domingo, 30 de abril de 2006

curta brasileiro em Cannes

"Justiça ao Insulto", de Bruno Jorge. Foto Divulgação

Um homem branco portador de deficiência física - não tem uma perna - implora a um negro para ser insultado. Os dois se encontram na platéia de uma sala de júri, onde aguardam para assistir ao julgamento de um grã-fino envolvido em acusações de incesto. Esta é a sinopse de "Justiça ao insulto", de Bruno Jorge, selecionado para competição de curtas e médias-metragens do 59º Festival de Cannes, promovida pela Cinéfondation, que acontecerá de 17 a 28 de maio.

O que difere de outros filmes é que o curta paulista, captado em digital, foi realizado com aproximadamente R$ 3.500 e sem auxílio de leis de incentivo! Segundo o produtor Felipe Duarte, "o filme também saiu graças a uma grande equipe. Uma equipe que apostou no filme, atores fantásticos que apostaram que era um bom roteiro que gastaram tempo e dinheiro em um projeto de dois malucos que queriam realizá-lo, pela interminável energia de um diretor de fotografia que era maquinista e eletricista, por amigos que viraram motorista de equipe e produção."

A Cinéfondation, criada em 1998, é o braço do Festival de Cannes para a descoberta de novos talentos na direção cinematográfica. A mostra de curtas e médias que ela promove durante o festival recebe em média a cada ano 1.000 inscrições de filmes de todas as partes do mundo. São selecionados entre 15 e 20 títulos para a competição. "Justiça ao insulto" competirá com outros 16 trabalhos. Um júri composto por cinco especialistas avalia os filmes e premia os três melhores. Que o nosso filme em Cannes seja um deles!

sábado, 29 de abril de 2006

Roraima nas entrelinhas

Foto Promídia

O documentário "Nenê Macaggi - Roraima entrelinhas", de Elena Fioretti, será exibido amanhã pela Rede Pública de Televisão, às 23h, dentro da programação DocTv II. O trabalho aborda as relações entre os pecuaristas, garimpeiros e indígenas, por meio da obra de Nenê Macaggi (1913 - 2003), escritora, jornalista e ativista na defesa dos direitos indígenas.
A TV Universitária de Roraima e a Associação Brasileira de Documentaristas realizaram no dia 24 de abril um evento de pré-estréia do documentário em Boa Vista. Na ocasião, foram feitas duas homenagens à escritora, com seu nome dado ao Palácio da Cultura e a instituição do dia 24 de abril como “dia do escritor roraimense”. A data corresponde a do seu nascimento. Nenê, que se chamava Maria, na verdade nasceu no Paraná e aportou por terras amazônicas no início dos anos 40, enviada pelo então presidente Getúlio Vargas, para fazer um trabalho jornalístico descrevendo a situação dos territórios da região.

A diretora mostra por meio desse documentário as relações atemporais entre índios e não índios, deixando a poeira do tempo de lado e expurgando as histórias que envolviam e envolvem as diferentes culturas existentes no então Rio Branco, hoje Roraima. Elena, de forma criativa, utiliza os dois romances mais famosos da escritora, "Exaltação ao verde" e "Mulher do garimpo", que muitos afirmam ser a própria história da romancista. As imagens colhidas são verdadeiros documentos que preservarão a memória de locais hoje demarcados como áreas indígenas, ou então de antigos garimpos.
Nas entrelinhas dos textos de Nenê conhecemos verdadeiramente a história de Roraima e de uma mulher que mostrou estar muito além do seu tempo. E o documentário passa isso.

sexta-feira, 28 de abril de 2006

o som do silêncio

"Cinco naipes", de Fabiano de Sousa. Foto produtora Clube do Silêncio

Olhem só, meus caros meia dúzia de leitores, que idéia interessante: na próxima quarta, dia 3, Brasília terá a oportunidade de assistir à projeção dos curtas-metragens da produtora de cinema Clube Silêncio com áudio descritivo para deficientes visuais. Assim como na sessão realizada em Porto Alegre, em dezembro do ano passado, serão exibidos os filmes "Cinco naipes", de Fabiano de Souza, "Início do fim", de Gustavo Spolidoro, e "Messalina", de Cristiane Oliveira.

Com exibição aberta ao público, na sala de cinema da Aliança Francesa, após a sessão haverá debate com Cristiane Oliveira (cineasta gaúcha, e não a atriz!) e um representante da Associação Brasiliense dos Deficientes Visuais.

A idéia surgiu durante a produção de "Messalina", um dos curtas de estréia da produtora gaúcha Clube Silêncio. O filme tem como personagem principal uma jovem cega e para a realização desse trabalho foi fundamental o apoio de deficientes visuais durante a fase de pesquisa e pré-produção do curta. Essas pessoas demonstravam grande interesse em assistir a produção quando finalizada, porém, isso necessitaria de uma adaptação para que eles compreendessem o conteúdo visual ao qual não teriam acesso.

A partir daí, o projeto cresceu: foi produzida uma áudio descrição das cenas desses três filmes da Clube Silêncio, em parceria com Kiko Ferraz Studios (gravação) e com Di Silver (consultoria de áudio descrição). Prática comum em alguns países da Europa, a exibição de filmes com narração para deficientes visuais em sala de cinema é uma iniciativa pioneira no Brasil.

Neste caso específico, o áudio é escutado por todos os presentes na sala, pois está gravado no dvd. Em outros casos ele pode ser em um canal separado e os deficientes escutam em um fone. Outra possibilidade seria uma tradução simultânea, também via fone.

Parabéns aos idealizadores!

quinta-feira, 27 de abril de 2006

Documenta Brasil

Foi lançado ontem, na Sala Cinemateca, em São Paulo, o Concurso Cultural Documenta Brasil, resultado de parceria inédita entre a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Televisão - ABPI-TV, Petrobras e o SBT – Sistema Brasileiro de Televisão. O objetivo do concurso é selecionar quatro projetos de documentários que receberão recursos de R$ 550 mil cada. Esse valor destina-se à produção de documentários que serão exibidos pelo SBT e posteriormente, em versão de longa-metragem, em salas de cinema digital. Somente poderão concorrer empresas brasileiras de produção independente e projetos inéditos com conteúdo nacional.

A seleção ficará a cargo de comissão especial formada por profissionais indicados pelas instituições e empresas parceiras da iniciativa. Cada documentário será finalizado em duas versões: uma para cinema, com 70 minutos, e uma para tv, com 48 minutos. Os filmes podem ser captados em película 16 mm e 35 mm, vídeo de alta definição HD, Beta Digital, DV-Cam ou formato tecnológico superior. As obras devem ser finalizadas em Beta Digital e concluídas até abril de 2007. A previsão de exibição no SBT é de maio a junho de 2007, e o lançamento nos cinemas a partir de julho de 2007.

As inscrições prosseguem até 26 de junho e o regulamento do concurso está disponível nas páginas:

quarta-feira, 26 de abril de 2006

Nós do cinema

foto Grupo Nós do Morro/Divulgação

Oito longas-metragens foram selecionados para a mostra competitiva do 8º Festival do Cinema Brasileiro de Paris que começa hoje e segue até 2 de maio, e terá a cineasta Kátia Lund como convidada de honra. Neste ano, o festival promoverá o cinema social brasileiro com uma seleção de filmes realizados pelo grupo Nós do Cinema, que atua a favor da inserção social de jovens das comunidades carentes com o uso do cinema e das tecnologias audiovisuais.

A associação nasceu durante as filmagens de "Cidade de Deus", de Fernando Meirelles. Paralelamente, Kátia Lund selecionou outros seis filmes brasileiros. Na mostra competitiva, concorrendo ao Prêmio do Júri e ao Prêmio do Público, estão oito filmes, de ficção e documentário: o grande vencedor do festival de Recife, "Árido movie", de Lírio Ferreira, "Bendito fruto", de Sérgio Goldenberg, "Carreiras", de Domingos Oliveira, "Coisa mais linda", de Paulo Thiago, "Crime delicado", de Beto Brant; "Cabra-cega", de Toni Venturi, "Veneno da madrugada", de Ruy Guerra, e "Soy Cuba, o mamute siberiano", de Vicente Ferraz. Como novidade desta edição, o festival organiza um mercado do cinema brasileiro, que permitirá o encontro entre profissionais do Brasil e da França.

terça-feira, 25 de abril de 2006

o olhar do Comodoro

Foto Reprodução/Agência Estado

"Ok, o comércio cinematográfico está num péssimo momento: as salas estão vazias, ninguém tem quinze reais dando sopa, os filmes estrangeiros em exibição não ajudam, mas - pelo amor de Alá - há muitos anos não tínhamos à disposição, na mesma semana, tantos bons filmes brasileiros sendo lançados. Três deles, em exibição em São Paulo, justificam a produção do ano inteiro e nos restituem o orgulho da raiz. Três visões afiadas e diferentes de um país e um povo à beira de um enfarte do miocárdio. Três exuberantes contribuições para uma dramaturgia, finalmente, original e relevante".

Acesse a página www.redutodocomodoro.zip.net e saiba quais os três filmes brasileiros que o cineasta Carlos Reichenbach, o nosso querido Carlão, assistiu, recomenda, e que, segundo confessa, lhe devolveram o prazer de viver! Assino embaixo, Carlão!

Nanni Moretti premiado

Nanni Moretti filmando "Il Caimano". Foto Sacher Film

“Não tenham medo de suas próprias idéias e sejam fiéis a sua determinação e tenacidade sem cair na autocensura”.

Nanni Moretti, cineasta italiano, dando um recado aos jovens cineastas ao receber o David di Donatello, prêmio equivalente ao Oscar, pelo filme "Il Caimano", sexta-feira passada. Foram premiados filme, diretor, o ator Silvio Orlando, o autor da trilha sonora Franco Piersanti, o técnico de efeitos sonoros Alessandro Zarzon e o produtor Angelo Barbagallo.

O novo filme de Moretti, que satiriza Silvio Berlusconi, é alvo de polêmicas no país, pois apresenta de modo bem-humorado o primeiro-ministro e atrai um público de esquerda que sonhava, e conseguiu, livrar-se dele nas eleições gerais, que ocorreram nos dias 9 e 10 deste mês. Mas o diretor acredita que o júri não se deixou influenciar muito pelo aspecto político do filme, e sim pelo lado mais cinematográfico. Seja como for, parabéns ao grande Moretti. Que viva o cinema e vá embora Berlusconi!

segunda-feira, 24 de abril de 2006

achados na Cinemateca

"Grilhões do passado", de Orson Welles. Foto CinéClassic

Ao longo de seus pouco mais de 100 anos de existência, o cinema tem sido muitas vezes encarado como um aparato ligado à idéia de memória, de fixação de determinados caracteres da realidade em detrimento do esquecimento. Paradoxalmente, a indústria cinematográfica - responsável pela transformação desse mesmo aparato num complexo sistema que entrelaça arte e mercado - tende a negligenciar a conservação de seus produtos para além do tempo em que sua exploração comercial mais imediata é possível.

Alinhados com a idéia de preservação do legado cinematográfico, os arquivos de filmes assumiram atividades que por vezes garantiram não apenas a sobrevivência de algumas obras, como também sua "ressurreição". Entre os dias 20 e 30 deste mês, a Cinemateca Brasileira, em São Paulo, receberá representantes de arquivos de filmes de todo o mundo, ao sediar o 62º Congresso da Federação Internacional de Arquivos de Filmes - FIAF, e é nesse contexto que poderemos ter acesso a algumas dessas obras que foram consideradas perdidas, mas que puderam ser trazidas novamente a público através de atividades de prospecção e, em alguns casos, de restauração.

"Lost and Found, Perdidos e Achados" é o título da mostra, que traz 35 filmes, entre longas, curtas e fragmentos. Será a chance de conferir a única parceria entre as grandes estrelas do cinema mudo: Gloria Swanson e Rodolfo Valentino, no filme "Esposa e mártir" (Beyond the rocks), 1922, de Sam Wood, considerado perdido por 75 anos, reencontrado em 2004 e restaurado pelo Amsterdan Filmmuseum; ou de assistir a um fragmento do misteriosamente desaparecido "O mercador de Veneza"(The merchant of Venice), 1969, de Orson Welles, juntamente com trechos do próprio Welles atuando no papel do protagonista Shylock, em materiais oriundos do Filmmuseum im Münchner Stadtmuseum; ou ainda presenciar a estréia de John Wayne como protagonista, sob a direção de Raoul Walsh, no grandioso faroeste "A grande jornada"(The big trail), filme minuciosamente restaurado no Department of Film and Media do MoMA, de Nova York.
Da Cinemateca do MAM do Rio de Janeiro vêm raros documentos que apresentam várias cidades do Brasil nos anos 20 e 30, como "Voyage de nos souverains au Brésil", filme de 1920 que retrata a visita dos soberanos belgas ao Brasil, com passagens por Rio, São Paulo e Minas. Do grande realizador cubano Tomás Gutiérrez Alea, será exibido "Historia de la revolución", de 1960, reconstituição sóbria da epopéia cubana em três episódios, restaurado no Instituto Cubano del Arte e Industria Cinematográficos - ICAIC.
Entre muitas outras raridades, serão apresentados alguns títulos de grandes mestres da cinematografia mundial, como Fritz Lang e John Ford, encontrados no acervo da Cinemateca Brasileira, após terem sido considerados desaparecidos.

A programação completa está na página www.cinemateca.com.br

domingo, 23 de abril de 2006

premiados em Recife

Giulia Gam em "Árido movie". Foto CinemaBrasilDigital/Divulgação

Deu cinema pernambucano no 10º Cine PE Festival do Audiovisual, encerrado ontem em Recife. "Árido Movie", de Lírio Ferreira, foi o grande vencedor do evento, ganhando os troféus Calunga nas categorias de melhor filme, direção, ator coadjuvante para Selton Mello, fotografia para Murilo Salles e montagem para Vânia Debs. O filme também ganhou o prêmio da crítica.

O outro grande vitorioso da noite foi "Tapete Vermelho", de Luiz Alberto Gal Pereira, que venceu nas categorias de ator com Matheus Nachtergaele, atriz, com Gorete Milagres, e roteiro para Rosa Nepomuceno e Luis Alberto Pereira.

O prêmio do público foi para "Orange de Itamaracá", primeiro longa-metragem do cearense Márcio Câmara e do pernambucano Franklin Jr. O júri dividiu seu prêmio especial entre o documentário "Pro Dia Nascer Feliz", de João Jardim, e a animação "Wood e Stock", de Otto Guerra.

A lista completa dos vencedores e outras informações estão na página do festival:

Andrucha, o conquistador

Foto Vantoen Pereira Jr.

Depois do sucesso de "Casa de Areia", o cineasta Andrucha Waddington fará seu primeiro filme internacional. "Conquistador" é a maior produção latina da história, com orçamento de US$ 40 milhões, e vai ter como ator principal o espanhol Antonio Banderas, no papel do seu conterrâneo navegador Hernan Cortés. O desbravador promoveu a invasão do que hoje é a América Latina, destruindo os domínios astecas do império de Montezuma no século XVI.

A matéria completa está na página

sexta-feira, 21 de abril de 2006

cinema infantil


A 5ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis recebe inscrições para filmes e vídeos até o dia 20 de maio. Podem participar produções realizadas a partir de janeiro de 2005, de todos os gêneros e formatos. Este ano a Mostra vai oferecer um prêmio de júri popular para o melhor filme ou vídeo de curta-metragem infantil brasileiro. Além do troféu, o vencedor receberá um prêmio de R$ 1.000,00. O evento é um dos mais importantes do país quando o assunto é cinema e criança, pois além de exibir filmes nacionais atuais e antigos, propõe um debate sobre a produção cinematográfica voltada ao público infantil.

Essa quinta edição terá início dia 30 de junho com o lançamento do curta-metragem "O mistério do Boi de Mamão", de Luiza Lins, e exibição de outros filmes vencedores do Edital Curta Criança, do MinC. O evento acontecerá até o dia 16 de Julho.
A mostra tem como diferencial sua ação voltada à inclusão social e construção da cidadania através do cinema. Escolas da rede pública ganham transporte para assistir aos filmes, exibidos gratuitamente durante a semana e a preços populares nos finais de semana. Além da intensa programação de filmes, acontecem oficinas para estudantes e para professores, debates com especialistas, produtores e realizadores. Este ano durante a Mostra será realizado o II Encontro Nacional de Cinema Infantil, que reunirá pesquisadores e produtores em torno de um assunto: Cultura para Criança.

Desde 2002, a Lume Produções Culturais realiza a Mostra com o apoio de patrocinadores. A cada ano os números de filmes e de público se multiplicam, tornando o evento consolidado no calendário do Estado de Santa Catarina, para as crianças e para os profissionais que acreditam ser o cinema uma ferramenta de educação, diversão e conhecimento.

Informações na página www.mostradecinemainfantil.com.br

terça-feira, 18 de abril de 2006

cruzando os sertões

Lírio Ferreira na direção de "Árido movie". Foto CinemaBrasilDigital/Divulgação

"A inspiração para o filme é o próprio ambiente. Vem desde a minha infância. Enfim, são memórias. Eu viajava muito para o sertão. Ia muito para o sertão da Bahia, também. Cruzava muito o sertão de Pernambuco desde pequeno, no tempo em que me impressionava muito com tudo, com a geografia, com as pessoas, com a luz. Tudo era muito forte para mim. O filme resgata muito isso. Obviamente, junto com conversas de amigos, junto com as memórias afetivas das pessoas, junto com o lugar. O desejo era mais ou menos esse."


Lírio Ferreira, sobre "Árido movie", seu segundo longa-metragem. O primeiro foi "Baile perfumado", de 1997, co-dirigido por Paulo Caldas. O novo trabalho foi lançado inicialmente nos cinemas do Rio de Janeiro e São Paulo, por conta do número reduzido de cópias.
Com roteiro escrito por Hilton Lacerda, Sérgio Oliveira, Eduardo Nunes e o próprio Lírio, o filme narra a história de um repórter de tv que retorna à sua terra natal, em pleno sertão nordestino, e ali se depara com elementos que compõem a geografia humana da região: índios, plantadores de maconha, políticos conservadores e líderes espirituais.
Lírio está concluindo as filmagens de um documentário sobre o grande compositor Cartola.

segunda-feira, 17 de abril de 2006

mestre Suzuki

foto GreenCineDaily
Quando se fala no cinema produzido no Japão, logo vem à mente o nome de mestres como Akira Kurosawa, Yasujiro Ozu, Kenji Mizoguchi, Takeshi Kitano. No ocidente, o trabalho de Seijun Suzuki, um dos mais importantes cineastas japoneses, ainda permanece desconhecido de grande parte da população. Ídolo de uma geração, é influência assumida de diretores como Jim Jarmusch e Quentin Tarantino.

Em países como França e Grécia, realizaram-se, recentemente, mostras retrospectivas da carreira do diretor, com debates e seminários visando aprofundar as propostas estéticas contidas em seu cinema. Esse movimento de redescoberta alcançou grande repercussão quando Tarantino confessou ter se inspirado no filme "A vida de um tatuado" (Irezumi Ichidai), de 1965, para a criação de "Kill Bill". Em 2001, o penúltimo filme de Suzuki, "Pistol Opera" (Pistol Opera), foi homenageado com a exibição em diversos festivais, como os de Rotterdam, na Holanda, e Bruxelas, Bélgica. No Festival de Veneza recebeu um Leão de Honra.

Seijun Suzuki é representante de um cinema comprometido com a ousadia estética e com a ruptura de valores. O cineasta representou uma importante mudança no cenário do cinema japonês dito sério, que tinha em Kurosawa e Ozu seus principais representantes. Inicialmente diretor de filmes de ação B para os estúdios Nikkatsu, Suzuki foi aos poucos introduzindo um tom cada vez mais farsesco em seus filmes. Ele foi quem primeiro ousou estilizar a violência dos filmes de gangster (da Yazuka) e kung fu a ponto de transformá-los numa coreografia lúdica – proposta seguida depois por diretores como Zhang Yimou, em filmes como "O clã das adagas voadoras" (Shi mian mai fu), de 2004 . Suzuki imprimiu tanta modernidade em seus filmes que, hoje, eles são considerados pós-modernos.

Nascido em Tóquio, em 1923, considerado o mais ousado dos grandes diretores japoneses do pós-1945, é permanentemente apresentado como o enfant-terrible do cinema japonês, mesmo estando com 82 anos de idade. Seu filme mais recente, é "Princess Raccoon", do ano passado.

Suzuki ganha agora uma retrospectiva que promete aproximar o público brasileiro do universo pop de seus filmes. O Centro Cultural Banco do Brasil realiza a mostra "Seijun Suzuki – O coreógrafo da violência", exibindo oito filmes assinados pelo diretor e mais cinco produções feitas por cineastas que dialogam com o cinema de Suzuki. A mostra começou no Rio de Janeiro, encerrando-se no último dia 16, e segue para Brasília, com exibições de 25 de abril e 07 de maio, no Cinema do CCBB, com três sessões diárias e entrada franca.

Femina


O filme bósnio "Grbavica", de Jasmila Zbanic, vencedor do Urso de Ouro de Melhor Filme no Festival de Berlim deste ano, abrirá, como convidado, a terceira edição do Festival Internacional de Cinema Feminino, o Femina, que acontecerá no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, de 2 a 7 de maio próximo.

A história se passa no bairro que dá título ao filme, e conta o sofrimento de uma mãe confrontada com os demônios de seu passado em Sarajevo, depois da guerra, e por extensão os horrores sofridos por milhares de mulheres estupradas durante o conflito dos Bálcãs.

O Femina é constituído de sessões em cinema e vídeo de filmes dirigidos por mulheres e debates, e acontece anualmente desde 2004. É o primeiro evento do gênero no Brasil e na América Latina, o que o faz ocupar um lugar de destaque no cenário cinematográfico mundial. Além de expor, principalmente, o trabalho das diretoras brasileiras, aumentando sua visibilidade e abrindo espaço para o cinema brasileiro feminino no exterior, traz para o Brasil a produção estrangeira, bem como convidados internacionais.

Toda a programação, com a lista dos filmes em competição, mostras, e convidados, está na página:

domingo, 16 de abril de 2006

o massacre de Alto Alegre


Domingo, 13 de março de 1901. O dia amanhece em Alto Alegre e o sino da capela anuncia a missa das seis horas. Na igreja estão reunidos os frades, as freiras, famílias de trabalhadores da Missão Capuchinha e as meninas do internato, a maioria índias. No instante em que o padre que conduz a celebração ergue a hóstia, uma flecha lhe atravessa o corpo. Dezenas de índios, armados de espingardas, flechas e facões, assaltam a igreja e, logo depois, as residências do povoado, matando cerca de 200 pessoas.

O incidente em Alto Alegre ficou conhecido como o maior massacre de brancos praticado por índios em toda a história do Brasil, muito embora, na represália que se seguiu, os brancos tenham exterminado aproximadamente 400 índios.

O documentário "O massacre de Alto Alegre", de Murilo Santos, que será exibido hoje, às 23 horas, pela Rede Pública de Televisão, dentro do Programa DocTv II, procura refletir sobre a violência física e simbólica contra o povo Tentehar/Guajajara, perpetrada pelo estado brasileiro, que acreditava na ação civilizatória da Igreja Católica para integrar os chamados selvagens à vida nacional. Um massacre que se origina na intolerância cultural e religiosa, no etnocentrismo, na suposta superioridade da cultura branco-cristã. Um massacre decorrente do desrespeito à diversidade cultural, em um momento em que o estado brasileiro se consolida, ancorado nas idéias de ordem e de progresso. Embora as conjunturas históricas tenham variado, nas relações entre brancos e Tentehar/Guajajara permanecem os fundamentos da intolerância, fazendo com que as marcas do conflito de alto Alegre se façam sentir até hoje na região de Barra do Corda, no Estado do Maranhão.

As práticas utilizadas pelos frades refletiam as orientações da Igreja naquele momento, correspondendo a um projeto "condicionado pela mentalidade do tempo, não suficientemente atenta - dizemos hoje - e respeitosa da diversidade cultural e da originalidade dos valores e das indiscutíveis características humanas da etnia índia (...)", conforme apontam os frades em publicação comemorativa do centenário da presença dos missionários lombardos Capuchinhos no Norte e Nordeste do Brasil. O sistema de internato, como medida para impedir o contato das crianças com sua cultura, a adoção de punições à desobediência às normas da Missão eram práticas recomendadas para o êxito do processo de catequese.Na década de 50 os frades reconstroem a Missão no mesmo local para colonos não índios. A missão funciona até 1983, quando os índios expulsam os religiosos e moradores de seu território. As famílias camponesas e outros moradores expulsos referem-se a esse período como o segundo Massacre de Alto Alegre.

O chamado massacre, ao qual os índios se referem como "o tempo de Alto Alegre" é freqüentemente chamado pelos religiosos como "o martírio de Alto Alegre". As circunstâncias em que os religiosos foram mortos preencheriam, na época, as condições para desencadear um processo de canonização, mas o entendimento atual da Igreja Católica, considerando o respeito à diversidade cultural, desestimula essa expectativa. Esse aspecto, ainda hoje polêmico, é abordado no documentário a partir de gravações realizadas na Itália. A história é contada a partir do recurso a documentos e à memória oral de índios Tentehar/Guajajara, de religiosos e de outros envolvidos, além do depoimento de antropólogos.

O documentário utiliza, também, como forma de representação dos acontecimentos, cenas dramatizadas, com a participação de atores e figurantes. Essas cenas foram roteirizadas a partir das versões sobre o conflito encontradas em documentos, jornais e em cartas de religiosos.

sexta-feira, 14 de abril de 2006

formação completa

Wolney Oliveira nas filmagens de "Minerva é nome de mulher". Foto Divulgação

"Mesmo se especializando em uma técnica, todos saíam de lá sabendo fazer alguma coisa em som, fotografia, edição, produção e direção. Era um curso polivalente. Para mim, ela é a melhor escola de cinema do mundo e entrar lá foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida, seja no aspecto humano, social, técnico e amoroso."

Wolney Oliveira, cineasta e diretor do Festival Cine Ceará, em entrevista ao jornal O Povo de hoje. A matéria completa sobre a passagem dos primeiros alunos cearenses na Escola Internacional de Cinema e TV de San Antonio de Los Baños, em Cuba, pode ser acessada na página

quinta-feira, 13 de abril de 2006

quarta-feira, 12 de abril de 2006

curtas e médias em exibição


Centro Rioclarense de Estudos Cinematográficos, CREC, está recebendo produções de curta e média metragens para exibição no Programa CURTAS CREC que será exibido na TV Cidade Livre - Canal Comunitário de Rio Claro, São Paulo.

Promover o fortalecimento do cineclubismo e a ampliação de públicos para a produção audiovisual brasileira e latino-americana são os objetivos do Projeto, que conta com a parceria da Tv Comunitária Cidade Livre e do Centro de Voluntariado de Rio Claro, dentro das atividades promovidas pelo Ponto de Cultura, e tem ainda o apoio do Conselho Nacional de Cineclubes.

Segundo o Presidente do CREC e coordenador do Ponto de Cultura Rio Claro, João Baptista Pimentel Neto "o cineclube funciona atualmente num espaço com capacidade para apenas 50 pessoas. Já a Tv Comunitária tem hoje um potencial de 20 mil espectadores. Assim, apenas transformando as sessões num programa televiso, criamos a possibilidade de multiplicar nosso público de maneira exponencial".

O programa será semanal e deverá ter uma hora de duração. Em sua versão televisa, o CURTAS CREC além de apresentar os filmes exibidos nas sessões cineclubistas, deverá veicular as opiniões colhidas durante os debates que são realizados após as exibições, divulgar notícias diversas sobre o setor audiovisual, as demais atividades do próprio Cineclube.
As sessões estão acontecendo desde o início de fevereiro e o primeiro programa deverá ir ao ar ainda neste mês. O acervo atualmente já disponível para exibição e veiculação é suficiente para manutenção do projeto por aproximadamente 90 dias.

Interessados em ver suas produções exibidas no CURTAS CREC, o contato é:
pimentel@utopia.com.br ou (19) 9636.1479

terça-feira, 11 de abril de 2006

saudades do Brasil

Foto TV Senado/Divulgação

O documentário "Lévi-Strauss: saudades do Brasil", da TV Senado, dirigido por Maria Maia, foi selecionado para o Terceiro Festival Internacional de Documentário-Ficção, que acontece em Paris, França, de 20 a 22 de abril, onde concorre em três categorias: Grande Prêmio do Público, Prêmio de Criação e Originalidade e Melhor Roteiro. Esta é a segunda vez que um documentário produzido pela TV Senado participa do Festival. A primeira foi, em 2005, com "Portinari", também dirigido por Maria Maia. O Festival tem grande importância no mercado de produção cinematográfica e televisiva mundial, uma vez que é o único no mundo direcionado aos filmes que trabalham com a idéia de que as duas linguagens - documentário e ficção - caminham juntas. Na edição deste ano, estão concorrendo 39 filmes escolhidos entre 85 candidatos de todo o mundo.

"Lévi-Strauss: saudades do Brasil" reconstitui as viagens do antropólogo e pensador francês no país, no início de sua carreira. Lévi-Strauss chegou ao Brasil em 1935, na segunda leva de professores europeus que vieram dar aulas na recém criada USP. Daqui, organizou com o apoio de Mário de Andrade, as famosas expedições às tribos indígenas Bororo, Kadiweu e Nambiquara, que resultaram, 15 anos depois, no livro "Tristes Trópicos", de repercussão mundial.

Além de uma entrevista com Lévi-Strauss, o documentário traz depoimentos do escritor Antônio Cândido, do editor de "Tristes Trópicos", Jean Malaurie, e de líderes indígenas. Tem ainda a participação especial de Caetano Veloso e da atriz Juliana Carneiro da Cunha. De acordo com a diretora, o filme resgata uma das mais importantes manifestações culturais indígenas, segundo o próprio Lévi-Strauss, que é a cerimônia do funeral Bororo.

O antropólogo está com 98 anos, continua muito lúcido e com uma memória invejável dos fatos históricos e cenas vividas no Brasil.

Festival América do Sul

A terceira edição do Festival América do Sul acontecerá, de 20 a 27 de maio, em Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Trata-se de um dos maiores encontros culturais do continente sul-americano, com lançamentos de livros, exposições de artes plásticas e fotografias, mostra de artesanato, cinema e vídeo, shows musicais, apresentações de teatro de rua, dança e circo.

Na programação deste ano estão o grupo de teatro La Gran Marcha de Los Muñecones, do Peru, grupo de dança Muyacan, do Equador, o Carnaval de Oruro, da Bolívia, a banda Puerto Candelária, da Colômbia, a cantora argentina Liliana Herrero, os escritores Ariasmanzo, do Chile, o peruano Feliciano Mejía Hidalgo, ao argentino Manuel Lozano, o colombiano Hernando Ardila Gonzalez e brasileira Nélida Piñon. Na música, estão certas as participações de Lulu Santos, Maria Bethânia, Zeca Pagodinho, Zeca Baleiro, Inezita Barroso, Renato Borghetti e Altamiro Carrilho.

Além das manifestações culturais, há seminários, debates e palestras, com a participação de representantes governamentais, não-governamentais e intelectuais ligados à cultura, turismo, meio ambiente e integração. Este ano, o tema a ser debatido é “América do Sul do Futuro”.

Mais informações na página www.festivalamericadosul.com.br

domingo, 9 de abril de 2006

viagem à Vila Bela


O vídeo documentário que representa o Estado de Mato Grosso no DocTV II "Vila Bela Terra de Colores", dirigido por Bárbara Fontes, será exibido hoje, às 23h, pela Rede Pública de Televisão. Resgata fatos históricos e culturais da primeira capital do Estado, Vila Bela da Santíssima Trindade - situada no extremo-oeste, no Vale do Guaporé, fazendo divisa com a Bolívia. As histórias são narradas por quatro moradores da cidade: Zeferino, Nemézia, Bia e Acildo, iniciando com a fundação da cidade no século XVIII com a chegada dos negros, o surgimento da heroína Teresa de Benguela, a visita da Expedição Langsdorff, chegando até os dias de hoje, com Festa do Congo, a Dança do Chorado, o Kanijijn, entre outros.

Vila Bela surgiu devido a uma estratégia militar da Coroa Portuguesa para conquistar o território pertencente a Espanha. Planejada em Portugal, é tida como a Brasília do século XVIII e foi construída com toda grandiosidade da aristocracia portuguesa, na intenção de reproduzir o luxo e suntuosidade de suas cidades. Vila Bela é um lugar único! Está situada entre 3 ecossistemas: Cerrado, Pantanal e Floresta Amazônica, revelando um curioso contraste: no meio da mata, uma cidade com ruas planas e largas, casarões imponentes, casa de ópera e uma igreja matriz gigantesca, a mais famosa ruína de Vila Bela.

Até sua história escravocrata é diferente: ao mesmo tempo que havia escravos provenientes de várias regiões do Brasil e da África, que sofriam as piores humilhações - o que fez surgir o Quilombo do Quariterê/Piolho, liderado por Teresa de Benguela -, havia os negros "com habilidades especiais" que não podiam sofrer nenhum tipo de castigo e tinham um tratamento especial na sociedade .

Afastado o perigo da invasão da Coroa Espanhola, Vila Bela já não despertava tanto interesse do governo e com a pressão exercida pela elite cuiabana, Vila Bela deixa de ser a capital de Mato Grosso e inicia seu longo período de ostracismo. Os moradores mais abastados da cidade, mudam-se para Cuiabá e abandonam seus escravos, 50 anos antes da Abolição da Escravatura. Até hoje a população da cidade é predominantemente negra. O documentário foi filmado em Vila Bela da Santíssima Trindade durante uma semana.

É um convite ao telespectador para uma viagem à História do Brasil- iniciando nos tempos da Colônia, passando por belas imagens de uma flora e fauna exuberante, chegando aos dias de hoje ao som do que há de melhor da música brasileira.

sábado, 8 de abril de 2006

achados e perdidos em Copacabana

Juliana Knust em "Achados e perdidos", de José Jofilly. Foto Imagem Filmes

"Quis fazer um filme no olho do ator, e com uma Copacabana mostrada apenas nas bordas do quadro. Uma razão que fosse suficiente para passar um sentimento, uma carga. Queria um filme pesado, mesmo. Você tratar hoje de drogas, tráfico e política está noutro patamar. Tudo ganhou um peso maior. Dramaturgicamente, a gente não consegue mais abordar esses temas de uma maneira mais leve."
(José Joffily, diretor)

“No cinema, a gente sempre teve vergonha de fazer policial no Brasil, porque os americanos já têm uma estrada tão longa e boa no gênero. É a mesma coisa com a ficção científica que, por aqui, dá a impressão de não ter credibilidade. No entanto, há um jeito brasileiro de fazer e percebo que, nesse ponto, 'Achados e perdidos' é impecável."
(Antonio Fagundes, ator)

“Divertimento, ali, não teve. Como a personagem é positiva, exuberante e quase solar dentro daquele universo decadente, fui com esse espírito da Magali, pensando assim: ‘Boate (uhu!), sexo, né?’ Cara, foi uma porrada, porque não tem sexo, não tem amor: tem uns homens meio tristes, sentados, e muitas mulheres drogadas. É muito barra, é muito miserável. "
(Zezé Polessa, atriz)

“Na descoberta do submundo, a gente não tinha a proposta de fazer exatamente como era na realidade. O Joffily queria apenas a essência."
(Juliana Knust, atriz)


Diretor e principais atores do filme "Achados e perdidos", baseado no livro homônimo de Luiz Alfredo Garcia-Roza. A história é um policial noir, ambientada em uma Copacabana bem diferente do que estamos acostumados a ver na tela. De certa forma, o novo filme de Joffily revigora o gênero no cinema brasileiro.

quinta-feira, 6 de abril de 2006

homemagem a Satyajit Ray

foto Curtis Luciani

Na programação do 22º Festival Internacional de Cinema de Setúbal, em Portugal, conhecido também como Festroia, que se realiza de 2 a 11 de Junho, destaca-se uma retrospectiva em homenagem ao cineasta indiano Satyajit Ray, falecido em 1992, aos 71 anos, considerado como o criador do moderno cinema do seu país.

Construindo a sua originalidade à margem dos grandes centros de produção cinematográfica da Índia, Satyajit afirmou muito cedo uma personalidade própria e tornou-se mundialmente admirado, sendo o mais premiado realizador indiano.

Pouco conhecido no Brasil, Satyajit Ray ainda hoje é alvo de incondicional admiração pelo resto do mundo, e justifica-se a homenagem que o Festroia decidiu prestar-lhe, precisamente quando se assinala o cinquentenário de "Canção da estrada" (Pather panchali), seu primeiro filme e uma das obras mais famosas que realizou. Para participar dessa homenagem, estará no Festival o filho de Satyajit, Sandip Ray, também cineasta, que receberá um prêmio de consagração dedicado ao conjunto da obra de seu pai, e aproveitará a ocasião para apresentar o seu novo filme, "Nishijapon".

O cineasta japonês Akira Kurosawa dizia que "não ter visto os filmes de Ray, é ter vivido no mundo sem ver nunca a lua e o sol".

o homem do cartaz

cartaz José Luís Benicio

Boa parte dos mais importantes filmes brasileiros realizados entre 1968 e 1985 - cerca de 300 - teve o cartaz criado num estúdio no Rio de Janeiro por um artista gaúcho, o discreto José Luís Benício da Fonseca, ou apenas Benício. Chegou a fazer mais de trinta por ano. A lista vai de "A madona de cedro", 1969, e "Independência ou morte", 1974, ambos de Carlos Coimbra, "O casamento", 1975, de Arnaldo Jabor, "Dona Flor e seus dois maridos", 1976, de Bruno Barreto, até o recente "Pelé Eterno", de Aníbal Massaini, rodado em 2004.

Benício produziu também os pôsteres de todos os filmes de Os Trapalhões feitos de 1974 a 1991. Precisamente, fez 31. Mas foi no gênero pornochanchada que mais atuou e acabou por se tornar o ícone de uma época e de uma geração. Não é possível relembrar as décadas de 1970 e 1980 sem vir à mente atrizes voluptuosas, de olhos grandes, lábios carnudos, curvas de violão e decotes generosos dessas comédias que ele soube representar com seu talento único. Mais de duas centenas de cartazes dessas produções saíram de sua prancheta.

O cinema, no entanto, não foi a única faceta desse versátil mestre das artes gráficas que alguns consideram o maior ilustrador brasileiro de todos os tempos e aquele que desenha mulheres sensuais e elegantes como nenhum outro. Seu nome faz parte da história da publicidade brasileira com um destaque ainda não mensurado. Ele passou pelas mais importantes agências do país – McCann Erickson, Denison e Artplan, entre outras - e ilustrou marcas fortes como Coca-Cola, Esso, Banco do Brasil e Rock in Rio.

Coube a Benício dar cara também a um outro formato de comunicação popular, os livros de bolso, descartáveis, vendidos em bancas de jornal. Para a mítica editora Monterrey, onde estreou em 1963, fez mais de duas mil capas - boa parte da heroína Brigitte Montfort, a espiã americana que teve cerca de 1,5 mil volumes publicados em quatro décadas e se tornou um fenômeno único no mercado editorial brasileiro.

Pois o discreto e talentoso Benício acaba de ser merecidamente biografado no livro "Benício - Um perfil do mestre das pin-ups e dos cartazes de cinema", escrito pelo jornalista Gonçalo Júnior, editado pela Coleção Via Brasil.

quarta-feira, 5 de abril de 2006

inscrições prorrogadas


As inscrições para as Mostras Competitivas do 8º Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte foram prorrogadas até o dia 13 de abril . Podem se inscrever curtas-metragens finalizados em qualquer formato de vídeo, além de película 16mm e 35mm.

Serão aceitos trabalhos de todos os gêneros, lançados entre janeiro de 2005 e março de 2006. O curta deverá ter no máximo 30 minutos de duração e estar finalizado no momento da inscrição. Filmes inscritos nas edições anteriores do Festival não serão aceitos. A lista dos trabalhos selecionados para as Competitivas Brasileira e Internacional será divulgada até 21 de junho de 2006.

O 8º Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte será realizado entre os dias 21 e 30 de julho de 2006, no Cine Humberto Mauro, no Palácio das Artes, e em outros espaços da capital mineira a serem divulgados oportunamente.

As inscrições para as Mostras Competitivas Brasileira e Internacional são gratuitas e devem ser feitas através do página oficial www.festivaldecurtasbh.com.br, onde também está disponível o regulamento do Festival.

segunda-feira, 3 de abril de 2006

sem dublagem

foto Henshin

Faleceu na tarde desta segunda-feira, em Bragança Paulista, interior de SP, o ator e dublador veterano Newton da Matta. Ele estava hospitalizado devido a uma parada cardíaca que o levou a um coma. A causa morte foi divulgada como infecção hospitalar.

Newton era o dublador oficial do ator Bruce Willis, desde a série "A Gata e o Rato", de 1985, que a Sony Pictures lançará em dvd no próximo neste mês, com dublagem original.

Ele tinha 61 anos e iniciou suas atividades artísticas aos 11 em rádio-teatro, atuando nas emissoras Tupi, Mayrink Veiga e Nacional, no Rio de Janeiro. Mais tarde, na Rádio Nacional, foi escritor de novelas e diretor de elenco. Na televisão, atuou como ator e autor das chamadas tele-peças, na extinta Tv Tupi, TV Rio e depois TV Globo. No teatro, foi o primeiro Pedrinho do "Sítio do Pica-Pau Amarelo". Mais tarde, montou peças de Pirandello, entre outras. Foi um dos diretores do musical "Alô Dolly", no Teatro João Caetano.

A partir de 1960, Newton foi convidado por Herbert Richers e Vitor Berbara a dirigir e atuar como dublador. Foi o surgimento desse tipo de trabalho no Rio de Janeiro. Desde então, atuou em diversos seriados, fazendo as vozes de Marc Singer em "V - A batalha final", de Richard Chamberlain em "Dr. Kildare" e "Pássaros feridos" e o personagem Zeca em "Primo cruzado". Em longas-metragens, além de Bruce Willis (todos os filmes!), dublou os atores Dustin Hoffman, Paul Newman, Louis Jordan, Mickey Rourke, James Farentino, Peter O'toole e de vários outros. Dirigiu a dublagem do desenho "Thundercats", onde emprestou a voz ao personagem "Lion-O", o chefe dos felinos.

documentários premiados

"Caparaó", de Flávio Frederico

A 11ª edição do Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade divulgou os seus premiados no último sábado, 1º de abril. O melhor longa foi entregue a "Caparaó", do cineasta carioca Flávio Frederico.

Com 77 minutos de duração o filme reconstitui a tentativa de cerca de 20 ex-militares, que haviam sido expulsos das Forças Armadas, de instalarem um foco de resistência ao regime militar na serra de Caparaó, divisa de Minas Gerais e Espírito Santo. Foi a primeira tentativa de luta armada organizada contra o poder no Brasil pós-64.

Entre os curtas, o prêmio principal ficou com "Visita íntima", da paranaense Joana Nin, sobre mulheres que optaram por ter relacionamentos amorosos com detentos. O curta "Uma história Severina", produção brasiliense dirigida por Débora Diniz e Eliane Brum, ganhou menção honrosa. O filme conta a história de Severina Maria Leôncio Ferreira, 27 anos, que, grávida de 4 meses de um feto sem cérebro, teve seu destino alterado por decisão do Superior Tribunal Federal.
Já entre os estrangeiros, o alemão "O grande silêncio" (Die grosse stille), de Philip Groening, foi o preferido do júri. Com quase três horas de duração o documentário foi um dos maiores sucessos de bilheteria na Alemanha ano passado; o filme revela a vida reclusa no monastério de Grande Chartreuse, na França.

domingo, 2 de abril de 2006

Prêmio ABC 2006

"Cinema, aspirinas e urubus", de Marcelo Gomes. Foto www.urubus.com.br

O sucesso de bilheteria "2 filhos de Francisco", o cult "Casa de Areia" e os poucos vistos, e ótimos, "Cinema, aspirinas e urubus" e "Cidade Baixa" foram alguns dos vencedores do prêmio da Associação Brasileira de Cinematografia (ABC), instituição que reúne fotógrafos e outros técnicos do setor. A festa de entrega dos prêmios aconteceu na sede do Jóquei Clube, Rio de Janeiro, prestigiada por atores, diretores e técnicos.

Três veteranos que ficam por trás das câmeras foram homenageados: os químicos Benedito Monteiro e Victor Bregman (este com 82 anos, ainda trabalhando no Labocine) e o técnico de som direto Walter Goulart. Já virou tradição nas sete edições do prêmio da ABC prestar um tributo a profissionais cujos nomes geralmente aparecem embolados nas fichas técnicas dos filmes.

Os premiados:

Melhor fotografia em longa-metragem: Mauro Pinheiro Jr, por "Cinema, aspirinas e urubus", de Marcelo Gomes.
Som em longa: Valéria Ferro, Renato Calaça, Alessandro Laroca e Armando Torres Jr., por "2 filhos de Francisco", de Breno Silveira.
Direção de Arte em longa: Tulé Peake, por "Casa de Areia", de Andrucha Waddington.
Montagem em longa: Isabela Monteiro de Castro, por "Cidade Baixa", de Sérgio Machado.
Melhor Fotografia em curta-metragem: Alziro Barbosa, por "O mistério da japonesa", de Beto Carminatti e Pedro Merege.
Melhor Fotografia em filme publicitário: Joel Lopes, por "Monges", de Rogério Veloso.
Melhor Fotografia em vídeo-clipe: Adrian Teijido, por "Além do horizonte", de Oscar Rodrigues Alves.
Melhor Fotografia em documentário: Gustavo Hadba, em "Pro dia nascer feliz", de João Jardim.
Melhor Fotografia em programa de tv: José Tadeu, por "Hoje é dia de Maria", de Luis Fernando de Carvalho.
Melhor Fotografia filme estudantil: Gua Millet, por "Homens pequenos no ocaso".

sábado, 1 de abril de 2006

noites de Candelária

foto Márcio BA / VideoJan Produção

"Candelária – Aquela que conduz a luz", com direção de Jade Leonardo Pereira Moraes, é documentário do DocTv II que será exibido amanhã, às 23 horas, pela Rede Pública de Televisão.

A luta pela dignidade e cidadania dos profissionais do sexo é mostrada nesta história da difícil “vida fácil” de uma profissão sem direitos. O filme conta a trajetória de Candelária, 55 anos, presidente da Associação Sergipana de Prostitutas, que presta atendimento a profissionais do sexo em Sergipe, distribui preservativos para prostitutas de baixa renda, oferece palestras sobre prevenção de AIDS e DSTs, noções de cidadania e auto-estima, e auxilia aquelas que desejam mudar de ocupação, encaminhando-as para cursos profissionalizantes.

Candelária era um mito para os homens na década de 60. Autêntica e decidida tornou-se a prostituta mais requisitada de sua época. Ditou moda, escandalizou os bons costumes, foi amante de importantes políticos, viveu a pobreza na infância e o glamour da alta sociedade na juventude.

O filme mostra também a história de outras “candelárias”, o dia-a dia dos profissionais do sexo, os sonhos e esperanças dessas pessoas, e o que as levou para prostituição. E revela o ser humano que existe por trás de cada um, seja homem, mulher ou travesti. A maioria está na “batalha” para sobreviver, pagar as contas, sustentar os filhos. Também aborda a regulamentação da profissão, e mostra que algumas profissionais pagam o INSS como bailarinas, costureiras e até pedreiras para que possam ter direito à aposentadoria. Elas têm que contribuir por 30 anos, tempo que vai além da vida “útil” de uma profissional do sexo. Isso sem falar da insalubridade da profissão.