terça-feira, 28 de junho de 2016

o real e o poético

O holandês Joris Ivens foi um dos maiores documentaristas da história do cinema, um dos expoentes do gênero. Por negar os traços e composição de uma cinematografia industrial, seus filmes eram vistos como experimentais, mas sem a alcunha de um cinema meramente empírico, e sim inventivo, autêntico, dinâmico, que buscava na aproximação orgânica com os temas a construção de uma linguagem, a interação do que podemos dizer do que são sujeito e objeto da arte cinematográfica, com um realismo curiosamente captado de forma minimalista.

Falecido há 27 anos, hoje, a característica em seus filmes é a estrutura poética das imagens, integrando os elementos da natureza ao ser humano, e, principalmente, o homem em seu trabalho, registrando e relacionando as atividades múltiplas e singulares de várias regiões do mundo.

A água era uma fascinação em Joris Ivens, que ficou muito bem definida logo seu segundo curta-metragem, Chuva (Regen), de 1929. Nuvens, pássaros, árvores, um homem na bicicleta, outros que atravessam a rua, um bonde que passa, guarda-chuva, o vento, o céu... e a chuva que molha como se abraçasse a alma de todos e de tudo.

O cinema de Joris Ivens corre como um rio.

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