quarta-feira, 6 de maio de 2015

drive my car

Há uns três anos o jornal Correio Braziliense, em sua página de crítica de cinema, deu cinco estrelinhas, algo como nota máxima, para o filme Drive, do dinamarquês acampado em Hollywood, Nicolas Winding Refn. Realmente, dentro do gênero de "filmes de ação", ele se diferencia pelo tratamento narrativo. Há umas pontuais dosagens de neurônios na decupagem de alguns longos planos introspectivos, violência na medida certa (se é que isso faz sentido), montagem bem calculada que resulta densidade e tensão nas sequências. E o prêmio de melhor direção no Festival de Cannes daquele ano despertou curiosidade pelo filme.

Mas, peraí! Classificar Drive com nota máxima, o que sugere uma obra-prima, é de fazer tremer de indignação Cidadão Kane (Citizen Kane), de Orson Welles, e até mesmo Taxi driver (Taxi driver), de Martin Scorcese, como a crítica equivocada teve o sacrilégio de comparar em termos de atualização. 

E o filme, já no nascedouro, está carimbado como "cult". Só faltou ser capa da Veja como "filme do ano". É muita empolgação midiática para um trabalho apenas corretinho, dentro de um gênero que já se vulgarizou e se repete ad nauseam nos multiplexes.

Nicolas Winding Refn está longe de um cinema inquietante como o do seu compatriota Lars von Trier. O dogma dele é outro.

Só rindo mesmo, com Orson Welles e Anthony Perkins nos intervalos de O processo (Le Procès), 1962. 

Hoje um século de vida desse gênio.

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