sábado, 7 de janeiro de 2017

o lado B do cinema

"No cinema você não fala sobre as coisas. Você as mostra."
Samuel Fuller, o cineasta mestre do chamado filme B, adorado pela crítica francesa do Cahiers du Cinéma na década de 60, esquecido por todos nos anos 70, ressuscitado por si mesmo depois do ótimo Agonia e glória (The big red one), em 1980, esquecido novamente nos anos seguintes, até ser redescoberto por Wim Wenders, Martin Scorcese, Jim Jarmusch... e virado cult um pouco antes de falecer, em 1997.
Fuller foi, antes de tudo e de todos, um cineasta autoral. Filmando sobre seu país, encontra-se em seus filmes uma América sem o glamour hollywoodiano. Filmes de gangsteres, de guerra, noir, todos os gêneros, todas as desilusões e caos americanos mostrados com um olhar único, particular, crítico. Sem desprezar o que seria um cinema tipicamente industrial, Fuller soube conduzir muito bem em sua filmografia o choque, ou a fusão, entre o cinema marginal e o conservador.
Subversivo ao pregar uma transformação e desconstrução da ordem estabelecida, ele não fala, mostrava.

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