quarta-feira, 22 de junho de 2016

o mesmo fruto

O cineasta iraniano Abbas Kiorastami disse uma vez em entrevista, que "uma árvore transplantada de sua terra natal para outro solo nunca mais dará os mesmos frutos."

Talvez ele quisesse aplicar a metáfora a si mesmo. Principal nome a projetar o cinema iraniano no Ocidente, quando lançou em 1987 o ótimo Onde é a casa do amigo? (Khane-ye doust kodjast?), Kiarostami passou a ser presença constante em festivais europeus, ganhando prêmios, e revelando para o mundo compatriotas igualmente talentosos, com um novo olhar enviesado da arte cinematográfica, como Jafar Panahi, Mohammad Rasoulof, Ashgar Farahdi, Monsen Makhmalbaf.

O regime muçulmano xiita do Irã fez o cineasta buscar financiamento e apoio para suas produções em outros países, como França e Japão. Não somente Kiarostami foi reprimido. Panahi foi duramente punido com prisão domiciliar.

Kiarostami, que hoje faz 76 anos, tem residência francesa, e desde 2010 roda seus filmes fora de casa. Talvez por isso, com certa humildade, considere-se uma árvore que não brota os mesmos frutos. Não é assim. Seus filmes "europeus", como Cópia fiel (Copie conforme), 2010, com Juliette Binnoche, é um exemplar fidedigno de sua cinematografia.

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