segunda-feira, 30 de maio de 2016

Santa Joana

Baseado nos documentos históricos do julgamento, A paixão de Joana D’Arc (La Passion de Jeanne d'Arc), foi o segundo filme produzido, em 1928, sobre a jovem camponesa de 19 anos, modesta e analfabeta, que conduziu o exército francês contra o inglês durante a Guerra dos Cem Anos, acusada pela Igreja Católica porque teria recebido de Deus a tarefa de libertar a França. Presa e torturada, a moça foi queimada viva, em bárbaro auto-de-fé, que eram os eventos de penitência realizados em praça pública pela tal Santa Inquisição.
Dirigido pelo dinamarquês Carl Theodor Dreyer, o filme é considerado praticamente o primeiro, por ser superior ao de Cecil B. DeMille, Joana D’Arc – A donzela de Orléans (Joan, the woman), de 1916.
Ainda na era do cinema mudo, a direção de Dreyer se destaca em seu pioneirismo pela fidelidade dos fatos, inovação estética e ausência de glamour dramático.
Os perfeitos enquadramentos de câmera fazem parte da construção da linguagem cinematográfica que nascia. O diretor não usou maquiagem nos atores, para que na composição dos planos fechados sobressaíssem as expressões faciais.
Banido à época da Inglaterra, para não mostrar a heroína atormentada por soldados ingleses, os negativos do filme foram misteriosamente “sumidos”. Mais de cinquenta anos depois, o que se tem hoje são cópias remasterizadas a partir de uma cópia encontrada curiosamente em um hospício em Oslo, na Noruega, na década de 80.
A atriz Marie Falconetti é reconhecida como a melhor interpretação de Joana,D'Arc, superior a outras como a de Ingrid Bergman por duas vezes, em 1948 no filme de Victor Fleming e em 1951 no de Roberto Rossellini, Jean Seberg em 1957 sob a direção de Otto Preminger, Florence Delay no filme de Robert Bresson, e a composição pop-andrógina da ucraniana Milla Jovovich na produção do maridão Luc Besson.
A Igreja Católica canonizou a jovem em 30 de maio 1920, instituindo o dia em sua homenagem, em reparação à brutalidade cometida em 1491.

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