quinta-feira, 14 de julho de 2016

a morte joga xadrez

A foto acima é uma das imagens mais fortes, impactantes e belas da história do Cinema. É a clássica cena da personificação da Morte no filme O sétimo selo (Det sjunde inseglet), de Ingmar Bergman, rodado em 1957, ainda sob os escombros e os traumas da Segunda Guerra.

Ambientado em uma época remota da Idade Média, o filme trata do temor de que o mundo possa acabar de repente ou de que ele seja dizimado gradualmente por uma peste. A Morte, na interpretação marcante e assustadora do ator Bengt Ekerot, concretiza os aspectos da religiosidade questionada.

O ótimo Max Von Sydow vive um cavaleiro que, voltando da Cruzada da Fé, convida a Morte para uma partida de jogo de xadrez com o intuito de distraí-la para que os flagelados escapem e, com o tempo, vencê-la. É uma sacada inteligente de Bergman como alegoria da racionalidade para entender a vida. O cineasta não se apega propriamente a uma determinada religião, até mesmo apresenta a Igreja como uma instituição decadente, incapaz de impedir o mal e solidificar a fé.

Bergman faria hoje 98 anos se não tivesse perdido a partida de xadrez aos 89.

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