segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

queijo com cinema

 foto Franzkina


Na minha Fortaleza existe um lugar. Um lugar onde há 32 anos, no centro da cidade, é frigorífico, e vende queijos, e nos fins de semana é bar, onde se encontram intelectuais, escritores, médicos, gente de bom papo, como o meu amigo "caba da peste", o jornalista Pedro Carlos Alvares, que começou a rodar um documentário sobre o local e a irmandade que lá frequenta.

São esses lugares que mantém vivo o coração da cidade. Nesses espaços pulsa a vida, resiste a história, mantém-se diante do futuro o alicerce da amizade entre as pessoas. Nesses lugares agregam-se sentimentos, compartilham-se emoções variadas, atribui-se sentido à existência. No aparentemente simples está a grandeza extensiva que não está nos espaços glamorosos. Na esquina do Raimundo dos Queijos está a ponte entre a semana que passou para a segunda-feira que nos é grata na semana que entra. 

Mais sobre o filme "Raimundo dos Queijos - A confraria do centro" aqui.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

um passo em falso?


 
Com toda a avançada tecnologia de hoje, por que os americanos nunca mais voltaram a pisar na Lua?!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

con toda palabra, con toda caricia...

 
 

O belíssimo canto de Lhasa De Sela, cantora americana, filha de mexicano e mãe de ascendência judaica, que faleceu no ano novo de 2010, aos 37 anos, de câncer de mama.

Lhasa gravou três discos e é dificil dizer que o primeiro é melhor do que o segundo, ou que o terceiro é o melhor de todos. São exemplares da perfeição em canto, letra, alegrias, tristezas, espanto, esperança. Sinônimo de Música.


Lhasa canta em inglês e francês, mas o forte mesmo são suas canções em espanhol, como no primeiro disco, "Lha lorona", de 1998. Uma característica que revela um perfil anímico em sua música: os arranjos com instrumentos da música judaica e o mergulho profundo na melodia tradicional mexicana, sempre emotiva, ardente, passional.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

99 não é 100

foto Downtown Filmes

"Não jogue sua latinha no meio ambiente, será mais uma: 99 não é 100, faz diferença."

Comentário do Seu Valter dos Santos, 30 anos como catador de lixo no aterro sanitário Jardim Gramacho, RJ, numa cena do ótimo documentário Lixo extraordinário, de Lucy Walter, João Jardim e Karen Harley. Co-produção Brasil-Reino Unido, o filme é indicado ao Oscar de Melhor Documentário.

cisne perfeito



Se não der Natalie Portman no Oscar de Melhor Atriz será a zebra do ano. Sua atuação em "Cisne Negro" é perfeita.

Duas participações especiais no filme de Darren Aronofsky: a atriz símbolo do comportamento hippie na década de 70, Barbara Hershey, aos 62 anos, também lembrada como mulher de David "kung ful-kill bill" Carradine; e Wynona Rider, irreconhecível no papel de uma ex-bailarina.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

pessoas são estranhas


Um amigo me perguntou por que não escrevi nada, nem aqui nem no Facebook sobre a peça "Um navio no espaço ou Ana Cristina Cesar", que assisti neste fim semana.

Não bateu, meu caro. Atuação fraca de Ana Kutner, o grande Paulo José com a dicção comprometida... e a poeta carioca... bem, com destaque para alguns poemas ancorados no espaço, a poesia dela nunca fez muito minha cabeça. Da "geração mimeógrafo" sempre mexeu comigo a poesia do Chacal, Roberto Piva, Armando Freitas Filho, Leila Miccolis.. 

Saí do teatro cantarolando uma música que faz parte da trilha sonora: a bela canção de Jim Morinson, "People are strange".

sábado, 12 de fevereiro de 2011

o passado no passado

 foto Bettman Corbis
 
"Atiramos o passado ao abismo, mas não nos inclinamos para ver se está bem morto."

William Shakespeare

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

babel subterrânea

 
"Biutiful", de Alejandro González Iñárritu, não tem a força dramática e narrativa inovadora de seus filmes anteriores, "Babel", "21 gramas" e "Amores brutos". 

A marca do cineasta mexicano é justamente a confecção de um roteiro como se fosse um caleidoscópio, onde o espectador vai aos poucos juntando os fragmentos da ação, as combinações de cada sequência, para alcançar o ápice narrativo. 

"Biutiful" prende o nosso olhar pela exposição de elementos que conduzem a história de um homem atravessando e desviando de tragédias pessoais, o embate em um submundo onde subsistem emigrantes africanos, asiáticos e os próprios mexicanos, como numa babel subterrânea, na contramão, mais perto do inferno.

A segura e indignada atuação de Javier Bardem o credencia a forte candidato ao Oscar deste ano, prêmio que recebeu como coadjuvante com "Onde os fracos não têm vez", em 2006, de Joel e Ethan Coen. Aliás, os cineastas irmãos entram hoje nos cinemas com "Bravura indômita", refilmagem de um ótimo western de 1968, com John Wayne no papel que agora está com Jeff Bridges, competindo com Bardem na categoria.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

a palavra de Chacal

 foto D.A. Press

Uma
palavra
escrita é uma
palavra não dita é uma 
palavra maldita é uma palavra
gravada como gravata que é uma palavra
gaiata como goiaba que é uma palavra gostosa.

Ricardo de Carvalho Duarte, mais conhecido como Chacal, é um dos poetas brasileiros mais importantes da chamada poesia marginal dos anos 70, ou geração do mimeógrafo, ou escritores anárquicos... rótulos que hoje não têm a mesma importância. O importante é que o poeta carioca de 59 anos nunca parou de produzir, sempre lançando livros, peças de teatro, letras de música, com sua poesia rápida, atualíssima, provocativa, mais pro rock do que pra Bossa.

Chacal está em Brasília, onde morou na década de 80, lançando hoje seu livro de memórias, "Uma história à margem", no Bistrô Bom Demais, no CCBB. 

O poeta é capa do caderno Diversão & Arte do Correio de Braziliense de hoje, de onde transcrevi o ótimo poema acima, "Uma palavra".

sábado, 5 de fevereiro de 2011

de volta para o futuro

 

Guardo todas! Cada uma, uma história, trilha de uma época, de um momento.

Passei algumas para cd, que passo pro ipod: o som original com chiados, saltos da fita emendada, faixa interrompida no final do lado A, é como um personagem renascentista viajando de disco voador...

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

a última musa

foto arquivo NV

A pouco conhecida atriz brasileira Isabella faleceu terça-feira passada. Sua interpretação em "Capitu", de Paulo Cesar Saraceni, em 1967, consagrou-a como a musa do Cinema Novo.

Mais notícias.

o último tango


Morre a atriz Maria Schneider, aos 58 anos, de "O último tango em Paris".



quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

o jovem marinheiro

 
 fotos Starpulse

Mais um "mote" do meu amigo cartunista João Alberto Lupin, que colocou essa foto em seu mural no Facebook.

Com pose de James Dean, é o ator inglês Terence Stamp em uma imagem pouco conhecida, do começo dos anos 60. Provavelmente fez parte de algum portfolio, fotos para divulgação, justamente na época em que ele interpretou  o jovem marinheiro de um navio mercante no filme "O vingador dos mares" (Billy Bud), um dos seis filmes dirigidos pelo ator Peter Ustinov, em 1962.

Geralmente a imagem mais remota que temos de Terence Stamp é do carteiro Angelo que passa o dia lendo Rimbaud em "Teorema", de Pasolini, clássico de 1968, sempre bom de rever.

Mas Stamp nunca parou de filmar. Fez alguns filmes sem muita repercussão,  mas sempre se destacando pelo carisma, em 1980 assumiu o vilão General Zod em "Super-homem II", depois que se mandou para a Índia, num exílio voluntário para "estudo e meditação", como ele dizia.

Foi com a estupenda interpretação do transsexual Bernadette em "Priscilla, a rainha do deserto", em 1994, que o ator ficou em evidência, ou melhor, passaram mais a prestar atenção no seu talento.

Aos 71 anos, Terence Stamp continua fazendo jus ao título conferido pela Empire Magazine na década de 90, como um dos atores mais charmosos da história do cinema. O que é apenas um detalhe para o grande ator que ele é.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Nildo Parente

 foto Arquivo NV

Leio nesta manhã de terça-feira no blog da amiga Aurora Miranda, a notícia do morte do ator Nildo Parente, o que me deixou triste. Mas vou atravessar o dia trazendo as boas lembranças que tenho dele.

Conheci o Nildo em 1975, durante as filmagens de "Padre Cícero, o patriarca do sertão", de Helder Martins, filmado no Cariri, Guaramiranga e Fortaleza. Eu fazia estágio na produção e logo passei para a equipe de câmera de José Medeiros. De cara foi o ator mais simpático, atencioso e comunicativo, de uma elegância impressionante. Sempre nos intervalos conversávamos sobre cinema, seus filmes, seus parentes na capital cearense, onde nasceu. Ficamos amigos. 

A última vez que conversei com ele foi em Brasília, no Festival de Cinema, em 2008, quando veio com o curta "Depois de tudo", de Rafael Saar, e ganhou o candango de Melhor Ator.

Sempre tenho a sensação de vazio quando se vai um grande artista, uma pessoa querida, um ser humano admirável.