sábado, 31 de dezembro de 2005

FICA



A Cidade de Goiás transforma-se mais uma vez em um grande palco, agora para viver a oitava edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental - FICA.

As inscrições para o certame, que se realiza anualmente na cidade de Goiás, começam no dia 15 de janeiro e se estendem até de março. O regulamento do festival já foi publicado no Diário Oficial do Estado. O FICA de 2006 vai destinar R$ 240 mil em prêmios aos sete primeiros colocados, além de troféus e menções honrosas aos participantes.

Outras informaçoes no sitio www.fica.art.br

terça-feira, 27 de dezembro de 2005

o que sai da Boca

"O pagador de promessas", de Anselmo Duarte, 1962
"Induzido por alguns críticos da época, passou-se a considerar que o cinema da Boca do Lixo fosse um estilo, ou só um tipo de cinema, vulgar e apelativo. Nao é verdade. Ninguém nega que possa ter existido vulgaridade em muitas realizaçoes, mas esse elemento nao era freqüente. E nao era também uma linha única entre os filmes concebidos e executados pelos cineastas daquela reguiao. Embora os que insistem em depreciar aquela fase citem apenas produçoes com títulos de apelo erótico como 'Vidas nuas' ou 'Tráfico de fêmeas', é preciso frisar que da Boca saíram criaçoes consideradas 'cult' como 'O bandido da luz vermelha', de Rogério Sganzerla, ou 'Esta noite encarnarei no teu cadáver' de José Mojica Marins, bem como 'O pagador de promessas', a única realizaçao nacional laureada com a Palma de Ouro do Festival de Cannes. Dirigida por Anselmo Duarte, foi produzida e distribuída pela Cinedistri, a empresa de Oswaldo Massaini sediada na rua do Triunfo. Naquele escritório, em abril de 1962, muita gente da Boca brindou a vitória do filme no famoso festival."

Trecho do artigo "Abrindo a Boca", assinado pelo cineasta Alfredo Sternheim, na revista SET, nº 222, dezembro/05.

a fuga das salas de cinema



A estréia de "King Kong" no Brasil teve 405.405 espectadores no primeiro fim de semana. É um número e tanto. Mesmo assim, decepcionou os exibidores, que esperavam bater recordes com a terceira versão da estranha história de amor entre a atriz loura e o macaco gigante. Mas logo apareceu uma explicação para o relativamente fraco desempenho da fita. A culpa é do Natal. Os shoppings estavam cheios e, conseqüentemente, os estacionamentos dos shoppings também. O público deixou para ver o filme depois já que não teria onde estacionar.
Convenceu? Não a mim. Passei os últimos anos escutando que os cinemas de rua acabaram porque o público queria segurança e estacionamento. Por isso os cinemas foram transferidos para os shoppings. Agora são os estacionamentos dos shoppings que estão levando o público a não ir aos cinemas?
A verdade é que as platéias estão abandonando as salas de cinema em todo o mundo. Este ano, o Brasil vai fechar a conta com uma queda de 23% na freqüência em relação ao ano passado. Os números nos Estados Unidos não são tão assustadores, mas incomodam os empresários que vivem desta atividade. Nos últimos cinco anos, a freqüência caiu em 5%. Parece pouco se comparado com os índices brasileiros, mas já é o suficiente para o pessoal de lá se mexer. A Associação Nacional dos Proprietários de Cinemas nos EUA trataram de encomendar uma pesquisa para saber o que está acontecendo. Como todo mundo sabe, nenhum negócio sobrevive sem pesquisa nos Estados Unidos. O resultado não surpreendeu ninguém. São três as maiores reclamações dos pesquisados. Eles estão deixando de ir ao cinema porque acham que as salas exibem anúncios demais antes do filme, porque não suportam mais o barulho de celulares tocando e de gente falando alto durante a projeção e, principalmente, consideram o preço dos ingressos caro demais. Preferem alugar um dvd e assistir a filmes em casa.
Ninguém imagina que, a partir de agora, os cinemas vão cortar os anúncios que precedem as sessões. Até porque, se fizerem isso, vão acabar tendo que piorar a situação de outra das queixas e aumentar o preço do ingresso (hoje, nas grandes cidades americanas, um ingresso está custando em torno de US$ 10). Sobrou, então, para o celular.
A disposição dos empresários é proibir a entrada nos cinemas com aparelhos de telefone celular. E contratar mais lanterninhas, que repreenderiam os espectadores que conversem alto durante a sessão ou façam qualquer tipo de barulho. Após a repreensão, se o espectador insistir no... hummm... comportamento inadequado, seria convidado a se retirar da sala.
Há quem ache que essas medidas, se forem realmente tomadas, vão piorar a situação. Por isso, a solução para os produtores está deixando os exibidores furiosos: a idéia é terminar com o espaço entre os lançamentos do filme e do dvd. Se o espectador está esperando o filme sair em dvd para, enfim, assistir a ele, por que não lhe dar logo a oportunidade e diminuir as chances da pirataria?
Como se vê, ninguém sabe direito o que fazer para recuperar os espectadores de cinema. Mas é certo que, muito em breve, assistir a um filme será uma experiência diferente da que é hoje.
POR ARTUR XEXEO - O Globo - 25/12/05

segunda-feira, 19 de dezembro de 2005

Vinícius e o cinema

Vinícius de Moraes (D) com os cineastas Orson Welles (C) e Alex Vianny, 1948

"O cinema é infinito - não se mede.
Não tem passado nem futuro. Cada
Imagem só existe interligada
À que a antecedeu e à que a sucede."

Trecho do poema "Tríptico na morte de Sergei Mikhailovitch Eisenstein", de Vinícius de Moraes (1913-1980), um apaixonado pelo cinema, pelas mulheres, pela poesia, pela vida. Não necessariamente nessa ordem. O documentário "Vinícius", de Miguel Farias Jr., em cartaz nos cinemas, é um comovente retrato do mais querido e sedutor dos poetas brasileiros contemporâneos.

domingo, 18 de dezembro de 2005

Brésil en mouvements

A Associação Autres Brésils organiza a 2ª edição da mostra de documentários «Brésil en mouvements » que acontecerá durante uma semana no mês de junho de 2006, no Espace Confluences, em Paris.

Este ano, as temáticas abordadas serão trabalho, educação, cultura e sociedade, religião, cultos e crenças, migração, o papel da mídia, perspectivas latino-americanas, Amazônia, meio-ambiente

As inscrições estão abertas até 1º de março de 2006. Os interessados podem desde já enviar uma cópia do filme em dvd para o endereço Autres Bresils, 73 C, avenue Gambetta 75020 Paris, France. Dados completos para o e-mail jeanne@autresbresils.net.

Outras informações no Brasil com Sofia Karam: 21-2249 41 76 ou 21-9353 03.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

o cinema de Sérgio Machado



“Todo mundo tem tesão, medo, inveja, dor de barriga, todo mundo sabe que vai morrer. Então, eu queria fazer um filme a partir do meu interesse pelas pessoas, pela minha curiosidade pelos outros. E fazer um filme sobre gente para quem normalmente não olhamos, que a gente varre para debaixo do tapete, que a gente não quer ver, e mostrar que essas pessoas, quando vistas de perto, são iguais a nós.”

“Eu sou um maníaco-doente-obsessivo preparador. Durante dois anos, eu só faço pensar no filme. Então, eu fiz anotações, anotações, anotações e fiz um livrão de quase quinhentas e tantas páginas com tudo que eu tinha anotado sobre cada cena, com fotos, desenhos, mapas, esquemas, tudo muito preciso."

“Eu descobri nesse processo que, basicamente, um diretor tem dois papéis: um, como o nome já diz, é dirigir, fazer com que todo mundo crie na mesma direção; o outro é seduzir a equipe, ficar o tempo todo dizendo, ‘vamos lá, tá bacana, cria mais’, para o fotógrafo, para o diretor de arte, tentar motivar todo mundo para agir criativamente. O contrário do que eu penso é essa pessoa que fica, ‘aqui é meu filme, ninguém se mete’, que fica se protegendo. Eu acho que isso não faz nada ficar mais autoral. Fica ruim. Você às vezes acha que está ótimo, e não está.”


SÉRGIO MACHADO, diretor de um dos melhores filmes brasileiros lançados neste ano, “Cidade Baixa”, em cartaz nos cinemas do país, driblando os lançamentos de muita bobagem de fim de ano. A entrevista completa de onde foram extraídos os trechos acima está no sítio www.cinemaemcena.com.br

quinta-feira, 15 de dezembro de 2005

editais do MinC


O Ministério da Cultura, por meio da Secretaria do Audiovisual (SAV), abriu prazo até 11 de março do próximo ano para inscrições em mais três dos editais que compõem o Programa de Editais de Fomento à Produção de 2006.

No Concurso de Apoio à Produção de Obras Cinematográficas Inéditas, de Curta Metragem, dos Gêneros Ficção, Documentário ou Experimental (Edital nº 3) serão apoiados 20 projetos, com duração entre 10 e 15 minutos, que irão receber o valor de R$ 80 mil, cada um. Leia o Edital de Seleção.

O Concurso de Apoio à Produção de Obras Audiovisuais Inéditas, de Curta Metragem, do Gênero Ficção, com Temática Infanto-Juvenil (Edital nº 4), iniciativa da SAV executada em parceria com a TVE/Brasil, apoiará 20 projetos para receber R$ 60 mil, cada um. Leia o Edital de Seleção.

No Concurso de Apoio à Produção de Obras Audiovisuais Inéditas, de Curta Metragem, do Gênero Animação (Edital nº 5) serão contemplados dez projetos para receberem o apoio de R$ 60 mil, cada um. Leia o Edital de Seleção.

Na próxima semana, a Secretaria do Audiovisual irá disponibilizar os Editais de Apoio ao Desenvolvimento de Roteiro Cinematográficos, de Projeto de Teses Acadêmicas e o de Projeto Jogos BR.

As inscrições para a segunda chamada do Edital de Baixo Orçamento (Edital n° 2) continuam abertas até o dia 4 de março de 2006. Leia o Edital de Seleção.

A seleção dos projetos inscritos nos editais será feita por uma Comissão Especial, formada por especialistas na atividade cinematográfica, que levará em conta, dentre outros aspectos, a criatividade artística, a comunicabilidade, a compatibilidade orçamentária, a capacidade técnica e o potencial econômico do filme dentro do segmento de público a que se destina.

Os editais que compõem o Programa de Editais 2005-2006 resultaram de uma ampla consulta que envolveu as entidades representativas da atividade, a partir de reuniões do Conselho Consultivo da Secretaria do Audiovisual, quando foram consideradas as demandas e peculiaridades de cada setor.
Todos os editais acima citados encontram-se disponivéis no sítio www.cultura.gov.br, no link Apoio a Projetos/Editais.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2005

Del Toro


Aparentemente, Benicio del Toro pulou fora da cinebiografia de Che Guevara na qual iria fazer o papel principal. O site Production Weekly, que lista o andamento de produções cinematográficas ainda por estrear, passou a listar Benjamin Bratt, ex-marido de Julia Roberts, como o protagonista do filme, a ser dirigido por Steven Soderbergh.
Meses atrás, del Toro estava escalado para o papel e o nome do filme seria "Che". Agora, e até segunda ordem, se chama "Guerilla". No Festival de Cannes de 2005, quando perguntado sobre o estágio em que se encontrava a produção, del Toro, na ocasião divulgando "Sin City - A cidade do pecado", disse que o formato do filme estava sendo repensado.

(Jaime Biaggio - O Globo)

terça-feira, 13 de dezembro de 2005

Fluxus



O evento brasileiro Fluxus - Festival Internacional de Cinema na Internet será exibido no Centre Pompidou, em Paris, no próximo dia 15 de dezembro. Escolhido pela curadora francesa Isabelle Arvers para ser exibido dentro do ciclo "Plasticiens du Web", o programa do Fluxus será composto por 18 trabalhos, entre ficções, vídeos experimentais, animações e documentários, que participaram da edição 2005 do festival. Essa seleção do Fluxus traz produções de 10 países e, entre eles, sete produções brasileiras como os experimentais "Andrômeda", de Carlos Magno, "22 22", do coletivo paulista UDDQEM e "Banhos 1", de Louise Ganz, além dos documentários "Retratos Consentidos", realizado em Cuba pela brasileira Ana Luísa Sales e "Biografia do Tempo", de Marcos Pimentel e Joana Oliveira.

Cinema, vídeo digital, web-arte, videodesign, vídeos produzidos com câmeras de celulares e videoblogues reunidos numa mesma interface web. Este é o conceito por trás do Fluxus - Festival Internacional de Cinema na Internet, um evento anual, competitivo, interativo e on-line, dedicado a exibição do audiovisual nacional e internacional de curta duração e que se caracteriza pela utilização da internet como mídia de difusão e exibição.

Criado em 2000 e já tendo 258 trabalhos no seu acervo on-line, que pode ser acessado no endereço www.fluxusonline.com, o Fluxus, que é dividido em quatro categorias competitivas - E-cinema (ficções, experimentais), Anémic (animações), .doc (documentários) e Interactiva (web-arte e interativos) - é o mais antigo e duradouro festival na internet e foi criado para ser um espaço de confluência de tendências entre diferentes mídias, suportes e linguagens, além de abrigar o uso criativo das novas tecnologias.

O Fluxus é uma realização da produtora cultural Zeta Filmes, de Belo Horizonte, e sua sexta edição acontecerá no segundo semestre de 2006.

A lista completa dos trabalhos do Fluxus que serão mostrados no Centre Pompidou:

01. "Living Canvas", de Jimmy Chim (Canadá, 2003, DV, 4min.)
02. "Digitalsnapshot", de Lo Iacono (Alemanha, 2004, DV, 4min.)
03. "Bossa Astoria", de Péter Csornay (Hungria, 2004, Flash, 4min)
04. "Retratos Consentidos", de Ana Luísa Figueira Sales (Cuba, 2004, 16mm, 6min.)
05. "Grau", de Robert Seidel (Alemanha, 2004, DV, 10min.)
06. "Andrômeda",de Carlos Magno (Brasil, 2005, DV, 6min) -
07. "Indul a Nyar",de Hajnal Zoltan (Hungria, Flash, 2004, 3min.)
08. "Pause 04",de Claudio e Gustavo Santos (Brasil, 2004, DV, 4min.)
09. "BRTLD bertoldo",de Cristiano Trindade (Brasil, 2005, 5min.)
10. "Caindo",de Johannes Burr (Alemanha, 2003, DV, 5min)
11. "Liquidação",de Mannin de Wildt (Holanda, 2004, 16 mm, 11min.)
12. "Somnambules",de Pierre Wayser (França, 2003, Flash, 4min)
13. "Banhos1",de Louise Ganz (Brasil, 2004, DV, 4min)
14. "Venise",de Haruo Ishii ( Japão, Super 8, 2004)
15. "22 22", de UDDQEM (Brasil, 2005, Mídias Diversas, 5min03).
16. "Biografia do Tempo",de Marcos Pimentel e Joana Oliveira (Brasil, 2004, 35mm, 8min.)
17. "Ballast",de Ulrich Fischer (Suíça, 2004, Super 8, 2min.)
18. "Estudos em Stop Motion - Serie 13",de David Crawford (EUA, diversas mídias, 2004, 7min.)

Mais informações sobre o Festival :
http://www.centrepompidou.fr
www.fluxusonline.com
Zeta Filmes - (31) 3296.8042 / 32931582

segunda-feira, 12 de dezembro de 2005

Richard Pryor, ator



O ator norte-americano Richard Pryor morreu sábado passado, dia 1o, aos 65 anos, de um ataque cardíaco em sua casa, no Vale de San Fernando, Califórnia. Ele foi diagnosticado com esclerose múltipla em 1986 e, desde então, a sua saúde vinha se deteriorando. Com o humor que sempre o caracterizou, Pryor interpretou o papel de um paciente com seus sintomas reais em um episódio da popular série “Chicago Hope”, pelo qual concorreu ao prêmio Emmy em 1995.

Nascido em Peoria, Illinois, ele se destacou pela vocação cômica, através da qual tentou derrubar as barreiras sociais da minoria negra nos Estados Unidos. O êxito nas telas durante as décadas de 70 e 80 colocou Pryor entre as estrelas mais bem pagas de Hollywood.

Pryor co-escreveu o roteiro do divertido "Banzé no Oeste" (Blazing saddles), de Mel Brooks, 1974, e iria estrelar "A História do Mundo: Parte 1" (History of the world – part I), também de Brooks, em 1981, mas teve que ser substituído devido a um trágico acidente: viciado em drogas na época, ele tentou suicídio e acabou provocando um incêndio que o deixou com queimaduras de terceiro grau. Sua recuperação foi rápida e, logo depois, ele escreveu, produziu e dirigiu uma autobiografia: "Jo Jo Dancer, Your Life is Calling" (1986).

Em “O mágico inesquecível” (The Wiz), 1978, de Sidney Lumet, Richard Pryor tem uma das melhores atuações no cinema, vivendo o personagem-título. O filme em si é interessante pela versão com elenco negro, bem diferente do livro “The wonderful wizard of Oz”, de L. Frank Braum, que foi adaptado incialmente para as telas em 1930, o mundialmente conhecido “O mágico de Oz” (The wizard of Oz), de Victor Fleming, com Judy Garland cantando “Over the rainbow”. No filme de Lumet o roteiro por sua vez foi adaptado da peça teatral de William F. Brown, que fazia essa proposta de todos os personagens serem negros. O Mágico Pryor contracenava com Diana Ross vivendo Dorothy e Michael Jackson sintomaticamente fazendo o Espantalho.

Entre outros filmes mais conhecidos, estão "Car Wash" (Car Wash), de Michael Schultz, "O expresso de Chicago" (Silver Streak), de Arthur Hiller, ambos de 1976, e em 1980 "Loucos de dar dó" (Stir crazy), de Sidney Poitier, e a lastimável participação em "Superman III", de Richard Lester.

domingo, 11 de dezembro de 2005

Jarbas Barbosa, produtor



"Acabo de receber uma triste notícia: aos 76 anos de idade, morreu ontem em Recife, de problemas respiratórios causados por um enfizema pulmonar, o produtor Jarbas Barbosa. Paraibano de Campina Grande, Jarbas foi, ao lado de Luiz Carlos Barreto, um dos poucos produtores a participar do surgimento do Cinema Novo brasileiro. Ele começou como câmera nos jornais da tela de Herbert Richers, nos anos 1950, vindo a se tornar um dos produtores mais bem sucedidos daquele período. Jarbas foi responsável pela produção de alguns dos primeiros filmes do Cinema Novo, como "Boca de Ouro" (Nelson Pereira dos Santos), "Ganga Zumba"(Cacá Diegues), "Os Fuzis" (Ruy Guerra) e "Deus e o Diabo na Terra do Sol" (Glauber Rocha). O último filme produzido por ele foi "Xica da Silva", em 1976, depois do qual se retirou do cinema e foi viver em Recife, ao lado de seu filho e de seus netos. Há cerca de dois anos ele começou a preparar sua volta ao cinema, tentando montar a produção de um documentário sobre seu irmão Abelardo Barbosa, o Chacrinha da televisão, mas não chegou a concluir esse projeto. Acho que seu falecimento merece uma referência pública, com todas as nossas devidas e sentidas homenagens."
Cacá Diegues


Uns acréscimos: a pesquisadora Silvia Oroz escreveu um livro sobre a trajetória de Jarbas Barbosa. O cineasta Paulo Caldas e a atriz e diretora Janaína Diniz, fizeram em 1997 um documentário sobre o produtor. E há pouco tempo o Canal Brasil dedicou a ele um programa "Retrato Brasileiro". Barbosa, com certeza, será homenageado no próximo Festival de Recife.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2005

olhares digitais



Estão abertas até o próximo dia 20 as inscrições para Olhares - 1º Festival de Cinema e Vídeo da Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais. Serão cinco mostras, nas categorias ficção, documentário, animação, experimental e infantil. Cada realizador pode inscrever mais de um trabalho.

A iniciativa do Festival é do Projeto de Extensão Focus - Central de Produção Audiovisual, criado em agosto do ano passado. Trata-se de uma parceria entre a Pró-Reitoria de Extensão e Cultura, o Departamento de Artes e Humanidades e o curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Viçosa.

Regulamento e outras informações no sítio www.ufv.br/dah/olhares.

domingo, 4 de dezembro de 2005

laboratório de roteiro



Estão abertas até 16 de dezembro as inscrições para o Laboratório SESC Rio de Roteiros Para Cinema, que será realizado no SESC de Nogueira, em Petrópolis, no Rio de Janeiro, de 14 a 18 de março de 2006. Para se inscrever o candidato deve acessar o site www.sescrio.org.br Os nomes dos roteiros e autores selecionados serão divulgados no dia 17 de janeiro de 2006.

Serão escolhidos 10 roteiros brasileiros de longa-metragem de ficção, a partir da avaliação feita por uma comissão formada por profissionais da área. Essa nova série dá continuidade ao projeto que começou com a realização, em 2004, do Laboratório SESC Rio de Roteiros Infantis. Originalmente realizados no Brasil, com a parceria do Sundance Institute, os laboratórios continuam sendo organizados por Carla Esmeralda, que também estava à frente das seis edições brasileiras do Laboratório Sundance de Roteiros.

O próximo Laboratório iniciará suas atividades com a seleção dos 10 roteiros, que serão direcionados para os consultores de acordo com as temáticas. Cada selecionado receberá cinco consultorias especializadas de roteiristas brasileiros e internacionais. Outra preocupação é de que cada roteiro seja tratado de forma diferenciada para que, ao final do processo, os autores tenham explorado diferentes possibilidades de estruturação de seus textos. A comissão de seleção escolherá os roteiros que deverão ter o melhor aproveitamento nos Laboratórios. Entre os aspectos destacados estão força criativa e o desenvolvimento das histórias contadas.

Os Laboratórios Sundance de Roteiros revelaram roteiristas que nunca haviam escrito para o cinema e colaboraram para que experientes profissionais de nosso mercado pudessem discutir seus roteiros com outros profissionais especializados na arte do cinema escrito. Os laboratórios criam um ambiente de discussão criativa em torno dos projetos para que os autores possam experimentar novas possibilidades e novos caminhos para seus roteiros. 170 roteiristas já participaram de edições anteriores dos laboratórios. O SESC-Rio estimula essa comunidade de roteiristas que quer continuar a discussão sobre os seus trabalhos com profissionais especializados, promovendo não só uma troca de experiências, mas também formando amizades.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2005

Wajda


“Se conto a história de dois amantes e os mostro na cama desde a primeira cena, o espectador sabe que os acompanhará até o fim do filme, a menos que algo de grave os separe. Mas, então, esse ‘algo’ será o tema do filme.”

“Todo diálogo é constituído não apenas de palavras, mas também de reações mudas a essas palavras.”

“Todo filme termina com uma imagem que o espectador guardará na memória.”

ANDRZEJ WAJDA, o mais importante cineasta polonês, dando aí umas dicas para os novos roteiristas e diretores. Wajda começou a estudar cinema logo após a Segunda Guerra Mundial, e esteve no campo de batalha, lutando com a Resistência em 1942. “Geração” (Pokolenie), de 1954, “Kanal” (Kanal), 1957, e o mais conhecido, “Cinzas e diamantes” (Popiol i diament), 1958, formam a chamada trilogia sobre os efeitos da guerra. “O homem de mármore” (Czlowik z marmuru), 1976, “Sem anestesia” (Bez znieczulenia), 1978 e “O homem de ferro” (Czlowiek z zelaza), de 1981, são os filmes que lhe deram maior projeção mundial, que fez a cabeça de uma atenta geração cineclubista da época.

Em 2000 recebeu um Oscar Honorário. Gesto de reconhecimento bem-vindo, mas esquisito, vindo de onde veio, da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood... Wajda foi um ativo participante da Juventude Socialista Independente, grupo formado por estudantes que tinham uma posição mais à esquerda do regime socialista da Polônia.

“Senhorita Ninguém” (Panna Nikt), foi o seu último filme exibido no Brasil, e graças a 21ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 97. Adaptado do livro homônimo (lançado em 99 pela Editora Record) do também cineasta e roteirista Tomek Tryzna, é um tocante drama sobre o universo juvenil e as dificuldades do amadurecimento, ambientado nos últimos anos do regime comunista.

Às vésperas de completar 80 anos, o cineasta não pára de filmar. Seu mais recente trabalho, agora de 2005, é “Solidarnos c, solidarnos c”, do qual não temos a mais remota notícia de lançamento por estas terras infestadas de “Harry Portter”.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2005

Renato Russo no cinema


E dando seqüência à série “cinema-biográfico-musical-brasileiro”, o cineasta Antonio Carlos Fontoura prepara-se para filmar “Religião Urbana”, que terá como personagem o cantor e compositor Renato Russo (1960-1996), abordando a vida do líder de uma das melhores bandas de rock que surgiram nos anos 80. O roteiro explora mais especificamente o período de formação de Renato, em que o jovem rebelde habitante do planeta-Brasília descobre a cultura punk, forma o grupo Aborto Elétrico, tenta se iniciar na carreira solo denominando-se “trovador solitário”, para depois fundar a bem sucedida Legião Urbana, ao lado dos amigos Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e Renato Rocha, lançando o primeiro disco lá por volta de 1984. “Mudaram as estações e nada mudou / mas eu sei que alguma coisa aconteceu / está tudo assim tão diferente...” começava “Por enquanto”, uma das mais conhecidas faixas do “bolachão” vinil, a última do lado B. O disco abria com a ótima “Será”, e lá pelo meio ouvia-se a emblemática “Geração Coca-cola”...

Fontoura tem na sua filmografia o clássico “Copacabana me engana”, êxito de crítica e bilheteria em 1968. Na década seguinte fez “Rainha Diaba” (1971), inspirado no lendário Madame Satã, e “Cordão de Ouro” (1976). “Espelho da carne” (1984), é uma incursão nos valores decadentes da burguesia carioca. Autor e diretor de diversas séries e mini-séries realizadas para televisão, voltou ao cinema com “Uma aventura do Zico”, em 1998. Na área musical, há três bons curtas que ele dirigiu nos anos 70, “Meu nome é Gal”, “Mutantes” e “Chorinhos e chorões”, e mais “Heitor dos Prazeres”, de 1966, dois anos de estreiar com “Copacabana”.
Para o filme sobre Renato Russo, Fontoura conta com a imprescindível parceria do produtor Luiz Fernando Rocha, amigo pessoal do cantor e co-roteirista do filme. Em entrevista o cineasta adianta: “não planejo conduzir um filme fiel ao pé da letra à história do cantor. Quero temperar o roteiro com os mitos envolvendo o cantor. Mas como ele tem fãs demais, não podemos fazer algo muito distante do que ocorreu” O projeto tem o apoio total da família Manfredini, que facilitou material e informações aos realizadores.

O filme está na fase mais difícil da pré-produção: a busca de um ator para viver o personagem Renato Russo. O diretor quer um ator entre 17 e 22 anos de idade, com o mesmo tipo físico, e que não conhece , e nem quer, nenhum jovem famoso que seja assim. Melhor. Dá mais credibilidade ao papel. Casos recentes como o Daniel de Oliveira em “Cazuza – o tempo não pára” e Márcio Kieling vivendo Zezé de Camargo em “Dois filhos de Francisco” comprovam que receita é essa.

Paralelo ao projeto de Antonio Carlos Fontoura, está sendo desenvolvido o roteiro de um filme baseado na música de letra quilométrica “Faroeste caboclo”, sucesso do terceiro disco do Legião. O filme será dirigido pelo cineasta brasiliense René Sampaio.

E depois de Renato Russo, a próxima biografia musical no cinema será de Cássia Eller.

quarta-feira, 30 de novembro de 2005

os premiados em Brasília

"Eu me lembro" de Edgard Navarrro, sete prêmios em Brasília

Surpresa na premiação do 38º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Quando todos esperavam obviedade no resultado, ou seja, que o grande vencedor fosse o filme de Ruy Guerra, “O veneno da madrugada”, os prêmios de melhor filme, melhor diretor e melhor roteiro foram para “Eu me lembro”, do baiano Edgard Navarro. Quando se esperava que atrizes como Irene Ravache e Ingrid Guimarães, concorrentes com “Depois daquele baile”, estréia na direção de Roberto Bomtempo, e ainda deste filme atores de peso como Lima Duarte e Marcos Caruso, recebessem os troféus de atores e atrizes, principais e coadjuvantes, ganharam os desconhecidos Fernando Neves, Arly Arnaud e Valderez Freitas Teixeira, do filme de Navarro, atores com longa experiência em teatro e cinema em Salvador. “Eu me lembro” levou ainda o prestigiado Prêmio da Crítica, totalizando sete troféus.

Não que os outros filmes não tenham méritos que justifiquem premiações nas mais diversas categorias, mas muitas vezes júri de festival cai na tentação de premiar diretores consagrados, atrizes globais, que têm, sim, atuações relevantes, mas que ofuscam outros trabalhos interessantes, propostas sinceras e inovadoras de diretores, elenco e técnicos que estão à margem da mídia, em busca de reconhecimento de suas atividades. A edição deste ano do Festival de Brasília ousou inicialmente na seleção dos títulos dos longas, quando o único nome conhecido do grande público era Ruy Guerra, e surpreendeu com a escolha final do júri. Os prêmios para o poético “Eu me lembro”, que faz um comovente mosaico histórico e pessoal de uma geração e de um país, lavou a alma de muita gente, inclusive, e principalmente, do diretor, que passou vinte anos de “estiagem” cinematográfica, e chegou ao primeiro longa depois dos cinqüenta anos de idade.

“O veneno da madrugada” recebeu os Candangos de melhor fotografia, de Walter Carvalho (que concorria com o filho, Lula Carvalho, em “Incuráveis”, de Gustavo Acioli, RJ), e melhor direção de arte, do experiente Marcos Flaksman. Merecia ainda o prêmio na categoria de música, de autoria de Guilherme Vaz, a melhor trilha de todos os longas concorrentes. Guilherme criou uma música que é presente sem interferir na narrativa das imagens. Mas o júri preferiu a "levada pop" do brasiliense “A concepção”.

“Depois daquele baile”, foi o único que não recebeu prêmios, nem aqueles especiais, ou menção honrosa, criado muitas vezes para “consolar” quando outros filmes já levaram todas as categorias premiáveis. O filme de Bomtempo faz um retrato carinhoso e bem humorado da terceira idade. Marcos Caruso era um forte concorrente a ator coadjuvante. Perdeu para o baiano Fernando Neves, que igualmente fez um trabalho merecedor do Candango.

A premiação dos curtas também foi justa, excetuando a escolha de melhor filme, “Rap, o canto da Ceilândia”, de Adirley Queiroz (DF), que não tem a densidade e construção cinematográfica de “Rapsódia para um homem comum”, do pernambucano Camilo Cavalcante, troféus de melhor diretor, melhor ator (para a excelente atuação de Cláudio Jaborandy), além do Prêmio da Crítica e do Canal Brasil. A fotografia do filme do Camilo, de Juarez Pavelak, foi uma das melhores dos curtas presentes, mas perdeu para o também ótimo e caprichado trabalho do fotógrafo cearense Roberto Iuri, no filme paraibano “O meio do mundo”, de Marcus Vilar, explorando com perfeição a luminosidade interior da casa onde se passa a história.

Os premiados:

Longas

Filme – “Eu me lembro”, de Edgard Navarro (BA)
Roteiro e direção – Edgard Navarro
Ator – Fernando Eiras, por “Incuráveis”, de Gustavo Acioli (RJ)
Atriz – Arly Arnaud, por “Eu me lembro”
Ator coadjuvante – Fernando Neves, por “Eu me lembro”
Atriz coadjuvante – Valderez Freitas Teixeira, por “Eu me lembro”
Fotografia – Walter Carvalho, por “O veneno da madrugada”, de Ruy Guerra (RJ)
Montagem – Paulo Sacramento e José Eduardo Belmonte, por “A concepção”, de José Eduardo Belomonte (DF)
Som – Miriam Biderman, Ricardo Reis e Ana Chiarini, por “À margem do concreto”, de Evaldo Mocarzel (SP)
Trilha sonora – Zepedro Gollo, por “A concepção”
Direção de arte – Marcos Flaksman, por “O veneno da madrugada”
Prêmio Saruê (do jornal O Correio Braziliense) – elenco de “A concepção”
Prêmio da Crítica – “Eu me lembro”
Prêmio Especial do Júri – “À margem do concreto”

Curtas 35mm

Filme (Júri oficial e popular) -“Rap, o canto da Ceilândia”, de Adirley Queiroz (DF)
Direção – Camilo Cavalcanti, por “Rapsódia para um homem comum” (PE)
Roteiro – Sílvia Rocha e João Carlos Rocha Campos, por “Quem você mais deseja”, de André Sturm e Sílvia Rocha Campos (SP) A
tor – Cláudio Jaborandy, por “Rapsódia para um homem comum”
Atriz – Iaram Jamra, por “O caderno rosa de Lori Lamby”, de Sung Sfai (SP)
Fotografia – Roberto Iuri, por “O meio do mundo”, de Marcus Vilar (PB)
Montagem – Eryk Rocha, por “De Glauber para Jirges”, de André Ristum (SP)
Prêmio da Crítica – “Rapsódia para um homem comum”

Curtas 16mm

Filme – “Macacos me mordam”, de Érico Cazarré (DF)
Direção – Bruno de Sales, por “O cão sedento” (PB)
Roteiro – Aurélio Aragão e Roberto Robalinho, por “Quando um burro fala...” (DF)
Ator – André Deca, por “Uma mulher mais ou menos”, de Herbert Amaral (DF)
Atriz – Rosane Corrêa, por “Cólera”, de Leandro Davico (RJ)
Fotografia – Sérgio Gomes, por “Miragem”, de Gustavo Arantes (MG)
Montagem – José Eduardo Belmonte e Herbert Amaral, por “Utropic – No umbigo do mundo”, de Luciana Melo e Anna Karina de Carvalho (DF)
Menção Honrosa – “O poeta e o capitão”, de Jorge Oliveira (DF)

Outros prêmios:

Câmara Legislativa do Distrito Federal

Longa – “A concepção”
Curta 35mm – “Mamãe tá na geladeira”, de Douro Moura
Curta 16mm – “Macacos me mordam”
Menção Honrosa, 35mm – “Sob o encanto da luz”, de Dirceu Lustosa

Aquisição Canal Brasil

“Rapsódia para um homem comum” e "Rapsódia para um homem comum"

Prêmio Marcos Antonio Guimarães (do Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro) – "De Glauber para Jirges"

terça-feira, 29 de novembro de 2005

prêmios para Cidade Baixa

Alice Braga e Wagner Moura em "Cidade Baixa"


O filme brasileiro "Cidade Baixa", de Sérgio Machado, ganhou neste fim de semana o Colón de Ouro do XXXI Festival de Cinema Ibero-americano de Huelva, na Espanha. Wagner Moura ganhou o Colón de Prata de melhor ator. O longa foi premiado também nas categorias de melhor diretor estreante, melhor roteiro e melhor filme pela crítica.

O filme conta, de forma interessante e criativa, a história do triângulo amoroso vivido pelos amigos de infância Deco (Lázaro Ramos), Naldinho (Wagner Moura) e Karinna (Alice Braga), na capital baiana. Doze longas-metragens competiram na seleção oficial do Festival. O Brasil foi o país que levou mais prêmios na história do evento.

Não sei se por modéstia ou espanto mesmo, o diretor se diz alegre e surpreso com toda a repercussão internacional do filme, sua estréia na direção de longas de ficção. Antes, realizou o ótimo documentário "Onde a terra acaba", e trabalhou ao lado de diretores como Walter Salles, em "Central do Brasil" e "Terra estrangeira", Eduardo Coutinho, em "Peões" e Karim Ainöuz em "Madame Satã".

sábado, 26 de novembro de 2005

cada cabeça é um mundo



"A gente costuma pensar o cinema brasileiro como uma entidade monolítica. Não é. Ele é um bicho de muitas cabeças, um monstro mitológico, se quisermos assimilá-lo a um ser tangível. Ele quer ser 'roliúde', quer ganhar o Oscar, quer dar bilheteria, que nem Spielberg, quer ser global... A vocação do cinema brasileiro? Posso falar por mim. Quanto à vocação dessa entidade mitológica chamada cinema brasileiro, cada um que fale por si. E viva a diversidade! 'O prisioneiro da grade de ferro", 'Amarelo manga', 'O baile perfumado', 'O invasor', 'Cinema, aspirinas e urubus', 'Cidade Baixa', 'Edifício Master', 'Garotas do ABC', 'Bodas de papel'... São tantas vocações quantos sejam os cineastas: 'Estorvo', 'Carandiru', 'Xuxa' e os 'Trapalhões', 'Meu tio matou um cara', 'O auto da Compadecida', 'Sal de prata', 'Eu me lembro', 'Dois filhos de Francisco', 'Olga', 'Quase dois irmãos', 'Bicho de sete cabeças'... E cada cabeça é um mundo. Ou não é?"


EDGARD NAVARRO, cineasta baiano arretado, uma figura crível, admirável, que todos deveriam ter o prazer de conhecer, conversar, assistir seus filmes. É autor de um média-metragem que considero um clássico na cinematografia brasileira, “Superoutro” (1989), citado por Caetano Veloso e Gilberto Gil na música “Cinema Novo”, no disco “Tropicália 2”. Edgard concorre no 38º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro com o seu primeiro longa, “Eu me lembro”, um filme que, como o próprio título sugere, de inspiração autobiográfica, misturando realidade e ficção.

sexta-feira, 25 de novembro de 2005

as razões de Torero



"Dois tipos de razões me levam a escrever: as razões nobres e as plebéias. As plebéias são as tradicionais: fama, dinheiro e mulheres.
Pensava que, como um escritor, teria um pouco dessas três coisas, mas a fama de um escritor é irrisória perto da de um razoável centroavante. O dinheiro é ridículo, se comparado ao que ganha qualquer desafinado cantor de pagode. E, quanto ao gemido das mulheres, qualquer ator que tenha feito uma aparição na Globo é mais solicitado do que eu. Na verdade, até hoje só uma leitora sorriu-me de um modo mais insinuante: uma senhora chamada Noemi. Muito simpática, mas octogenária.
Há, porém, os motivos nobres. Como tive muitos professores humanistas, prendeu-se em mim essa idéia hoje tida como ridícula de que 'devemos lutar por um mundo melhor', hoje trocada por 'devemos maximizar os lucros'.
Acho que escrevendo, posso, de alguma forma, influenciar as pessoas. Posso fazê-las rir dos maus costumes e dos maus personagens, posso fazê-las perceber um vício e exaltar uma atitude, posso falar bem da honestidade e mal de Maluf e Pitta, posso falar bem da coerência e mal da compra de votos pela reeleição, posso falar bem da coragem e mal da aliança com o PFL.
Mas, na verdade, acho que nesse quesito eu também apenas vou conseguir virar a cabeça de Dona Noemi.
Enfim, apesar do fracasso de minhas motivações nobres e plebéias, não posso me queixar da sorte. O trabalho não me deixa suado como um cantor de pagode, não levo pontapés como um centroavante e, ainda por cima, ando pelas ruas despreocupado, sem temer que fãs puxem meus cabelos ou tentem rasgar minhas roupas.
Se bem que, no lançamento do meu último livro, Dona Noemi tenha me dado um beliscão na bunda."


José Roberto Torero Fernandes Júnior nasceu em Santos, em 1963, formou-se em Letras e Jornalismo pela Universidade de São Paulo-USP. Iniciou, sem terminar, cursos de pós-graduação em Cinema e Roteiro. Sua carreira de cronista começou no “Jornal da Tarde”, de São Paulo, e posteriormente passou a escrever textos sobre futebol para a revista “Placar” e o jornal “Folha de S. Paulo”, com a qual colabora desde 1998. É autor do best-seller “O Chalaça”, Prêmio Jabuti em 1995, e de “Terra Papagalli”, entre outros.
Como cineasta, dirigiu e escreveu curtas-metragens, dentre os quais se destaca o premiado “Amor!”, e trabalhou como roteirista nos longas “A Felicidade É” e “Pequeno Dicionário Amoroso”. Estreiou na direção de longa ano passado em "Como fazer um filme de amor".

quinta-feira, 24 de novembro de 2005

mergulhando nas raízes


"A vocação do cinema brasileiro é mergulhar nas raízes da nossa diversidade cultural e irradiar para o resto do mundo uma universalidade exuberante, genuinamente brasileira, que está abrindo novos caminhos para a arte mundial e também para o futuro do planeta."


Evaldo Mocarzel, diretor do documentário “À margem do concreto”, que concorre hoje na mostra de longa 35mm no 38º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

cinema nos trilhos

foto André Fossati

A Fundação Vale do Rio Doce realiza um projeto interessante: é Cinema nos Trilhos, que tem como objetivo exibir produções cinematográficas de forma gratuita.

Depois de realizar duas sessões na cidade maranhense de Bacabeira, reunindo em dois dias projeção (domingo, 20, e segunda-feira, 21) mais de 4.000 mil pessoas, rendidas pela fantasia do cinema, a equipe de produção do projeto segue caminho, rumo a novas platéias.

As sessões, geralmente em praça pública, reúnem boa parte das comunidades, mesclando gente que nunca viu cinema na tela grande e outros que conhecem a sétima arte mas não têm facilidade de freqüentar salas de cinema. É justamente esse o espírito do projeto: facilitar e democratizar o acesso à arte e à cultura. E isso ganha ainda maior importância quando se constata que menos de 4 por cento das cidades brasileiras não têm salas de cinema. A Fundação está promovendo sessões em seis cidades localizadas ao longo da Estrada de Ferro Carajás, nos estados do Maranhão e Pará.

Antes de cada projeção é apresentado o vídeo da comunidade, resultado do trabalho da equipe que produz, grava, edita e exibe o registro em cada cidade onde o projeto acontece. Em seguida é exibido o curta-metragem “Portinholas”, baseado no livro homônimo de Ana Maria Machado, que reúne obras de Portinari. Feita em 35mm, animação foi realizada, há dois anos, por 150 alunos da rede pública municipal de Vitória (ES), através do Instituto Marlim Azul. Depois do curta, é exibido um longa, variando de sessão a sessão entre a animação “A Era do Gelo”, de Chris Wedge e a comédia romântica “Lisbela e o Prisioneiro”, de Guel Arraes.

Ontem a equipe esteve em Pindaré Mirim, hoje em Santa Inês, amanhã e depois, em Alto Alegre do Pindaré, e até o dia 2 de dezembro estarão nos distritos Auzilândia, Mineirinho, Acailândia e Marabá, no estado paraense.

tese sobre documentário nordestino



A cineasta cearense Karla Holanda defende sua tese de mestrado no dia 1º de dezembro próximo. O título da dissertação é “Documentário nordestino: história, mapeamento e análise (1994-2003)”, uma pesquisa que resulta no mapeamento das produções do documentário nordestino contemporâneo e um panorama dos mecanismos de formento ao audiovisual presentes na região. Relaciona, ainda, o desempenho dos estados à adoção de medidas integradas de desenvolvimento, como festivais, concursos, formação e leis de incentivo. Além disso, o trabalho de Karla faz uma compilação histórica do documentário em cada um dos nove estados, desde seus primórdios, permitindo contextualizar suas trajetórias.
Desenvolvida no Instituto de Artes da Unicamp, pela pós-graduação em Multimeios, a pesquisa teve orientação do professor Fernão Ramos, que integrará a mesa de professores doutores no dia da defesa, juntamente com Sheila Schvasrzman e Marília Franco.

quarta-feira, 23 de novembro de 2005

eterno cinema do futuro

foto Kleber Lima / Correio Braziliense

“A vocação do cinema brasileiro é a mesma vocação do Brasil: ser um eterno país do futuro. A história de nosso cinema e também das outras artes reflete isto: sobrevivemos de lampejos, de ciclos, de iniciativas individuais. Não é a questão estética que está em jogo, talentos temos de sobra. O que está em jogo é como vamos disputar o campeonato. Quando pensamos em estrutura, planejamento, produção, aí ficamos sempre como a velha Pindorama: o melhor futebol, com os piores cartolas. Só que, no cinema brasileiro, somos (quase todos) jogadores e cartolas ao mesmo tempo.”

Fabiano Maciel, diretor do documentário "Oscar Niemeyer: a vida é um sopro", exibido como hors-concours na abertura, ontem, do 38º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

terça-feira, 22 de novembro de 2005

festival de Brasília


Começa hoje o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Dizem que é o “mais politizado” dos festivais... Sei que tem uma platéia inquieta, animada, barulhenta, que reage com calorosos aplausos quando gosta de um filme e vaia na mesma proporção quando desagrada de outro, estendendo esse comportamento para os artistas presentes. É inesquecível a estrondosa vaia por vários minutos, em 1990, quando subiu ao palco do cine Brasília a equipe de “Matou a família e foi ao cinema”, refilmagem de Neville D’Almeida. O alvo mesmo era a atriz Cláudia Raia, que apoiara a eleição do famigerado Fernando Collor. Bem feito.

Concorrentes deste ano, sujeitos a aplausos e vaias pelos mais variados e atualizados motivos:

Longas

"A concepção", de José Eduardo Belmonte, DF
"À margem do concreto, de Evaldo Mocarzel, SP
"Depois daquele baile", de Roberto Bomtempo, RJ
"Eu me lembro", de Edgard Navarro, BA
"Incuráveis", de Gustavo Acioli, RJ
"O veneno da madrugada", de Ruy Guerra, RJ

Curtas 35mm

"À Espera da morte", de André Luís da Cunha, DF
"A Lente e a janela", de Marcius Barbieri, DF
"Ãgtux", de Tânia Anaya, MG/DF
"De Glauber para Jirges", de André Ristum, SP
"Dormente", de Joel Pizzini, SP
"O Caderno rosa de Lori Lamby", de Sung Sfai, SP
"O meio do mundo, de Marcus Vilar, PB
"O som da luz do trovão", de Petrônio Lorena e Tiago Scorza, RJ
"Quem você mais deseja", de André Sturm e Sílvia Rocha Campos, SP
"Rap, o canto da Ceilândia", de Adirley Queiroz, DF
"Rapsódia para um homem comum", de Camilo Cavalcante, PE
"Vermelho rubro do céu da boca", de Sofia Federico, BA

Curtas 16mm

"21 A", de Ananda Guimarães, SP
"A vingança da bibliotecária", de Santiago Dellape, DF
"Anya", de João Paulo Rezek,- SP
"Berenice", de Bruno Duarte e Luciana Penna, RJ
"Capítulo primeiro", de Roberto Maxwell, RJ
"Cólera", de Leandro Davico, RJ
"Espeto de pau", de André Queiroz e Vitor Brant, SP
"Iara do Paraitinga", de Mariana dos Reis, SP
"Macacos me mordam", de Érico Cazarré, DF
"Miragem", de Gustavo Arantes, MG
"O Boi do Mamulengo", de Jorge Martins Rodrigues, DF
"O cão sedento", de Bruno de Sales, PB
"O poeta e o capitão", de Jorge Oliveira, DF
"O posto", de Marcelo Ikeda, RJ
"Oiticica", de José Geraldo, DF
"Outras opções, aguarde", de Caco Souza, SP
"Prato do dia, de Rafael Figueirdo, RS
"Quando um burro fala, de Aurélio Aragão e Roberto Robalinho, RJ
"Ultravigiado", de Caco Souza, SP
"Uma mulher mais ou menos", de Herbert Amaral, DF
"Utropic – No umbigo do mundo", de Luciana Melo e Anna K. de Carvalho, DF

segunda-feira, 21 de novembro de 2005

CineCeará ibero-americano


O XVI CineCeará, que no próximo ano acontecerá de 1 a 8 de junho, terá mostra competitiva ibero-americana. Em dezembro, durante o 27º Festival de Havana, a Embaixada do Brasil em Cuba, fará um coquetel de lançamento do novo perfil do festival cearense. A festa acontecerá no Hotel Nacional de Havana, e serão distribuidos formulários de inscrição para produtores e realizadores convidados. O cineasta argentino, Fernando Birri, será homenageado pelo CineCeará, pelo conjunto da obra, por seu trabalho como educador na Escola de Santa Fé e na Escola Internacional de Cinema, TV e Vídeo de San Antonio de los Baños , que faz 20 anos.

domingo, 20 de novembro de 2005

Concurso de crítica


Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre abre inscrições, até 30 de dezembro, para o 1º Concurso Nacional de Crítica Cinematográfica - Prêmio P. F. Gastal. É uma iniciativa no mínimo inusitada.
O objetivo é incentivar a reflexão cinematográfica e o surgimento de novos críticos de cinema. Podem concorrer críticos não-profissionais, nascidos, naturalizados ou residentes no Brasil. Por não-profissional entende-se, segundo o regulamento, pessoa que não publique ou tenha publicado críticas regularmente em veículos de imprensa, seja escrita ou em páginas da web, excetuando-se a publicação em blogs.

Mais informações no edital publicado no sítio
http://www2.portoalegre.rs.gov.br/

Estamira no Senado



Dando início à campanha dos 16 dias de ativismo pela eliminação da violência contra a mulher, o Senado Federal, através da Comissão do Ano Internacional da Mulher Latinoamericana e Caribenha, exibirá o documentário "Estamira", de Marcos Prado, no próximo dia 23 de novembro, quarta-feira, às 19h, no auditório Petronio Portella. Estarão presentes à exibição o diretor e Estamira, a protagonista.

O filme conta a história de uma mulher de 63 anos que sofre de surtos esquizofrênicos e trabalha há mais de 20 anos no Aterro Sanitário de Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro. Carismática e maternal, Estamira lidera uma pequena comunidade de velhos que habitam o lixão. O filme se inicia em 2000, quando Estamira começou a se tratar num centro psiquiátrico público, e mostra seu cotidiano ao longo de três anos, a sua transformação e os efeitos dos remédios que se obriga a tomar. Através de seus filhos, aos poucos descobrimos os árduos caminhos trilhados por ela na vida. Com um discurso eloqüente, filosófico e poético, Estamira vive em função de sua missão: revelar e cobrar a verdade. Vivendo no lixo da civilização, ela consegue superar sua condição miserável e coloca em questão os valores perdidos da sociedade.

"Estamira" tem lançamento previsto para março 2006, mas já ganhou prêmios de melhor documentário no Festival Internacional do Rio 2004, Mostra Internacional de São Paulo 2004, Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental de Goiás 2005, Festival Internacional de Documentário de Marseille 2005 e no Festival Internacional de Karlovy Vary 2005. No Festival de Cinema de Belém 2005, venceu nas categorias Melhor Filme e Melhor Fotografia. Em setembro de 2005, recebeu ainda o Grande Prêmio do Festival Internacional de Direitos Humanos em Nuremberg 2005. E acaba de ganhar, em novembro, o prêmio de melhor documentário do CineEco Portugal, além do Prêmio Especial do Júri do Festival Internacional de Londres.

Esse é o primeiro filme de Marcos Prado. Em 2002, produziu o premiado documentário "Ônibus 174", de José Padilha, ganhador de um Emmy Award 2005. Em 2000, produziu e dirigiu os documentários "Os pantaneiros", para a Globosat, e "Pantanal cowboys", para National Geographic Television - indicado a dois Emmy Awards. Em 1998, co-produziu o filme "Os carvoeiros", documentário inspirado em seu premiado ensaio fotográfico original.

sábado, 19 de novembro de 2005

brasileiros em havana

Já está definida a lista dos filmes brasileiros que participarão do 27º Festival Internacional do Novo Cinema Latino-Americano de Havana, que acontece de 6 a 16 de dezembro na capital cubana. Este ano a produção nacional comparece com 41 títulos entre curtas e longas-metragens.
Para a competição de longas de ficção estão confirmados "O Veneno da Madrugada", de Ruy Guerra, que também concorre no Festival de Brasília, na próxima semana, "Crime Delicado", o quarto longa de Beto Brant, e "Jogo Subterrâneo", de Roberto Gervitz, que voltou à direção 18 anos depois de estreiar com "Feliz Ano Velho".

"O Último Raio de Sol", de Bruno Torres (foto acima, com José Dumont), e "O Xadrez das Cores", de Marcos Schiavon, estarão na disputa da categoria de curtas de ficção. Para a mostra também competitiva Operas Primas, dedicada a longas de estreantes, foram selecionados "Como Fazer um Filme de Amor", de José Torero, "Contra Todos", de Roberto Moreira, "Olga", de Jayme Monjardim, "Cinema, Aspirinas e Urubus", de Marcelo Gomes, "Cidade Baixa", de Sérgio Machado, e "Redentor", de Cláudio Torres.
Os já clássicos "Peões", de Eduardo Coutinho, e "Entreatos", de João Moreira Salles, são destaques na competição de documentários, ao lado dos longas "Brilhante", de Conceição Senna, "Doutores da Alegria", de Mara Mourão, e "Paz", produzido pela empresa W/Brasil.

Na mostra Animação há sete produções brasileiras. E fora de competição serão exibidos diversos títulos de sucesso de público como "Cazuza, o Tempo Não Pára", de Sandra Werneck, e "O Casamento de Romeu e Julieta", de Bruno Barreto, e os documentários "500 Almas", de Joel Pizzini, "Moacir,arte bruta", de Walter Carvalho, e "A velha e o mar", (foto abaixo), do cearense Petrus Cariry.
O documentário "O Sonho de Loreno", de Alana Almondes (Mantenópolis/ES), também foi selecionado para participar do Festival. O vídeo faz parte do projeto Revelando os Brasis, da Secretaria do Audiovisual, e conta a história de Seu Manoelzinho, que ficou famoso pelos mais de 20 filmes que realizou utilizando uma câmera VHS. A exibição será dentro da Mostra Informativa Documentário.
Lista completa dos classificados no sítio www.habanafilmfestival.com.

sexta-feira, 18 de novembro de 2005

quarta-feira, 16 de novembro de 2005

festival aruanda



Em 1960 o lançamento de "Aruanda", de Linduarte Noronha, inaugura o moderno documentário brasileiro. O filme, de 20 minutos, é um estudo etnográfico e sociológico sobre um pequeno grupo de negros, isolado numa região serrana da Paraíba. É um trabalho belíssimo. O diretor documenta a vida de descendentes de escravos que haviam fundado um quilombo. Nele, vivem à margem de qualquer outra civilização e se sustentam através do comércio de cerâmicas primitivas, vendidas na feira ao pé da serra.

Em pleno surgimento do Cinema Novo, "Aruanda" mostrou ao resto do país a sua própria pobreza. Glauber Rocha, nome principal do movimento, declarou que o documentário lhe inspirou, e que "pela primeira vez, sentimos valor intelectual nos cineastas que são homens vindos da cultura cinematográfica para o cinema, e não do rádio, teatro ou literatura. Ou senão vindos do povo mesmo, com a visão dos artistas primitivos, criadores anônimos longe da civilização metropolitana, como no caso dos dois paraibanos.”
O outro paraibano no caso é o fotógrafo e montador Rucker Vieira, considerado um co-autor do filme pela concepção das imagens em preto-e-branco. E Glauber passou a chamar o diretor de "São Linduarte".

Quarenta e cinco anos depois, o título do clássico de Noronha se presta, com muita honra, para nomear o I Festival Aruanda do Audiovisual Universitário Brasileiro que acontece nos dias 1, 2, 3 e 4 de dezembro próximo. A iniciativa é do Núcleo do Audiovisual (Nepau) do Departamento de Comunicação da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e da TV Universitária da instituição que comemora neste 2005 seu aniversário de 50 anos de fundação. O evento vai contemplar vídeos nas categorias documental, ficcional, animação e filme publicitário produzidos por alunos de Comunicação Social de instituições públicas e privadas da Paraíba. O evento ganhou caráter nacional em função da inclusão da categoria Televisão Universitária Brasileira, na qual cada emissora poderá participar com trabalhos nos gêneros reportagem, programa de TV e documentário. As inscrições seguem até o dia 20 deste mês.

Os premiados receberão o Troféu Rodrigo Rocha de Vídeo Universitário (uma homenagem ao jornalista, produtor cultural e videasta morto prematuramente aos 26 anos durante filmagens de um documentário em João Pessoa, na década de 90).
Será ainda homenageado o diretor assistente do filme, João Ramiro Mello, com uma publicação assinada pela pesquisadora Berê Bahia.


"A lembrança de 'Aruanda' para nomear o festival é mais que oportuna porque em que pese o fato de a seara da ficção ter começado a deslanchar nos últimos anos na Paraíba, o fato é que temos uma vocação histórica para o cinema documental", disse o coordenador do Festival, jornalista e cineasta Lúcio Vilar, atual chefe do departamento de Comunicação da UFPB.

Maiores informações podem ser obtidas no site www.cchla.ufpb.br/aruanda

terça-feira, 15 de novembro de 2005

produção de baixo orçamento



A Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura (SAV/MinC) comunica que estão abertas as inscrições, do dia 26 de outubro a 4 de março de 2006, do Concurso de Apoio à Produção de Obras Cinematográficas Inéditas, de Longa Metragem, do Gênero Ficção, de Baixo Orçamento.

Serão apoiados dez longas-metragens, sendo cinco para este ano e os outros cinco para 2006, com o valor de até R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) para cada projeto selecionado. Os inscritos até o dia 19 de novembro, concorrerão às seleções a serem realizadas em 2005 e 2006, e os apresentados após esta data só concorrerão ao processo de seleção do próximo ano. Este é um dos concursos da SAV que mais chama a atenção dos realizadores por lançar novos diretores no mercado cinematográfico. Podem participar diretores estreantes ou não, com projetos inéditos do gênero ficção, e que estejam inscritos por empresas de produção independente. A seleção será feita por uma Comissão Especial formada por especialistas na atividade cinematográfica, que levará em conta, entre outros aspectos, a criatividade artística, a comunicabilidade, a compatibilidade orçamentária, a capacidade técnica e o potencial econômico do filme dentro do segmento de público a que se destina. O edital de seleção de Baixo Orçamento encontra-se no site do Ministério da Cultura, www.cultura.gov.br,
no link Apoio a Projetos/Editais. Os outros editais que compõem o Programa de Editais de Fomento à Produção 2005-2006 estarão disponíveis no site a partir do dia 21 de novembro. Informações: concursos.sav@minc.gov.br
Vamos lá, meus caros colegas de set!

segunda-feira, 14 de novembro de 2005

novos livros de cinema



Para quem gosta de ler sobre cinema, seis novos livros na praça. Imperdíveis.

"O Discurso Cinematográfico - A Transparência e Opacidade", de Ismail Xavier, edição revista e ampliada, Editora Paz e Terra;

"Teoria Contemporânea do Cinema - Pós-Estruturalismo e Filosofia Analítica - Volume I", organização de Fernão Ramos, Editora Senac;

"Teoria Contemporânea de Cinema - Documentário e Narratividade Ficcional - Volume II", organização de Fernão Ramos, Editora Senac;

"Cinema e Televisão Durante a Ditadura Militar: Depoimentos e Reflexões", organização de Anita Simis, Editora Cultura Acadêmica, Unesp-Araraquara;

"Cinema nos Anos 90", organização de Denilson Lopes, Argos Editora;

"4 X BRASIL -Itinerários da Cultura Brasileira - Décadas de 60, 70, 80 e 90", organização de F. Schûler & Gunter Axt, Editora Artes e Ofícios.

quase roteiros




Andersen Viana é maestro-compositor, arranjador e produtor cultural. Especializou-se em Música para Cinema na Itália com Ennio Morricone e Polizzi. Recebeu 15 premiações por sua obra criativa (música e textos), no Brasil e exterior. Em 2001, sua obra foi objeto de Tese de Mestrado defendida na UNIRIO. Seu catálogo musical consta de 196 obras, abrangendo de canções populares à sinfonias, ópera e música para filmes. Possui um "Banco de Projetos" com variadas propostas artísticas e culturais. Além do Brasil, tem desenvolvido estudos e trabalhos na Bélgica, EUA, Suécia, Grécia, Honduras, Itália, França, Portugal, Rússia, República Tcheca e Reino Unido.
Esse breve currículo é para anunciar que o músico está lançando o livro "Contos cinematográficos Vol. I", e, segundo o autor, "tem como objetivo fazer chegar esse material nas mãos de quem poderá filmá-lo algum dia. São apenas 1.000 exemplares. Inclui um CD áudio - que seria trilha sonora do livro! - e que tem sua razão de ser no Pesadelo Búlgaro."

O livro traz fortes textos nos quais o autor procurou fundir palavras, música e imagem em algo que fosse inseparável desde o início. Em seus nove contos - que transitam entre o realismo fantástico, a ficção-científica e até o surrealismo -, o autor objetiva atingir não somente o público adulto especializado, mas também o amante das artes e o público jovem, pois o livro é múltiplo. Uma obra multi-estética e multicultural. É surpreeendente, embebido na rica tradição da literatura latino-americana e afirmando a excelência da criação literária brasileira. Ótima aquisição para os profissionais que transitam com desenvoltura no cinema, na literatura e na música. Disponível na Loja Virtual no site do autor: www.andersen.mus.br

sábado, 12 de novembro de 2005

Woody Allen sem meios-termos


“Woody Allen é dessas personalidades que não permitem meio-termo. Ou se ama, ou se detesta. Cinéfilos de uma forma geral o amam cegamente. Ou, pelo menos, cegos o suficiente para não enxergar os defeitos e fraquezas de um ou outro filme do cineasta. Melhor o pior Woody do que o melhor blockbuster, dirão convictos. Por outro lado, aqueles que o detestam de verdade não são os consumidores de blockbusters, já que esses jamais o vêem, talvez nem saibam que existe. Os que o detestam mesmo são os cinéfilos não-woodyallenianos (sim, isso existe). Além de uma ou outra amiga da Mia Farrow.”


Assim o colunista Flávio Paranhos, do sítio www.revistabula.com, inicia a apresentação de uma entrevista com o cineasta americano, traduzida do espanhol www.elcultural.com. Allen está lançando o seu filme anual, “Match Point”, com a talentosa Scarlett Johansson no papel principal, que ficou conhecida a partir de “Encontros e desencontros” (Lost in translation), de Sofia Coppola, 2003.
Ele é um dos poucos diretores de cinema que recebeu o Prêmio Príncipe das Astúrias, há três anos. Conferido pela Fundação que traz o mesmo nome, sediada em Oviedo, na Espanha, o prêmio tem como objetivo contribuir para a promoção de valores científicos, culturais e humanísticos. Segundo os estatutos, é premiável a pessoa, grupo ou instituição de qualquer país cujo trabalho transponha fronteiras internacionais e tenha contribuído para o progresso e fraternidadade entre as nações. A filmografia de Woody Allen se inseriu nesses conceitos. Algumas personalidades que foram premiadas e me chegam à memória agora são Mandela, Gorbachov, Vargas Llosa, Paco De Lucia, Fernando Henrique Cardoso, Lula (em 2003)...



Woody Allen nesse novo filme troca a sua querida e tradicional Manhattan pela paisagem londrina. Segundo ele, “é uma história de duas pessoas ambiciosas, à procura de uma vida de luxo, mas que sucumbem a suas mais baixas paixões. São almas gêmeas, ainda que se neguem a reconhecê-lo em público. Evidentemente, isso só é possível numa sociedade baseada em castas, como é a britânica. Um pária é um pária, sobretudo em Londres.”



A entrevista completa está na revista virtual, produzida em Goiânia. Gostando ou não de Woody Allen, vale a pena conferir, principalmente pela crítica lúcida que Flávio Paranhos faz da obra do cineasta.

quinta-feira, 10 de novembro de 2005

cinema e internet




Uma novidade para o pessoal da área de cinema e outras mídias.
No dia 1º de dezembro próximo acontecerá em Vitória, Espírito Santo, o I Festival de Baixa Resolução. A coisa é esquisita, mas é verdadeira e interessante. A Internet é uma mídia com personalidade e conteúdo próprios, alimentada por uma multidão de quase-anônimos que não se conhecem. Numa tentativa de mapear todo esse conteúdo original e “culpar” os responsáveis, o capixaba Cine Falcatrua abre as inscrições para esse festival específico. Os vídeos para a pré-seleção devem ser enviados até o dia 15 de novembro para o endereço eletrônico cinefalcatrua@gmail.com. Para participar, o vídeo tem que ser encontrado na web, somente na web. Pode ser conteúdo original ou alterado, hypes audiovisuais, caps de programas de tv suburbanos, animações em flash, montagens com videogame, videoclipes toscos, paródias, redublagens, etc


Eis o que diz o regulamento:
1. Não há restrição de suporte, nacionalidade, ano de produção, gênero, duração, inclinação ideológica ou conteúdo;
2. As obras podem estar em qualquer resolução, estado de conservação, compactadas em qualquer formato/codec, disponíveis para qualquer plataforma, com ou sem áudio, e até mesmo sem vídeo;
2.1. Por favor, nada de screeners ou telecinagens do último sucesso de Hollywood;
3. Cada concorrente assume automaticamente responsabilidade pela obra que inscreveu, mesmo que não a tenha realizado;
3.1. Caso mais de uma pessoa inscreva a mesma obra, ela passa automaticamente a ser considerada uma obra coletiva. Caso venha a ser premiada, cabe aos responsáveis dividirem o prêmio como melhor lhes aprouver;
4. A pré-seleção, caso seja necessária, será baseada no bom-senso da comissão curatorial e nas restrições logísticas do evento;
5. As obras classificadas estarão sob o escrutínio de um júri qualificado, composto por profissionais da área, jornalistas e representantes dos patrocinadores;
5.1. O júri premiará a obra que achar mais legal (isto é, "mais inusitada", "mais política", "um soco no estômago", "desbunde estético", "uso revolucionário do meio" ou "ai, que luxo!");
5.2. O júri também pode distribuir menções honrosas à vontade, desde que não custem nada para a organização;
5.3. O prêmio será um troféu e uma grade de cerveja;
5.4. A decisão do júri é suprema, absoluta e irrevogável;
6. A organização se reserva no direito de exibir extratos dos vídeos selecionados para a divulgação do evento;
7 As cópias enviadas para pré-seleção passarão a pertencer a inbox da nossa conta de e-mail, podendo ser exibidas em programações não-comerciais ou encaminhadas como spam.




Claro, meus caríssimos meia dúzia de leitores deste blog, depois dos itens do regulamento vocês têm o direito de continuar achando que é brincadeira. Mas não é. É tudo verdade, como diria Orson Welles.

o analista da Boca do Lixo

foto site Cinequanon

“É importante ressaltar que, ao contrário do que se diz por aí, o grupo da pornochanchada não foi apoiado pelo Regime Militar. A gente foi muito sacaneado, na verdade, e nunca ganhamos um centavo do dinheiro público. A gente incomodava por ter tido a habilidade de reconquistar o público popular para o cinema brasileiro, pois a gente fazia filme para o cara que pegava o metrô pra ir trabalhar e não para o estudante da USP. Qual era a nossa fórmula, então? Colocar umas mulheres peladas pra atrair esses caras. Eram filmes que tinham a nossa cara, a realidade do homem comum, e esses filmes agradavam. A gente também se beneficiava da Lei da Obrigatoriedade: se o filme dobrava a primeira e a segunda semana com público bom, ele só saía de cartaz com a anuência do produtor. Isso, para as multinacionais, era um transtorno. Imagina um filme com mídia mundial, que ganhou Oscar e tal, ter que esperar o filme do Cláudio Cunha, do David Cardoso ou do Tony Vieira sair depois da sétima, oitava semana. Eles não se conformavam com isso. Então, foi iniciada uma guerra contra os filmes brasileiros e as multinacionais tinham dois aliados poderosos: a censura, encarregada de acabar com a indústria que a gente criou, e a banda podre da mídia, encarregada de nos desmoralizar diante do público. Então, pra essa mídia, todo o filme que nós fazíamos era “pornô-alguma coisa”. “Amada amante” era pornodrama, “Sábado alucinante” era pornodiscoteca, “Vítimas do prazer” era pornoterror, “O Dia em que o santo pecou” era pornoluxo, e assim por diante. Aí, quando houve de fato a virada para o sexo explícito no começo dos anos 80, imposta pela indústria americana, eu resolvi “pornocudeles” e fiz “Oh, Rebuceteio!”, meu único filme de sexo explícito.”
Este é um trecho da hilariante entrevista com o cineasta Cláudio Cunha no site www.cinequanon.art.br
59 anos, ex-ator de novelas na década de 60, foi o mais atuante produtor e diretor de cinema nos terríveis anos 70, quando a chamada Boca do Lixo, em São Paulo, levava multidões às salas de cinema de todo país, muitas vezes fazendo bilheterias maiores do que muitos títulos americanos com atores famosos. Seus filmes eram de qualidades discutíveis, mas é interessante saber um pouco mais como funcionava a produção de cinema no Brasil naquele período. Nessa entrevista ele fala tudo e cita todos. Relata casos de bastidores que o público e até mesmo a grande mídia desconheciam.
Afastado do cinema há vinte anos, mas anunciando voltar com um projeto sobre o "maníaco do parque", Cláudio está em cartaz com o espetáculo teatral “O analista de Bagé” desde 1983! Por esse feito é citado no livro dos recordes Guinness.

terça-feira, 8 de novembro de 2005

workshops de roteiro e direção



Como acontece todos os anos, o Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro, de 1 a 11 de dezembro, em sua 14ª edição, promoverá dois workshops para pessoas que estão se profissionalizando ou iniciando no mundo do cinema.



O primeiro será de Direção, ministrado pelo cineasta cearense Karin Aïnouz, diretor de “Madame Satã”, e que recentemente concluiu as filmagens do seu segundo longa, “Rifa-me”.
O outro workshop, de Roteiro, ficará a cargo de Rosane Lima, roteirista do inteligente e divertido “Bendito Fruto”, (2004) longa de Sérgio Goldemberg; do ator e diretor Carlos Gregório, que realizou o premiado curta-metragem “Amar”; e de Jorge Duran, diretor e roteirista chileno, radicado no Brasil, autor do ótimo ”A Cor do Seu Destino” (1986), e co-roteirista de ”Pixote, A Lei do Mais Fraco”, de Hector Babenco (1981); ”Nunca Fomos Tão Felizes” (1984) e “Como Nascem os Anjos” (1996), ambos de Murilo Salles; Duran está lançando em breve o seu novo longa, “É proibido proibir”.


As inscrições para os workshops estão abertas até o dia 23 de novembro.
Os interessados em fazer o de Direção deverão enviar currículo e carta de intenção, explicando porque desejam fazer o curso, que acontecerá nos dias 3 e 4 de dezembro, das 14h30 às 17h30, no Centro Cultural Banco do Brasil, do Rio.
Quanto ao de Roteiro, nos dias 7, 8 e 9 de dezembro, das 14h30 às 18h, também no CCBB, serão necessários, além do currículo, quatro cópias de um roteiro de curta-metragem de ficção, de autoria do candidato. Haverá uma seleção que escolherá doze trabalhos. O interessante é que após o curso o melhor roteiro escolhido pela comissão receberá prêmios em serviços, a serem definidos por parceiros do Festival, e que tem como objetivo estimular a produção do projeto premiado.


A divulgação dos selecionados para os dois workshops será no dia 30 de novembro.
Local de entrega do material e maiores informações:
A.R. Produções - Workshops Curta Cinema 2005
a/c Marilda Samico
Praia de Botafogo, 210/Cob. 1 - Botafogo
22250-040 - Rio de Janeiro - RJ
Fones: (21) 2553 2830 - 2553 8918 - 2553 2033 Fax: (21) 2554 9059

segunda-feira, 7 de novembro de 2005

Pan Africano



O V Festival de Cinema Pan Africano, com o apoio da Secretaria de Reparação Racial da Prefeitura de Salvador, abre inscrições para o prêmio Milton Santos, que este ano terá como tema O Território. A premiação será no valor de R$ 2.000,00 para o melhor filme, escolhido através de juri popular.
O Festival de Cinema Pan Africano é uma mostra de vídeos e filmes que acontecerá de 16 a 20 de novembro em Salvador, Bahia, com ações voltadas para o cinema local, assim como para as atividades de formação. A base fundamental é o território.
Entre seus objetivos estão a divulgação do cinema da diáspora africana e a viabilização do acesso à linguagem audiovisual para as comunidades residentes na periferia da cidade, formada principalmente por afro-descendentes. A proposta do festival é que o público tenha acesso ao cinema e também a outra imagem, a outra cultura, diferente daquela mostrada pela grande mídia e pelos programas de cultura de massa.
O regulamento completo e a ficha de inscrição estão disponíveis na página do festival:
www.panafricano.com.br
O V Festival de Cinema Pan Africano é uma realização do Instituto Panafricano e Studio Brasil, tem o patrocínio dos Correios e apoio das instituições Cama, Centro de Estudos das Populações Afro-Índio Asiáticas (CEPAIA), Centro de Referência Integral do Adolescente (CRIA), Espaço Cultural dos Alagados, Grupo Cultural Baguncaco, Kabum, Projeto Ver de Trem, e Sofia Centro de Estudos.

(Divulgação: Projeto ProArte Brasil - RJ)