terça-feira, 3 de maio de 2016

enterrem-me na curva do rio

"Eu o assisti inúmeras vezes e Sam teve muita influência em minha carreira."
O ator Tommy Lee Jones sobre sua estréia com Três enterros (The three burials of Melquiades Estrada), seu segundo filme como diretor, em 2005.
O filme a que ele se refere é o ótimo Tragam-me a cabeça de Alfredo Garcia (Bring me the head of Alfredo Garcia), dirigido por Sam Peckinpah, em 1974. Logo nas primeiras cenas de Três enterros já dá para sentir a forte influência desse cineasta que ficou conhecido como o "poeta da violência".
Baseado numa história real sobre um jovem mexicano assassinado durante uma patrulha antidrogas, realizada por policiais americanos, o filme é de uma beleza e sensibilidade surpreendentes, principalmente por se saber do gênio irascível característico de Tommy Lee Jones.
Com roteiro escrito por Guillermo Arriaga, o mesmo de Amores brutos e 21 gramas, o filme narra a travessia de um vagueiro do Texas até o México para enterrar o seu amigo Melquíades na terra natal, como prometera. Pete, o vagueiro interpretado pelo próprio Lee Jones, obriga o guarda de fronteira, que matou o mexicano por descuido, a acompanhá-lo nessa missão. O cadáver se decompondo, a paisagem seca e os policiais perseguindo, tornam a travessia dramática, realçada pelo bela e crepuscular fotografia de Chris Menges, e, claro, a direção segura de Tommy Lee Jones.
Abordando traços sobre amizade, vingança e redenção, Três enterros faz também críticas à maneira bruta como os Estados Unidos tratam os imigrantes ilegais.
Junto com o roteiro, o elenco recebeu um exemplar de O estrangeiro, de Albert Camus. O diretor queria que os atores sentissem a sensação de alienação e abandono que queria passar com o filme.

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