sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

os prêmios de Volver

Penélope Cruz em "Volver", de Pedro Almodóvar. Foto El Desejo Films

O primeiro trabalho do diretor alemão Florian Henckel von Donnersmarck, “Das Leben der Anderen”, possivelmente com tradução no Brasil para "A vida dos outros", ganhou o prêmio de melhor filme da Academia do Cinema Europeu, que aconteceu no começo do mês em Varsóvia, Polônia. “Volver”, de Pedro Almodóvar, venceu outras cinco categorias, melhor diretor, atriz (Penélope Cruz), fotografia (Jose Luis Alcaine), trilha sonora (Alberto Iglesias) e prêmio de público como melhor filme.

O filme alemão foi escolhido também nas categorias ator (Ulrich Muehe) e roteiro. O festival prestou homenagem a Roman Polanski e foi a primeira vez realizado em uma cidade do leste europeu.

Sucesso também no 59º Festival de Cinema de Cannes, realizado em maio, "Volver" é um forte concorrente ao Oscar. O longa foi indicado pela Espanha para concorrer a uma vaga na categoria melhor filme estrangeiro. O Brasil concorre com o ótimo "Cinema, aspirinas e urubus", de Marcelo Gomes.

Depois de atuar em filmes que não foram muito aclamados pela crítica e nem estouraram nas bilheterias, a atriz Penélope Cruz parece ter acertado em cheio ao aceitar o convite de Almodóvar para atuar em "Volver". Na produção espanhola ela faz o papel de Raimunda, mulher determinada que há anos guarda um segredo sobre o pai de sua filha adolescente, revelado quando sua mãe morta reaparece como fantasma.

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

os ganhadores do Candango

Cláudio Assis, diretor de "Baixio das Bestas", que ganhou seis prêmios em Brasília

A brutalidade das cenas de violência e o radicalismo da denúncia social dividiram o público e a crítica presentes na cerimônia de premiação do 39º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, ontem à noite, no Teatro Nacional.
O pernambucano "Baixio das bestas", de Cláudio Assis conquistou o júri oficial de uma mostra pontuada pelo impacto político embutido em imagens chocantes. É o grande vencedor do festival, mas o público presente à Sala Villa-Lobos não ficou satisfeito. Foram ouvidas muitas vaias no anúncio do Candango de melhor filme. “Obrigado pela educação. Briga quem tem coragem”, ironizou o diretor, antes de receber mais vaias. “Júri sem critério!”, gritou um espectador.


Os ganhadores:

Prêmios Oficiais – Troféu Candango

Longa-metragem em 35mm:

Filme, "Baixio das bestas", de Cláudio Assis
Direção, Helvécio Ratton, por "Batismo de sangue"
Ator, Maxwell Nascimento, por "Querô", de Carlos Cortez
Atriz, Mariah Teixeira, por "Baixio das bestas"
Ator coadjuvante, Irandhir Santos, por Baixio das bestas
Atriz coadjuvante, Dira Paes, por "Baixio das bestas"
Roteiro, Carlos Cortez, por "Querô"
Fotografia, Lauro Escorel, por "Batismo de sangue"
Direção de arte, Fred Pinto, por "Querô"
Trilha sonora, Pupillo, do grupo mundo livre, "Baixio das bestas"
Som, Louis Robin, "Querô"
Montagem, Renato Martins e Vladimir Carvalho, por "O engenho de Zé Lins", de Vladimir Carvalho
Prêmio especial do Júri, "O engenho de Zé Lins"


Curta ou média-metragem em 35mm:

Filme, "Trecho", de Clarissa Campolina e Helvécio Martins Jr.
Direção, Anna Azevedo, por "O homem-livro"
Ator, Leonardo Medeiros, por "A vida ao lado", de Gustavo Galvão
Atriz, Bohdana Smyrnova, por "Noite de sexta, manhã de sábado", de Kleber Mendonça Filho
Roteiro, André Carvalheira, por "Dia de folga", de André Carvalheira
Fotografia, Pablo Lobato, por "Trecho", de Clarissa Campolina e Helvécio Martins Jr.
Montagem, por Karen Harley, por "Trecho"

Curta ou média ou longa-metragem em 16mm

Filme, "Terra prometida", de Guilherme Castro
Direção, Filipe Gontijo e Erik Aben-Athar, por "A volta do candango"
Ator, Gê Martu, por "Borralho"
Atriz, Sarah Vasconcelos, "Uma vida e outro"
Roteiro, Santiago Dellape, por "Nada consta"
Fotografia, André Benigno", por "Borralho", de Arturo Sabóia e Paulo Eduardo Barbosa
Montagem, Marcius Barbieri, por "Vestígios", de Pablo Gonçalo


Prêmio Júri Popular
Longa-metragem em 35mm, "Encontro com Milton Santos ou a globalização vista do lado de cá", de Silvio Tendler
Curta-metragem em 35mm, "O homem-Livro", de Anna Azevedo


Outros premiações

Prêmio da Crítica:
longa, "Baixio das bestas"
curta, "Noite de sexta manhã de sábado", de Kleber Mendonça Filho

Prêmio Câmara Legislativa do Distrito Federal:
longa, "O engenho de Zé Lins"
curta em 35mm, "Oficina Perdiz", de Marcelo Diaz
curta em 16mm, "Borralho"


Aquisição Canal Brasil Incentivo ao Curta-metragem:
"Noite de sexta manhã de sábado" e "O homem-livro"

Prêmio Marco Antônio Guimarães (conferido pelo Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro para o filme que melhor utilizar material de pesquisa cinematográfica brasileira):
"Pixinguinha e a velha guarda do samba"

Prêmio Saruê (equipe do jornal Correio Braziliense):
Thomaz Farkas, pelo filme "Pixinguinha e a velha guarda do samba "

Prêmio Conterrâneos:
"Pixinguinha e a velha guarda do samba"

fonte Correio Braziliense

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Philippe Noiret, ator

Philippe Noiret em "Cinema Paradiso", 1988. Foto Les Films Ariane

Depois da morte do cineasta Robert Altman, no último dia 20, aos 81 anos, mais uma perda no cinema: o ator francês Philippe Noiret, o Alfredo, projecionista de "Cinema Paradiso" (Nuovo Cinema Paradiso), de Giuseppe Tornatore, que nunca saiu da cabeça do menino Totó (Salvatore Cascio), assim como o personagem jamais será esquecido pelo público, pelo sua memorável atuação.
Noiret faleceu ontem, aos 76 anos, de câncer. Deixou legado de impressionantes 125 filmes, entre eles, "O carteiro e o poeta" (Il Postino), de Michael Radford, 1994, no qual deu vida a Pablo Neruda.


Ator predileto do cineasta Bertrand Tavernier, fez com ele pelo menos dois filmes marcantes, pouco vistos no Brasil, "L’horloge de Saint Paul", de 1972, e "Que la fête commence", rodado três anos depois, onde contracena com o também ótimo Jean Rochefort, e no começo dos anos 90, "A vida e nada mais" (La vie et rien d'autre), que lhe valeu o prêmio Cesar (o Oscar francês). Em filmes dos quais não me lembro os títulos, fez par com Catherine Deneuve, Romy Schneider e Simone Signoret. "O velho fuzil" (Le vieux fusil), de Robert Enrico, de 1975, foi outro trabalho que lhe deu o Cesar. Lembrei-me: foi nesse filme que ele contracenou com a bela Romy.


Outro papel inesquecível foi no polêmico "A comilança" (Le grand bouffe), que tratou do suicídio por glutonaria e causou escândalo em Cannes em 1973. Dirigido por Marco Ferreri, o filme é uma fábula de humor negro.

terça-feira, 21 de novembro de 2006

sob o céu de Iguatu

foto Kirsteen Johnson

Há uma cena em “O céu de Suely” (Brasil, 2006) em que a personagem Hermila (Hermila Guedes) caminha por alguns longos minutos de um ponto a outro, cruzando labirintos de caminhões estacionados ao lado de um posto de gasolina. É noite e os caminhoneiros improvisam comida, bebem, conversam, e olham Hermilia passar. O espectador espera que eles mexam com ela. Hermilia prossegue na sua caminhada até chegar em casa e nada acontece além dessa caminhada. E era essa a intenção, pensada no argumento, prevista no roteiro, destilada na filmagem.


Em outro filme – e já se viu isso – o diretor cortaria essa cena em alguns minutos, segundos, takes, o que fosse, mas cortaria e resumiria desde que ficasse claro que a personagem atravessa um labirinto de caminhões com a possibilidade de ser abordada pelos homens. É uma opção de narrativa. Própria do videoclipe, onde não existe o tempo para pensar nem abertura estreita para a reflexão.
Mas no filme de Karim Aïnouz a opção é pelo tempo da personagem, e o mergulho dentro de si. Essa escolha pelo tempo interior se manifesta no tempo exterior que se vê na tela. O espectador acompanha Hermila, literalmente. E assim é todo o filme “O céu de Suely”, ambientado na pequena e ensolarada Iguatu, no interior cearense.


Karim fez um filme com um olhar de câmera que há muito não se via por aqui. Não é melhor nem menor do que seu primeiro longa, “Madame Satã”, de 2002: é diferente. Não é superior nem inferior a muitas e boas produções nacionais lançadas recentemente: é distinto em sua opção pela simplicidade, profundidade e desprendimento narrativo. O filme chega a ser extremo nessa condução verdadeira e audaciosa. A escolha por usar os nomes dos atores nos personagens, de colocar o elenco em ação no meio dos habitantes da cidade, e de movimentar esses elementos em locações reais (a casa, o bar, a rodoviária) e não em cenários, tudo isso compactua com a verdade que se vê. Ali, tudo conspira a céu aberto a favor do filme.


A fotografia de Walter Carvalho não poderia ser mais adequada, quase estourada, sem retoques. O elenco é de uma coesão surpreendente. São atores com a cara dos figurantes e figurantes com sua vez em primeiro plano. A montagem de Isabela Monteiro de Castro e Tina Baz Le Gal se estende quando o tempo é maior do que o filme, e corta de uma ação para outra quando se ouve essa ação ser chamada. A sutileza do roteiro assinado Karim, Maurício Zacharias e Felipe Bragança é perfeita em vários e vários momentos, como a homossexualidade da tia de Hermilia, Maria (Maria Menezes), que fica descrita e discreta num jeito de olhar, na profissão de motogirl, no presente (um biquini para usar na praia em Fortaleza) à amiga Georgina (Georgina Castro). Mas é deixada de lado com a mesma perfeição na cena de sexo entre João (João Miguel) e Hermila, quando não há cerimônia, e tudo é fome e solidão.


Karim termina o filme tão bem quanto começa e decorre em seus 88 minutos de duração. O ônibus que segue na estrada levando Hermila de volta, a moto de João que acompanha na tentativa de impedir a viagem da moça... e o final de um outro jeito, que se espera ou não se aguarda. O tempo sob o céu de Iguatu não é mais o mesmo sobre os personagens.

domingo, 19 de novembro de 2006

o céu de Karim

Foto Divulgação


"Eu estava muito incomodado com filmes em que o tempo é refém da narrativa, e não das emoções dos personagens."

"Parece até que, no cinema brasileiro, a subjetividade é direito apenas de uma classe privilegiada. Tenho interesse por cinema de subjetividade, feito no Brasil, mas que não seja sobre uma elite."

"É complicado fazer cinema no Brasil, mas não tenho discurso amargo. Tudo na vida é difícil. Faço questão de dizer que cinema me dá imensa alegria, grande prazer."


Do cineasta KARIM AÏNOUZ, em entrevistas pelos jornais do país, durante o lançamento do seu segundo longa-metragem, "O céu de Suely".
Na foto acima dirige a atriz Hermila Guedes.

terça-feira, 14 de novembro de 2006

o cinema e sua história

Enzo Staiola e Lamberto Maggiorani em "Ladrões de bicicleta" (Ladro di biciclette), de Vittorio De Sica, 1948. Foto acervo Nirton Venancio

Foi lançado recentemente o livro História do Cinema Mundial, organizado por Fernando Mascarello, da Papirus Editora, pela Coleção Campo Imagético. O livro é ótimo. Tem 432 merecidas páginas.
O objetivo é disponibilizar ao leitor uma fonte bibliográfica inovadora, em língua portuguesa, para o estudo da história do cinema mundial. São apresentados 17 momentos-chave da trajetória internacional da sétima arte, com significativo grau de detalhamento, em capítulos específicos – cada qual elaborado por um pesquisador brasileiro especializado no assunto.

Embora preparados por diferentes autores – do que resulta uma intencional pluralidade de olhares –, os textos mantêm uma deliberada uniformidade metodológica. Têm todos, primeiro, um caráter eminentemente didático – ao qual se articula, na maioria dos casos, o viés ensaístico particular de cada autor. Em segundo lugar, por razões de espaço, a análise recai fundamentalmente sobre a história estética, a qual se procurou devidamente contextualizar em termos econômicos, tecnológicos, políticos e socioculturais, para não incorrer em uma ingênua “história dos filmes”.

Por fim, cada capítulo contempla – respeitando as peculiaridades de seu objeto – uma série de elementos fundamentais da cinematografia sob estudo: o já referido contexto histórico-cinematográfico de produção e recepção, as características estilísticas, narrativas e temáticas “definidoras”, os principais filmes e cineastas e o significado do movimento, gênero ou vertente para a história posterior do cinema.

Mais informações na página www.papirus.com.br

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

cinema com nome e sobrenome

Marcelo Gomes. Foto Paloma Varón

Em um debate no Centro Universitário Senac, em São Paulo, o cineasta Marcelo Gomes, autor do ótimo “Cinema, aspirinas e urubus”, arrancou aplausos calorosos.

Depois de exibir trechos de seu filme - que disputa vaga de finalista ao Oscar - ele mostrou-se uma pessoa com um raro senso de humor.

Ao definir o método de trabalho dos atores, saiu-se com o criativo neologismo "sertanislavski" . Algo como "sertão" + "Stanislavski"

Contou, depois, que uma repórter de rádio, em João Pessoa, Paraíba, ainda na fase de filmagem, perguntou a ele:
- Qual é o nome do seu filme?
- "Cinema, aspirinas e urubus"
- Sério?

- Sim!
- Há no elenco algum ator de renome?
- Bem, todos têm nome e sobrenome, já renome...

sábado, 28 de outubro de 2006

terça-feira, 24 de outubro de 2006

Cidadão do Cinema

L.G. Miranda Leão. Foto Divulgação

Amanhã, durante a 30ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, a jornalista cearense Aurora Miranda Leão estará lançando o livro "Analisando Cinema - Críticas de LG de Miranda Leão", que tem prefácio de Neusa Barbosa.


Luis Geraldo de Miranda Leão é um dos pouquíssimos críticos de cinema deste país. E crítico entenda-se como um verdadeiro estudioso da sétima arte. São 50 anos de atividade ininterrupta.


LG teve e tem uma importância fundamental na minha vida de cinema. Muito cedo comecei a ler seus artigos nos jornais de Fortaleza, lá pela década de 70. Posso dizer, sem erro, com orgulho e saudade desses tempos, que muito da teoria cinematográfica aprendi através dessas leituras, das palestras no Clube de Cinema e de conversas antes e depois das sessões do Cinema de Arte do Cine Diogo. Sua análise lúcida, criteriosa e apaixonada, serviram-me de estímulo para mergulhar cada vez mais no mundo das telas de cinema.
Bom continuar lendo Miranda, agora estendendo seu olhar em páginas virtuais, como a www.criticos.com.br
E o seu carismático perfil físico de Orson Welles me faz considerá-lo um Cidadão do Cinema.


O livro, organizado por sua filha Aurora, é um lançamento da prestigiada Coleção Aplauso editada pela Imprensa Oficial de São Paulo.

quinta-feira, 19 de outubro de 2006

recusando o Oscar

Aki Kaurismaki. Foto Hannes Heikura


Woody Allen recusou-se a ir receber o Oscar em 1978, quando foi indicado e premiado como melhor filme e melhor diretor por "Annie Hall", no Brasil "Noivo neurótico, noiva nervosa". Repetiu o gesto - considerado um erro diplomático - em 1987, quando "Hannah e suas irmãs" (Hannah and her sisters) concorreu nas categorias de filme, direção, edição, direção de arte, ator coadjuvante e atriz coadjuvante, ganhando nestas duas últimas, respectivamente, Michael Caine e Dianne Wiest. O diretor novaiorquino preferiu tocar jazz em um barzinho predileto.

Marlon Brando , em protesto pelo modo como os Estados Unidos discriminavam os índios nativos do país, não compareceu à cerimônia de entrega do Oscar, premiado por seu trabalho em "O poderoso chefão" (The Godfather), de Francis Coppola, em 1972. Enviou em seu lugar a atriz Sacheen Littlefeather, que subiu ao palco caracterizada de índia.

O cineasta finlandês Aki Kaurismaki radicalizou: nesta semana não permitiu que seu mais recente filme, "Luzes na escuridão" (Laitakaupungin valot), seja indicado ao Oscar 2007 em protesto veemente contra a política externa do bélico George W. Bush. O filme, que tem co-produção com França e Alemanha, foi escolhido pelo Instituto Finlandês de Cinema para representar o país na categoria de melhor filme estrangeiro.
"Luzes na escuridão" conta a história de um homem solitário, que trabalha como guarda-noturno em um shopping center na capital Helsinki. Foi exibido na mostra Panorama do Cinema Mundial, no Festival do Rio deste ano.

quarta-feira, 18 de outubro de 2006

animando o poeta

foto Studio Caó

"Poetanimado" é um dos 30 vídeos selecionados no 1º Festival de Vídeo da TVE Bahia. Fotografado, animado e dirigido pelo artista gráfico Caó Cruz Alves, o filme é um exemplo de criatividade e simplicidade.

Confira esse belo trabalho na página:
http://www.youtube.com/watch?v=OVEnM4xD8_w

E se gostar como eu gostei, deixe seu recado aqui:
http://www.irdeb.ba.gov.br

Stone no Afeganistão

foto Divulgação

Depois de lançar "As torres gêmeas" (World Trade Center), o cineasta americano Oliver Stone pretende continuar explorando a temática dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.

Ele quer fazer um filme sobre a invasão do Afeganistão e a busca por Osama Bin Laden. O polêmico diretor deseja adaptar "Jawbreaker", livro de memórias de Gary Bernsten, membro da CIA durante a invasão americana naquele país.

segunda-feira, 16 de outubro de 2006

os selecionados de Brasília

Luiz Carlos Vasconcelos em "O romance do vaqueiro voador", de Manfredo Caldas. Foto Folkino Produções

Vladimir Carvalho, Cláudio Assis, Helvécio Ratton, Júlio Bressane, Sílvio Tendler e Carlos Cortez. Eles assinam a direção dos seis longas em 35mm selecionados para a mostra competitiva do 39º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O anúncio foi feito nesta segunda-feira pela Secretaria de Cultura do Distrito Federal – que recebeu a inscrição de 174 filmes. Dos seis diretores que competem na Mostra em 35mm, apenas Cláudio Cortez ainda não foi premiado no festival.

A solenidade de abertura está marcada para o dia 21 de novembro, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro. O filme escolhido para ser exibido em sessão hours concours é o documentário "Romance do vaqueiro voador", baseado no poema de João Bosco Bezerra Bonfim, dirigido por Manfredo Caldas.
Selecionados:

Longas 35mm

"Baixio das bestas", de Cláudio Assis, PE
"Batismo de sangue", de Helvécio Ratton, MG
"Encontro com Milton Santos ou o mundo global visto do lado de cá", de Sílvio Tendler, RJ
"O engenho de Zé Lins", de Vladimir Carvalho, DF
"Cleópatra", de Júlio Bressane, RJ
"Querô", de Carlos Cortez, SP


Curtas 35mm

"A vida ao lado", de Gustavo Galvão, DF
"Dia de folga", de André Carvalheira, DF
"Divino maravilhoso", de Ricardo Calaça, DF
"Residual", de Sergio Raposo, DF
"Uma questão de tempo", de Catarina Accioly e Gustavo Galvão, DF
"Espeto", de Guilherme Marback e Sara Silveira, SP
"Helena Zero", de Joel Pizzini, 25 min, RJ
"Noite de marionetes", de Haroldo Borges, BA
"Noite de sexta manhã de sábado", de Kléber Mendonça Filho,PE
"O brilho dos meus olhos", de Allan Ribeiro, RJ
"O homem-livro", de Anna Azevedo, RJ
"Pixinguinha e a Velha Guarda do Samba", de Thomaz Farkas e Ricardo Dias, SP
"Trecho", de Clarissa Campolina e Helvécio Martins Jr., MG


Filmes 16mm

"A volta do candango", de Filipe Gontijo e Eric Aben-Athar, DF
"Borralho", de Arturo Sabóia e Paulo Eduardo Barbosa, DF
"Do andar de baixo", de Luisa Campos e Otavio Chamorro, DF
"Nada consta", de Santiago Dellape, DF
"Naturacaos", de Alisson Machado, DF
"O eixo do homem", de Marcius Barbieri, DF
"Ódio puro concentrado", de André Miranda, DF
"Vestígios", de Pablo Gonçalo, DF
"A goiabeira", de Ed Lopex, RJ
"Alguns recados", de Thiago Faelli, SP
"Cada um com seu cada qual", de Flávio Castro, RJ
"Canção para duas moças", de Gisella Cardoso Franco, RJ
"Deriva", de Gustavo Bragança, RJ
"O tempo de Clarissa", de Tatiana Nequete e Jéssica Luz, RS
"Onde a noite acaba", de Poliana Paiva, RJ
"Onde começa e como termina", de Raul Grecco, RJ
"Outro", de Daniel Solaroli, SP
"Recortes", de José Eduardo Milani, SP
"Silêncio", de Maurício Pastor Cuencas, SP
"Terra prometida", de Guilherme Castro,RS
"Uma vida e outra", de Daniel Aragão, PE

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

Gillo Pontecorvo, cineasta

Pontecorvo em 2004. Foto F.Pedrazzini

O cineasta italiano Gillo Pontecorvo morreu ontem, em Roma, aos 87 anos.
"A batalha de Argel" (La battaglia di Algeri), de 1965, e "Queimada" (Queimada), de 1969, são os seus filmes mais conhecidos. O primeiro mostra os eventos decisivos da guerra pela independência da Argélia, marco do processo de libertação das colônias européias na África. Recebeu 3 indicações ao Oscar, nas categorias de Melhor Diretor, Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Roteiro Original. O curioso é que as indicações recebidas foram em anos diferentes. Em 1967 foi indicado na categoria de melhor filme estrangeiro, sendo que dois anos depois, quando estreou nos cinemas americanos, foi indicado nas demais categorias.

Gillo Pontecorvo (D) dirigindo "A batalha de Argel". Foto Acervo Nirton Venancio

"Queimada", se passa no século XIX, e mostra um representante inglês enviado a uma ilha do Caribe, na intenção de incentivar uma revolta que derrube o governo português e favoreça os interesses da Coroa britânica. O inglês Sir William Walker é interpretado por Marlon Brando, que se desentendeu com o diretor durante as filmagens.

O cineasta deve ser homenageado no Festival de Roma, que começa hoje.

mestre Cartola no cinema

foto Divulgação

Filme dirigido pelos pernambucanos Lírio Ferreira, autor de dois longas-metragens de ficção, ("Baile perfumado" e "Árido movie") e Hilton Lacerda (roteirista de "Amarelo manga"), "Cartola" é um ótimo e surpreendente documentário. O filme que recria as emoções e a história do compositor mangueirense teve pré-estréia no Festival de Cinema do Rio. O internauta pode conhecer um pouco mais sobre o trabalho, que estréia em dezembro deste ano, na página
http://revistaraiz.uol.com.br/narede/index.php?page=ler_artigo&id=70

domingo, 8 de outubro de 2006

Almodóvar em estado de graça

foto Divulgação

"Após o inferno de 'Má educação', em que rodava com a sensação de estar sempre à beira do abismo, desta vez não sofri. Isso não significa que 'Volver' seja melhor. Aliás, estou muito orgulhoso de 'Má educação', mas a ansiedade era terrível. Para dirigir um filme, é mais importante ter paciência que talento. E eu estava perdendo a paciência para as coisas triviais, que são as que mais exigem. Com 'Volver', recuperei parte dessa paciência. Todas as atrizes viviam e trabalhavam unidas, numa relação maravilhosa, quase familiar, e captei isso. Foi como uma bênção, todas estavam em contínuo estado de graça.”


Pedro Almodóvar, em entrevista aos jornalistas em Madri, Espanha, durante o lançamento do seu novo filme, "Volver". Tendo à frente do elenco sua fiel atriz Carmen Maura e - sem trocadilho - voltando a dirigir Penélope Cruz, o cineasta escreveu um roteiro sobre a história de três gerações de mulheres de sua terra natal, La Mancha. Almodóvar sempre se impressionou com a naturalidade com que seus conterrâneos tratam a morte: "eles cultivam muito a memória e passam a vida inteira cuidando de suas sepulturas." Mas o olhar do diretor é otimista, e "o filme é sobre essa comunidade feminina em que se fala muito, se oculta muito, se escuta muito e, para ser uma comédia, chora-se muito." Carmem Maura, por exemplo, faz uma avó que volta do além para resolver uns assuntos que esquecera. Mortos e vivos convivem sem nenhum espanto. O fantástico e o real na mesma tela.

“Volver” foi escolhido para representar a Espanha no Oscar em 2007, disputando a estatueta de Melhor Produção Estrangeira. Nosso “Cinema, aspirinas e urubus”, de Marcelo Gomes, é também um dos cinco finalistas na categoria.

O filme de Almodóvar foi premiado no recente Festival de Cannes como Melhor Roteiro e Melhor Interpretação Coletiva, e recebeu no começo do ano o Globo de Ouro da Associação de Imprensa Estrangeira na Itália, além de Melhor Filme no Festival de San Sebastian. No Festival do Rio deste ano foi um dos que teve maior público, exibido no Panorama do Cinema Mundial. O lançamento no Brasil será no começo de novembro próximo.

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

premiados no Rio

Hermila Guedes em "O céu de Suely". Foto Divulgação

O filme "O céu de Suely", de Karim Aïnouz, ganhou o Troféu Redentor de melhor longa-metragem na categoria ficção e de melhor direção no Festival do Rio, que começou no dia 21 de setembro e encerrou ontem. Esse é o segundo longa do cineasta cearense, que recebeu vários prêmios com seu longa de estréia, "Madame Satã", em 2002.
Hermila Guedes, protagonista de "O "Céu...", foi escolhida a melhor atriz.


Entre os documentários longas, foi premiado "À margem do concreto", de Evaldo Mocarzel. "O cheiro do ralo", de Heitor Dhalia, ganha prêmio especial do júri. Na categoria curta-metragem, o ganhador foi "Joyce", de Caroline Leone.


Lista completa dos premiados na página
www.festivaldorio.com.br

terça-feira, 3 de outubro de 2006

paraíso

Salvatore Cascio em "Cinema Paradiso" (Nuovo Cinema Paradiso), de Giuseppe Tornatore, Itália, 1988

"um dia minha vida foi ao cinematógrafo

e nunca mais voltou para casa"

(versos extraídos do poema "A chegada do trem à estação", de Narlan Matos)

domingo, 1 de outubro de 2006

o estranho que nós amamos


Para falar de filmes que estão em cartaz há bastante espaço no internet, nos jornais, nas revistas, e até nos outdoors. De vez em quando recorrerei a uma sessão, digamos, “os esquecidos”, para lembrar de filmes que foram mal lançados, mal distribuídos, e mal compreendidos pela “crítica especializada”, mas nem por isso execrável, condenável à vala comum.
Um desses filmes é o brasileiro “Querido estranho”, disponível em dvd, possivelmente em um cantinho na locadora, somente com uma cópia. Dirigido por Ricardo Silva e Pinto, o filme é uma pequena obra-prima. Pequena pela simplicidade sincera da produção, não pela construção cinematográfica, esta elevada e pomposa no mergulho de cabeça nos sentimentos humanos. A partir do peça “Intensa magia”, de 1996, escrita por Maria Adelaide Amaral, o roteiro de José Carvalho expõe o relacionamento conflituoso de uma família de classe média , centrada na figura ácida do patriarca, magnificamente vivido por Daniel Filho. Toda a ação se passa no dia do seu aniversário, quando os parentes chegam para comemorar a data, e ele, Alberto, expõe todos os problemas e feridas que unem e desunem cada um deles, sem poupar palavras cruéis e humor ferino. Do texto teatral à transposição para a tela é inegável um jeito meio nelsonrodrigueano na essência, pela força e escracho dos personagens e o núcleo doméstico onde eles se manifestam.
A dissecação na alma, sem meios-termos ou tratamento ambíguo, é o que nos atrai e incomoda. Rejeitando ou admirando, podemos nos espelhar em algumas brechas da situação que presenciamos. Impossível ficar impassível. O cinema nesse momento consegue um dos seus objetivos como arte: retratar o ser humano e refletir sobre nossas grandiosidades e podridões.
Produzido em 2002, rodado em tempo recorde de 24 dias, o filme é o segundo longa na carreira do paulista Ricardo. O primeiro foi a comédia “Sua excelência, o candidato”, em 1990. Ele é um dos mais requisitados assistentes de direção no cinema brasileiro, além de trabalhar como diretor de produção e produtor executivo em mais de vinte filmes. Dirigiu os curtas “Zabumba” (84) e “Adultério” (88). Ainda neste ano será lançada sua biografia, escrita por Rodrigo Capella, dentro da Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial de São Paulo.
Daniel Filho na frente das câmeras revela-se um grande ator. São marcantes suas atuações em “Romance da empregada” (1987), de Bruno Barreto e “Tieta do agreste” (1997), de Cacá Diegues. Em “Querido estranho” ele rouba todas as cenas, embora não se desclassifique as interpretações de Suely Franco, Ana Beatriz Nogueira, Cláudia Netto, Mário Schoemberge e Emílio de Mello, este premiado como melhor ator coadjuvante no Festival de Gramado de 2002.

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

câmera invisível

Foto REC Produtores

"A câmera nunca pode aparecer, ela tem que ser o anjo da guarda dos personagens."


Marcelo Gomes, diretor de "Cinema, aspirinas e urubus", lançado ano passado. O filme foi escolhido pelo MinC para representar o Brasil na disputa de uma vaga pelo Oscar 2006, na categoria de produção estrangeira.

Na foto acima, João Miguel e Peter Ketnath

terça-feira, 19 de setembro de 2006

Pokemon de Jesus


“Piaba de silicone”, “manicure de lacraia”, “Iemanjá de açude”, “Exu de galinheiro”, “omelete de cupim”, “tapioca de Exu”, “desinteria de tinta”, “um dilúvio bovino”, “clonado de miolo de pão”, “Pokemon de Jesus”... Estas são algumas das expressões cunhadas pelo ator José Dumont ao personagem Antonio Biá no ótimo “Narradores de Javé”, filme dirigido por Eliana Caffé, em 2003, que não teve lançamento e distribuição à altura. Dumont, com seu talento e criatividade, improvisou muita coisa durante as filmagens, e esses termos renderam ótimas gargalhadas na equipe e elenco. E também na platéia. É através de Biá que somos conduzidos à história de uma cidade no interior nordestino. Na iminência de ter o vilarejo inundado pelas águas de uma represa, a população incumbe o escrivão – ele mesmo, o Biá – de escrever um grande livro narrando os feitos do passado, a partir da história de cada habitante. Dessa forma, acreditam que não serão condenados ao esquecimento quando a cidade estiver sob as águas.
O grande achado do roteiro é o personagem controvertido, “macunaímico”, do escrivão, que tem desavenças com os moradores, mas por eles é aceito como o único capacitado para a tarefa. Ele ouve de cada um uma história diferente sobre um mesmo fato e sobre as lendas guardadas na memória de todos. O trabalho de José Dumont é magnífico e mereceu o prêmio de melhor ator no Festival de Cinema do Rio.
Com roteiro escrito em parceria com o dramaturgo Luiz Alberto de Abreu, a partir de pesquisa nas tradições populares e na cultura oral, Eliana Caffé fez um filme audacioso pela inquietação da narrativa e de vários personagens que se entrelaçam e não param de falar. A câmera de Hugo Kovensky acompanha a multidão na tela em registro quase documental, correndo contra o tempo, ameaçados que estão pelas águas que se aproximam. No elenco, destacam-se ainda Nelson Dantas (falecido recentemente), Gero Camilo, Matheus Nachtergaele, Nelson Xavier, Rui Resende, o ótimo Orlando Vieira (que fez o motorista em “Sargento Getúlio”, de Hermano Penna), e a novata Luci Pereira, atriz da Bahia, onde o filme foi rodado, mais exatamente em Gameleira da Lapa.
Dumont foi ator principal do primeiro longa de Eliana, “Kenoma” (1998), que assim como “Narradores” está disponível em dvd.

quinta-feira, 14 de setembro de 2006

regras do documentário

foto Maristela Estúdios

01. Não generalize: faça um filme sobre uma carta, não sobre os correios.
02. Não fuja dos três elementos: o social, o poético, o técnico.
03. Não negligencie o argumento. Quando estiver pronto, o filme está feito.
04. Não confie no comentário: irrita. Comentário engraçado irrita mais. São imagens e sons que contam a história.
05. Não se esqueça de que cada tomada é parte de um todo. A mais bela seqüência, fora de lugar, torna-se banal.
06. Não invente ângulos gratuitos de câmera: eles destroem a emoção.
07. Não abuse da montagem rápida: pode ser tão monótona quanto a arrastada.
08. Não abuse da música ou a platéia deixa de ouvi-la.
09. Não abuse de efeitos sonoros: som complementar é a melhor banda.
10. Não abuse de efeitos óticos. Fusões, fade-ins e outs são só a pontuação do filme.
11. Não abuse dos close-ups: guarde-os para o clímax.
12. Não tema as relações: seres humanos são belos como outros animais.
13. Não seja confuso, conte a história clara e simplesmente.
14. Não perca a oportunidade de experimentar. Sem experiência, o documentário não existe.

O cineasta Alberto Cavalcanti (1897 - 1982) deu estas dicas em 1948, após um longa carreira iniciada em 1927, com o filme "Yvette", produzido na França. Aliás, foi no exterior que o brasileiro teve e tem o seu maior prestígio.

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

aquela manhã de setembro

cartaz de original de "United 93". Universal Studios/Divulgação

O Tribeca Film Festival, fundado por Robert De Niro, em seu quinto ano em abril passado, apresentou pela primeira vez "Vôo 93", (United 93), uma dramática história sobre o avião seqüestrado que caiu na Pensilvânia depois que os passageiros lutaram com os seqüestradores, no histórico 11 de setembro de 2001. O filme estreiou semana passada no Brasil.

Dirigido por Paul Greengrass, "Vôo 93" é o primeiro e maior filme de Hollywood que retrata os atentados de setembro. O filme seguinte, "Word Trade Center", de Oliver Stone, fala sobre dois oficiais da polícia que ficaram presos embaixo dos escombros do prédio.
Vários outros filmes em Tribeca compartilharam o mesmo tema, inclusive os documentários "Saint of 9/11", de Glenn Holsten, sobre um capelão do departamento de bombeiros morto no WTC, e "The heart of steel", de Angelo J. Guglielmo Jr., que mostra os voluntários que ajudaram depois dos ataques. Há também o ficcional "Civic duty", de Jeff Renfroe, que narra a história de um contador que perde o seu emprego e fica obcecado com as conspirações terroristas, em particular quando um estudante islâmico se instala próximo a sua casa.

Em contraste com anos anteriores quando o festival abriu com comédias ou suspenses, o clima estabelecido, pelo que a revista "Variety" descreveu, foi "tenso, visceral e de revirar as tripas".

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

pintura animada

foto Archer Street Productions

Quem perdeu nos cinemas, pode pegar uma cópia em dvd de um dos filmes mais bonitos que já vi: "Moça com brinco de pérola" (Girl with a pearl earring), produção inglesa de 2003, dirigida por Peter Webber. Uma pintura animada! É essa a forte e bela impressão que o filme passa. A interação luz, cor, direção de arte, figurinos, locações, elenco, tudo é tão grande e perfeito que nos coloca diante não somente da personagem retratada, uma espécie de Monalisa holandesa, mas de toda obra do pintor Johannes Vermeer, na tela, em movimento, trazendo através da magia do cinema a beleza plástica do século XVII.
A moça com o tal brinco de pérola é interpretada por Scarlett Johansson (foto), atriz americana que apesar dos seus 22 anos de idade, tem uma filmografia com dezenove títulos, entre eles, o ótimo e aparentemente frio "Encontros e desencontros" (Lost in translation), 2003, de Sofia Coppola. Nas prateleiras também com Scarlett "A ilha" (The island), ficção científica norte-americana dirigida pelo artesão Michael Bay. Mas, antes, vale a pena vê-la de brinco de pérola.

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Glenn Ford, ator

Glenn Ford na década de 60. Foto Acervo Peter Ford

O ator Glenn Ford, que ficou conhecido com Johnny Farrell, o personagem narrador em “Gilda” (Gilda), de Charles Vidor, 1946, faleceu ontem aos 90 anos.

Canadense de nascimento, Ford fez papéis marcantes, como o detetive atormentado com a morte da esposa em “Os corruptos” (The big heat), de Fritz Lang, 1953, com quem voltou a filmar no ano seguinte, o também ótimo “Desejo humano” (Human desire).

Ford fez mais de 100 filmes. Para mim sua imagem está muito associada a filmes de faroestes. Mas interpretou uma série de heróis e vilões carismáticos, como o professor de “Sementes de violência” (The blackboard jungle), de Richard Brooks, 1955, ou o soldado americano no Japão no filme de David Mann, “Casa de chá do luar de agosto” (The teahouse of the august moon), de 1956, onde contracena com Marlon Brando.

Embora sua carreira tenha encerrado em 1991, fazendo na maioria filmes para televisão, sua última aparição para o grande público foi em “Superman – o filme” (Superman – the movie), que Richard Donner fez em 1978. Ford é Jonnathan Klenn, o pai terrestre de Clark.

Antunes Filho em série



Dividido em seis partes, um documentário sobre o diretor de teatro Antunes Filho será exibido pelo canal SescTV, a partir de amanhã, sexta-feira, 1º de setembro, às 22h. Os outros cinco programas da série serão mostrados na próxima semana, de segunda à sexta, no mesmo horário.


Dirigido pelo cineasta Amilcar Claro, o documentário apresenta Antunes Filho como um dos ícones do teatro brasileiro, que que participou ativamente do movimento de renovação cênica engendrado nos anos 60 e fins de 70.


O programa de estréia chama-se "As origens de um artista" e mostra desde o nascimento de Antunes no bairro do Bixiga, em São Paulo, até o início da carreira profissional e seus primeiros sucessos no teatro, registrados ainda nos anos 50.


"60, a década das transgressões", a ser exibido na segunda, dia 4, relata a época em que ele retorna de sua primeira viagem à Europa, onde conheceu o teatro de Bertolt Brecht (1898-1956) e começa a contestar o realismo que imperava no teatro brasileiro.


Nas fotos acima, "Viva Olegário", uma encenação de Antunes Filho feita para a televisão. A peça integrou o programa Teatro 2 da Cultura em 1977, com Sérgio Mamberti no papel central.

sábado, 26 de agosto de 2006

sem lenço e sem documento

"Se o documentário O Sol — Caminhando contra o vento, de Tetê Moraes e Martha Alencar, se limitasse à função de reinserir na corrente sanguínea da história uma das experiências mais importantes do jornalismo experimental impresso no Brasil, ele já teria cumprido a sua missão. Mas o filme vai muito além, projetando um rico panorama da virada convulsiva do final da década de 1960. É a primeira vez que o cinema brasileiro consegue mostrar, de uma maneira mais ampla, o enlace entre cultura e política que animou aquela geração brilhante de jovens. Em torno do Sol girou, direta ou indiretamente, toda a constelação de personagens fundamentais da cultura brasileira: Reynaldo Jardim, Henfil, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Zuenir Ventura, Ruy Castro, Carlos Heitor Cony, entre outros. O jornal só durou cinco meses. Mas, para os que dele participaram 'uma escola de jornalismo, de vida e de caráter'. Se depender dos meios convencionais de informação, um jovem desse início de século tenderá a considerar que a história cultural brasileira e da humanidade começaram com Charles Brown Jr e Marcelo D2. É fundamental que as novas gerações, os jovens da geração do “Eu Mínimo”, entrem em contato com a experiência dos jovens 'sem lenço e sem documento' da década de 60. Com todos os seus equívocos, ela tem muito a ensinar em termos de espírito de invenção, amor ao Brasil, generosidade, consciência coletiva, paixão de transformar o mundo."

Texto do jornalista e atenadíssimo Severino Francisco, no tablóide Pensar do Correio Braziliense de hoje.

No filme, lançado na semana passada, é lembrada através de imagens de arquivo, músicas e depoimentos a história do jornal O Sol, que representou a geração pós-golpe militar no Brasil e ainda antes do AI-5. Imperdível.

sexta-feira, 25 de agosto de 2006

Fernando Albagli, crítico

Eu soube agora pelo blog do Carlão Reinchebach, www.redutodocomodoro.zip.net/, da morte do crítico e jornalista Fernando Albagli, aos 65 anos, de câncer, no dia 14 deste mês. Fora as páginas virtuais dedicadas a cinema, não lembro de nenhum jornal noticiar o fato. Talvez alguma imperceptível notinha de rodapé...

Albagli foi o criador da Cinemin, uma excelente publicação dedicada à crítica e pesquisa, como pouquíssimas no Brasil. A revista, que me orgulho de ter todas as edições, durou de 1981 a 1992, editada a duras penas, pela Editora Brasil-América, a EBAL.

Crítico cinematográfico desde a década de 70, Fernando era um pesquisador 24 horas por dia. Membro do antigo do Centro de Pesquisadores Brasileiros – CPCB, atualmente fazia parte do corpo editorial do site www.criticos.com.br.

Foi autor do livro “Tudo sobre o Oscar”, que teve uma primeira edição em 1988, e há três anos, uma segunda, ampliada e ilustrada. Uma publicação indispensável sobre as indicações e premiações da mais famosa estatueta do cinema industrial.

“A linguagem secreta do cinema”, do roteirista francês Jean-Claude Carrière, que a Nova Fronteira lançou em 1994, tem tradução de Albagli.

E nosso crítico foi um bom poeta. O livro “O cavalo do mocinho”, de 2004, da Editora ZIT, demonstra sua versatilidade com as palavras.

quarta-feira, 16 de agosto de 2006

no tempo dos gibis



"Eu não sabia direito o que havia nos gibis. Sabia, sim, da proibição de os ver, folhear, tocar, ler. Apesar disso, na rua, nas calçadas os gibis andavam de mão em mão, sebentos, sujos, rasgados, lidos às escondidas. Como surgiam, quem os vendia, quem os adquiria? Os meninos mais velhos, mais calejados, mais danados tinham o primeiro acesso a esses objetos tão desejados. Os outros, como eu, ficávamos para depois.
Não sei quando me aproximei do primeiro gibi. Lembro, sim, de Búfalo Bill, Tom Mix, Roy Rogers, Bill Elliott, Rocky Lane, Durango Kid, Hopalong Cassidy, Flecha Ligeira, Cavaleiro Negro, Zorro, O Fantasma, Capitão Marvel, Tarzan, Sobrinhos do Capitão, Mandrake e tantos outros heróis.
As histórias em quadrinhos seriam reproduções mais baratas, condensadas das histórias do far-west cinematográfico. Seja como for, fascinei-me pelos heróis dos gibis desde a primeira visão-leitura e durante muito tempo me deliciei com as suas aventuras."

Trecho de uma bela crônica do escritor cearense Nilto Maciel, em seu blog http://niltomaciel.blog.uol.com.br/arch2005-08-07_2005-08-13.html. O autor, sem saudosismo barato, reporta-se aos tempos em que todos nós quando meninos - pelo menos, assim imagino - líamos, colecionávamos e trocávamos as revistas em quadrinhos de nossos heróis, nas portas dos cinemas, antes e depois das sessões de filmes desses mesmos heróis. Era vê-los na tela e tê-los nas mãos, ao alcance de nossos olhos, passando dos limites de nossa imaginação.
Os chamados gibis eram editados pela Editora Brasil-América, a EBAL, criada por Adolfo Aizer, um baiano apaixonado por essas histórias, falecido em 1991. A editora completaria 60 anos de existência em maio do ano passado. Começou a decair nos anos 70, período em que os quadrinhos passaram a vender cada vez menos no mundo todo. A televisão contribuiu muito para isso. Nos anos 50 e 60 a EBAL era líder na publicação do gênero. Nas bancas era possível encontrar mais de 40 títulos mensais, vendendo anualmente milhões de exemplares. Em 1995, após a publicação do livro "O Príncipe Valente", a editora fechou suas portas definitivamente. Hoje o local, no avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro, é uma escola e uma gráfica para serviços terceirizados.

sábado, 12 de agosto de 2006

os números e as idéias

foto Olhos de Cão Produções

"Ando um pouco desanimado. Fazer cinema no Brasil não combina com criar expectativas. Lançar um filme é um massacre. Creio que o bom das utopias é sabê-las. Tanto tentaram me incutir que esse tal de 'mercado' tinha alguma importância que acabei acreditando. 'A concepção' (de José Eduardo Belmonte, 2005), que produzi, vai fazer os seus 15 mil espectadores, que é um número tão ridículo quanto 30 mil ou 130 mil, que foi o que nossas outras produções fizeram nas bilheterias. Aliás, o Lírio (Ferreira, diretor de 'Árido movie') está certo: quem se interessa por nossos filmes? Na orelha do livro 'Por um cinema sem limite', do Rogério Sganzerla, escrevi algo parecido com isso: hoje importam os números, não as idéias. O que é péssimo e prova nossa derrota. Por isso não faço mais prognósticos. Quem pode filmar no Brasil hoje sem incentivos governamentais a fundo perdido? Só o Fernando Meireles. Isto é mercado. O resto, me desculpe, é ópera. Sem a Grande Mãe, nem mesmo a Globo Filmes existiria."


Paulo Sacramento, diretor, produtor e montador. Dirigiu em 2003 o ótimo e premiadíssimo "O prisioneiro da grade de ferro". O texto acima faz parte de uma enquete na reportagem "Em busca dos 20% do mercado interno", por Maria do Rosário Caetano, publicada na edição de agosto, nº69, da Revista de Cinema. As palavras do Paulo, realistas e não pessimistas, refletem as dificuldades que o cinema brasileiro continua tendo para ocupar seu espaço de exibição nas salas do país.

sexta-feira, 11 de agosto de 2006

Irving São Paulo, ator

foto Divulgação

Ator de cinema, teatro e televisão, Irving São Paulo, 41 anos, morreu ontem, em conseqüência de grave crise de pancreatite. A causa da morte foi a falência múltipla dos órgãos e a insuficiência respiratória. Ele estava internado desde o dia 31 de julho, no Hospital Copa D`or, no Rio de Janeiro. Chegou a ser submetido a cirurgias, mas não resistiu devido ao forte quadro hemorrágico.


Irving começou a carreira de ator aos 6 anos no teatro. No cinema, atuou sob a direção do cineasta conterrâneo Tuna Espinheira, em "Cascalho", 2004; com David Neves (1938 - 1994) fez "Luz Del Fuelgo", em 1982 e "Muito prazer", em 1979. Um ano antes estreiou no filme de Alex Viany, (1918 - 1992), "A noiva da cidade".


Filho do cineasta Olney São Paulo (1936 - 1978) e irmão do também ator Ilya São Paulo (fez recentemente "Brasília 18%", de Nelson Pereira dos Santos) , ele era um dos intérpretes preferidos da novelista Ivani Ribeiro. Participou com papéis destacados em várias novelas e minisséries. Sumido da televisão, um dos últimos trabalhos foi episódio do "Linha direta", da Globo, e foi visto até o fim do mês passado na reapresentação da novela "A viagem".

terça-feira, 8 de agosto de 2006

o olhar de Milton

foto Reuters


"Quando a esperança por uma paz justa parece uma miragem, leio uma carta de cineastas israelenses aos seus colegas libaneses e palestinos. Esse documento foi corajosamente endossado por centenas de cineastas e produtores de cinema brasileiros. São palavras de artistas que lidam com imagens. Às vezes, as palavras expressam verdades que vêm do olhar. Diante de um desconhecido - seja ele um estrangeiro ou vizinho -, o olhar é a mediação mais íntima do primeiro contato. É o momento inaugural do conhecimento mútuo, da aproximação, aceitação e compreensão. Nós só podemos compartilhar nossa existência com outros seres humanos se soubermos olhar para eles sem preconceito, arrogância e prepotência.

Essa carta diz muito porque não se deixa impregnar por uma linguagem viciada, que desqualifica o outro. É uma mensagem de pessoas que sabem olhar e compreender (e não culpar) as vítimas. É honesta e ética porque não menciona palavras que são usadas para justificar invasões militares e massacres de civis. Certamente alguns cineastas que assinaram essa carta são filhos, netos ou parentes de vítimas do Holocausto. Também por isso é uma mensagem poderosa que será lembrada como um dos documentos mais relevantes contra essa guerra.


Há algo mais digno no ser humano do que reconhecer o sofrimento do outro?"


Trecho do belíssimo texto do escritor Milton Hatoum na página
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI1089870-EI6619,00.html

o homem do 14-bis


"O homem pode voar" é um documentário biográfico sobre a participação de Alberto Santos Dumont no desenvolvimento da aviação. O filme resgata uma grande quantidade de imagens em movimento do aviador brasileiro que se julgavam inexistentes ou perdidas para sempre. Entre elas estão a do vôo definitivo do 14-bis, as dos experimentos com o número 18 no Sena e as dos mais importantes vôos do Demoiselle.

Narrado em tom jornalístico pelo ator Roberto Maya (lembram-se dele, dos filmes de Walter Hugo Khouri?), o longa dirigido pelo crítico de cinema Nelson Hoineff se concentra na contextualização do trabalho de Santos Dumont (1873 - 1932), esse mineiro de estatura pequena, frágil, que fisicamente lembra muito o grande jurista Hélio Bicudo (ou seria o contrário?).
Dumont dedicou sua vida ao estudo da aeronáutica, construindo inicialmente o balão "Brasil", em seguida uma aeronave maior, denominada "A música". Com ela inscreveu-se em um concurso promovido pelo Aeroclube de Paris, vencendo após manter-se no ar durante 23 minutos. Mas a primeira proeza aérea de Dumont foi com o "Santos Dumont 6º", em 1901, quando fez a volta ao lado da Torre Eiffel. O histórico vôo com o 14-bis veio cinco anos depois.

Tudo isso e muito mais está no ótimo filme de Hoineff, que assisti no encerramento do 15º Cine Ceará, ano passado. O pré-lançamento está previsto para amanhã, 9, no Cine Santa Teresa, no Rio de Janeiro. Quem estiver na cidade, terá mais informações e fazer reservas pelo número 25076841. Há também a página www.cinesanta.com.br com a programação da sala.

sexta-feira, 4 de agosto de 2006

quem é essa mulher?

Zuzu Angel. Foto Arquivo Jornal Estado de Minas

“Quem é essa mulher/que canta sempre esse estribilho/só queria embalar meu filho/que mora na escuridão do mar”


Essa mulher é Zuzu Angel. Esses versos são da música “Angélica”, que Chico Buarque compôs para ela, logo após sua morte em 1976, e está no disco “Almanaque”, de 1981. O filho que deixou de ser embalado pela mãe, era Stuart Angel, estudante de Economia, preso em maio dos anos de chumbo de 1971, por agentes do Centro de Informação da Aeronáutica, torturado e assassinado, e o corpo possivelmente jogado na escuridão do mar. Tinha 26 anos, era militante do Movimento Revolucionário 8 de outubro, o MR-8. Há relatos horríveis de testemunhas que estiveram com o rapaz na prisão, como Alex Polari, que disse ter visto ele ser arrastado por um jipe, com a boca no cano de descarga.


A mãe, estilista reconhecida no Brasil e no exterior, dedicou sua vida a denunciar a morte do filho, enfrentando com coragem os generais da ditadura, apontando-os nominalmente, criando peças com estampas que representavam o período de repressão em que se vivia. Ela sempre foi uma estilista ousada, fazendo roupas com pedras e rendas do Nordeste, desvinculando-se da maneira colonizada de se vestir. Em abril de 1976, Zuzu Angel morreu misteriosamente em “acidente” de automóvel na saída do túnel Dois Irmãos, na Estrada da Gávea, Rio de Janeiro, local que hoje tem seu nome.


O cineasta Sérgio Rezende lançou nesta semana o filme “Zuzu Angel”, sobre a vida dessa mulher que usou a moda para denunciar a ditadura militar no Brasil. Antes, Walter Salles e Roberto Gervitz (que fez recentemente “Jogo subterrâneo”), tentaram lá pelo anos 80 passar para a tela essa história singular. Pelo que se sabe, a jornalista Hildegard Angel, filha de Zuzu, não gostou muito dos roteiros apresentados. Era uma “personagem fictícia”, dizia.
O novo roteiro, escrito por Rezende e Marcos Berstein (diretor de “O outro lado da rua”), aborda a trajetória de sofrimento não somente no aspecto biográfico, mas do período difícil dos anos 70.


Patrícia Pillar vive a estilista no filme. A atriz que foi a primeira escalada para interpretar “Olga”, numa produção que não seria digirida por Jaime Monjardim, mas por Luiz Fernando Carvalho ("Lavoura arcaica"), teve a oportunidade agora de viver o papel de outra heroína de nossa história recente.
Um nome de destaque no elenco é Daniel de Oliveira, ele mesmo, o que encarnou com perfeição Cazuza no filme de Sandra Werneck e Walter Carvalho. Desta vez ele é o filho desaparecido de Zuzu.

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

isso não é filme!

foto EFE
"Até quando o seqüestro de um soldado israelense poderá justificar o seqüestro da soberania palestina? Até quando o seqüestro de dois soldados israelenses poderá justificar o seqüestro de todo o Líbano?”


Eduardo Galeano, escritor e jornalista uruguaio.

sexta-feira, 28 de julho de 2006

Carta aos cineastas palestinos e libaneses

"Arna's children", documentário de Danniel Danniel e Juliano Mer Khamis, 2003. Foto Ikon Television

"Nós, cineastas israelenses, saudamos todos os cineastas árabes reunidos em Paris para participar da BIENAL DO CINEMA ÁRABE. Por intermédio de vocês, queremos enviar uma mensagem de amizade e solidariedade aos nossos colegas libaneses e palestinos que estão atualmente acossados e sendo bombardeados pelo exército de nosso país.

Nós somos categoricamente contra a brutalidade e a crueldade da política israelense, intensificadas ao máximo nas últimas semanas.

Nada pode justificar a continuidade da ocupação militar, do cerco e da repressão na Palestina. Nada pode justicar o bombardeio de populações civis e a destruição das infraestruturas no Líbano e na Faixa de Gaza.

Permitam-nos dizer a vocês que os seus filmes, aos quais fazemos tudo para assistir e circular entre nós, são muito importantes para os nossos olhos. Esses filmes nos ajudam a conhecer e a comprender vocês. Graças a esses filmes, os homens, as mulheres e as crianças - que sofrem em Gaza, em Beirute e em todos os lugares em que nosso exército exerce sua violência - , têm, para nós, nomes e rostos. Queremos agradecer-lhes por terem feito esses filmes. E também encorajá-los a continuar a filmar, apesar de todas as dificuldades.

No que diz respeito ao nosso trabalho, mantemos o compromisso de expressar - por meio de filmes, de ações pessoais e de voz elevada - , nossa oposição categórica à ocupação militar israelense. E de expressar também nosso desejo de liberdade, justiça e igualdade para os povos da região."

Carta lida na abertura da Bienal do Cinema Árabe, em Paris, no dia 22 de julho de 2006.

Assinam os cineastas:

Nurith Aviv / Ilil Alexander / Adi Arbel / Yael Bartana / Philippe Bellaiche / Simone Bitton / Michale Boganim / Amit Breuer / Shai Carmeli-Pollack / Sami S. Chetrit / Danae Elon / Anat Even / Jack Faber / Avner Fainguelernt / Ari Folman / Gali Gold / BZ Goldberg / Sharon Hamou / Amir Harel / Avraham Heffner / Rachel Leah Jones /Dalia Karpel / Avi Kleinberger / Elonor Kowarsky / Edna Kowarsky / Philippa Kowarsky / Ram Loevi / Avi Mograbi / Jud Neeman / David Ofek / Iris Rubin / Abraham Segal / Nurith Shareth / Julie Shlez / Eyal Sivan / Yael Shavit / Eran Torbiner / Osnat Trabelsi / Daniel Waxman / Keren Yedaya

quinta-feira, 27 de julho de 2006

o ritmo de um filme

Woody Allen num intervalo das filmagens de "Match point". Foto DreamWorks Pictures

"Um filme é roteiro, é história, é plano, é montagem, é ritmo que permite a infiltração da energia crítica desde o primeiro enquadramento até a cena final."


Enéas de Souza, crítico de cinema, na revista Teorema nº9, sobre o recente trabalho de Woody Allen, "Ponto final" (Match point), de 2005. O filme tem tudo isso a que o crítico se refere. E mais: tem nessa edição da revista gaúcha a melhor análise que já li sobre o filme do diretor novaiorquino.

terça-feira, 25 de julho de 2006

Gerard Oury, cineasta

Foto Divulgação

O cineasta francês Gerard Oury não era muito conhecido no Brasil. Mas dois filmes seus fizeram sucesso por aqui nas décadas de 60 e 70: "A grande escapada" (La grande vadrouille), de 1966, e "As loucas aventuras de Rabi Jacob" (Rabi Jacob), de 1973. Oury faleceu no último dia 20, aos 87 anos.

"A grande escapada", escrito por sua filha Danielle Thomson e com seus dois atores preferidos, Louis de Funès e Bourvil, consagrou o diretor como autor de comédias, talento reconhecido somente em 2001 no Festival de Cannes, quando recebeu um prêmio especial.

O cineasta, que na realidade se chamava Max-Gérard Tannenbaum, trabalhou até os anos 90, lançando "La oif de L´or", 1993, "Fantasma com chofer" (Fantôme avec chauffeur), 1996, e "Le schpountz, em 1999.

domingo, 23 de julho de 2006

glauberianas quatro

foto Acervo TempoGlauber

"'Apocalipse now' é uma farsa superficial e pueril sobre um dos episódios mais sombrios envolvendo os Estados Unidos. O filme é um discurso alienado e alienante sobre a Guerra do Vietnã (e todas as guerras), que não ilude, apesar das múltiplas seduções, aqueles que conhecem as entranhas do tigre 'roliude'."


Opinião de Glauber Rocha (1939 - 1981), em seu livro "O século do cinema", terceiro volume da Coleção Glauberiana, relançada neste ano pela Editora Cosac Naify. Os primeiros foram os também indispensáveis "Revisão crítica do cinema brasileiro" e "Revolução do Cinema Novo".

"Apocalipse now", dirigido por Francis Ford Coppola em 1979, foi relançado em 2001 com cenas adicionais, intitulado "Apocalipse now redux". Com certeza Glauber faria comentários adicionais.

sábado, 22 de julho de 2006

Gianfrancesco Guarnieri, ator e dramaturgo

Guarnieri em foto recente, durante as gravações da novela "Belíssima". Foto Rede Globo

Morreu na tarde de hoje na capital o ator e dramaturgo Gianfrancesco Guarnieri, de 71 anos. Internado no Hospital Sírio-Libanês desde o dia 2 de junho com insuficiência renal, ele estava sedado desde quinta-feira.

Em 1958, aos 24 anos, Guarnieri mudou os rumos da dramaturgia brasileira com a obra "Eles não Usam Black-Tie", que explorava as relações trabalhistas a partir de uma greve de operários. Foi adaptado para o cinema por Leon Hirszman (1937 - 1987), em 1981. Guarnieri interpreta o pai de família. Ainda como ator foram outras dezenas de criações inesquecíveis no teatro, cinema e televisão. Escreveu mais de 20 peças, sem contar episódios para casos especiais ou seriados.

Um papel marcante de Guarnieri foi em "O grande momento", primeiro filme de Roberto Santos (1928 - 1987), rodado em 1957. Nele o ator interpreta um noivo de família humilde, no meio de ansiedades, pequenas alegrias e correrias que precede o casamento. Inesquecível a cena em que Guarnieri pedala em disparada sua bicicleta pelas ruas do bairro pobre onde mora. É o mais neo-realista dos filmes brasileiros. Um clássico.

quinta-feira, 20 de julho de 2006

pensar e olhar

Brussells, Bélgica, 1932. Foto de Henri Cartier-Bresson


"As pessoas não olham muito. As pessoas pensam muito. E isso não é a mesma coisa."

Henri Cartier-Bresson, 1908 - 2004

quarta-feira, 19 de julho de 2006

Raul Cortez, ator

"Lavoura arcaica", de Luiz Fernando Carvalho. Foto VideoFilmes

O ator Raul Cortez, de 73 anos, morreu nesta terça à noite no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, devido às complicações relacionadas a um câncer na região abdominal. O artista estava internado desde o último dia 30 de junho.

Cortez teve uma expressiva carreira no cinema, teatro e na televisão. Estreou no cinema em 1957, no filme "O pão que o diabo amassou", de Maria Basaglia, cineasta italiana casada com o produtor Marcelo Albani e que morou no Brasil nas décadas de 50 e 60.
Mas foi em "O Caso dos Irmãos Naves", de Luís Sérgio Person, em 1967, que Raul teve seu primeiro destaque no cinema, onde ele e Juca de Oliveira vivem os irmãos que confessam um crime que não cometeram, história baseada em fatos que aconteceram no interior de Minas Gerais, em pleno período do Estado Novo, em 1937.
Raul mais recentemente teve papel inesquecível em "Lavoura arcaica", de Luiz Fernando Carvalho, pelo qual foi indicado ao prêmio de melhor ator no Grande Prêmio BR de Cinema, em 2002. "O outro lado da rua", de Marcos Bernstein, rodado em 2003, foi seu último trabalho no cinema. Nesse filme, depois de atuarem juntos por diversas vezes no teatro, marca o primeiro encontro de Cortez e Fernanda Montenegro no cinema. Foi igualmente indicado na categoria no Grande Prêmio de 2004.

No teatro, interpretou ano passado o personagem "Rei Lear", de William Shakespeare. Ator de Antunes Filho e de tantos outros mestres, Cortez era conhecido pela sua versatilidade e vontade de encarar projetos de novos autores.

Seu último trabalho foi na minissérie "JK", da TV Globo, no começo deste ano.

segunda-feira, 10 de julho de 2006

Festival na Cinemateca

Andres Pazos e Mirella Pascual em "Whisky", dos uruguaios Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll.
Foto Rizoma Films.

Com a exibição de mais de 100 títulos e previsão de mais de 40 convidados internacionais, o 1º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo começa amanhã e segue até dia 16 deste mês, com o objetivo discutir a singularidade estética da cinematografia latino-americana. O evento promove, além das projeções, oficinas, encontros e debates que, entre outros temas, abordam o documentário na América Latina, a nova ficção latino-americana e a retomada do movimento cineclubista.
A programação do festival tem curadoria da produtora Assunção Hernandes, do crítico José Carlos Avellar e do documentarista Sérgio Muniz.

O 1º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo é uma realização do Memorial da América Latina e da Secretaria de Estado da Cultura, com apoio do Ministério da Cultura, da Cinemateca Brasileira e do Sesc São Paulo. A organização é da associação do Audiovisual Paulista.

Outras informações e programação completa na página www.cinemateca.com.br

a essência do cinema

Orson Welles, o primeiro à direita, filmando "Cidadão Kane", 1941

"Só nós, o público, ouvimos a palavra Rosebud, no começo. Só nós, espectadores, sabemos o que ela significa, no desfecho. Talvez seja essa a maior de todas as ousadias de Welles em 'Cidadão Kane'. Talvez seja a maior de suas sacadas, tocando mesmo no que vem a ser a essência do cinema. O filme só se completa no espectador."

Luiz Carlos Merten, crítico, em seu livro “Cinema – Entre a realidade e o artifício”, Editora Artes e Ofícios, 2003.

sexta-feira, 7 de julho de 2006

Teorema 9


Será lançada hoje em Porto Alegre a 9ª edição da revista de cinema Teorema. A publicação, editada pelos críticos Fabiano de Souza, Flávio Guirland, Fernando Mascarello, Ivonete Pinto e Marcus Mello, traz entre os destaques uma entrevista com o cineasta paulista Beto Brant, que acabou de filmar seu novo longa, "Cão sem dono", em terras gaúchas.

Fora de Porto Alegre a revista pode ser encontrada nas seguintes bancas e livrarias:

São Paulo:
Lojas da rede 2001
Fnac Paulista
Fnac Pinheiros
Fnac Campinas
Espaço Unibanco da Augusta
Livrarias Cultura do Shopping Villa Lobos e Cultura Paulista

Rio de Janeiro:
CCBB Rio, na Livraria Travessa
Estação Botafogo

Brasília:
Livraria Cultura

Recife:
Livraria Cultura

Para quem mora noutras capitais, entrar em contato: revistateorema@yahoo.com.br.

Na capa deste número a atriz Giulia Gam, numa cena de "Árido movie", de Lírio Ferreira.

quinta-feira, 6 de julho de 2006

Juan Pablo Rebella, cineasta

foto Divulgação

Morreu em Montevidéu, aos 32 anos, o cineasta uruguaio Juan Pablo Rebella, co-diretor, ao lado de Pablo Stoll, do filme "Whisky" (Whisky), de 2004, que recebeu trinta prêmios em festivais internacionais.

O jovem diretor cometeu suicídio e a morte ocorreu às 4h da madrugada desta quarta-feira. Ainda se desconhecem os motivos, e hoje foram convocadas a prestar depoimento as pessoas que encontraram o corpo.

Rebella estudou na Universidad Católica e pouco depois começou a trabalhar com Pablo Stoll, também co-diretor de seu primeiro filme, "25 watts" (25 watts), rodado em 2001. Os longas da dupla são considerados pelos críticos como dois dos melhores filmes do cinema uruguaio.

Em duas semanas o cinema latino perdeu dois grandes cineastas. No final do mês passado foi o cineasta argentino Fabián Bielinsky, diretor de "9 rainhas" (nueve reinas).