segunda-feira, 4 de julho de 2016

o mesmo fruto

O cineasta iraniano Abbas Kiorastami, que faleceu hoje aos 76 anos, disse uma vez em entrevista, que "uma árvore transplantada de sua terra natal para outro solo nunca mais dará os mesmos frutos."

Talvez ele quisesse aplicar a metáfora a si mesmo. Principal nome a projetar o cinema iraniano no Ocidente, quando lançou em 1987 o ótimo Onde é a casa do amigo? (Khane-ye doust kodjast?), Kiarostami passou a ser presença constante em festivais europeus, ganhando prêmios, e revelando para o mundo compatriotas igualmente talentosos, com um novo olhar enviesado da arte cinematográfica, como Jafar Panahi, Mohammad Rasoulof, Ashgar Farahdi, Monsen Makhmalbaf.

O regime muçulmano xiita do Irã fez o cineasta buscar financiamento e apoio para suas produções em outros países, como França e Japão. Não somente Kiarostami foi reprimido. Panahi foi duramente punido com prisão domiciliar.

Kiarostami tinha residência francesa, e desde 2010 rodava seus filmes fora de casa. Talvez por isso, com certa humildade, considere-se uma árvore que não brota os mesmos frutos. Não é assim. Seus filmes "europeus", como Cópia fiel (Copie conforme), 2010, com Juliette Binnoche, é um exemplar fidedigno de sua cinematografia.

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