quinta-feira, 14 de julho de 2016

o amigo de Babenco

Na foto acima, Willem Dafoe em uma cena de Meu amigo hindu, de Hector Babenco, 2015.

O ator americano interpreta um cineasta diagnosticado com câncer em estado avançado e, consciente de seu estado, deseja realizar seu último filme.

Babenco, argentino naturalizado brasileiro, se foi no final da noite de ontem, aos 70 anos.

Na abertura do filme o diretor abre um texto sobre as imagens dizendo "o que você vai assistir é uma história que aconteceu comigo e a conto da melhor forma que eu sei".

Raramente no cinema um cineasta foi tão preciso em criar uma obra entre a linha tênue que separa, ou une, a ficção da realidade. O personagem de Dafoe vai aos Estados Unidos para se submeter a um tratamento experimental. Babenco teve câncer linfático nos anos 90 e fez o mesmo, passando por um transplante de medula óssea. No hospital conheceu um garoto hindu de oito anos, e ambos dividiam histórias que alimentavam a alma de esperança.

Duas crianças, em uma curiosa mescla de verdade e fábula, estiveram muito presentes na vida do cineasta Hector Babenco: Fernando Ramos da Silva, que viveu o personagem título em Pixote, a lei do mais fraco, de 1980, um dos maiores filmes do cinema brasileiro, que deu grande projeção ao diretor, e o pequeno ator hindu Rio Adlakha, que revive o amigo do diretor nos tempos difíceis da doença.

Babenco faz de seu último trabalho, em que pese alguns tropeços no roteiro, o mais pessoal de sua filmografia, até mesmo cruelmente sincero consigo. O cineasta se disseca em tela aberta, com seus medos, defeitos, e também doçura, em um drama cheio que referências ao cinema, aos amores, à família.

Um filme como uma crônica anunciada.

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