quarta-feira, 30 de novembro de 2005

os premiados em Brasília

"Eu me lembro" de Edgard Navarrro, sete prêmios em Brasília

Surpresa na premiação do 38º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Quando todos esperavam obviedade no resultado, ou seja, que o grande vencedor fosse o filme de Ruy Guerra, “O veneno da madrugada”, os prêmios de melhor filme, melhor diretor e melhor roteiro foram para “Eu me lembro”, do baiano Edgard Navarro. Quando se esperava que atrizes como Irene Ravache e Ingrid Guimarães, concorrentes com “Depois daquele baile”, estréia na direção de Roberto Bomtempo, e ainda deste filme atores de peso como Lima Duarte e Marcos Caruso, recebessem os troféus de atores e atrizes, principais e coadjuvantes, ganharam os desconhecidos Fernando Neves, Arly Arnaud e Valderez Freitas Teixeira, do filme de Navarro, atores com longa experiência em teatro e cinema em Salvador. “Eu me lembro” levou ainda o prestigiado Prêmio da Crítica, totalizando sete troféus.

Não que os outros filmes não tenham méritos que justifiquem premiações nas mais diversas categorias, mas muitas vezes júri de festival cai na tentação de premiar diretores consagrados, atrizes globais, que têm, sim, atuações relevantes, mas que ofuscam outros trabalhos interessantes, propostas sinceras e inovadoras de diretores, elenco e técnicos que estão à margem da mídia, em busca de reconhecimento de suas atividades. A edição deste ano do Festival de Brasília ousou inicialmente na seleção dos títulos dos longas, quando o único nome conhecido do grande público era Ruy Guerra, e surpreendeu com a escolha final do júri. Os prêmios para o poético “Eu me lembro”, que faz um comovente mosaico histórico e pessoal de uma geração e de um país, lavou a alma de muita gente, inclusive, e principalmente, do diretor, que passou vinte anos de “estiagem” cinematográfica, e chegou ao primeiro longa depois dos cinqüenta anos de idade.

“O veneno da madrugada” recebeu os Candangos de melhor fotografia, de Walter Carvalho (que concorria com o filho, Lula Carvalho, em “Incuráveis”, de Gustavo Acioli, RJ), e melhor direção de arte, do experiente Marcos Flaksman. Merecia ainda o prêmio na categoria de música, de autoria de Guilherme Vaz, a melhor trilha de todos os longas concorrentes. Guilherme criou uma música que é presente sem interferir na narrativa das imagens. Mas o júri preferiu a "levada pop" do brasiliense “A concepção”.

“Depois daquele baile”, foi o único que não recebeu prêmios, nem aqueles especiais, ou menção honrosa, criado muitas vezes para “consolar” quando outros filmes já levaram todas as categorias premiáveis. O filme de Bomtempo faz um retrato carinhoso e bem humorado da terceira idade. Marcos Caruso era um forte concorrente a ator coadjuvante. Perdeu para o baiano Fernando Neves, que igualmente fez um trabalho merecedor do Candango.

A premiação dos curtas também foi justa, excetuando a escolha de melhor filme, “Rap, o canto da Ceilândia”, de Adirley Queiroz (DF), que não tem a densidade e construção cinematográfica de “Rapsódia para um homem comum”, do pernambucano Camilo Cavalcante, troféus de melhor diretor, melhor ator (para a excelente atuação de Cláudio Jaborandy), além do Prêmio da Crítica e do Canal Brasil. A fotografia do filme do Camilo, de Juarez Pavelak, foi uma das melhores dos curtas presentes, mas perdeu para o também ótimo e caprichado trabalho do fotógrafo cearense Roberto Iuri, no filme paraibano “O meio do mundo”, de Marcus Vilar, explorando com perfeição a luminosidade interior da casa onde se passa a história.

Os premiados:

Longas

Filme – “Eu me lembro”, de Edgard Navarro (BA)
Roteiro e direção – Edgard Navarro
Ator – Fernando Eiras, por “Incuráveis”, de Gustavo Acioli (RJ)
Atriz – Arly Arnaud, por “Eu me lembro”
Ator coadjuvante – Fernando Neves, por “Eu me lembro”
Atriz coadjuvante – Valderez Freitas Teixeira, por “Eu me lembro”
Fotografia – Walter Carvalho, por “O veneno da madrugada”, de Ruy Guerra (RJ)
Montagem – Paulo Sacramento e José Eduardo Belmonte, por “A concepção”, de José Eduardo Belomonte (DF)
Som – Miriam Biderman, Ricardo Reis e Ana Chiarini, por “À margem do concreto”, de Evaldo Mocarzel (SP)
Trilha sonora – Zepedro Gollo, por “A concepção”
Direção de arte – Marcos Flaksman, por “O veneno da madrugada”
Prêmio Saruê (do jornal O Correio Braziliense) – elenco de “A concepção”
Prêmio da Crítica – “Eu me lembro”
Prêmio Especial do Júri – “À margem do concreto”

Curtas 35mm

Filme (Júri oficial e popular) -“Rap, o canto da Ceilândia”, de Adirley Queiroz (DF)
Direção – Camilo Cavalcanti, por “Rapsódia para um homem comum” (PE)
Roteiro – Sílvia Rocha e João Carlos Rocha Campos, por “Quem você mais deseja”, de André Sturm e Sílvia Rocha Campos (SP) A
tor – Cláudio Jaborandy, por “Rapsódia para um homem comum”
Atriz – Iaram Jamra, por “O caderno rosa de Lori Lamby”, de Sung Sfai (SP)
Fotografia – Roberto Iuri, por “O meio do mundo”, de Marcus Vilar (PB)
Montagem – Eryk Rocha, por “De Glauber para Jirges”, de André Ristum (SP)
Prêmio da Crítica – “Rapsódia para um homem comum”

Curtas 16mm

Filme – “Macacos me mordam”, de Érico Cazarré (DF)
Direção – Bruno de Sales, por “O cão sedento” (PB)
Roteiro – Aurélio Aragão e Roberto Robalinho, por “Quando um burro fala...” (DF)
Ator – André Deca, por “Uma mulher mais ou menos”, de Herbert Amaral (DF)
Atriz – Rosane Corrêa, por “Cólera”, de Leandro Davico (RJ)
Fotografia – Sérgio Gomes, por “Miragem”, de Gustavo Arantes (MG)
Montagem – José Eduardo Belmonte e Herbert Amaral, por “Utropic – No umbigo do mundo”, de Luciana Melo e Anna Karina de Carvalho (DF)
Menção Honrosa – “O poeta e o capitão”, de Jorge Oliveira (DF)

Outros prêmios:

Câmara Legislativa do Distrito Federal

Longa – “A concepção”
Curta 35mm – “Mamãe tá na geladeira”, de Douro Moura
Curta 16mm – “Macacos me mordam”
Menção Honrosa, 35mm – “Sob o encanto da luz”, de Dirceu Lustosa

Aquisição Canal Brasil

“Rapsódia para um homem comum” e "Rapsódia para um homem comum"

Prêmio Marcos Antonio Guimarães (do Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro) – "De Glauber para Jirges"

Um comentário:

Ailton disse...

Vc esteve no festival, Nirton?