quarta-feira, 30 de novembro de 2005

os premiados em Brasília

"Eu me lembro" de Edgard Navarrro, sete prêmios em Brasília

Surpresa na premiação do 38º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Quando todos esperavam obviedade no resultado, ou seja, que o grande vencedor fosse o filme de Ruy Guerra, “O veneno da madrugada”, os prêmios de melhor filme, melhor diretor e melhor roteiro foram para “Eu me lembro”, do baiano Edgard Navarro. Quando se esperava que atrizes como Irene Ravache e Ingrid Guimarães, concorrentes com “Depois daquele baile”, estréia na direção de Roberto Bomtempo, e ainda deste filme atores de peso como Lima Duarte e Marcos Caruso, recebessem os troféus de atores e atrizes, principais e coadjuvantes, ganharam os desconhecidos Fernando Neves, Arly Arnaud e Valderez Freitas Teixeira, do filme de Navarro, atores com longa experiência em teatro e cinema em Salvador. “Eu me lembro” levou ainda o prestigiado Prêmio da Crítica, totalizando sete troféus.

Não que os outros filmes não tenham méritos que justifiquem premiações nas mais diversas categorias, mas muitas vezes júri de festival cai na tentação de premiar diretores consagrados, atrizes globais, que têm, sim, atuações relevantes, mas que ofuscam outros trabalhos interessantes, propostas sinceras e inovadoras de diretores, elenco e técnicos que estão à margem da mídia, em busca de reconhecimento de suas atividades. A edição deste ano do Festival de Brasília ousou inicialmente na seleção dos títulos dos longas, quando o único nome conhecido do grande público era Ruy Guerra, e surpreendeu com a escolha final do júri. Os prêmios para o poético “Eu me lembro”, que faz um comovente mosaico histórico e pessoal de uma geração e de um país, lavou a alma de muita gente, inclusive, e principalmente, do diretor, que passou vinte anos de “estiagem” cinematográfica, e chegou ao primeiro longa depois dos cinqüenta anos de idade.

“O veneno da madrugada” recebeu os Candangos de melhor fotografia, de Walter Carvalho (que concorria com o filho, Lula Carvalho, em “Incuráveis”, de Gustavo Acioli, RJ), e melhor direção de arte, do experiente Marcos Flaksman. Merecia ainda o prêmio na categoria de música, de autoria de Guilherme Vaz, a melhor trilha de todos os longas concorrentes. Guilherme criou uma música que é presente sem interferir na narrativa das imagens. Mas o júri preferiu a "levada pop" do brasiliense “A concepção”.

“Depois daquele baile”, foi o único que não recebeu prêmios, nem aqueles especiais, ou menção honrosa, criado muitas vezes para “consolar” quando outros filmes já levaram todas as categorias premiáveis. O filme de Bomtempo faz um retrato carinhoso e bem humorado da terceira idade. Marcos Caruso era um forte concorrente a ator coadjuvante. Perdeu para o baiano Fernando Neves, que igualmente fez um trabalho merecedor do Candango.

A premiação dos curtas também foi justa, excetuando a escolha de melhor filme, “Rap, o canto da Ceilândia”, de Adirley Queiroz (DF), que não tem a densidade e construção cinematográfica de “Rapsódia para um homem comum”, do pernambucano Camilo Cavalcante, troféus de melhor diretor, melhor ator (para a excelente atuação de Cláudio Jaborandy), além do Prêmio da Crítica e do Canal Brasil. A fotografia do filme do Camilo, de Juarez Pavelak, foi uma das melhores dos curtas presentes, mas perdeu para o também ótimo e caprichado trabalho do fotógrafo cearense Roberto Iuri, no filme paraibano “O meio do mundo”, de Marcus Vilar, explorando com perfeição a luminosidade interior da casa onde se passa a história.

Os premiados:

Longas

Filme – “Eu me lembro”, de Edgard Navarro (BA)
Roteiro e direção – Edgard Navarro
Ator – Fernando Eiras, por “Incuráveis”, de Gustavo Acioli (RJ)
Atriz – Arly Arnaud, por “Eu me lembro”
Ator coadjuvante – Fernando Neves, por “Eu me lembro”
Atriz coadjuvante – Valderez Freitas Teixeira, por “Eu me lembro”
Fotografia – Walter Carvalho, por “O veneno da madrugada”, de Ruy Guerra (RJ)
Montagem – Paulo Sacramento e José Eduardo Belmonte, por “A concepção”, de José Eduardo Belomonte (DF)
Som – Miriam Biderman, Ricardo Reis e Ana Chiarini, por “À margem do concreto”, de Evaldo Mocarzel (SP)
Trilha sonora – Zepedro Gollo, por “A concepção”
Direção de arte – Marcos Flaksman, por “O veneno da madrugada”
Prêmio Saruê (do jornal O Correio Braziliense) – elenco de “A concepção”
Prêmio da Crítica – “Eu me lembro”
Prêmio Especial do Júri – “À margem do concreto”

Curtas 35mm

Filme (Júri oficial e popular) -“Rap, o canto da Ceilândia”, de Adirley Queiroz (DF)
Direção – Camilo Cavalcanti, por “Rapsódia para um homem comum” (PE)
Roteiro – Sílvia Rocha e João Carlos Rocha Campos, por “Quem você mais deseja”, de André Sturm e Sílvia Rocha Campos (SP) A
tor – Cláudio Jaborandy, por “Rapsódia para um homem comum”
Atriz – Iaram Jamra, por “O caderno rosa de Lori Lamby”, de Sung Sfai (SP)
Fotografia – Roberto Iuri, por “O meio do mundo”, de Marcus Vilar (PB)
Montagem – Eryk Rocha, por “De Glauber para Jirges”, de André Ristum (SP)
Prêmio da Crítica – “Rapsódia para um homem comum”

Curtas 16mm

Filme – “Macacos me mordam”, de Érico Cazarré (DF)
Direção – Bruno de Sales, por “O cão sedento” (PB)
Roteiro – Aurélio Aragão e Roberto Robalinho, por “Quando um burro fala...” (DF)
Ator – André Deca, por “Uma mulher mais ou menos”, de Herbert Amaral (DF)
Atriz – Rosane Corrêa, por “Cólera”, de Leandro Davico (RJ)
Fotografia – Sérgio Gomes, por “Miragem”, de Gustavo Arantes (MG)
Montagem – José Eduardo Belmonte e Herbert Amaral, por “Utropic – No umbigo do mundo”, de Luciana Melo e Anna Karina de Carvalho (DF)
Menção Honrosa – “O poeta e o capitão”, de Jorge Oliveira (DF)

Outros prêmios:

Câmara Legislativa do Distrito Federal

Longa – “A concepção”
Curta 35mm – “Mamãe tá na geladeira”, de Douro Moura
Curta 16mm – “Macacos me mordam”
Menção Honrosa, 35mm – “Sob o encanto da luz”, de Dirceu Lustosa

Aquisição Canal Brasil

“Rapsódia para um homem comum” e "Rapsódia para um homem comum"

Prêmio Marcos Antonio Guimarães (do Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro) – "De Glauber para Jirges"

terça-feira, 29 de novembro de 2005

prêmios para Cidade Baixa

Alice Braga e Wagner Moura em "Cidade Baixa"


O filme brasileiro "Cidade Baixa", de Sérgio Machado, ganhou neste fim de semana o Colón de Ouro do XXXI Festival de Cinema Ibero-americano de Huelva, na Espanha. Wagner Moura ganhou o Colón de Prata de melhor ator. O longa foi premiado também nas categorias de melhor diretor estreante, melhor roteiro e melhor filme pela crítica.

O filme conta, de forma interessante e criativa, a história do triângulo amoroso vivido pelos amigos de infância Deco (Lázaro Ramos), Naldinho (Wagner Moura) e Karinna (Alice Braga), na capital baiana. Doze longas-metragens competiram na seleção oficial do Festival. O Brasil foi o país que levou mais prêmios na história do evento.

Não sei se por modéstia ou espanto mesmo, o diretor se diz alegre e surpreso com toda a repercussão internacional do filme, sua estréia na direção de longas de ficção. Antes, realizou o ótimo documentário "Onde a terra acaba", e trabalhou ao lado de diretores como Walter Salles, em "Central do Brasil" e "Terra estrangeira", Eduardo Coutinho, em "Peões" e Karim Ainöuz em "Madame Satã".

sábado, 26 de novembro de 2005

cada cabeça é um mundo



"A gente costuma pensar o cinema brasileiro como uma entidade monolítica. Não é. Ele é um bicho de muitas cabeças, um monstro mitológico, se quisermos assimilá-lo a um ser tangível. Ele quer ser 'roliúde', quer ganhar o Oscar, quer dar bilheteria, que nem Spielberg, quer ser global... A vocação do cinema brasileiro? Posso falar por mim. Quanto à vocação dessa entidade mitológica chamada cinema brasileiro, cada um que fale por si. E viva a diversidade! 'O prisioneiro da grade de ferro", 'Amarelo manga', 'O baile perfumado', 'O invasor', 'Cinema, aspirinas e urubus', 'Cidade Baixa', 'Edifício Master', 'Garotas do ABC', 'Bodas de papel'... São tantas vocações quantos sejam os cineastas: 'Estorvo', 'Carandiru', 'Xuxa' e os 'Trapalhões', 'Meu tio matou um cara', 'O auto da Compadecida', 'Sal de prata', 'Eu me lembro', 'Dois filhos de Francisco', 'Olga', 'Quase dois irmãos', 'Bicho de sete cabeças'... E cada cabeça é um mundo. Ou não é?"


EDGARD NAVARRO, cineasta baiano arretado, uma figura crível, admirável, que todos deveriam ter o prazer de conhecer, conversar, assistir seus filmes. É autor de um média-metragem que considero um clássico na cinematografia brasileira, “Superoutro” (1989), citado por Caetano Veloso e Gilberto Gil na música “Cinema Novo”, no disco “Tropicália 2”. Edgard concorre no 38º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro com o seu primeiro longa, “Eu me lembro”, um filme que, como o próprio título sugere, de inspiração autobiográfica, misturando realidade e ficção.

sexta-feira, 25 de novembro de 2005

as razões de Torero



"Dois tipos de razões me levam a escrever: as razões nobres e as plebéias. As plebéias são as tradicionais: fama, dinheiro e mulheres.
Pensava que, como um escritor, teria um pouco dessas três coisas, mas a fama de um escritor é irrisória perto da de um razoável centroavante. O dinheiro é ridículo, se comparado ao que ganha qualquer desafinado cantor de pagode. E, quanto ao gemido das mulheres, qualquer ator que tenha feito uma aparição na Globo é mais solicitado do que eu. Na verdade, até hoje só uma leitora sorriu-me de um modo mais insinuante: uma senhora chamada Noemi. Muito simpática, mas octogenária.
Há, porém, os motivos nobres. Como tive muitos professores humanistas, prendeu-se em mim essa idéia hoje tida como ridícula de que 'devemos lutar por um mundo melhor', hoje trocada por 'devemos maximizar os lucros'.
Acho que escrevendo, posso, de alguma forma, influenciar as pessoas. Posso fazê-las rir dos maus costumes e dos maus personagens, posso fazê-las perceber um vício e exaltar uma atitude, posso falar bem da honestidade e mal de Maluf e Pitta, posso falar bem da coerência e mal da compra de votos pela reeleição, posso falar bem da coragem e mal da aliança com o PFL.
Mas, na verdade, acho que nesse quesito eu também apenas vou conseguir virar a cabeça de Dona Noemi.
Enfim, apesar do fracasso de minhas motivações nobres e plebéias, não posso me queixar da sorte. O trabalho não me deixa suado como um cantor de pagode, não levo pontapés como um centroavante e, ainda por cima, ando pelas ruas despreocupado, sem temer que fãs puxem meus cabelos ou tentem rasgar minhas roupas.
Se bem que, no lançamento do meu último livro, Dona Noemi tenha me dado um beliscão na bunda."


José Roberto Torero Fernandes Júnior nasceu em Santos, em 1963, formou-se em Letras e Jornalismo pela Universidade de São Paulo-USP. Iniciou, sem terminar, cursos de pós-graduação em Cinema e Roteiro. Sua carreira de cronista começou no “Jornal da Tarde”, de São Paulo, e posteriormente passou a escrever textos sobre futebol para a revista “Placar” e o jornal “Folha de S. Paulo”, com a qual colabora desde 1998. É autor do best-seller “O Chalaça”, Prêmio Jabuti em 1995, e de “Terra Papagalli”, entre outros.
Como cineasta, dirigiu e escreveu curtas-metragens, dentre os quais se destaca o premiado “Amor!”, e trabalhou como roteirista nos longas “A Felicidade É” e “Pequeno Dicionário Amoroso”. Estreiou na direção de longa ano passado em "Como fazer um filme de amor".

quinta-feira, 24 de novembro de 2005

mergulhando nas raízes


"A vocação do cinema brasileiro é mergulhar nas raízes da nossa diversidade cultural e irradiar para o resto do mundo uma universalidade exuberante, genuinamente brasileira, que está abrindo novos caminhos para a arte mundial e também para o futuro do planeta."


Evaldo Mocarzel, diretor do documentário “À margem do concreto”, que concorre hoje na mostra de longa 35mm no 38º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

cinema nos trilhos

foto André Fossati

A Fundação Vale do Rio Doce realiza um projeto interessante: é Cinema nos Trilhos, que tem como objetivo exibir produções cinematográficas de forma gratuita.

Depois de realizar duas sessões na cidade maranhense de Bacabeira, reunindo em dois dias projeção (domingo, 20, e segunda-feira, 21) mais de 4.000 mil pessoas, rendidas pela fantasia do cinema, a equipe de produção do projeto segue caminho, rumo a novas platéias.

As sessões, geralmente em praça pública, reúnem boa parte das comunidades, mesclando gente que nunca viu cinema na tela grande e outros que conhecem a sétima arte mas não têm facilidade de freqüentar salas de cinema. É justamente esse o espírito do projeto: facilitar e democratizar o acesso à arte e à cultura. E isso ganha ainda maior importância quando se constata que menos de 4 por cento das cidades brasileiras não têm salas de cinema. A Fundação está promovendo sessões em seis cidades localizadas ao longo da Estrada de Ferro Carajás, nos estados do Maranhão e Pará.

Antes de cada projeção é apresentado o vídeo da comunidade, resultado do trabalho da equipe que produz, grava, edita e exibe o registro em cada cidade onde o projeto acontece. Em seguida é exibido o curta-metragem “Portinholas”, baseado no livro homônimo de Ana Maria Machado, que reúne obras de Portinari. Feita em 35mm, animação foi realizada, há dois anos, por 150 alunos da rede pública municipal de Vitória (ES), através do Instituto Marlim Azul. Depois do curta, é exibido um longa, variando de sessão a sessão entre a animação “A Era do Gelo”, de Chris Wedge e a comédia romântica “Lisbela e o Prisioneiro”, de Guel Arraes.

Ontem a equipe esteve em Pindaré Mirim, hoje em Santa Inês, amanhã e depois, em Alto Alegre do Pindaré, e até o dia 2 de dezembro estarão nos distritos Auzilândia, Mineirinho, Acailândia e Marabá, no estado paraense.

tese sobre documentário nordestino



A cineasta cearense Karla Holanda defende sua tese de mestrado no dia 1º de dezembro próximo. O título da dissertação é “Documentário nordestino: história, mapeamento e análise (1994-2003)”, uma pesquisa que resulta no mapeamento das produções do documentário nordestino contemporâneo e um panorama dos mecanismos de formento ao audiovisual presentes na região. Relaciona, ainda, o desempenho dos estados à adoção de medidas integradas de desenvolvimento, como festivais, concursos, formação e leis de incentivo. Além disso, o trabalho de Karla faz uma compilação histórica do documentário em cada um dos nove estados, desde seus primórdios, permitindo contextualizar suas trajetórias.
Desenvolvida no Instituto de Artes da Unicamp, pela pós-graduação em Multimeios, a pesquisa teve orientação do professor Fernão Ramos, que integrará a mesa de professores doutores no dia da defesa, juntamente com Sheila Schvasrzman e Marília Franco.

quarta-feira, 23 de novembro de 2005

eterno cinema do futuro

foto Kleber Lima / Correio Braziliense

“A vocação do cinema brasileiro é a mesma vocação do Brasil: ser um eterno país do futuro. A história de nosso cinema e também das outras artes reflete isto: sobrevivemos de lampejos, de ciclos, de iniciativas individuais. Não é a questão estética que está em jogo, talentos temos de sobra. O que está em jogo é como vamos disputar o campeonato. Quando pensamos em estrutura, planejamento, produção, aí ficamos sempre como a velha Pindorama: o melhor futebol, com os piores cartolas. Só que, no cinema brasileiro, somos (quase todos) jogadores e cartolas ao mesmo tempo.”

Fabiano Maciel, diretor do documentário "Oscar Niemeyer: a vida é um sopro", exibido como hors-concours na abertura, ontem, do 38º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

terça-feira, 22 de novembro de 2005

festival de Brasília


Começa hoje o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Dizem que é o “mais politizado” dos festivais... Sei que tem uma platéia inquieta, animada, barulhenta, que reage com calorosos aplausos quando gosta de um filme e vaia na mesma proporção quando desagrada de outro, estendendo esse comportamento para os artistas presentes. É inesquecível a estrondosa vaia por vários minutos, em 1990, quando subiu ao palco do cine Brasília a equipe de “Matou a família e foi ao cinema”, refilmagem de Neville D’Almeida. O alvo mesmo era a atriz Cláudia Raia, que apoiara a eleição do famigerado Fernando Collor. Bem feito.

Concorrentes deste ano, sujeitos a aplausos e vaias pelos mais variados e atualizados motivos:

Longas

"A concepção", de José Eduardo Belmonte, DF
"À margem do concreto, de Evaldo Mocarzel, SP
"Depois daquele baile", de Roberto Bomtempo, RJ
"Eu me lembro", de Edgard Navarro, BA
"Incuráveis", de Gustavo Acioli, RJ
"O veneno da madrugada", de Ruy Guerra, RJ

Curtas 35mm

"À Espera da morte", de André Luís da Cunha, DF
"A Lente e a janela", de Marcius Barbieri, DF
"Ãgtux", de Tânia Anaya, MG/DF
"De Glauber para Jirges", de André Ristum, SP
"Dormente", de Joel Pizzini, SP
"O Caderno rosa de Lori Lamby", de Sung Sfai, SP
"O meio do mundo, de Marcus Vilar, PB
"O som da luz do trovão", de Petrônio Lorena e Tiago Scorza, RJ
"Quem você mais deseja", de André Sturm e Sílvia Rocha Campos, SP
"Rap, o canto da Ceilândia", de Adirley Queiroz, DF
"Rapsódia para um homem comum", de Camilo Cavalcante, PE
"Vermelho rubro do céu da boca", de Sofia Federico, BA

Curtas 16mm

"21 A", de Ananda Guimarães, SP
"A vingança da bibliotecária", de Santiago Dellape, DF
"Anya", de João Paulo Rezek,- SP
"Berenice", de Bruno Duarte e Luciana Penna, RJ
"Capítulo primeiro", de Roberto Maxwell, RJ
"Cólera", de Leandro Davico, RJ
"Espeto de pau", de André Queiroz e Vitor Brant, SP
"Iara do Paraitinga", de Mariana dos Reis, SP
"Macacos me mordam", de Érico Cazarré, DF
"Miragem", de Gustavo Arantes, MG
"O Boi do Mamulengo", de Jorge Martins Rodrigues, DF
"O cão sedento", de Bruno de Sales, PB
"O poeta e o capitão", de Jorge Oliveira, DF
"O posto", de Marcelo Ikeda, RJ
"Oiticica", de José Geraldo, DF
"Outras opções, aguarde", de Caco Souza, SP
"Prato do dia, de Rafael Figueirdo, RS
"Quando um burro fala, de Aurélio Aragão e Roberto Robalinho, RJ
"Ultravigiado", de Caco Souza, SP
"Uma mulher mais ou menos", de Herbert Amaral, DF
"Utropic – No umbigo do mundo", de Luciana Melo e Anna K. de Carvalho, DF

segunda-feira, 21 de novembro de 2005

CineCeará ibero-americano


O XVI CineCeará, que no próximo ano acontecerá de 1 a 8 de junho, terá mostra competitiva ibero-americana. Em dezembro, durante o 27º Festival de Havana, a Embaixada do Brasil em Cuba, fará um coquetel de lançamento do novo perfil do festival cearense. A festa acontecerá no Hotel Nacional de Havana, e serão distribuidos formulários de inscrição para produtores e realizadores convidados. O cineasta argentino, Fernando Birri, será homenageado pelo CineCeará, pelo conjunto da obra, por seu trabalho como educador na Escola de Santa Fé e na Escola Internacional de Cinema, TV e Vídeo de San Antonio de los Baños , que faz 20 anos.

domingo, 20 de novembro de 2005

Concurso de crítica


Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre abre inscrições, até 30 de dezembro, para o 1º Concurso Nacional de Crítica Cinematográfica - Prêmio P. F. Gastal. É uma iniciativa no mínimo inusitada.
O objetivo é incentivar a reflexão cinematográfica e o surgimento de novos críticos de cinema. Podem concorrer críticos não-profissionais, nascidos, naturalizados ou residentes no Brasil. Por não-profissional entende-se, segundo o regulamento, pessoa que não publique ou tenha publicado críticas regularmente em veículos de imprensa, seja escrita ou em páginas da web, excetuando-se a publicação em blogs.

Mais informações no edital publicado no sítio
http://www2.portoalegre.rs.gov.br/

Estamira no Senado



Dando início à campanha dos 16 dias de ativismo pela eliminação da violência contra a mulher, o Senado Federal, através da Comissão do Ano Internacional da Mulher Latinoamericana e Caribenha, exibirá o documentário "Estamira", de Marcos Prado, no próximo dia 23 de novembro, quarta-feira, às 19h, no auditório Petronio Portella. Estarão presentes à exibição o diretor e Estamira, a protagonista.

O filme conta a história de uma mulher de 63 anos que sofre de surtos esquizofrênicos e trabalha há mais de 20 anos no Aterro Sanitário de Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro. Carismática e maternal, Estamira lidera uma pequena comunidade de velhos que habitam o lixão. O filme se inicia em 2000, quando Estamira começou a se tratar num centro psiquiátrico público, e mostra seu cotidiano ao longo de três anos, a sua transformação e os efeitos dos remédios que se obriga a tomar. Através de seus filhos, aos poucos descobrimos os árduos caminhos trilhados por ela na vida. Com um discurso eloqüente, filosófico e poético, Estamira vive em função de sua missão: revelar e cobrar a verdade. Vivendo no lixo da civilização, ela consegue superar sua condição miserável e coloca em questão os valores perdidos da sociedade.

"Estamira" tem lançamento previsto para março 2006, mas já ganhou prêmios de melhor documentário no Festival Internacional do Rio 2004, Mostra Internacional de São Paulo 2004, Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental de Goiás 2005, Festival Internacional de Documentário de Marseille 2005 e no Festival Internacional de Karlovy Vary 2005. No Festival de Cinema de Belém 2005, venceu nas categorias Melhor Filme e Melhor Fotografia. Em setembro de 2005, recebeu ainda o Grande Prêmio do Festival Internacional de Direitos Humanos em Nuremberg 2005. E acaba de ganhar, em novembro, o prêmio de melhor documentário do CineEco Portugal, além do Prêmio Especial do Júri do Festival Internacional de Londres.

Esse é o primeiro filme de Marcos Prado. Em 2002, produziu o premiado documentário "Ônibus 174", de José Padilha, ganhador de um Emmy Award 2005. Em 2000, produziu e dirigiu os documentários "Os pantaneiros", para a Globosat, e "Pantanal cowboys", para National Geographic Television - indicado a dois Emmy Awards. Em 1998, co-produziu o filme "Os carvoeiros", documentário inspirado em seu premiado ensaio fotográfico original.

sábado, 19 de novembro de 2005

brasileiros em havana

Já está definida a lista dos filmes brasileiros que participarão do 27º Festival Internacional do Novo Cinema Latino-Americano de Havana, que acontece de 6 a 16 de dezembro na capital cubana. Este ano a produção nacional comparece com 41 títulos entre curtas e longas-metragens.
Para a competição de longas de ficção estão confirmados "O Veneno da Madrugada", de Ruy Guerra, que também concorre no Festival de Brasília, na próxima semana, "Crime Delicado", o quarto longa de Beto Brant, e "Jogo Subterrâneo", de Roberto Gervitz, que voltou à direção 18 anos depois de estreiar com "Feliz Ano Velho".

"O Último Raio de Sol", de Bruno Torres (foto acima, com José Dumont), e "O Xadrez das Cores", de Marcos Schiavon, estarão na disputa da categoria de curtas de ficção. Para a mostra também competitiva Operas Primas, dedicada a longas de estreantes, foram selecionados "Como Fazer um Filme de Amor", de José Torero, "Contra Todos", de Roberto Moreira, "Olga", de Jayme Monjardim, "Cinema, Aspirinas e Urubus", de Marcelo Gomes, "Cidade Baixa", de Sérgio Machado, e "Redentor", de Cláudio Torres.
Os já clássicos "Peões", de Eduardo Coutinho, e "Entreatos", de João Moreira Salles, são destaques na competição de documentários, ao lado dos longas "Brilhante", de Conceição Senna, "Doutores da Alegria", de Mara Mourão, e "Paz", produzido pela empresa W/Brasil.

Na mostra Animação há sete produções brasileiras. E fora de competição serão exibidos diversos títulos de sucesso de público como "Cazuza, o Tempo Não Pára", de Sandra Werneck, e "O Casamento de Romeu e Julieta", de Bruno Barreto, e os documentários "500 Almas", de Joel Pizzini, "Moacir,arte bruta", de Walter Carvalho, e "A velha e o mar", (foto abaixo), do cearense Petrus Cariry.
O documentário "O Sonho de Loreno", de Alana Almondes (Mantenópolis/ES), também foi selecionado para participar do Festival. O vídeo faz parte do projeto Revelando os Brasis, da Secretaria do Audiovisual, e conta a história de Seu Manoelzinho, que ficou famoso pelos mais de 20 filmes que realizou utilizando uma câmera VHS. A exibição será dentro da Mostra Informativa Documentário.
Lista completa dos classificados no sítio www.habanafilmfestival.com.

sexta-feira, 18 de novembro de 2005

quarta-feira, 16 de novembro de 2005

festival aruanda



Em 1960 o lançamento de "Aruanda", de Linduarte Noronha, inaugura o moderno documentário brasileiro. O filme, de 20 minutos, é um estudo etnográfico e sociológico sobre um pequeno grupo de negros, isolado numa região serrana da Paraíba. É um trabalho belíssimo. O diretor documenta a vida de descendentes de escravos que haviam fundado um quilombo. Nele, vivem à margem de qualquer outra civilização e se sustentam através do comércio de cerâmicas primitivas, vendidas na feira ao pé da serra.

Em pleno surgimento do Cinema Novo, "Aruanda" mostrou ao resto do país a sua própria pobreza. Glauber Rocha, nome principal do movimento, declarou que o documentário lhe inspirou, e que "pela primeira vez, sentimos valor intelectual nos cineastas que são homens vindos da cultura cinematográfica para o cinema, e não do rádio, teatro ou literatura. Ou senão vindos do povo mesmo, com a visão dos artistas primitivos, criadores anônimos longe da civilização metropolitana, como no caso dos dois paraibanos.”
O outro paraibano no caso é o fotógrafo e montador Rucker Vieira, considerado um co-autor do filme pela concepção das imagens em preto-e-branco. E Glauber passou a chamar o diretor de "São Linduarte".

Quarenta e cinco anos depois, o título do clássico de Noronha se presta, com muita honra, para nomear o I Festival Aruanda do Audiovisual Universitário Brasileiro que acontece nos dias 1, 2, 3 e 4 de dezembro próximo. A iniciativa é do Núcleo do Audiovisual (Nepau) do Departamento de Comunicação da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e da TV Universitária da instituição que comemora neste 2005 seu aniversário de 50 anos de fundação. O evento vai contemplar vídeos nas categorias documental, ficcional, animação e filme publicitário produzidos por alunos de Comunicação Social de instituições públicas e privadas da Paraíba. O evento ganhou caráter nacional em função da inclusão da categoria Televisão Universitária Brasileira, na qual cada emissora poderá participar com trabalhos nos gêneros reportagem, programa de TV e documentário. As inscrições seguem até o dia 20 deste mês.

Os premiados receberão o Troféu Rodrigo Rocha de Vídeo Universitário (uma homenagem ao jornalista, produtor cultural e videasta morto prematuramente aos 26 anos durante filmagens de um documentário em João Pessoa, na década de 90).
Será ainda homenageado o diretor assistente do filme, João Ramiro Mello, com uma publicação assinada pela pesquisadora Berê Bahia.


"A lembrança de 'Aruanda' para nomear o festival é mais que oportuna porque em que pese o fato de a seara da ficção ter começado a deslanchar nos últimos anos na Paraíba, o fato é que temos uma vocação histórica para o cinema documental", disse o coordenador do Festival, jornalista e cineasta Lúcio Vilar, atual chefe do departamento de Comunicação da UFPB.

Maiores informações podem ser obtidas no site www.cchla.ufpb.br/aruanda

terça-feira, 15 de novembro de 2005

produção de baixo orçamento



A Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura (SAV/MinC) comunica que estão abertas as inscrições, do dia 26 de outubro a 4 de março de 2006, do Concurso de Apoio à Produção de Obras Cinematográficas Inéditas, de Longa Metragem, do Gênero Ficção, de Baixo Orçamento.

Serão apoiados dez longas-metragens, sendo cinco para este ano e os outros cinco para 2006, com o valor de até R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) para cada projeto selecionado. Os inscritos até o dia 19 de novembro, concorrerão às seleções a serem realizadas em 2005 e 2006, e os apresentados após esta data só concorrerão ao processo de seleção do próximo ano. Este é um dos concursos da SAV que mais chama a atenção dos realizadores por lançar novos diretores no mercado cinematográfico. Podem participar diretores estreantes ou não, com projetos inéditos do gênero ficção, e que estejam inscritos por empresas de produção independente. A seleção será feita por uma Comissão Especial formada por especialistas na atividade cinematográfica, que levará em conta, entre outros aspectos, a criatividade artística, a comunicabilidade, a compatibilidade orçamentária, a capacidade técnica e o potencial econômico do filme dentro do segmento de público a que se destina. O edital de seleção de Baixo Orçamento encontra-se no site do Ministério da Cultura, www.cultura.gov.br,
no link Apoio a Projetos/Editais. Os outros editais que compõem o Programa de Editais de Fomento à Produção 2005-2006 estarão disponíveis no site a partir do dia 21 de novembro. Informações: concursos.sav@minc.gov.br
Vamos lá, meus caros colegas de set!

segunda-feira, 14 de novembro de 2005

novos livros de cinema



Para quem gosta de ler sobre cinema, seis novos livros na praça. Imperdíveis.

"O Discurso Cinematográfico - A Transparência e Opacidade", de Ismail Xavier, edição revista e ampliada, Editora Paz e Terra;

"Teoria Contemporânea do Cinema - Pós-Estruturalismo e Filosofia Analítica - Volume I", organização de Fernão Ramos, Editora Senac;

"Teoria Contemporânea de Cinema - Documentário e Narratividade Ficcional - Volume II", organização de Fernão Ramos, Editora Senac;

"Cinema e Televisão Durante a Ditadura Militar: Depoimentos e Reflexões", organização de Anita Simis, Editora Cultura Acadêmica, Unesp-Araraquara;

"Cinema nos Anos 90", organização de Denilson Lopes, Argos Editora;

"4 X BRASIL -Itinerários da Cultura Brasileira - Décadas de 60, 70, 80 e 90", organização de F. Schûler & Gunter Axt, Editora Artes e Ofícios.

quase roteiros




Andersen Viana é maestro-compositor, arranjador e produtor cultural. Especializou-se em Música para Cinema na Itália com Ennio Morricone e Polizzi. Recebeu 15 premiações por sua obra criativa (música e textos), no Brasil e exterior. Em 2001, sua obra foi objeto de Tese de Mestrado defendida na UNIRIO. Seu catálogo musical consta de 196 obras, abrangendo de canções populares à sinfonias, ópera e música para filmes. Possui um "Banco de Projetos" com variadas propostas artísticas e culturais. Além do Brasil, tem desenvolvido estudos e trabalhos na Bélgica, EUA, Suécia, Grécia, Honduras, Itália, França, Portugal, Rússia, República Tcheca e Reino Unido.
Esse breve currículo é para anunciar que o músico está lançando o livro "Contos cinematográficos Vol. I", e, segundo o autor, "tem como objetivo fazer chegar esse material nas mãos de quem poderá filmá-lo algum dia. São apenas 1.000 exemplares. Inclui um CD áudio - que seria trilha sonora do livro! - e que tem sua razão de ser no Pesadelo Búlgaro."

O livro traz fortes textos nos quais o autor procurou fundir palavras, música e imagem em algo que fosse inseparável desde o início. Em seus nove contos - que transitam entre o realismo fantástico, a ficção-científica e até o surrealismo -, o autor objetiva atingir não somente o público adulto especializado, mas também o amante das artes e o público jovem, pois o livro é múltiplo. Uma obra multi-estética e multicultural. É surpreeendente, embebido na rica tradição da literatura latino-americana e afirmando a excelência da criação literária brasileira. Ótima aquisição para os profissionais que transitam com desenvoltura no cinema, na literatura e na música. Disponível na Loja Virtual no site do autor: www.andersen.mus.br

sábado, 12 de novembro de 2005

Woody Allen sem meios-termos


“Woody Allen é dessas personalidades que não permitem meio-termo. Ou se ama, ou se detesta. Cinéfilos de uma forma geral o amam cegamente. Ou, pelo menos, cegos o suficiente para não enxergar os defeitos e fraquezas de um ou outro filme do cineasta. Melhor o pior Woody do que o melhor blockbuster, dirão convictos. Por outro lado, aqueles que o detestam de verdade não são os consumidores de blockbusters, já que esses jamais o vêem, talvez nem saibam que existe. Os que o detestam mesmo são os cinéfilos não-woodyallenianos (sim, isso existe). Além de uma ou outra amiga da Mia Farrow.”


Assim o colunista Flávio Paranhos, do sítio www.revistabula.com, inicia a apresentação de uma entrevista com o cineasta americano, traduzida do espanhol www.elcultural.com. Allen está lançando o seu filme anual, “Match Point”, com a talentosa Scarlett Johansson no papel principal, que ficou conhecida a partir de “Encontros e desencontros” (Lost in translation), de Sofia Coppola, 2003.
Ele é um dos poucos diretores de cinema que recebeu o Prêmio Príncipe das Astúrias, há três anos. Conferido pela Fundação que traz o mesmo nome, sediada em Oviedo, na Espanha, o prêmio tem como objetivo contribuir para a promoção de valores científicos, culturais e humanísticos. Segundo os estatutos, é premiável a pessoa, grupo ou instituição de qualquer país cujo trabalho transponha fronteiras internacionais e tenha contribuído para o progresso e fraternidadade entre as nações. A filmografia de Woody Allen se inseriu nesses conceitos. Algumas personalidades que foram premiadas e me chegam à memória agora são Mandela, Gorbachov, Vargas Llosa, Paco De Lucia, Fernando Henrique Cardoso, Lula (em 2003)...



Woody Allen nesse novo filme troca a sua querida e tradicional Manhattan pela paisagem londrina. Segundo ele, “é uma história de duas pessoas ambiciosas, à procura de uma vida de luxo, mas que sucumbem a suas mais baixas paixões. São almas gêmeas, ainda que se neguem a reconhecê-lo em público. Evidentemente, isso só é possível numa sociedade baseada em castas, como é a britânica. Um pária é um pária, sobretudo em Londres.”



A entrevista completa está na revista virtual, produzida em Goiânia. Gostando ou não de Woody Allen, vale a pena conferir, principalmente pela crítica lúcida que Flávio Paranhos faz da obra do cineasta.

quinta-feira, 10 de novembro de 2005

cinema e internet




Uma novidade para o pessoal da área de cinema e outras mídias.
No dia 1º de dezembro próximo acontecerá em Vitória, Espírito Santo, o I Festival de Baixa Resolução. A coisa é esquisita, mas é verdadeira e interessante. A Internet é uma mídia com personalidade e conteúdo próprios, alimentada por uma multidão de quase-anônimos que não se conhecem. Numa tentativa de mapear todo esse conteúdo original e “culpar” os responsáveis, o capixaba Cine Falcatrua abre as inscrições para esse festival específico. Os vídeos para a pré-seleção devem ser enviados até o dia 15 de novembro para o endereço eletrônico cinefalcatrua@gmail.com. Para participar, o vídeo tem que ser encontrado na web, somente na web. Pode ser conteúdo original ou alterado, hypes audiovisuais, caps de programas de tv suburbanos, animações em flash, montagens com videogame, videoclipes toscos, paródias, redublagens, etc


Eis o que diz o regulamento:
1. Não há restrição de suporte, nacionalidade, ano de produção, gênero, duração, inclinação ideológica ou conteúdo;
2. As obras podem estar em qualquer resolução, estado de conservação, compactadas em qualquer formato/codec, disponíveis para qualquer plataforma, com ou sem áudio, e até mesmo sem vídeo;
2.1. Por favor, nada de screeners ou telecinagens do último sucesso de Hollywood;
3. Cada concorrente assume automaticamente responsabilidade pela obra que inscreveu, mesmo que não a tenha realizado;
3.1. Caso mais de uma pessoa inscreva a mesma obra, ela passa automaticamente a ser considerada uma obra coletiva. Caso venha a ser premiada, cabe aos responsáveis dividirem o prêmio como melhor lhes aprouver;
4. A pré-seleção, caso seja necessária, será baseada no bom-senso da comissão curatorial e nas restrições logísticas do evento;
5. As obras classificadas estarão sob o escrutínio de um júri qualificado, composto por profissionais da área, jornalistas e representantes dos patrocinadores;
5.1. O júri premiará a obra que achar mais legal (isto é, "mais inusitada", "mais política", "um soco no estômago", "desbunde estético", "uso revolucionário do meio" ou "ai, que luxo!");
5.2. O júri também pode distribuir menções honrosas à vontade, desde que não custem nada para a organização;
5.3. O prêmio será um troféu e uma grade de cerveja;
5.4. A decisão do júri é suprema, absoluta e irrevogável;
6. A organização se reserva no direito de exibir extratos dos vídeos selecionados para a divulgação do evento;
7 As cópias enviadas para pré-seleção passarão a pertencer a inbox da nossa conta de e-mail, podendo ser exibidas em programações não-comerciais ou encaminhadas como spam.




Claro, meus caríssimos meia dúzia de leitores deste blog, depois dos itens do regulamento vocês têm o direito de continuar achando que é brincadeira. Mas não é. É tudo verdade, como diria Orson Welles.

o analista da Boca do Lixo

foto site Cinequanon

“É importante ressaltar que, ao contrário do que se diz por aí, o grupo da pornochanchada não foi apoiado pelo Regime Militar. A gente foi muito sacaneado, na verdade, e nunca ganhamos um centavo do dinheiro público. A gente incomodava por ter tido a habilidade de reconquistar o público popular para o cinema brasileiro, pois a gente fazia filme para o cara que pegava o metrô pra ir trabalhar e não para o estudante da USP. Qual era a nossa fórmula, então? Colocar umas mulheres peladas pra atrair esses caras. Eram filmes que tinham a nossa cara, a realidade do homem comum, e esses filmes agradavam. A gente também se beneficiava da Lei da Obrigatoriedade: se o filme dobrava a primeira e a segunda semana com público bom, ele só saía de cartaz com a anuência do produtor. Isso, para as multinacionais, era um transtorno. Imagina um filme com mídia mundial, que ganhou Oscar e tal, ter que esperar o filme do Cláudio Cunha, do David Cardoso ou do Tony Vieira sair depois da sétima, oitava semana. Eles não se conformavam com isso. Então, foi iniciada uma guerra contra os filmes brasileiros e as multinacionais tinham dois aliados poderosos: a censura, encarregada de acabar com a indústria que a gente criou, e a banda podre da mídia, encarregada de nos desmoralizar diante do público. Então, pra essa mídia, todo o filme que nós fazíamos era “pornô-alguma coisa”. “Amada amante” era pornodrama, “Sábado alucinante” era pornodiscoteca, “Vítimas do prazer” era pornoterror, “O Dia em que o santo pecou” era pornoluxo, e assim por diante. Aí, quando houve de fato a virada para o sexo explícito no começo dos anos 80, imposta pela indústria americana, eu resolvi “pornocudeles” e fiz “Oh, Rebuceteio!”, meu único filme de sexo explícito.”
Este é um trecho da hilariante entrevista com o cineasta Cláudio Cunha no site www.cinequanon.art.br
59 anos, ex-ator de novelas na década de 60, foi o mais atuante produtor e diretor de cinema nos terríveis anos 70, quando a chamada Boca do Lixo, em São Paulo, levava multidões às salas de cinema de todo país, muitas vezes fazendo bilheterias maiores do que muitos títulos americanos com atores famosos. Seus filmes eram de qualidades discutíveis, mas é interessante saber um pouco mais como funcionava a produção de cinema no Brasil naquele período. Nessa entrevista ele fala tudo e cita todos. Relata casos de bastidores que o público e até mesmo a grande mídia desconheciam.
Afastado do cinema há vinte anos, mas anunciando voltar com um projeto sobre o "maníaco do parque", Cláudio está em cartaz com o espetáculo teatral “O analista de Bagé” desde 1983! Por esse feito é citado no livro dos recordes Guinness.

terça-feira, 8 de novembro de 2005

workshops de roteiro e direção



Como acontece todos os anos, o Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro, de 1 a 11 de dezembro, em sua 14ª edição, promoverá dois workshops para pessoas que estão se profissionalizando ou iniciando no mundo do cinema.



O primeiro será de Direção, ministrado pelo cineasta cearense Karin Aïnouz, diretor de “Madame Satã”, e que recentemente concluiu as filmagens do seu segundo longa, “Rifa-me”.
O outro workshop, de Roteiro, ficará a cargo de Rosane Lima, roteirista do inteligente e divertido “Bendito Fruto”, (2004) longa de Sérgio Goldemberg; do ator e diretor Carlos Gregório, que realizou o premiado curta-metragem “Amar”; e de Jorge Duran, diretor e roteirista chileno, radicado no Brasil, autor do ótimo ”A Cor do Seu Destino” (1986), e co-roteirista de ”Pixote, A Lei do Mais Fraco”, de Hector Babenco (1981); ”Nunca Fomos Tão Felizes” (1984) e “Como Nascem os Anjos” (1996), ambos de Murilo Salles; Duran está lançando em breve o seu novo longa, “É proibido proibir”.


As inscrições para os workshops estão abertas até o dia 23 de novembro.
Os interessados em fazer o de Direção deverão enviar currículo e carta de intenção, explicando porque desejam fazer o curso, que acontecerá nos dias 3 e 4 de dezembro, das 14h30 às 17h30, no Centro Cultural Banco do Brasil, do Rio.
Quanto ao de Roteiro, nos dias 7, 8 e 9 de dezembro, das 14h30 às 18h, também no CCBB, serão necessários, além do currículo, quatro cópias de um roteiro de curta-metragem de ficção, de autoria do candidato. Haverá uma seleção que escolherá doze trabalhos. O interessante é que após o curso o melhor roteiro escolhido pela comissão receberá prêmios em serviços, a serem definidos por parceiros do Festival, e que tem como objetivo estimular a produção do projeto premiado.


A divulgação dos selecionados para os dois workshops será no dia 30 de novembro.
Local de entrega do material e maiores informações:
A.R. Produções - Workshops Curta Cinema 2005
a/c Marilda Samico
Praia de Botafogo, 210/Cob. 1 - Botafogo
22250-040 - Rio de Janeiro - RJ
Fones: (21) 2553 2830 - 2553 8918 - 2553 2033 Fax: (21) 2554 9059

segunda-feira, 7 de novembro de 2005

Pan Africano



O V Festival de Cinema Pan Africano, com o apoio da Secretaria de Reparação Racial da Prefeitura de Salvador, abre inscrições para o prêmio Milton Santos, que este ano terá como tema O Território. A premiação será no valor de R$ 2.000,00 para o melhor filme, escolhido através de juri popular.
O Festival de Cinema Pan Africano é uma mostra de vídeos e filmes que acontecerá de 16 a 20 de novembro em Salvador, Bahia, com ações voltadas para o cinema local, assim como para as atividades de formação. A base fundamental é o território.
Entre seus objetivos estão a divulgação do cinema da diáspora africana e a viabilização do acesso à linguagem audiovisual para as comunidades residentes na periferia da cidade, formada principalmente por afro-descendentes. A proposta do festival é que o público tenha acesso ao cinema e também a outra imagem, a outra cultura, diferente daquela mostrada pela grande mídia e pelos programas de cultura de massa.
O regulamento completo e a ficha de inscrição estão disponíveis na página do festival:
www.panafricano.com.br
O V Festival de Cinema Pan Africano é uma realização do Instituto Panafricano e Studio Brasil, tem o patrocínio dos Correios e apoio das instituições Cama, Centro de Estudos das Populações Afro-Índio Asiáticas (CEPAIA), Centro de Referência Integral do Adolescente (CRIA), Espaço Cultural dos Alagados, Grupo Cultural Baguncaco, Kabum, Projeto Ver de Trem, e Sofia Centro de Estudos.

(Divulgação: Projeto ProArte Brasil - RJ)

quarta-feira, 2 de novembro de 2005

a imaginação de Fellini


“Acredito em tudo que me dizem. Adoro ouvir falar de coisas extraordinárias. Não há limites para minha capacidade de maravilhar-me. Não me sinto enfastiado para nada. Ao contrário, tomo cuidado para não entorpecer as possibilidades da imaginação. Quanto a organizar tudo isso, não é mais comigo. Meu mundo é confuso e mutável. Certamente não sou um gênio do pensamento. Reivindico o direito de contradizer-me.”

Federico Fellini (1920-1993), de quem acreditamos em tudo que disse no cinema, através da imaginação espalhada em quase trinta filmes. “Os boas-vidas” (I vitelloni), 1953, “A estrada da vida” (La strada), 1954, “As noites de Cabiria” (Lê notti di Cabiria), 1957, “A doce vida” (La dolce vita), 1959, “Fellini: oito e meio” (8 ½), 1963, “Julieta dos espíritos” (Giuletta degli spiriti), 1965, “Fellini – Satiricon” (Fellini – Satyricon), 1969, “Amarcord” (Amarcord), 1974, “Fellini – Casanova” (Casanova), “A cidade das mulheres” (La citta delle donne), 1980, “E la nave vá”, 1983, são alguns dos títulos que me lembro agora e que deixaram sem limites “a minha capacidade de maravilhar-me” com o cinema! É um dos poucos cineastas no mundo que tem um adjetivo, “felliniano”, para classificar mulheres de seios robustos, ou imagens coloridas e circenses, com rostos ao mesmo tempo grotescos e simpáticos.