domingo, 11 de dezembro de 2016

de los cambalaches se ha mezclao la vida

"O tango é um pensamento triste que se pode dançar".
- Enrique Santos Discépolo, poeta, compositor, dramaturgo, ator e cineasta argentino, autor do clássico Cambalache tango para o filme El alma del bandoneón, de Mario Soffici, em 1935.
A composição teve dezenas versões do ritmo tradicional ao rock.
No Brasil gravaram Caetano Veloso, Gilberto Gil, Angela Roro, Raul Seixas, sendo esta uma interpretação mais próxima do deboche crítico que a letra pretende.

Gravada no vinil de 1987, Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum! o maluco beleza com seu "tango in roll", passa com um português sarcástico a leitura das indignidades perpetradas pelos regimes de podres poderes ao longo do Século XX, e bem antes dos horrores da Segunda Guerra. Censurada pelos governos da época, a letra original é de uma atualidade impressionante, bastante aplicável para estes tempos direitistas de almas sebosas.
Hoje se comemora na Argentina o Dia Internacional do Tango, não lamentavelmente em homenagem ao ferrenho e lúcido Enrique Discépolo, mas pela data de nascimento de quem teve mais projeção, o cantor Carlos Gardel e o compositor Julio de Caro.
No centro de Buenos Aires na esquina de Avenida Corrientes com Calle Enrique Santos Discépolo há uma placa em sua deferência. E ali próximo tem uma simpática rua passagem para pedestres em forma de S que leva seu nome, onde tem o Teatro del Picadero, um imóvel de 1926 onde o autor frequentava.
Enrique Discépolo é uma lembrança que se pode dançar.

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