domingo, 10 de maio de 2015

a mãe de Brecht

Em 1939 Bertold Brecht escreveu a peça Mãe Coragem e seus filhos. Era sua tentativa de alertar para o perigo do nazifascismo que ameaçava se alastrar por toda a Europa. 

Estratégica e simbolicamente ambientada no século 17, durante a Guerra dos Trinta Anos, a peça traz todos os conceitos da teatro épico e do que ficou conhecido como distanciamento e estranhamento brechtianos.

Anna Fierling, o personagem da mãe, é a cristalização da mulher que usa a coragem de forma enviesada, que decide seguir o exército sueco na guerra, que vive para a guerra, lucra com a guerra, e perde seus filhos. Não há sentimentalismos, não há compreensão emocional com os personagens. Há reflexão. Assim como a protagonista mantêm-se indiferente à realidade ao seu redor, uma hiena em campo de batalha, como observaram os críticos da época, a ausência da empatia faz com que se observe na personagem uma situação histórica e suas consequências para os homens e os tempos futuros.

A peça só chegou aos palco em 1941, no Teatro Schauspielhaus, em Zurique, dirigida por Leopold Lindtberg, com a atriz Helene Weigel no papel-título.

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