segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

com sangue nas veias

“Na Porto Alegre dos anos 30, um rapaz era noivo da mulata Inah e, apesar de apaixonado por ela, hesitava em trocar a boemia pelo casamento. Inah esperou três anos. Quando se convenceu que o rapaz não tomaria uma atitude, foi à luta. Dias depois, ele a viu na rua da Praia, pendurada no braço de um homem – com quem se casaria. O rapaz desesperou-se, teve ganas de matar ou morrer. Mas acalmou-se e fez do sofrimento um samba-canção.”
- Ruy Castro em A noite do meu bem, publicado em 2015

O rapaz de menos de vinte anos era Lupicínio Rodrigues, e Nervos de aço o samba-canção que narrava a sua primeira grande desilusão, o seu desejo de morte ou de dor.
Gravado somente em 1947, na voz de Francisco Alves, se tornou um clássico no repertório não somente do autor, como na história do cancioneiro brasileiro.
Construiu sua obra, com mais de 150 canções, sempre relatando paixões e abandonos da mulher amada, casos e desapontamentos seus na maioria, e também dos amigos da boemia, como um cronista musical dos desencantos amorosos.
Lupicínio criou o termo “dor-de-cotovelo”, para definir o tipo música que define os amantes bebendo suas dores com os braços apoiados em um balcão de bar.
Há outras ótimas interpretações da emblemática Nervos de aço, como a de Jamelão, gravada no disco Jamelão interpreta Lupicínio Rodrigues, em 1972.
A canção ficou mais conhecida para as novas gerações com a versão de Paulinho da Viola, com a faixa-título do vinilzão lançado em 1973.
Acima, o mestre Lupicínio pelo traço de outro mestre: o cartunista e jornalista paraense J.Bosco.

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