segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

a solidez do pensamento

“Poucas coisas se parecem tanto com a morte quanto o amor realizado. Cada chegada de um dos dois é sempre única, mas também definitiva: não suporta repetição, não permite recurso nem promete prorrogação.”

- Zygmunt Bauman, em Amor Líquido: Sobre a Fragilidade dos Laços Humanos, 2003.

Um dos mais importantes filósofos e sociólogos contemporâneos se foi nesta manhã da segunda segunda-feira do ano, sem recurso, sem prorrogação, aos 92 anos.


Recentemente os conceitos formulados em seus livros sobre as relações amorosas deram-lhe uma visibilidade midiática um pouco tardia. O nonagenário polonês tornou-se uma simpática e reflexiva figura quase “pop” aos esmiuçar frases como “as relações escorrem pelo vão dos dedos”.

Bauman cutucava com serenidade o âmago do homem moderno em seus sentimentos efêmeros, nos envolvimentos descartáveis, neste fast-food dos afetos.

O seu pensamento, a sua história, a sua lucidez não escorreram em vão pelos dedos.

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