quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

Waleriam Borowczyk, cineasta


Foi pouco divulgada a morte do cineasta polonês Walerian Borowczyk, há dez dias, em conseqüência de uma complicação cardíaca.

Borowczyk tinha 83 anos. Foi um artista polivalente: pintor, grafista, escritor e sobretudo cineasta do erotismo, dotado, segundo André Breton, de uma "imaginação fulgurante". Dois anos depois de concluir seus estudos na Academia de Artes de Varsóvia, em 1951, conquistou o grande prêmio nacional de grafismo por seus cartazes para o cinema.

A partir de 1946 dirigiu alguns curtas de animação, mas teve que esperar até 1957 para ser reconhecido com o filme de animação "Byl sobie ras", co-dirigido com Jan Lenica. Borowczyk revolucionou o cinema de animação, ao introduzir o humor negro, gags surrealistas e uma técnica nova baseada na divisão do roteiro em cenas.

Em 1958, viria o filme "Dom", também dirigido em colaboração com Lenica, com o qual recebeu o grande prêmio em Bruxelas. Conhecido por seu cinema surrealista, radicou-se em Paris, onde colaborou com Chris Marker, em "Les astronauts" (1959) e fez outros filmes de animação como "Renaissaince" (1963) e "Les jeux des anges" (1964). Em 1963, fez seu primeiro longa de animação, "Theatre de Monsieur et Madame Kabal".

A partir de 1968, passou da animação para a ficção. Então viriam filmes como "Mazeppa", "Goto - Ille d'Amour", e "Blanche" (1971), um conto medieval shakespeariano. Sua esposa, Ligia Branice, aparece nesses dois filmes. Em 1974, foi lançado no cinema seu primeiro filme abertamente erótico (na época, proibido para menores de 16 anos): "Contos imorais" (Contes inmoraux), no qual atuam, entre outros, Fabrice Luchini e Paloma Picasso. Borowczyk nesse trabalho dava uma visão da sexualidade com o passar da idade em quatro episódios.

O cineasta voltou a Polônia em 1975 para rodar "História de um Pecado" (Dziejz grechu), e regressou a França no mesmo ano onde filmou "A Mulher e La Bête", (La bête), no qual aparecem cenas de acasalamentos eqüinos e masturbações tão provocadoras que muitos espectadores deixavam a sala no meio do filme.

Em 1977, filmou na Itália "Atrás do muro de um convento" (Interno di un convento), com sua esposa no elenco, fazendo uma religiosa moralista enclausurada que se confronta com algumas companheiras vítimas dos tormentos da carne. A Borowczyk se deveu ainda o filme "Emmanuelle 5" (1986), quinto filme sobre as tórridas aventuras da heroína, vivida por Sylvia Kristel, marcado por um erotismo obscuro e fiel.

Nenhum comentário: