segunda-feira, 25 de abril de 2016

no meio de olhares espio

Paulo Vanzolini, o autor do famoso samba Ronda, aquele do andarilho, ou andarilha, à procura de quem não lhe quer mais, era zoólogo de formação.
Assim como, por exemplo, os escritores Pedro Nava e Moacir Scliar sobreviviam e felizes viviam (até onde se sabe) de suas profissões de reumatologista e sanitarista, respectivamente, o compositor paulista curtia demais seus afazeres diários no ramo da biologia estudando os répteis e anfíbios, sua especialização.
Mas compor música não era um hobby. Até porque não se trata a arte como passatempo. E tempo não se passa: se vive. Paulo Vanzolini criava como prolongasse sua formação para entender esse bípede chamado homem e sua complicada alma anfíbia. Com certeza, os animais tinham mais definição e uma convivência aprazível.
Volta por cima, na voz de Noite Ilustrada, Na Boca da Noite, que compôs com Toquinho, são outras de tantas canções que se consagraram também pelo conteúdo dramático dos enamorados, dos amantes e seus abismos.
Ronda, de 1953, gravada inicialmente por Inezita Barroso, é uma crônica de amor e morte nos bares e ruas de São Paulo. Apesar de não ser sua canção preferida, é a que melhor resume esse olhar analítico.
No mesmo mês de abril, Vanzolini veio e foi embora. Hoje faria 92 anos. Partiu para outras rondas há três anos.

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