quarta-feira, 6 de julho de 2016

além do nacionalismo


“A música brasileira do século 19, a dita do período romântico, amarga há muitíssimo tempo a condição de patinho feio da história da música no País. É vista como mera imitação dos europeus e simplesmente esquecida, marginalizada. Não chega às salas de concerto, não é gravada nem é objeto de estudos. Só é citada quando se encaixa na visão de que serviu de escada para o nacionalismo cujo esplendor aconteceu com Villa-Lobos, no início do século 20.”


Essa observação precisa e lúcida é do jornalista e crítico musical João Marcos Coelho, em artigo ao jornal O Estado de São Paulo, nos 150 de nascimento do compositor, pianista, organista e regente cearense Alberto Nepomuceno, em 2014

Coelho aponta o músico como o mais consistente símbolo de virada de concepção sobre a música brasileira do século 19.


Nesse mesmo ano foi lançado o ótimo e oportuno livro A formação germânica de Alberto Nepomuceno, do pianista e escritor paulista João Vidal, que desmitifica o dístico de que o compositor cearense foi apenas o “precursor” no nacionalismo musical, revelando e relevando a importância de suas inúmeras peças inspiradas nas tradições e caracteres brasileiros, mas ofuscadas pelo lema e estereótipo de caráter nacional.

Maxixe, lundu, polcas, estão presentes na música de Nepomuceno, assim como habanera, tango e polcas, Wagner e Brahms.

Também, vale salientar, Nepomuceno não foi um imitador ou divulgador da música europeia, o que se compreende bem na pesquisa de João Vidal, curiosidade que o título do livro provoca. O autor coloca o compositor cearense como um grande e talentoso músico, que soube muito bem empregar a síntese de influências e ecletismo em suas criações.

Hoje, aos 152 anos de seu aniversário, Nepomuceno continua praticamente sem nenhuma grande comemoração no país.

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