domingo, 25 de dezembro de 2016

as últimas luzes de Carlitos

Em Luzes da ribalta (Timelight), o ator e diretor Charles Chaplin atinge o ponto alto da essência em sua rica cinematografia. O personagem Carlitos é o espelho e efígie do ser humano, com sua alegria, dores e esperança. O riso de Carlitos é a gargalhada da alma. A tristeza de Carlitos é a lágrima da alma. O abraço de Carlitos é o aconchego da alma.
O crítico francês Jean Mitry disse uma vez que com o mito Carlitos, o ator criou um estilo de mímica que se refere mais ao conteúdo do que ao comportamento.
Rodado em 1952, o filme sedimenta essa definição. É o mais puro, original e, sobretudo, o mais profundamente pessoal filme de Chaplin.
Depois de Luzes..., ele dirigiu apenas dois filmes na Inglaterra, o irônico Um rei em Nova Iorque e o crepuscular A condessa de Hong Kong, onde faz apenas uma aparição, como mordomo, deixando o papel principal para Marlon Brando.
Charles Chaplin apagou as luzes da ribalta, definitivamente, enquanto dormia, na madrugada de Natal de 1977, aos 88 anos.

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