segunda-feira, 6 de maio de 2019

o século do cinema

"Esta honra só posso aceitar em nome de todos os inconformistas. Podem ser livres, mas não se consideram únicos nem se veem como os melhores".
Cineasta Orson Welles ao agradecer a tardia homenagem do Instituto do Cinema Americano, em 1975.
Quatro anos antes a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas concedeu a ele o Oscar Honorário. O diretor não esteve presente na noite de cerimônia. Mandou uma gravação com o agradecimento diretamente para o colega John Huston, que lhe faria a entrega no palco. "É mais divertido olhar adiante do que para o passado. 30 anos de carreira dão para muito, mas não posso esquecer que passei esse tempo sozinho", disse.
A genialidade de Orson Welles nunca foi devidamente reconhecida pela indústria cinematográfica norte-americana. Em toda sua filmografia só ganhou um Oscar, pelo roteiro de Cidadão Kane (Citizen Kane), em 1941. Merecia mais. O cineasta perdeu a estatueta de Melhor Filme para Como era verde o meu vale de John Ford, e Ator para Gary Cooper em Sargento York.
Em 2001 o historiador e professor de cinema da UFC Firmino Holanda lançou o livro Orson Welles no Ceará, pela Edições Demócrito Rocha, a mais completa e definitiva pesquisa sobre a passagem do cineasta em terras alencarinas para rodar o mitológico, e inacabado, It's All True, em 1942.
"Prefiro estar filmando a fazer qualquer outra coisa. Fico estonteado com meu amor ao cinema. Não em relação aos filmes, que nem gosto de ver. Adoro é fazer filmes", dizia Welles em tom de brincadeira. "Mentiroso" audaz, ele fazia e falava verdades com seu dom de iludir.
Hoje um século e quatro anos de nascimento do gênio, acima fotografado por Victor Skrebneski em seu estúdio, Los Angeles, 1970.

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