quinta-feira, 7 de julho de 2016

a bela e o fera

A diáfana Audrey Hepburn tinha 25 anos e viveu dias conturbados com o cara de mármore Humphrey Bogart nas filmagens de Sabrina, de Billy Wilder, 1954.

O ator, que entrou no elenco substituindo Gary Grant, já esnobava o sucesso de Casablanca, era um dos mais bem pagos de Hollywood e tinha fama de grosso. Hepburn realizara quase dez filmes, mas só ganhou maior projeção na década de 60, com Bonequinha de luxo (Breakfast at Tiffany’s).


Os dois não se batiam. Ou se batiam: a esguia Audrey não aceitava a estupidez do ator no set. Para piorar a relação, no filme Humphrey interpretava um playboy que disputava com o irmão, vivido por William Holden, o amor da personagem de Hepburn, Sabrina, filha do motorista da família. Holden e Audrey tiveram de fato um romance durante a produção do filme.

Esses curiosos fios enovelados, fora das filmagens, podem parecer meras situações prosaicas, sem nenhuma relevância, mas que têm outro viés nas observações dos biógrafos. E até mesmo dos cineastas: François Truffaut soube muito bem, no clássico A noite americana (La nuit américaine), 1973, abordar e dissecar as complexidades que envolvem a técnica e as relações humanas nos bastidores de um filme.

Dennis Stock, fotógrafo nova-iorquino que acompanhou muitos atores e atrizes nas décadas de 40 a 60, flagrou vários momentos no set de Sabrina, como esse da foto, em que Audrey Hepburn triste aguarda o momento de filmar, e não via a hora de tudo acabar e partir para tomar um café da manhã no Tiffany's.

Nenhum comentário: