quinta-feira, 16 de maio de 2019

Augusto

Ontem, 15 de maio, nove anos da 13ª edição da ótima revista Aldeota, de Fortaleza. Todas as páginas do número foram dedicadas ao enorme-grande-imenso Augusto Pontes, pensador, jornalista, professor, publicitário, poeta, frasista, provocador, boêmio... Guru de toda uma geração da cultura cearense que se fez nos anos 60, 70, 80, 90... de sempre.
Criada pelo publicitário Fernando Costa, a revista teve curta duração. Sempre nas poucas cinco páginas 24,5 x 29,5cm de papel rústico, a fineza de textos ótimos, pertinentes, reflexivos, bem humorados. Da aldeia Aldeota para o mundo. Na referida edição, artigos assinados pela ensaísta e historiadora Isabel Lustosa, os jornalistas Augusto Cesar Costa, Alexandre Barbalho, Paulo Linhares, o arquiteto, urbanista e compositor Fausto Nilo, que pontuam referências e reverenciam a genialidade de Augusto Pontes.
É dele o verso “Vida, vento, vela, leva-me daqui”, uma beleza de aliteração inserida na letra de Mucuripe, de Fagner e Belchior, assim como “Eu sou apenas um rapaz lantino-americano sem parentes importantes” foi inspirada em “Eu sou apenas um rapaz latino-americano sem parentes militares”, que Augusto disse em seu discurso de posse como professor de Comunicação da UnB, no começo da década de 70. Na plateia, o conterrâneo Belchior.
O que se denominou na música cearense como Pessoal do Ceará, deve-se muito a ele. Não somente como pensamento, também como autor de centenas de letras conhecidas, como, por exemplo, Lupiscinica, musicada por Petrucio Maia, Carneiro, por Ednardo, com quem criou o Massafeira Livre, evento de quatro históricos dias, noites e madrugadas no Theatro José de Alencar, em Fortaleza, que revelou dezenas de cantores, compositores, poetas, fotógrafos, artistas plásticos, uma infinidade de talentos da cena artística cearense de 1979.
Dez anos ontem que Augusto Pontes faleceu, numa madrugada de sexta-feira, aos 73 anos. Tornamo-nos eternos no coração de quem nos quer bem. Augusto é para sempre. Há dez anos que não morreu.
Acima, foto de capa de Gentil Barreira, durante a gravação do disco Massafeira.

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