sexta-feira, 31 de março de 2006

um sonho intenso

Leonardo Medeiros em "Cabra cega", de Toni Venturi. Foto Jayne Stakflett

Há 42 anos atrás o Regime Militar foi instaurado no Brasil pelo golpe de Estado de 31 de março de 1964. Estende-se até o final do processo de abertura política, em 1985. É marcado por autoritarismo, supressão dos direitos constitucionais, perseguição policial e militar, prisão e tortura dos opositores e pela censura prévia aos meios de comunicação.

Durante 20 anos o Brasil foi um país de direitas e esquerdas, de guerrilhas urbanas e atos institucionais, de torturadores e torturados, de escuridão e esperança. O cinema retratou em vários filmes, direta ou indiretamente, em curtas, médias e longas-metragens, esse período de chumbo da nossa história. Há filmes corajosos como "Pra frente, Brasil", de Roberto Farias, realizado em 1981, ainda em pleno governo Figueiredo. Há filmes em que esperávamos um pouco mais, como "O que é isso, companheiro?", dirigido por Bruno Barreto, de 1997. Há filmes que nos lavam a alma, como "Cabra cega", de Toni Venturi, rodado em 2004. A produção nacional vem abordando o tema por vários ângulos, mas com a mesma finalidade: mostrar os horrores causados pela ditadura. Numa visita à página www.fundacaoastrojildo.org.br é possível encontrar a lista de todos os filmes brasileiros que tratam da política em nosso país, um trabalho criterioso da pesquisadora Berê Bahia.

A foto acima é de uma das cenas mais emocionantes do filme "Cabra cega". Ao som de "Eu quero é botar o meu bloco na rua", do injustamente pouco lembrado compositor e cantor Sérgio Sampaio (1947-1994) o militante Tiago, interpretado por Leonardo Medeiros, sobe ao teto do prédio onde estava escondido, e respira um pouco de liberdade nas alturas. O filme, segundo o seu diretor, "trata-se da história dos derrotados e, portanto, é uma outra leitura que se contrapõe à história oficial, que prefere apagar o período de nossa memória em vez de refletir sobre ele". Mas o cinema, a literatura, a música, a arte por todos lados, está aí para nos lembrar a verdade, e nos deixar atentos e fortes.

quinta-feira, 30 de março de 2006

prazo de validade

Flávio Guarnieri e Nice Marinelli em "Janete", de Chico Botelho. Foto Tatu Filmes

O filme cinematográfico passa por um processo irreversível de envelhecimento. Não apenas material, do suporte que perde seu vigor técnico com o correr dos anos, mas um envelhecimento espiritual, do filme que deixa de ser visto, deixa de ser comentado, para se tornar apenas um fio nublado de nossa memória.

Com essa preocupação, a Cinemateca Brasileira, em São Paulo, lança hoje às 21h a sessão "Prazo de Validade". Os espectadores são convidados a (re)ver produções congeladas no tempo, refletir sobre títulos que foram ignorados pelos livros e que não integram o panteão das "excelências cinematográficas". Caberá ao público dessa sessão decidir, afinal, qual o prazo de validade de certos filmes nacionais.

Para abrir esta nova sessão, o título escolhido foi "Janete", de 1982, primeiro longa-metragem de Chico Botelho, que morreu em 1991, aos 43 anos. O filme é uma leitura pós-moderna da vida de uma jovem marginalizada que, para sobreviver, adapta sua vida a diversas situações. Destaque para a trilha de Arrigo Barnabé e para a fotografia de José Roberto Eliezer, premiados em suas respectivas categorias no Festival de Gramado. No elenco, além do casal na foto acima, duas atrizes que não estão mais conosco, Lélia Abramo e Lílian Lemmertz.

Sobre Chico Botelho ele foi também diretor de fotografia dos longas "As três mortes de Solano", de Roberto Santos, "Parada 88", de José de Anchieta, "Estrada da vida", de Nelson Pereira dos Santos, e "Céu aberto", de João Batista de Andrade, entre curtas e médias. Seu segundo e último filme como diretor foi "Cidade oculta", de 1986, uma espécie de "neon-policial" inspirado nas aventuras em quadrinhos do "Spirit", de Will Eisner. Carla Camuratti, então somente atriz, tem uma atuação memorável como Shirley Sombra.

As sessões na Cinemateca são gratuitas.Programação e outras informações na página www.cinemateca.gov.br

quarta-feira, 29 de março de 2006

Stanislaw Lem, escritor

foto Wojciech Zemek, 1966

O escritor polonês Stanislaw Lem morreu antes de ontem aos 84 anos. Ele é o autor de um livro de ficção científica no mínimo muito perturbador, "Solaris", lançado em 1961. Até hoje já vendeu mais de 25 milhões de exemplares. No Brasil a tradução é de José Sanz, editado pela Relume Dumará.

O livro discute os limites da ciência ao utilizar uma metáfora da água. Um astronauta vai para uma estação espacial próxima de um planeta coberto por um oceano que se comunica com os humanos. Solaris é o planeta cujas duas luas, por sua interação com esse oceano, um mar sem vida, criam um cérebro capaz de trazer imagens do inconsciente humano à vida. O horror da situação é que essas figuras materializadas são aquelas lembradas com mais culpa e vergonha. Assim, um astronauta é confrontado por uma namorada que se matou; e ela não percebe que, embora “exista”, não é real.

Quando li o livro, no começo da década de 80, fiquei vários dias não sei se impressionado ou perturbado, ou as duas coisas juntas, com as fortes imagens que a leitura me passou. Meses depois voltei e folhei algumas páginas e fiquei gostando mais ainda daquele, digamos, romance de ficção científica. Pouco tempo depois vi o filme baseado no livro. Dirigido pelo russo Andrei Tarkovsky, em 1972, o filme, também intitulado "Solaris", é igualmente belo, grandioso e... perturbador. E aqui não cabe a comparação banal de que um é melhor do que o outro. São duas obras magníficas, que se traduzem, que se refletem e que se pertencem. O americano Steven Sorderberg refilmou a história em 2002, com George Clooney no papel que foi do desconhecido lituano Donatas Banionis. Saí da sessão inquieto e admirado com as imagens atualizadas, numa produção impecável, uma direção cuidadosa e sensível, mas com vontade de ir à locadora e ver se achava o dvd do Tarkovsky no palheiro dos lançamentos blockbusters. Claro que não encontrei. Mas o filme foi lançado numa caixa de dvds do cineasta, juntamente com outro ótimo, "O espelho" (Zerkalo), de 1974.

Um compatriota de Lem, o poeta, crítico e Prêmio Nobel Czeslaw Milosz disse que esse livro parafraseava “os estágios de uma vida” enquanto intensificava “a angústia daquilo que normalmente é escondido pela aceitação rotineira do inevitável”.

Roberto Farias homenageado

cartaz do filme "Pra frente, Brasil", de Roberto Farias

O 3º Festival de Cinema de Campo Grande, o FestCine Pantanal, que começou dia 10 de março e terminará no dia 3 de abril, prestará amanhã uma homenagem ao cineasta Roberto Farias. Aos 74 anos de idade, o diretor continua trabalhando, mais exatamente na televisão, onde dirige minisséries e especiais.

Farias iniciou sua carreira nos anos 50, como assistente de direção de José Carlos Burle, Watson Macedo, J.B.Tanko e Carlos Hugo Christensen. Sua estréia em longa foi "Rico ri à toa", em 1957, e nessas quase cinco décadas de trabalho, dirigiu muitos filmes que particularmente marcaram época, como "Cidade ameaçada", de 1959, "O assalto ao trem pagador", 1962, a trilogia sobre Roberto Carlos, no final dos anos sessenta e começo de setenta, "Selva Trágica", 1966, que foi inteiramente rodado em Ponta Porã, o que serviu de gancho para a homenagem. O filme, que será exibido no Festival, reporta-se à escravidão na fronteira do Brasil com o Paraguai com monopólio da exploração da erva-mate.

Sem desconsiderar a relevância dos seus primeiros filmes, o seu trabalho mais importante continua sendo "Pra frente, Brasil", de 1981, corajosamente realizado em pleno governo do general Fiqueiredo. O cineasta fora diretor-geral da Embrafilme no governo anterior, do outro general de plantão, Ernesto Geisel. E o filme foi produzido com dinheiro da própria Embrafilme. Baseado em argumento do irmão Reginaldo Faria e de Paulo Mendonça, o roteiro descia aos porões do regime militar com audácia surpreendente, desafiando a censura e colocando à prova a abertura política na área cultural. No ano "milagroso" de 1970 o Brasil inteiro torcia com a seleção de futebol no México, enquanto prisioneiros políticos eram torturados e inocentes vítimas dessa arbitrariedade. Todos esses acontecimentos são vistos no filme pela ótica de uma família quando um dos seus integrantes, um pacato trabalhador da classe média, é confundido com um ativista político e "desaparece".

Na próxima sexta-feira, dia 31, "aniversário" de 42 anos do golpe, o cineasta fará uma palestra com o tema "O cinema em sua dimensão histórica no Brasil".

terça-feira, 28 de março de 2006

a tela e o texto


O programa A Tela e o Texto em parceria com o SESC/MG realizará entre 29 e 31 de maio e 01 de junho de 2006, a IV Mostra Minas de Cinema e Vídeo do SESC/MG, com o objetivo de promover de forma integrada a discussão literária, cinematográfica e videográfica do Estado.

Poderão se inscrever trabalhos audiovisuais de até 15 minutos nas seguintes categorias: ficção, documentário, vídeo-poema, experimental ou animação, lançados entre janeiro de 2005 e março de 2006.
As três obras mais votadas pelo Júri Popular receberão um Certificado de Premiação e um prêmio em dinheiro.

A MOSTRA busca contribuir para a formação de um público apto à melhor leitura das facetas literárias do cinema e do vídeo, além de incentivar e valorizar a produção de cineastas e videomakers contemporâneos, inclusive principiantes.

Mais informações e regulamento na página http://www.letras.ufmg.br/atelaeotexto/

segunda-feira, 27 de março de 2006

Richard Fleischer, cineasta

foto mouseplanet.com

Somente agora foi noticiada a morte do cineasta americano Richard Fleischer, no sábado, 25, de causas naturais. Ele faria 90 anos em dezembro próximo. Era o chamado "diretor artesão", sem uma carreira regular. Numa vasta filmografia de mais de sessenta títulos, o mais conhecido é "20 mil léguas submarinas" (20.000 leagues under the sea), de 1954, baseado no clássico de Julio Verne, produzido pelos Estúdios Walt Disney. E é realmente um filme interessante. Os limitados efeitos especiais da época não comprometiam a narrativa, muito pelo contrário, eram trucagens que impressionavam. E tem a atuação perfeita de James Mason, vivendo o Capitão Nemo, com sua personalidade forte e seguro nas suas convicções da vida no fundo do mar, comandando o fantástico submarino Nautilus. É a melhor adaptação da literatura de Verne para o cinema. O curioso nessa produção é que inicialmente os estúdios pensavam em realizar uma animação, e ao mudarem de idéia convidaram justamente o filho do rival de Disney, o animador Max Fleischer (1889-1972), criador de Betty Boop e de Popeye.

Alguns outros filmes destacáveis desse típico diretor do cinema industrial americano, sempre a serviço dos grandes estúdios: "Estranha compulsão" (Compulsion), de 1959, "Viagem fantástica" (Fantastic voyage), de 1966, a primeira adaptação cinematográfica do trabalho de Isaac Asimov, e o seu melhor filme, "Terror cego" (Blind terror), rodado em 1971. É um clássico no gênero. Mia Farrow interpreta com maestria uma moça que fica cega ao cair do cavalo e passa a viver com seus parentes no campo, onde enfrenta o assassino que massacrou todos os moradores da casa. O trabalho da atriz e a condução do diretor colocam o espectador no lugar da personagem, sem pausa, sem descanso, até o momento de alívio final.

E para cada um desses exemplares, Fleischer cometeu inúmeras bobagens: "Mandingo" (Mandingo), 1975, "Ashanti" (Ashanti), 1978, "Amityville 3-D" (Amityville 3-D), 1983, "Conan, o destruidor" (Conan, the destroyer), 1984, "Guerreiros de fogo" (Red sonja), 1985... Mas o pior mesmo, é o equivocadíssimo "Causa perdida" (Che!), produzido em 1969, com Omar Sharif no papel de Guevara e Jack Palance tentanto convencer que é Fidel Castro.

Ariclê Perez, atriz

Morreu ontem, em São Paulo, a atriz Ariclê Perez, aos 63 anos. Ela caiu da janela no 10º andar do apartamento em que vivia há 10 anos no bairro de Higienópolis. A polícia está investigando as causas do ocorrido e trabalha com a hipótese de suicídio.

Ariclê começou no teatro em 1967 com a peça "Electra", e seu último trabalho nos palcos foi em "Criador e Criatura - o encontro de Machado e Capitu", montado em 2002 sob a direção de Bibi Ferreira.

Sua atuação maior se deu na televisão, em várias novelas e minisséries. O último papel foi o de Júlia Kubitschek, mãe do ex-presidente, na segunda fase da série "JK", da Globo, cujo capítulo final foi exibido na última sexta-feira.

Ariclê fez pouco cinema. Mas os três trabalhos em seu currículo demonstram a extensão do seu talento. Em 1971 fez "Paixão na praia", primeiro filme do hoje somente crítico Alfredo Sternheim. Dez anos depois foi dirigida por Hector Babenco, em "Pixote, a lei do mais fraco". E no ano passado, participou do longa "Quanto vale ou é por quilo?", de Sérgio Bianchi, que lhe rendeu o prêmio de melhor atriz-coadjuvante do Festival Cine Ceará.

domingo, 26 de março de 2006

Margaretthe Von Trotta


"Eu não faço filmes sobre a guerra. Sou contra espetacularizá-la. Faço, sim, filmes sobre as pessoas que viveram a Guerra e o que fica dentro delas, suas memórias e sentimentos que irão influenciá-las em seus atos. Dizem que o assunto se esgotou, mas quem o fez foram os americanos, os italianos, eles fizeram muitos filmes de guerra e talvez para eles o assunto precise ser esquecido. Mas, na Alemanha, contam-se em duas mãos os verdadeiros filmes sobre a Segunda Guerra, então ainda há muito o que se falar. Faz apenas 60 anos que a guerra acabou, é muito cedo. Jesus Cristo morreu há 2000 anos e ainda se filma a sua história! Não que eu esteja comparando, são duas coisas bem diferentes. O que eu digo é que ainda há nazistas da guerra que não foram presos, estão soltos sem punição, vivos. Eu sou a primeira de uma segunda geração alemã que começou agora a tematizar a guerra, depois de mim outros perceberam que era necessário que os alemães começassem a dizer algo. Já era hora. Hoje já há filmes como 'A Queda' e 'Uma mulher contra Hitler' e tem que haver muito mais, pois para os alemães esse assunto nunca irá se esgotar, é algo que está impregnado eternamente em nós".

Trecho da entrevista com a cineasta Margaretthe Von Trotta na página http://www.cinequanon.art.br/principal.php. A diretora do clássico "Os anos de chumbo" (Die bleieme zeit), 1981, esteve no começo deste mês em São Paulo, apresentando alguns de seus filmes dentro de uma programação sobre o Dia de Mulher no Centro Cultural Banco do Brasil.
Margaretthe, que também é atriz, trabalhou em vários filmes de Rainer Werner Fassbinder e Volker Schlöndorf, com quem foi casada, e co-dirigiu seu longa de estréia, "A honra perdida de uma mulher" (Die verlone ehre der Katharina Blum), em 1975.

sábado, 25 de março de 2006

Estamira premiado

Foto Zazen Produções Audiovisuais

"Estamira", do brasileiro Marcos Prado, ganhou hoje o Prêmio Signis de Documentário no Festival Encontros do Cinema da América Latina de Toulouse, sudoeste da França. Segundo os jurados, o documentário de Prado foi premiado por ser um filme diferente, que proporciona um olhar sobre a condição humana, “com uma poesia de tirar o fôlego".

Dona Estamira é uma senhora de 63 anos que trabalha há mais de 20 anos no Aterro Sanitário de Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro. Ela sofre de surtos esquizofrênicos, mas seu carisma e seu caráter maternal fizeram dela a líder da pequena comunidade de idosos que habitam o lixão. O documentário acompanhou, a partir de 2000, o tratamento ao qual Estamira se submeteu num centro psiquiátrico público e focou, a partir de seu cotidiano, a transformação clínica e os efeitos dos remédios que teve que tomar. Através de depoimentos dos filhos da senhora também foi possível revelar os árduos caminhos trilhados por Estamira. Mesmo vivendo no lixo, ela conseguiu superar sua condição miserável e ainda levantou diante das câmeras questões e valores há muito esquecidos na sociedade.

Em outubro do ano passado o filme recebeu o Prêmio Internacional de Cinema de Direitos Humanos no Festival de Nuremberg, Alemanha. É estréia de Marcos Prado na direção, que foi produtor de outro filme polêmico, "Ônibus 174", de José Padilha.

Santa Dica

"Santa Dica de guerra e fé", de Márcio Venício Nunes. Foto John Williams

Amanhã é dia de Doc TV. O filme programado é "Santa Dica de guerra e fé", a ser exibido às 23h, pela Rede Pública de Televisão.
O documentário é uma viagem que a equipe do cineasta Márcio Venício Nunes faz na história da líder messiânica, Benedita Cipriano Gomes. Com 55 minutos de duração, foi o vencedor goiano do II Programa de Fomento à Produção e Teledifusão do Documentário Brasileiro - DOCTV. Foram 25 projetos inscritos em Goiás, sendo três classificados e um premiado. A pré-estréia do documentário ocorreu no VII Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental, em 4 de junho, na Cidade de Goiás, antiga capital do Estado.

No dia 13 de abril de 2005 comemorou-se o centenário da Santa Dica. O documentário propõe a busca pela história, pouco conhecida, dessa líder religiosa e política, uma mulher à frente do seu tempo. Ela foi a única expressão, em Goiás, de movimento messiânico, ocorrido em várias regiões do Brasil. Foi também a única mulher a enfrentar publicamente e com força política o coronelismo goiano.

O diretor mostra, utilizando a linguagem do cinema direto, a polêmica e a influência que a figura dessa mulher ainda causa, após 35 anos de sua morte.

A equipe foi subdividida em dois grupos para as gravações, passando por várias cidades - Jaraguá, Goianésia, Pirenópolis, Vila Propício e alguns distritos de cidades goianas. Foram utilizadas duas câmeras digitais, uma com ênfase no entrevistado e a outra, direcionada para a dinâmica dos acontecimentos em torno do momento registrado.

sexta-feira, 24 de março de 2006

questão de olhar

"Cinema, aspirinas e urubus", de Marcelo Gomes. Foto www.urubus.com.br

"Em seu filme de estréia, Marcelo Gomes nos lembra que o cinema não precisa ser uma questão de gênio, e sim uma questão simples de como olhar para o mundo. É na generosidade deste olhar, e na crença no seu dispositivo ao fazê-lo, que o filme (sem nem de longe ambicionar fazê-lo) eleva a barra de exigência com o nosso cinema ficcional para onde nunca devia ter saído. É uma simples questão de respeito ao cinema e ao espectador".

Trecho do artigo do cineasta Eduardo Valente sobre o filme "Cinema, aspirinas e urubus", publicado no site Contracampo. Texto na íntegra:
http://www.contracampo.com.br/75/cinemaaspirinas.htm

Pio Leyva, cantor

foto Tien Chih Films
Pio Leyva, cantor e compositor do grupo Buena Vista Social Club, formado por músicos cubanos, morreu ontem de um ataque cardíaco. Ele tinha 88 anos.

O pitoresco improvisador da música tradicional cubana foi o último dos membros do grupo a morrer. O guitarrista Compay Segundo e o pianista Ruben Gonzalez faleceram em 2003 aos 95 e 84 anos, respectivamente. O cantor Ibrahim Ferrer se foi no ano passado aos 78 anos de idade.
Leyva tinha uma voz profunda e ficou conhecido nos anos 50 por cantar em bandas de nomes famosos cubanos como Benny More e Bebo Valdez.

Os músicos, que durante anos foram esquecidos, viram suas carreiras ganharem força quando gravaram uma jam session com o guitarrista Ry Cooder em 1996, que virou o álbum premiado Buena Vista Social Club. A gravação reacendeu o interesse mundial sobre a música tradicional cubana. O Buena Vista era o nome de um clube social apenas para idosos em um bairro no oeste de Havana.
A história tocante da fama no fim das vidas dos músicos foi contada no excelente documentário "Buena Vista Social Club", dirigido por Wim Wenders em 1999. No ano seguinte foi indicado ao Oscar de Melhor Documentário, perdeu para "One day in september", do britânico Kevin MacDonald, filme que entrevista envolvidos no atentado nas Olímpiadas em Munique, em 1972, ainda não lançado no Brasil e, ao que parece, mais interessante do que a ficção de Steven Spielberg.
Voltando ao "Buena Vista", ele não ganhou o Oscar, mas recebeu o prêmio de melhor documentário das associações de críticos de Nova York, Los Angeles e Flórida. E por aqui ganhou o Grande Prêmio Cinema Brasil de Melhor Filme Estrangeiro.

FAM 2006

Em 1997 aconteceu em Florianópolis, Santa Catarina, o Seminário de Cinema e Televisão do Mercosul. Dois anos depois teve sua denominação alterada para Florianópolis Audiovisual Mercosul. Conta com dois eixos básicos: o Festival e o Fórum de Políticas.
O Festival já exibiu mais de 500 filmes entre curtas e longas do Brasil e Mercosul, nas mostras competitivas e não-competitivas. É a oportunidade da população catarinense ter acesso a cinematografia de produção recente, com grande diversidade, representando as diferentes regiões do país e do Mercosul.
O Fórum Audiovisual do Mercosul é composto pelo Seminário de Cinema e Televisão do Mercosul e os Encontros que atende as diferentes áreas do Audiovisual, incluindo Sindicatos, Produtores e Diretores, Distribuidores e Exibidores, tratando da inserção do audiovisual como produto diferencial que integra a cultura de um país.

O FAM2006, em sua 10ª edição, acontecerá no período de 2 a 9 de junho próximo. As inscrições foram abertas no dia 15 passado e continuam até 15 de abril.

Regulamento e ficha de inscrição na página

quinta-feira, 23 de março de 2006

por que você faz cinema?


"Para chatear os imbecis / Para não ser aplaudido depois de seqüências dó-de-peito / Para viver à beira do abismo / Para correr o risco de ser desmascarado pelo grande público / Para que conhecidos e desconhecidos se deliciem / Para que os justos e os bons ganhem dinheiro, sobretudo eu mesmo / Porque, de outro jeito, a vida não vale a pena / Para ver e mostrar o nunca visto, o bem e o mal, o feio e o bonito / Porque vi 'Simão no Deserto' / Para insultar os arrogantes e poderosos, quando ficam como cachorros dentro d’água no escuro do cinema / Para ser lesado em meus direitos autorais."

Resposta do cineasta Joaquim Pedro de Andrade (1932 - 1988), publicado no jornal Libération, Paris, maio de 1987. Musicado por Adriana Calcanhoto, gravado no cd "A fábrica do poema", 1994.

E você, se faz cinema, por que faz cinema?

inscrições para Cuba

foto Pablo Ruiz
Os exames de seleção para o curso regular 2006/2009 da Escola Internacional de Cinema e TV de San Antonio de los Baños, Cuba, acontecerão nos dias 28 e 29 de abril, em Belo Horizonte e Fortaleza.

De quatro a cinco candidatos brasileiros selecionados se integrarão a um grupo multinacional de 40 estudantes da América Latina, Caribe, Estados Unidos, África e da Comunidade Européia. O curso 2005-2008 terá início em setembro de 2006 e terminará em julho de 2009.

Condições exigidas dos candidatos:
1) Nacionalidade brasileira.
2) Idade entre 20 e 28 anos.
3) Ter concluído pelo menos dois anos de estudos universitários.
4) Responder a três provas escritas. Os aprovados passarão também por uma entrevista oral.
5) Ter conhecimentos de espanhol.
6) Todos os candidatos, independente das especializações escolhidas, deverão apresentar materiais em cinema, vídeo, fotografia ou artes gráficas em que tenham participado como realizadores ou como membros da equipe de produção, assim como roteiros, trabalhos escritos, ensaios, publicações que tenham produzido e que exprimam a sua sensibilidade literária, consistência intelectual e cultura geral.
7) Pagamento da taxa de inscrição de R$ 40.

As inscrições foram abertas dia 19 de março e irão até o dia 25 de abril.
Informações e inscrições nos endereços:
patriciamartin@uol.com.br , para as provas de Fortaleza e Porto Alegre
eictvbh@yahoo.com.br, para as provas em Belo Horizonte.

quarta-feira, 22 de março de 2006

prêmio para documentário latino


A União Latina e o Festival de Biarritz, Cinemas e Culturas da América Latina organizam a 8ª edição do Prêmio União Latina para recompensar o melhor filme documentário latino. A União Latina oferecerá um Prêmio de 3.000 Euros.

O Prêmio será atribuído ao melhor documentário latino que apresente uma visão original sobre a diversidade das culturas nos contextos sócio-políticos na América Latina no início do III milênio.

Condições para participação no concurso, pré-seleção:

• os participantes devem pertencer a um dos Estados membros da União Latina;
• os filmes documentários apresentados devem ter sido produzidos a partir do dia 1° de janeiro de 2005;
• os filmes documentários devem ser apresentados exclusivamente em formato vhs (palm, secam e ntsc) ou dvd e, se possível, com legendas em francês.
Outras informações, regulamento e inscrição na página http://dcc.unilat.org

Primo Carbonari, documentarista

foto jornal O Globo

O documentarista Primo Carbonari morreu hoje de causas naturais aos 86 anos, em sua casa, na Barra Funda, zona oeste de São Paulo. Nascido em 1º de janeiro de 1920, Carbonari foi responsável durante 45 anos pelo cinejornal "Amplavisão", que era veiculado nos cinemas antes dos filmes que estavam em cartaz. Foram mais de 3 mil edições do cinejornal, que trazia as mais variadas notícias.

Filho de imigrantes italianos pobres, foi um dos primeiros com uma idéia na cabeça e, sempre, uma câmera na mão. Acabou se transformando num dos maiores documentaristas de São Paulo, embora talvez nem tivesse sido essa a intenção.
O acervo, riquíssimo em imagens, começou a ser recuperado há dois anos, tendo à frente o crítico Jean-Claude Bernadett e o cineasta Eugênio Puppo, e parte dele vai virar um longa-metragem. Só de cinejornal foram três mil edições. Parte do material está fragmentada, mas o que já se pode ver sugere uma extraordinária riqueza de imagens.

No final dos anos 80 fui a sua casa-produtora fazer uma pesquisa para um documentário. Impressionou-me aquele senhor gordo, um pouco reservado, mas atencioso e bastante entusiasmado com o interesse da visita. Usava com naturalidade pares de óculos diferentes, improvisados, mais apropriados para trabalhar em um mundo minúsculo de peças de relógios. Carbonari precisava de lentes grossas para manusear as películas, ajustar as lentes das câmeras, acionar a moviola, e ler jornais. E ele me guiava pelos labirintos de corredores abarrotados de estantes de ferro com latas e latas de filmes. O cheiro de celulóide poderia ser sufocante para quem não fosse um apaixonado pela magia do cinema. Milhares de imagens, que eu deveria ter visto muitas, na minha frente, e o seu autor ali, ao vivo, ele que fazia parte de minha memória afetiva, dos cinejornais antes dos filmes de western spaghetti.

Carbonari será enterrado hoje no cemitério do Araçá.

o documentário em debate

Cineasta Eduardo Coutinho. Foto página www.revistadecinema.com.br

Na 11ª edição do É Tudo Verdade - Festival Internacional de Documentários, o Itaú Cultural sedia a 6ª Conferência Internacional do Documentário, com mais de 15 realizadores, especialistas, documentaristas e teóricos que discutirão, em quatro mesas, o documentário como método investigativo e criativo. A abertura será no dia 28 de marco, às 14h30, com a mesa Homenagem a Jean-Claude Bernardet: "O Documentário Brasileiro Como Objeto", com participacao de Amir Labaki, diretor-fundador do evento e os documentaristas Eduardo Coutinho e Kiko Goifman. Os encontros prosseguem até o dia 30 deste mês.

Amir Labaki, considera esta edição "auto-reflexiva", com convidados internacionais que trarão experiências similares "no mundo de discussão sistemática do documentário". Um dos assuntos que também norteiam a discussão é o impulso documental como princípio ativo da criação artística, com a mesa "O Impulso Documental nas Artes: Literatura, Fotografia e Arte Contemporanea", dia 29, às 14h30, com presença do escritor Fernando Bonassi, do arquieteto e fotógrafo Cristiano Mascaro, e da professora de cinema Consuelo Lins.

Entre os convidados internacionais estão Regis Michel, curador-chefe do Museu do Louvre, em Paris, que participa da mesa "O impulso Documental nas Artes: Video-Arte, Teatro Multimídia", no dia 30, às 10h30. Outro destaque é a participação de Michael Renov, professor da Escola de Cinema e Televisão da University of Southern California, de Margarita de la Veja Hurtado, diretora-executiva do International Film Seminars, e Anna Glogowski, programadora do evento Paris Cinema, que integram a mesa "Pensando o Documentário: A Experiência dos Seminários e Conferências Internacionais.

Para quem mora em São Paulo é um programa imperdível. O Itaú Cultural fica avenida Paulista, 149, perto da estação Brigadeiro do metrô.

terça-feira, 21 de março de 2006

Cine Ceará

foto de Gustavo Pellizzon/DN

"Estamos abrindo espaço para os filmes ibero-americanos no momento em que o cinema brasileiro está com uma excelente produção. Agora, em Gramado é diferente. Eles promovem uma mostra competitiva latina e outra brasileira. No nosso festival, todos os filmes estão no mesmo bolo, ou seja, vão competir em pé de igualdade. O prêmio que vamos pagar para o melhor filme é de dez mil dólares, não interessa que seja ficção ou documentário. Isso é uma grande inovação. Não interessa o gênero, o formato. A obra pode ser feita em vídeo, desde que tenha 700 linhas de resolução; pode ser produzido em 16 ou 35 milímetros. O melhor longa vai competir ao troféu Eusélio Oliveira e mais a um prêmio já citado de dez mil dólares. Nossa opção é madura. São 15 anos de festival".

Wolney Oliveira, cineasta e diretor do Cine Ceará, em entrevista ao jornal Diário do Nordeste de hoje, www.diariodonordeste.com.br. Marcado para os dias 1 a 8 de junho próximo, a 16ª edição do certame agora será Cine Ceará - Festival Ibero-americano de Cinema.

Informações, regulamento e inscrições na página www.cineceara.com.br

Miguel Littín em Salvador

Miguel Littín filmando "La ultima luna". Foto Azul Films/divulgação

O chileno Miguel Littín, convidado do II Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual, que acontece em Salvador entre os dias 2 e 9 de abril, é um dos mais respeitados cineastas do mundo, não só pela obra mas também pela sua luta contra a ditadura do general Augusto Pinochet. Autor, entre outros, de filmes como "El Cachal de Nahueltoro", de 1969, o inesquecível "Actas de Marusia", de 1975, "Alsino y el Condor", de 1982, e "La ultima luna", finalizado ano passado, e que será exibido no Seminário. Littín também dirigiu "Acta General de Chile", película que, na qualidade de exilado, rodou clandestinamente no seu país, em 1985. E as suas peripécias durante as gravações, resultaram num instigante livro de Gabriel García Márquez, intitulado "A aventura de Miguel Littín clandestino no Chile", lançado no Brasil pela Editora Record. O livro é impressionante pela proeza da narrativa inteiramente na primeira pessoa, a fim de assegurar autenticidade sobretudo no que se refere às emoções do depoimento.

Disfarçado e usando passaporte falso, uma vez que em 1985 era um dos cinco mil exilados absolutamente proibidos pela ditadura do general Pinochet de entrar no Chile, Littín só conseguiu a proeza graças ao apoio de organizações internacionais e da disposição de grupos clandestinos no seu país. Durante seis meses, percorreu o Chile de ponta a ponta, gastando sete mil metros de película, o que resultou num filme de quatro horas para a televisão e outro de duas para o cinema.

No Seminário Internacional de Cinema, Miguel Littín, em pessoa, vai recontar como conseguiu rodar um filme clandestino no Chile de Augusto Pinochet. Será um encontro imperdível.

Maiores informações, visite a página www.seminariodecinema.com.br

umidade relativa

Nelson Pereira dos Santos fotografado por Monique Renne, 2005

“O cinema brasileiro foi elevado a uma categoria semelhante à da literatura, que é a mais tradicional das formas de identidade da nossa cultura.”

O cineasta Nelson Pereira dos Santos, "explicando" sua eleição à Academia Brasileira de Letras. A posse na cadeira nº 7, ocupando a vaga deixada pelo embaixador Sérgio Corrêa da Costa, se dará em julho próximo. Nelson é autor de um único livro, "Três vezes Rio", onde reúne os roteiros dos filmes "Rio 40º", de 1954, sua estréia em longa, "Rio Zona Norte", filmado em 1957, e "O amuleto de Ogum", de 1974. Entusiasmado com a "imortalidade", prepara uma série de livros com roteiros filmados...

Nelson, antes de vestir o fardão, lançará seu novo filme no dia 21 de abril, "Brasília 18%", ficção em que narra uma história de amor tendo como pano de fundo uma situação da política nacional. A porcentagem do título não se refere a algum acordo de propina, ou coisa parecida, e se fosse faria sentido, levando em conta a ambientação do enredo nesses tempos de mensalão... O título remete à umidade relativa do ar, que no meio do ano, fica bastante abaixo do normal em Brasília. Coincidências ou não, é 18º longa do cineasta e dia 21 é aniversário da capital federal.

segunda-feira, 20 de março de 2006

Festival Universitário


Estão abertas, até o dia 7 de abril, as inscrições para as mostras competitivas, de curta em película e vídeos em qualquer formato, do 11º Festival Brasileiro de Cinema Universitário, realizado pela Universidade Federal Fluminense, com o patrocínio do Banco do Brasil, Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e Petrobrás. O Festival que ocorrerá de 30 de maio a 11 de junho do corrente ano, no Rio e em Niterói, aceita as inscrições de trabalhos realizados por universitários de todo o país, advindos de cursos de qualquer área de conhecimento ou faculdade.

Regulamento, ficha de inscrição e outras informações na página www.fbcu.com.br

domingo, 19 de março de 2006

Doc SBT

O SBT deve lançar neste semestre um concurso de documentários nacionais como parte das comemorações dos 25 anos do canal. O concurso - fruto de parceria que o canal está fechando com a Associação de Produtores de Cinema Independente, a Petrobrás e o Ministério da Cultura - terá como tema o meio ambiente.

Poderão participar da competição qualquer cineasta ou produtora independente. Batizado inicialmente de Documenta Brasil, o projeto segue fórmula semelhante ao do DocTV - que seleciona documentários de todo oBrasil para serem produzidos com patrocínio e exibidos nas TVs públicas.

Desde o seu lançamento, em 2004, o DocTV já produziu cerca de 150 documentários. E o projeto foi estendido a outros países. Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Bolívia, Peru, Colômbia, Venezuela, Panamá, Costa Rica,Porto Rico, Cuba, México, Portugal e Espanha irão participar do DocIbero-América, evento semelhante internacional.

O concurso do SBT deve ter suas inscrições abertas em abril e os vencedores terão suas produções exibidas pela emissora.

Vamos ver se o homem vai abrir o baú da felicidade para o cinema...

sábado, 18 de março de 2006

Capote em Brasília

Construção da Praça dos 3 Poderes em Brasília. Projeto Lucio Costa. Foto Arquivo Público do Distrito Federal

"Truman Capote e Juscelino Kubitschek nunca se encontraram, mas uma passagem do livro-reportagem do escritor norte- americano, A sangue frio, em destaque por conta do filme recém lançado Capote, remete aos dois personagens. Depois de assassinarem quatro integrantes da família Clutter numa cidadezinha do interior do estado americana do Kansas, no final de 1959, Richard Hitchcock e Perry Smith tentam emprego como marujos num petroleiro rumo ao Brasil, antes de serem capturados pela polícia. Sem documentos, acabam dispensados pelo capitão do navio. Frustrado com o fracasso do plano, Hitchcock desabafa com o parceiro no crime: 'Brasil! É lá que estão construindo uma capital inteiramente nova! Saída do nada! Imagine só chegar no princípio de uma coisa assim! Qualquer imbecil ficaria rico!' Em tempos de mensalão, as sagas da construção de Brasília e de seu mentor podem ser conferidas na minissérie da TV Globo".


Carlos Alberto Jr., no suplemento Pensar, jornal Correio Braziliense, 19/3/2006

Nelson Dantas, ator

Nelson Dantas. Foto página www.adorocinemabrasileiro.com.br

O ator Nelson Dantas, de longa carreira no cinema nacional, morreu hoje, aos 78 anos. Ele estava internado desde o início do ano no Hospital Adventista Silvestre, no Cosme Velho, zona sul do Rio, por causa de um câncer no pulmão. Nelson será velado neste domingo, das 14 horas às 16 horas, no cemitério Francisco Xavier, no Caju, zona portuária da cidade. Após o velório, seu corpo será cremado. Nelson é pai do também ator Daniel Dantas.

A carreira desse ator que sempre interpretou tipos carismáticos, teve início em peças de teatro de Nelson Rodrigues e Pirandello, mas foi no cinema em que ficou mais conhecido. Seu primeiro trabalho foi "Almas adversas", 1949, de Leo Merten. Atuou em 48 filmes, incluindo longas e curtas-metragens, entre eles, o ótimo "Retrato pintado", de Joe Pimentel, produção cearense, de 2000. Foi visto recentemente em "Narradores de Javé", 2003, de Eliane Caffé, e "Sonhos tropicais", 2002, de André Sturm. Teve uma rápida experiência atrás das câmeras, como assistente de direção em "Esse mundo é meu", primeiro longa dirigido pelo compositor e cantor Sérgio Ricardo, em 1963. Na televisão, Beato Salu é o seu personagem mais lembrado, em "Roque Santeiro", exibida na TV Globo, em 1985, no tempo em que as novelas prestavam.

O último filme em que Nelson atuou foi "Zuzu Angel", de Sérgio Rezende, que será lançado em agosto próximo. Nele o ator interpreta o sapateiro Antonio, pai de Carlos Lamarca, personagem retratado no longa do mesmo diretor, "Lamarca", em 1994, e novamente vivido por Paulo Betti.

bytes ensolarados

DJ Dolores. Foto página www.olivier.roller.free.fr

"Ensolarado Byte", que será exibido amanhã, às 23 horas, pela Rede Pública de Televisão, dentro da programação do II DovTV, é um documentário centrado na trajetória de três artistas importantes da cena musical pernambucana. O primeiro deles é o DJ e produtor DJ Dolores, pioneiro do Mangue Beat e, hoje, renomado nacional e internacionalmente por seu complexo mix de texturas eletrônicas e orgânicas. O segundo assina simplesmente Neílton, guitarrista da banda de hardcore Devotos, artista plástico e (re)contrutor de artefatos tecnológicos os mais variados. Fecha o trio o coletivo Re:combo, representado por Doktor Mabuse, também pioneiro do Mangue e articulador de uma rica reflexão sobre o uso de conceitos como "copyleft" e "licenças de uso abertas".

Esses três músicos/pensadores/construtores são os fios condutores de uma narrativa que pretende trazer para o público a relação entre a nova música pernambucana - aclamada em todo o país por sua diversidade e vigor criativo - e as tecnologias digitais das últimas duas décadas. No Recife, essa fricção foi incentivada pelo desenvolvimento paralelo da cena cultural deflagrada pelo Mangue Beat e de um complexo tecnológico chamado Porto Digital - situado no "Recife Antigo", área portuária que traz as marcas da colonização holandesa - com empresas de software de grande dinâmica.

Não à toa, um dos hinos do Mangue proclama que "computadores fazem arte, artistas fazem dinheiro": as respostas que os músicos locais encontraram para os impasses e possibilidades trazidas pela revolução tecnológica estão entre as mais interessantes dos últimos tempos. Seguindo uma tradição da periferia em reinventar paradigmas e ferramentas desenvolvidas no "centro do mundo", esses artistas encontraram soluções criativas para a produção e distribuição de suas músicas.

O documentário usa os depoimentos dos três citados acima, intercalados com trechos de show, vídeos raros e passeios pela cidade, para mostrar essas estratégias. Também aparecem entrevistas com dezenas de jornalistas, produtores e empresários do país e do exterior.
Dirigido por Maurício Correia, "Ensolarado Byte" mostra que um outro mundo é possível, quando se trata de usar ou (re)pensar a tecnologia para fins criativos. Não é preciso rios de dinheiro para fazer uso vantajoso das possibilidades que ela traz. E melhor: se os ganhos artísticos são inegáveis, uma importante troca acontece na área social, com geração de empregos e aumento da auto-estima. Recife, culturalmente tão diversificada, nos oferece essa importante lição.

Agende-se. Vale a pena.

sexta-feira, 17 de março de 2006

Almodóvar em estado de graça

Pedro Almodóvar. Foto Variety Staff

"Após o inferno de 'Má educação', em que rodava com a sensação de estar sempre à beira do abismo, desta vez não sofri. Isso não significa que 'Volver' seja melhor. Aliás, estou muito orgulhoso de 'Má educação', mas a ansiedade era terrível. Para dirigir um filme, é mais importante ter paciência que talento. E eu estava perdendo a paciência para as coisas triviais, que são as que mais exigem. Com 'Volver', recuperei parte dessa paciência. Todas as atrizes viviam e trabalhavam unidas, numa relação maravilhosa, quase familiar, e captei isso. Foi como uma bênção, todas estavam em contínuo estado de graça.”

Pedro Almodóvar, em entrevista aos jornalistas em Madri, Espanha, durante o lançamento do seu novo filme, "Volver". Tendo à frente do elenco sua fiel atriz Carmen Maura e - sem trocadilho - voltando a dirigir Penélope Cruz, o cineasta escreveu um roteiro sobre a história de três gerações de mulheres de sua terra natal, La Mancha. Almodóvar sempre se impressionou com a naturalidade com que seus conterrâneos tratam a morte: "eles cultivam muito a memória e passam a vida inteira cuidando de suas sepulturas." Mas o olhar do diretor é otimista, e "o filme é sobre essa comunidade feminina em que se fala muito, se oculta muito, se escuta muito e, para ser uma comédia, chora-se muito." Carmem Maura, por exemplo, faz uma avó que volta do além para resolver uns assuntos que esquecera. Mortos e vivos convivem sem nenhum espanto. O fantástico e o real na mesma tela.

a bela da mina


Charlize Theron em "Terra fria" (North country), de Niki Caro, ambientado em uma mina de ferro no interior de Minnesota, Estados Unidos. A atriz sul-africana concorreu este ano ao Oscar na categoria de Melhor Atriz, perdendo para a "favorita" Reese Witherspoon, por "Johnny & June" (Walk the line), de James Mangold. A atuação de Charlize é superior, assim como a de outra concorrente, Felicity Huffman, em "Transamérica" (Transamerica), de Duncan Tucker. Reese depois de fazer sucesso com a chatice da série "Legalmente loura", partiu para um trabalho mais "dramático", vivendo June Carter, a companheira do músico Johnny Cash, que lhe rendeu ainda o Globo de Ouro e um prêmio do Sindicato dos Atores de Hollywood. Charlize ganhou em 2004, pelo surpreendente desempenho em "Monster", e seria justo mais uma vez por esse filme em que interpreta a primeira mulher a vencer um processo de assédio sexual. Mas... os "mineiros" votantes da Academia se ''vingaram" da acusação.

quinta-feira, 16 de março de 2006

o charme da diretora

Amora Mautner na Esplanada. Foto José Varella/Correio Braziliense

Não são somente os atores José Wilker e Letícia Sabatella que estão chamando a atenção em Brasília, durante as gravações de episódios da minissérie "JK", da TV Globo. Na Esplanada dos Ministérios, em frente ao Congresso Nacional, a diretora Amora Mautner desperta os olhares dos curiosos, esbanjando charme com sua voz rouca e determinada atrás das câmeras, comandando atores, figurantes e técnicos.

Amora, 30 anos, filha do compositor Jorge Mautner, vem de experiência em comerciais na Conspiração Filmes, onde começou ainda aos 15 anos como assistente de cenografia, figurino e arte. Não demorou e sete anos depois estava no seleto grupo de diretores de novelas e minisséries. Ano passado esteve na Amazônia dirigindo "Mad Maria". Seu objetivo mesmo é fazer cinema. E não será surpresa se em breve estiver à frente de uma dessas produções da Globo Filmes.

de volta aos clássicos

"Os esquecidos" (Los olvidados), de Luis Buñuel.

Depois de um breve período de recesso, entre as festas natalinas e a folia do carnaval, a Sala Cinemateca, em São Paulo, retorna às suas atividades e oferece ao público, neste de mês, a mostra "De volta às telas".
A Cinemateca revisita o mote do filme clássico para reexibir grandes fitas e oferecer ao público a possibilidade de descobrir ou redescobrir obras-primas da história do cinema em cópias novas e, algumas, restauradas, como é o caso de "Os esquecidos", de Buñuel. Rodado em 1950, o filme é da fase mexicana do diretor espanhol, assim como o também ótimo "Nazarin", de 1958, mas que não está na programação. Fica a dica ao pessoal da Cinemateca para um próximo evento.

A lista completa da mostra está na página www.cinemateca.com.br

sábado, 11 de março de 2006

mostra Wertmüller

Lina Wertmuller. Foto página www.linawertmuller.com

Arcangela Felice Assunta Wertmüller von Elgg Spanol von Braueich, ou simplesmente, Lina Wertmüller, a maior cineasta italiana. Começou a carreira como assistente de Federico Fellini, em nada menos do que "Oito e meio" (Otto e mezzo), em 1963. No mesmo ano estreou na direção com "I basilischi", e ficou mais conhecida a partir de 1972 com "Mimi metalúrgico" (Mimi metallurgico), com o ótimo Giancarlo Giannini, ator que juntamente com a histriônica Mariangela Melato, ficariam como uma espécie de "marca registrada" da sua filmografia.

Desde seus primeiros filmes são notáveis as coordenadas estilísticas e temáticas "à Wertmüller": uma sátira arguta e abrangente da sociedade italiana com visão ampla, retratando da burguesia ao proletariado de modo bastante original. Outra característica de seus filmes é o grande refinamento da direção de arte e figurinos. Nota-se uma visão barroca que se expressa também nos irônicos e enormes títulos dos seus filmes. Muito sintomático para quem foi batizada com um nome extenso... Há títulos como "Tudo certo... mas nada em ordem", ou "Tutto a posto niente in ordine" e "Por um destino insólito", originalmente "Travolti da un insolito destino nell'Azzurro mare d'Agosto", ambos de 1974, "Dois na cama numa noite de chuva", trazudido de "La fine del mondo nel nostro solito letto in una notte piena di pioggia", única produção inglesa, de 1977, e, entre tantos outros, "Fatto di sangue fra due uomini per causa di una vedora: si sospettano moventi politici", e a essa altura os distribuidores brasileiros e os diagramadores de cartazes já não agüentavam mais esses títulos intermináveis e abreviaram para "Amor e ciúme", o filme lançado em 1978, com Marcello Mastroianni, Sophia Loren e, quem?, ele mesmo, Giannini.

A cineasta estará no Brasil no período de 14 a 19 deste mês, em São Paulo, durante a mostra em sua homenagem, uma realização do Centro Cultural São Paulo e Instituto Italiano di Cultura de São Paulo. O ciclo exibirá oito longas-metragens.
Lina, hoje com 77 anos, foi a primeira mulher a ser indicada ao Oscar na categoria de melhor direção, por "Pasqualino Sete Belezas" (Pasqualino Settebelleze), em 1975.

Outras informações sobre o evento na página:

sexta-feira, 10 de março de 2006

a arte em cartaz

Philip Seymour Hoffman em "Capote", de Bennett Miller. Foto Sony Pictures/Divulgação

"Quem não conheceu Truman Capote, deve ficar pensando agora que ele não tinha como ser perseguido por seus modos extravagantes, pois, na versão de Hoffman em tela grande, quem conseguiria resistir a sua inteligência e a seu charme? O grande intérprete recria a vida. E isso é arte. Vá ver arte; está, neste momento, em cartaz. Em 'Capote'".

Trecho do artigo de Júlio Daio Borges, na revista Digestivo Cultural.
Texto completo na página:

dona Elizabeth

Dona Elizabeth e os filhos em "Cabra marcado para morrer", 1964. Foto MapaFilmes

Dona Elizabeth condecorada no Senado Federal, 2006. Foto José Varella/Correio Braziliense

A história de combate à violência agrária e à impunidade da paraibana Elizabeth Altino Teixeira começou em 1962, com o assassinato do marido, o fundador da Liga Camponesa João Pedro Teixeira. “O João sempre me pedia para dar continuidade à luta, eu não respondia. Na hora da morte, ele segurou na minha mão e eu disse sim. Nem pensei que eu estava sozinha para criar onze filhos”, conta com serenidade a senhora de 81 anos. Para não ter o mesmo fim do marido, com o golpe militar de 1964, Elizabeth foi viver na clandestinidade, no interior do Rio Grande do Norte, com o falso nome de Marta Maria Costa.

Quando era militante, ela chegou a ser convidada por Fidel Castro para morar com a família em Cuba. Determinada, agradeceu respondendo que tinha uma missão no Brasil: “lutar pelo direito à terra.” A trajetória de ambos foi resgatada pelo cineasta Eduardo Coutinho. No filme "Cabra marcado para morrer", rodado inicialmente em 1964 e finalizado em 1984, Elisabeth é protagonista da história de perseguição no campo e de repressão política sofrida pelo marido. “Perdi a conta de quantas vezes fui presa e vi a morte de perto, mas o que mais doeu nessa vida toda foi ter passado mais de 16 anos longe dos meus filhos”, conta. Nove deles foram criados pelo pai de Elizabeth.

Fonte: Correio Braziliense

Dona Elizabeth Teixeira foi uma das cinco brasileiras homenageadas ontem no Congresso Nacional, recebendo o diploma Mulher-Cidadã Betha Lutz pelo Dia Internacional da Mulher, comemorado no dia 8.

quarta-feira, 8 de março de 2006

Nação Farkas

Thomaz Farkas fotografado por Juan Esteves

Entre 1964 e 1971, o fotógrafo, produtor e diretor Thomaz Farkas protagonizou uma das maiores aventuras documentais vividas pelo cinema brasileiro. Ao lado de alguns dos mais importantes documentaristas do País, Farkas viajou pelo Brasil, num grande projeto, batizado pelo cineasta Eduardo Escorel de Caravana Farkas. A aventura legou à história do cinema nacional filmes de curta e médias-metragens que são um retrato do País no período.
De 21 de março a 2 de abril de 2006, o Centro Cultural Banco do Brasil oferecerá ao público de Brasília a oportunidade de assistir a essas preciosidades do cinema brasileiro, com a mostra Nação Farkas – A aventura documental de Thomaz Farkas. Sob curadoria do crítico Sérgio Moriconi, serão exibidos 34 filmes de curta e média-metragens – e um longa – que apresentam um documento visual da realidade brasileira, nas décadas de 60 e 70, e que não costumam freqüentar as salas de cinema.

No dia de abertura, 21 de março, às 19 horas, a mostra contará com a presença do fotógrafo, que está com 81 anos e virá especialmente para o evento. Ele conversará com o público logo após a exibição de um de seus filmes mais consagrados, "Hermeto Campeão", de 1981, no qual apresenta a obra e o pensamento do músico Hermeto Paschoal. A vinda de Farkas a Brasília tem também um sentido de reencontro: o realizador viu a cidade nascer. Ele foi um dos primeiros fotógrafos a registrarem a construção da Capital Federal e o material que mantém em arquivo é precioso, revelando perfis interessantíssimos do nascimento da cidade.

O projeto que passou à história como Caravana Farkas nasceu da intenção do fotógrafo de registrar a realidade brasileira, em produções feitas a partir do conceito de “cinema verdade”. Para isso, Farkas convidou alguns dos mais importantes documentaristas da época no Brasil, como Paulo Gil Soares, e jovens diretores de então, como Sérgio Muniz, Maurice Capovilla e Geraldo Sarno.

Num primeiro momento, entre 1964 e 1965, o trabalho rendeu filmes consagrados como "Viramundo", de Geraldo Sarno, "Nossa escola de samba", de Manuel Horácio Gimenez, "Subterrâneos do futebol", de Capovilla, e "Memória do cangaço, de Paulo Gil Soares. O segundo período, ocorrido entre 1969 e 1971, resultaria em 19 curtas e médias, realizados nos mais diversos estados do Nordeste.
Farkas nasceu na Hungria e radicou-se em São Paulo aos seis anos de idade.


Fonte: Objeto Sim Projetos Culturais - Brasília.

inscrições prorrogadas


O Ministério da Cultura, por meio da Secretaria do Audiovisual (SAV), comunica a prorrogação para 31 de março da data limite para inscrição em quatro dos editais do Programa de Editais de Formento à Produção 2005-2006:

. Curta-metragem, do gênero ficção, documentário ou experimental (Edital n° 3).
. Curta-metragem, com temática infanto-juvenil (Edital n° 4).

. Curta-metragem, do gênero animação (Edital nº 5)
. Longa-metragem, do gênero ficção, de Baixo Orçamento (Edital n° 2 - segunda chamada)

Os editais acima citados encontram-se disponíveis na página concursos.sav@minc.gov.br, no link Apoio a Projetos/Editais.

terça-feira, 7 de março de 2006

Truman Capote

Truman Capote fotografado por Irving Penn, em 1965

O Oscar concedido a Philip Seymour Hoffman por seu papel como Truman Capote no filme dirigido pelo estreante Bennett Miller, é parte do interesse surgido nos Estados Unidos por um autor que nunca esteve tão na moda desde que morreu, há 22 anos.

Além do filme Capote, a onda inclui a estréia de outro longa-metragem, Infamous, a publicação de vários livros e até mesmo a recriação das célebres festas que organizava o considerado precursor do "novo jornalismo".

Com a máxima de que "os detalhes revelam melhor do que nada as coisas importantes", Capote podia começar uma crônica judicial centrando a atenção do leitor no brilho da aliança do juiz ao invés de informar diretamente sobre a sentença.

Esse tipo de recurso foi empregado depois por autores tão conhecidos como Norman Mailer e Tom Wolfe, que, como Truman Capote, elevaram o jornalismo à categoria de literatura.

No entanto, sua influência e o êxito de novelas como A sangue frio e Bonequinha de luxo - ambas levadas ao cinema, respectivamente em 1967, por Richard Brooks, e 1961, por Blake Edwards - não impediram que Truman Capote morresse, aos 60 anos, sob crítica de seus colegas, esquecido por seus amigos e quase submerso no anonimato.

Sua homossexualidade e o abuso de álcool e drogas não o ajudaram, sobretudo durante seus últimos anos, a lavrar uma boa fama em alguns setores.

Capote recuperou, porém, o protagonismo que, segundo confessava, sempre perseguiu na vida, e conquistou em alguns momentos de sua existência, com ao menos dois filmes e três publicações de plena atualidade nos dias de hoje.

O outro filme baseado no escritor, Infamous', é dirigido por Doug McGrath, com Gwyneth Paltrow, Sigourney Weaver e Sandra Bullock no elenco. O roteiro foi escrito a partir do livro de título quilométrico "Truman Capote: in which various friends, enemies, acquaintances and detractors recall his turbulent career", de George Plimpton. O filme vai mostrar o curioso relacionamento do escritor com os assassinos Dick Hickock e Perry Smith, personagens de A sangue frio enquanto eles esperavam no corredor da morte. Smith é interpretado por Daniel Graig, o novo James Bond, que andou quebrando os dentes nas filmagens de Cassino Royale. No papel de Capote, ainda não se sabe se com o mesmo brilho de Seymour, o ator Toby Jones, que fez recentemente Em busca da terra do nunca (Finding neverland), de Marc Forster, e é a voz do elfo num desses Harry Porter.

Cine Ceará


Foram abertas no dia 1º de março, e seguem até o dia 20 de abril, as inscrições para os produtores brasileiros e dos países ibero-americanos, interessados em participar das mostras competitivas de cinema e vídeo de curta e longa-metragem do 16º Cine Ceará – Festival Ibero-Americano de Cinema. O evento acontecerá em Fortaleza, entre os dias 01 e 08 de junho próximo.
A inscrição é gratuita e os filmes e vídeos devem ser enviados prioritariamente em dvd. Em caso de fita vhs o sistema de gravação deve ser obrigatoriamente ntsc. Deverão acompanhar filmografia do realizador, duas fotos de divulgação em formato jpg e lista de diálogos, inclusive para os filmes brasileiros de longa e curta metragem.

Os prêmios da Mostra Competitiva serão outorgados por dois júris, um para cinema de longa-metragem – competindo filmes nacionais e ibero-americanos que concorrem a um prêmio de U$ 10 mil (dez mil dólares) para o melhor longa do Festival – e um para curta-metragem em cinema e vídeo – neste caso somente para produções brasileiras. Cada júri será composto por no mínimo 05 (cinco) membros e estabelecerá os critérios de trabalho em conjunto com a Direção do Festival. Os selecionados concorrem ao Troféu Eusélio Oliveira de Melhor Curta e Melhor Longa-Metragem nas categorias direção, fotografia, edição, roteiro, trilha sonora original, som, direção de arte, ator e atriz.

O 16° Cine Ceará tem por finalidade levar ao público cearense uma parcela significativa da produção de cinema e vídeo ibero-americanos, possibilitando o intercâmbio entre os produtores brasileiros e dos países ibero-americanos, divulgando os novos talentos na área do audiovisual.

O Festival de Cinema é uma promoção da Universidade Federal do Ceará, através da Casa Amarela Eusélio Oliveira, com apoio do Governo do Estado do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura e Desporto-Secult, e do Ministério da Cultura, através da Secretaria do Audiovisual. A realização é da Associação Amigos da Casa Amarela Eusélio Oliveira. O evento conta com patrocínios da Petrobras por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet) e da Companhia Energética do Ceará- Coelce, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura- Lei Jereissati.

O regulamento oficial já se encontra à disposição na página oficial do evento (www.cineceara.com.br)
A seleção dos filmes e vídeos será feita por uma comissão nomeada pela direção do Festival e a lista dos selecionados será divulgada posteriormente na internet e junto à imprensa.

segunda-feira, 6 de março de 2006

revista Teorema


"Saí do último filme de Jim Jarmusch, digamos assim, desorganizado. É claro que uma história sobre um reencontro do protagonista com suas 'ex-mulheres' leva o espectador a refazer mentalmente o seu próprio trajeto sentimental pelos desencontros da vida. Mas no meio desse tour lírico-nostálgico (amargo?) que empreendi, tentei pensar melhor sobre como essa odisséia aparece na tela."


Trecho inicial da análise que o cineasta gaúcho Fabiano de Souza faz do filme "Flores partidas" (Broken flowers).

Outras críticas, artigos e entrevistas estão na oitava edição da revista Teorema, uma publicação do Núcleo de Estudos de Cinema de Porto Alegre, sob os cuidados dos obstinados jornalistas e cineastas Marcus Mello, Fernando Mascarello, Flávio Guirland, Ivonete Pinto e o citado Fabiano.
"Cinema, aspirinas e urubus", de Marcelo Gomes, "Cidade Baixa", de Sérgio Machado, “Bendito fruto”, de Sérgio Goldenberg, “Meu tio matou um cara”, de Jorge Furtado, “A menina santa” (La niña santa), de Lucrecia Martel (foto da capa), “O jardineiro fiel” (The constant gardener), de Fernando Meirelles, “Marcas da violência” (A history of violence), de David Cronenberg, são os filmes analisados, refletidos ao longo da revista. Uma entrevista com o teórico de cinema e professor da USP, Ismail Xavier, aborda, entre outros temas, o padrão de cultura visual e dramática da televisão. Flávio Mainieri, professor de Literatura Dramática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, expõe o processo de adaptação em Leon Hirszman (1937-1987) enfocando seus filmes “A falecida” (1964) e “São Bernardo” (1971)

Interessados nessa e nas edições anteriores, podem entrar em contato no endereço revistadeteorema@yahoo.com.br

seminário em Salvador

Alberto Joel Garcia, Yailene Sierra e Roberto Samartín em "Habana Blues", de Benito Zambrano. Foto página www.habanablues-es.com

Sucesso na primeira edição, este ano o II Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual acontece entre os dias 2 e 9 de abril. Com a presença de renomados cineastas, acadêmicos e críticos, serão realizados na reitoria da Universidade Federal da Bahia, em Salvador, debates e mesas-redondas discutindo questões como a influência do neo-realismo italiano no pré-cinema novo, as perspectivas do cinema político na América Latina, o cinema ibero-americano e os novos caminhos do audiovisual, com enfoque para o tema Cinema e Multiculturalismo.

Abrilhantarão as discussões, diretores e estudiosos como os críticos especializados em cinema neo-realista, o italiano Adriano Aprà e a brasileira Mariarosaria Fabris, os cineastas Tunico Amâncio e Eduardo Escorel, o crítico norte-americano Robert Stam, entre outros.
Um dos homenageados deste ano é o cineasta Nelson Pereira dos Santos, que receberá da UFBA o título de Doutor Honoris Causa.

Na programação a Mostra de Cinema Ibero-Americano serão apresentadas películas inéditas na capital baiana, como "Habana Blues" (Habana Blues), do espanhol Benito Zambrano, "Espelho mágico", do português Manuel de Oliveira e "Argentina latente" (Argentina latente) de Fernando Solanas, todos produzidos ano passado.
Outro atrativo do seminário promete ser a retrospectiva em torno da obra do cineasta alemão Jürgen Böttcher, também identificado pelo pseudônimo Strawalde, por conta da paralela carreira de pintor. Apesar de pouco visto no Brasil, o diretor tem na bagagem filmes com relevância política e que já foram agrupados em destacadas mostras no centro parisiense Pompidou e no Festival de Edimburgo, na Escócia.

Com vagas limitadas, os interessados residentes na Bahia e em outros estados do Brasil poderão se inscrever a partir de hoje, através da página www.seminariodecinema.com.br

sábado, 4 de março de 2006

mulheres no cinema


Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, 8 de março, a mostra de filmes “Elas só Pensam Naquilo” apresenta uma seleção de 18 longas e 5 curtas, que reúnem narrativas sobre mulheres obstinadas, em busca da realização de seus sonhos e objetivos de vida.
Realizada pelo Centro Cultural Banco do Brasil, a mostra acontece de 7 a 19 de março, nas salas de cinema e vídeo do CCBB-Rio e simultaneamente no CCBB-Brasília.

“Elas só Pensam Naquilo” mergulha em narrativas sobre mulheres apaixonadas, obsessivas, cruzando seus caminhos na tela de cinema, provocando a reflexão sobre diversos temas existenciais abordados em cada um dos filmes. Não por acaso, os filmes da mostra trazem entre suas protagonistas atrizes como Charlotte Rampling, em “Sob a areia” (Sous le sable), 2000, de François Ozon; Isabelle Hupert em “A professora de piano” (La pianiste), produção austríaca de 2001, dirigida por Michael Haneke; a italiana Anna Magnani em “Belíssima” (Bellissima), de Luchino Visconti, 1951. São atrizes cujas carreiras foram sedimentadas pela interpretação de personagens intensas, passionais, tempestuosas e extremamente vulneráveis.

Além desses, os clássicos “A história de Adele H” (Histoire d'Adèle H.), 1975, de François Truffaut e “O império dos sentidos” (Ai no korīda), 1976, de Nagisa Oshima, dividem a programação ao lado de filmes contemporâneos como “A cidade está tranqüila” (La ville est tranquille), 2000, de Robert Guediguian, e “Monster - desejo assassino” (Monster), 2003, de Patty Jenkins.
Cinco curtas-metragens nacionais serão exibidos paralelamente: “Além da porta”, 2005, de William Hinestrosa, "Eletrodoméstica",2005, de Kleber Mendonça Filho, "Isaura", 2001, de Alex Sernambi, "Águas de Romanza", 2002, de Gláucia Soares e Patrícia Baía e "Habanera", 2004, de Joana Oliveira.

Três documentários nacionais também entraram na seleção: “Um passaporte húngaro”, dirigido por Sandra Kogut em 2001, além de dois filmes da cineasta Tetê Moraes, “Terra para Rose”, 1987, e “O sonho de Rose 10 anos depois”, rodado em 2000.

A curadoria da mostra é da jornalista Suzy Capó e Beth Sá Freire, diretora adjunta do Festival Internacional de Curtas-Metragens de SP.

festival de Belo Horizonte


Estão abertas as inscrições para o 8º Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte. As inscrições para as Mostras Competitivas Brasileira e Internacional são gratuitas e devem ser feitas de 02 a 31 de março de 2006, através da página oficial http://www.festivaldecurtasbh.com.br , onde também está disponível o regulamento.

A grande novidade deste ano é que as Mostras Competitivas aceitarão inscrições de curtas-metragens finalizados em qualquer formato de vídeo, além de película 16mm e 35mm. Serão aceitos trabalhos de todos os gêneros, lançados entre janeiro de 2005 e março de 2006. O curta-metragem deverá ter no máximo 30 minutos de duração e estar finalizado no momento da inscrição. Curtas inscritos nas edições anteriores do Festival não serão aceitos. A lista dos trabalhos selecionados para as Competitivas Brasileira e Internacional será divulgada até 21 de junho de 2006.

O 8º Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte será realizado entre os dias 21 e 30 de julho de 2006, no Cine Humberto Mauro, no Palácio das Artes, e em outros espaços de Minas Gerais a serem divulgados oportunamente.