival Jeri Digital, em 2012. Só tenho gratidão e muita saudade.
Meu coração abraça vocês, Gabriel Vale e Bel Vale, filhos, e Leny, sua querida esposa.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

a palo seco

A frase estampada no poste é título do livro de Diego Moraes, nascido há 33 anos em Amazonas. É uma espécie (em extinção) de “Bukowski manauara”, por sua escrita dilacerada e bêbada.

Lançada ano passado, a sexta publicação desse poeta que prefere ser marginal nas frestas (e não festas) literárias, é uma miscelânea de escritos, contos, poemas e aforismos. A referência ao cantor e compositor cearense se deu porque “a música dele me acompanhou por um tempo em fundos de bares escuros. Embalou uma época da minha vida que julguei sem esperança. Sem amor. A voz dele me bastava.”

O canto de Diego Moraes é torto feito faca cortando a nossa carne.

Sete meses hoje que Belchior toca no bar vazio do coração de todos os diegos...

terça-feira, 28 de novembro de 2017

amor pelo cinema

1983, set de filmagens de E la Nave Va, de Federico Fellini.
Contra-regras erguem o rinoceronte ilusionista e apaixonado, flutuando em um bote salva-vidas, uma das cenas mais emblemáticas de um dos mais emblemáticos filmes em homenagem ao cinema.

Como disse o escritor Peter Bondanella, conceituado estudioso da cinematografia italiana, “em nenhum outro lugar o amor de Fellini pelo cinema é tão evidente quanto em 'E la Nave Va'”.

estrada da vida

Federico Fellini enquadra Giulietta Masina, que se enquadra na personagem Gelsomina em A estrada da vida (La strada), 1954, que se enquadra em um dos melhores filmes da história do cinema.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

os sonhadores

Cena de E la nave va, de Federico Fellini, 1983.

"Precisamos dos poetas para dar coerência aos sonhos"
- Luigi Pirandello na peça Os gigantes da montanha, 1936.


amor filial

Setsuko e Chishu Ryu em Pai e filha
Noriko tem 27 anos, e o pai, a tia e a vizinhança insistem que ela precisa casar. A moça não pensa nisso, prefere ficar cuidando do pai, viúvo.
“Quero ficar aqui com você para sempre, papai”, diz Noriko sempre que o pai volta ao assunto de que a filha precisa seguir seu caminho.
A partir desse enredo simples, o cineasta Yasujiro Ozu desenvolve o roteiro de um dos mais belos filmes da cinematografia mundial, Pai e filha (Banshum), de 1949.
Setsuko Hara foi uma das atrizes preferidas de Ozu. Pai e filha é o primeiro da trilogia de sua personagem Noriko, retornando em Também fomos felizes (Bakushû), 1951, e no clássico Viagem à Tóquio (Tokyo monogatari), 1953.
Ozu dirige Setsuko em Viagem à Tóquio
Setsuko tinha o mesmo amor pelo cineasta. Quando este faleceu, em 1963, a atriz parou de fazer cinema e se recolheu na cidade provinciana de Kamakura. Mesmo recusando-se a dar entrevistas e deixar-se fotografar, a atriz exilou-se com tranquilidade, sem amarguras, de forma zen, ao contrário de Greta Garbo.
Sua partida definitiva, aos 95 anos, foi em setembro de 2015, e anunciada dois meses depois. Minimalista como em um filme de Ozu.

domingo, 26 de novembro de 2017

o caminho de volta

Há sete anos o ator e cineasta Dennis Hopper foi enterrado na cidade Taos, Novo México. Foi lá que ele dirigiu, atuou e editou o clássico Sem destino (Easy rider), em 1969.
Era o desejo dele.

domingo com Clarice

"Fiquei sozinha um domingo inteiro. Não telefonei para ninguém e ninguém me telefonou. Estava totalmente só. Fiquei sentada num sofá com o pensamento livre. Mas no decorrer desse dia até a hora de dormir tive umas três vezes um súbito reconhecimento de mim mesma e do mundo que me assombrou e me fez mergulhar em profundezas obscuras de onde saí para uma luz de ouro. Era o encontro do eu com o eu. A solidão é um luxo."
- Clarice Lispector em Um sopro de vida, publicado em 1978, um ano depois de sua morte.

sábado, 25 de novembro de 2017

queima de estoque


sexta-feira sem vidas

Ontem o Egito sofreu mais um ataque com bombas e tiros em uma mesquita na região do Sinai, a 200 quilômetros da capital, Cairo. No cenário de destruição mais de 300 mortos, quase 30 crianças, e mais de 100 feridos.
O milenar país dos faraós luta há muito tempo contra a insurgência islâmica, e esse conflito sangrento intensificou-se há uns quatro anos quando grupos extremistas passaram a atacar forças de segurança, civis e igrejas cristãs.
O cínico Donald Trump com seu topete oxigenado condenou o ato como “horrível e covarde”. A conservadora primeira-ministra britânica Theresa May se disse "chocada com o ataque revoltante". E nas redes sociais do país da fraude brequifraidei, pouca comoção. O Egito não é a França.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

o que acontecia com miss Simone


"Quando ela se apresentava, era brilhante, era amada. Ela também era uma revolucionária. Ela achou um propósito no palco, um lugar no qual poderia usar a voz para defender seu povo.
Porém, ao fim do espetáculo todos iam para casa. Ela ficava sozinha e continuava combatendo seus próprios demônios, tomados de raiva e fúria. Ela não se aguentava e tudo vinha abaixo."
- Lisa Simone Kelly, filha de Nina Simone, em entrevista no documentário, "What happened, miss Simone?", de Liz Garbus, 2015.
Acima, Lisa ao seis anos com a mãe, após um show em Londres, 1968. Foto Daily Mirror

santa música

Pela crença cristã, Santa Cecília, uma abnegada mocinha de família nobre romana, cantava para Deus quando estava morrendo. Em sua homenagem é considerada a Padroeira dos Músicos. Ou da Música Sacra, como preferem os estudiosos no assunto.
No calendário litúrgico da Igreja Católica, por uma possível data relacionada ao dia de sua morte, foi escolhido 22 de novembro para a festa em sua louvação.
No Brasil comemora-se o Dia do Músico. Parabéns a todos que são músicos todo santo dia! Só eles sabem quanta abnegação para afinar e sobreviver com as cordas que o demo amassou neste país.
St Cecilia, óleo sobre tela de Guido Reni, 1606. O quadro encontra-se no Norton Simon Museum, Califórnia.

preto e branco

Hoje
54 anos do lançamento do disco With the Beatles, o segundo da banda.

49 anos do duplo Álbum Branco.