segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

o som da caverna

Nick Cave - 20.000 dias na Terra (20,000 days on Earth), produção inglesa dirigida por Iain Forsyth e Jane Pollard, é um híbrido de documentário e ficção, um perfil do cantor, escritor e compositor australiano Nick Cave, em uma abordagem que contempla visões surpreendentes, bem a cara desse artista, um dos mais autênticos e ousados do que podemos chamar de rock alternativo pós-punk.
Arriscando uma analogia, desde seu primeiro disco, From her to eternity,1984, Nick Cave é uma espécie de Tom Waits desalinhadamente cool. Aquele californiano desajeitado e esse canguru enviesado, com suas vozes roucas e intrigantes, têm em comum em suas letras, não somente os amores idos e vindos, e sim temas controversos como religião, morte, violência e um corte seco de navalha pra valer na carne de uma América do Norte hipócrita e arrogante.
Waits vai de doses de Bourbon, Cave vem de repetidos goles de cabernet Penfolds Grange, e assim seguem com o canto de anjos tortos, passos de dândis pelo avesso, na contramão da mesmice, sem concessão à idade mídia dopante louvando musiquinhas candidatas ao Oscar.
20.000 dias na Terra viaja através da música, dos amigos e da banda Nick Cave and The Bad Seeds, em situações cotidianas e imagens deslumbrantes, sem linha narrativa previsível. É um filme labiríntico. Estamos falando de Nick Cave.

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