domingo, 25 de dezembro de 2016

a história de José

“Olhe o que foi, meu bom José / se apaixonar pela donzela / dentre todas a mais bela / de toda a sua Galileia...”
Trecho de José, versão de Nara Leão da música do egípcio-francês Georges Moustaki, disco Le Métèque, 1969.
A letra faz uma espécie de clamor pela sina do bom carpinteiro ter a responsa de ser pai do Salvador, o rebento sagrado que “andou com estranhas ideias / que fizeram chorar Maria...” A letra ainda questiona o vacilo de José, pois ele poderia “casar com Débora ou com Sara / nada disso acontecia / mas você foi amar Maria...”. Há uma leitura no subtexto que o filho não era dele, e sim do Espírito Santo. José foi o primeiro “pai de aluguel”.
No Brasil a música ficou conhecida no pouco conhecido primeiro álbum solo de Rita Lee, quando ainda estava nos Mutantes, Build up, 1970, produzido por Arnaldo Baptista e Rogério Duprat.
A interpretação da futura ovelha negra da família da música pra-pular-brasileira é singela, de uma candura que remete hoje à voz minimalista da amapaense Fernanda Takai. A música entrou no disco por insistência de Rita Lee, contrariando os produtores que consideravam que “pegava mal roqueristicamente falando.”
Build up, disputado como raridade no mercado cult dos vinis, é aquele em que a cantora está com franja e fazendo um leve biquinho de menina aborrecida.
Acima, pintura São José, o Carpinteiro, de Georges de La Tour, 1640, atualmente no Museu do Louvre.

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