terça-feira, 13 de dezembro de 2016

a luz dos olhos teus

Interior cearense. Noites quentes de sempre verão.
13 de dezembro, dia de Santa Luzia. Minha tia era devota, e colocou na parede do quarto onde minha infância dormia um quadro da santa.
Era a primeira imagem que eu via ao acordar: o enquadramento do facho de luz que batia vindo de uma telha quebrada. A jovem santa siciliana protetora dos olhos, da visão, focava sua luz neorrealista no sertão em mim. Cada manhã abençoada com a oferenda do par de olhos na bandeja.
Casa desfeita, parentes idos, na parede da memória essa lembrança é o quadro que brilha mais no meu cinema paradiso: na cenografia dos meus dois primeiros curtas-metragens está lá Santa Luzia.
O cinema precisa de luz.

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