terça-feira, 28 de junho de 2016

somewhere over the rainbow

No começo da madrugada de 28 de junho de 1969, oito policiais, alguns deles à paisana, entraram no bar Stonewall Inn, em Nova Iorque, e aos gritos anunciaram que estavam tomando o lugar, ocupando o território, com a violência característica da arbitrariedade e preconceito. Predominante gay, o local era constantemente alvo de batidas policiais.

O ataque daquela noite, porém, teve repercussão inesperada e histórica. Motins reverberaram seguidamente entre os frequentadores, como reação às represálias, à discriminação e cerceamento da liberdade.

Os protestos desencadeados culminaram com a marcha ocorrida no dia 1º de julho de 1970. O evento tornou-se precursor das atuais Paradas do Orgulho Gay.

Renato Russo lançou em 1994 o seu primeiro disco solo, intitulado “The Stonewall Celebration Concert”, em comemoração aos 25 anos dos motins. Com 21 belíssimas canções em inglês, de clássicos de Irvin Berlin e Leonard Berstein ao pop-folk da alemã-britânica Tanita Tikaram, passando por Bob Dylan, Madonna e Billy Joe, o disco é precioso pelo repertório e pontuação ao histórico acontecimento.

É lamentável que essa onda conservadora, direitista, fascista, que circula e avança em todo o mundo em pleno século 21, seja preocupantemente proporcional a tantos direitos adquiridos, pela liberdade, pela paz, pelas diversidades, por todas as escolhas que se conquistou ao longo de décadas.

O massacre na boate Pulse, em Miami, no começo deste mês, é terrivelmente assustador, só revela um retrocesso inimaginável em um mundo em que a tecnologia e a ciência evoluem diametralmente opostas ao desmoronamento dos princípios, dos valores, em direção à barbárie.

Lembrando Eduardo Galeano, continuemos andando, lutando, para isso significam as utopias, para que não fiquemos parados. A meta é caminhar em direção além do arco-íris.

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