sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

o sopro do jazz



foto Jan Scheffner, 1980
As bochechas infladas do grande trompetista de jazz Dizzy Gillespie eram sua marca registrada, aliada a sua música virtuosa, claro.
Gillespie, falecido há 24 anos hoje, criou um jazz moderno a partir do bebop, um mestre do improviso com seu trompete curvo, sua espontaneidade, sua alegria.
A autobiografia, To be or not to bop, publicada em 1979, tem umas revelações bem interessantes. Em 1964, quando Barak Obama era menino em Honolulu, Gillespie lançou-se candidato à presidência dos Estados Unidos. O país vivia fortes conflitos raciais, e tinha a guerra do Vietnã. Sua plataforma política anunciava somente negros no governo: Miles Davis seria o diretor da CIA, Louis Armstrong à frente do Ministério da Agricultura, Duke Ellington seria Secretário de Estado, o Procurador Geral ninguém menos que Malcolm X... e o melhor, a Casa Branca passaria a se chamar Blues House. O apoio dos ativistas e músicos foi total.
Mas ganhou Lyndon Johnson, que era vice-presidente de John Kennedy, e já cumpria mandato no lugar do chefe assassinado.
Ganhou o jazz com Gillespie continuando com seu trompete e suas bochechas inchadas.

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