sábado, 2 de maio de 2015

um homem da paz

"Sou um homem da paz. Mas a paz tem um inimigo: a passividade", dizia o teatrólogo Augusto Boal.

Ele foi um dos mais lúcidos homens de teatro que este país já teve. E continuará tendo, apesar da sua ausência física que marca os palcos desde 2009, quando faleceu em 2 de maio, aos 78 anos.

Era admirável seu espírito de contestação, que se destacou principalmente contra o golpe militar de 64. Boal dizia que não lhe incomodava perder "quando existe um debate ideológico e social, mas ser derrotado por um Estado armado, com canhões e tanques de guerra, dá uma tristeza enorme."

Sua filosofia de encenação teatral unia reflexão social e ação política, calcada na educação, na cidadania, nos princípios pedagógicos. Não foi por favores que o jornal inglês The Guardian o considerou o "reinventor" do teatro político. Torci muito por ele quando seu nome foi lembrado para o Nobel da Paz, em 2008.

Uma pena homens grandiosos como Boal partirem, enquanto uma canalhada continua dando o ar de sua desgraça neste país.

Nenhum comentário: