domingo, 8 de janeiro de 2017

em busca do rosto perdido

Durante cinco anos, de 1995 a 2000, o artista plástico inglês William Utermohlen, abatido pelo Alzheimer, passou a pintar autorretratos do seu rosto.
À proporção que sua mente escapava pouco a pouco, corroendo a memória pela terrível doença, William buscava sofridamente lembranças de como era seu rosto.
O conflito entre o mal degenerativo e o poder da arte como resistência apegando-se a vida, se expressa em cores e traços que demonstram raiva, tristeza e resignação.
Quadros selecionados por sua esposa foram expostos em uma galeria, após sua morte em 2007, aos 74 anos. No último autorretrato, Utermohlen estava totalmente distante e distorcido do primeiro, revelando-se esquecido de como era.
É uma rara narrativa visual, em mudanças graduais, de um artista que luta com fiascos de memória tentando resgatar o que foi no que não é mais.

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