sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Trumbo não vai à guerra

foto John Swope, 1947
Em 1947 o escritor e roteirista Dalton Trumbo foi convocado a comparecer perante o famigerado Comitê de Atividades Não-Americanas da Câmara no Congresso dos EUA. Quando lhe perguntaram se era comunista, respondeu com firmeza ao inquisidor: "Você deve ter alguma razão. Pode perguntar”. E recusou-se a dizer quem em Hollywood era de esquerda.
Era época medieval de “caça às bruxas”, o Marcartismo, comandado pelo senador republicano Joseph McCarthy, que se prolongou até 1957, perseguindo numa paranoia desvairada, com atuação da patrulha ostensiva de J. Edgar Hoover, do FBI, todos aqueles considerados “ameaça às instituições estadunidenses” pela suposta associação de qualquer individuo simpatizante de esquerda.
O principal alvo das suspeitas foram funcionários públicos, educadores, sindicalistas, e trabalhadores da indústria do entretenimento, os atores, cineastas e roteiristas. As invasões bárbaras do poderio norte-americano sempre foram bélicas e culturais. O cinema como indústria é uma arma quente na logística deles, dominador de efeito dopante, com o gás paralisante dos happy ends. Monitorar os roteiristas, criadores de histórias, etc e tal, fazia – e faz – parte de uma política conservadora e nacionalista.
Dalton Trumbo é um dos maiores exemplos de resistência às perseguições aos artistas. Foi colocado na lista negra dos “dez hostis à Holywood”. Lista essa que se ampliou para mais de 250 nomes, que incluíam famosos como Zero Mostel, Charles Chaplin, Orson Welles, Edward Dmytryk, Lillian Hellman, Lee J. Cobb, Sam Jaffe, Allen Ginsberg...
O ótimo filme Trumbo: Lista Negra (Trumbo), de Jay Roach, 2015, disseca o drama do biografado em uma atuação marcante de Bryan Cranston, que concorreu ao Oscar de Melhor Ator este ano e perdeu para o regressado Leonardo DiCaprio.
Trumbo, que hoje faria 111 anos, escreveu um dos mais densos, angustiantes e importantes livros antibelicistas da literatura mundial, John vai à guerra, em 1939, adaptado para o cinema em 1971, dirigido pelo próprio autor. Foi sua única incursão por trás câmeras. Tão valiosa quanto a escrita.

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