quinta-feira, 1 de dezembro de 2005

Renato Russo no cinema


E dando seqüência à série “cinema-biográfico-musical-brasileiro”, o cineasta Antonio Carlos Fontoura prepara-se para filmar “Religião Urbana”, que terá como personagem o cantor e compositor Renato Russo (1960-1996), abordando a vida do líder de uma das melhores bandas de rock que surgiram nos anos 80. O roteiro explora mais especificamente o período de formação de Renato, em que o jovem rebelde habitante do planeta-Brasília descobre a cultura punk, forma o grupo Aborto Elétrico, tenta se iniciar na carreira solo denominando-se “trovador solitário”, para depois fundar a bem sucedida Legião Urbana, ao lado dos amigos Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e Renato Rocha, lançando o primeiro disco lá por volta de 1984. “Mudaram as estações e nada mudou / mas eu sei que alguma coisa aconteceu / está tudo assim tão diferente...” começava “Por enquanto”, uma das mais conhecidas faixas do “bolachão” vinil, a última do lado B. O disco abria com a ótima “Será”, e lá pelo meio ouvia-se a emblemática “Geração Coca-cola”...

Fontoura tem na sua filmografia o clássico “Copacabana me engana”, êxito de crítica e bilheteria em 1968. Na década seguinte fez “Rainha Diaba” (1971), inspirado no lendário Madame Satã, e “Cordão de Ouro” (1976). “Espelho da carne” (1984), é uma incursão nos valores decadentes da burguesia carioca. Autor e diretor de diversas séries e mini-séries realizadas para televisão, voltou ao cinema com “Uma aventura do Zico”, em 1998. Na área musical, há três bons curtas que ele dirigiu nos anos 70, “Meu nome é Gal”, “Mutantes” e “Chorinhos e chorões”, e mais “Heitor dos Prazeres”, de 1966, dois anos de estreiar com “Copacabana”.
Para o filme sobre Renato Russo, Fontoura conta com a imprescindível parceria do produtor Luiz Fernando Rocha, amigo pessoal do cantor e co-roteirista do filme. Em entrevista o cineasta adianta: “não planejo conduzir um filme fiel ao pé da letra à história do cantor. Quero temperar o roteiro com os mitos envolvendo o cantor. Mas como ele tem fãs demais, não podemos fazer algo muito distante do que ocorreu” O projeto tem o apoio total da família Manfredini, que facilitou material e informações aos realizadores.

O filme está na fase mais difícil da pré-produção: a busca de um ator para viver o personagem Renato Russo. O diretor quer um ator entre 17 e 22 anos de idade, com o mesmo tipo físico, e que não conhece , e nem quer, nenhum jovem famoso que seja assim. Melhor. Dá mais credibilidade ao papel. Casos recentes como o Daniel de Oliveira em “Cazuza – o tempo não pára” e Márcio Kieling vivendo Zezé de Camargo em “Dois filhos de Francisco” comprovam que receita é essa.

Paralelo ao projeto de Antonio Carlos Fontoura, está sendo desenvolvido o roteiro de um filme baseado na música de letra quilométrica “Faroeste caboclo”, sucesso do terceiro disco do Legião. O filme será dirigido pelo cineasta brasiliense René Sampaio.

E depois de Renato Russo, a próxima biografia musical no cinema será de Cássia Eller.

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