quinta-feira, 28 de abril de 2016

com a força do seu canto

“...descobrir onde o mal nasce e destruir sua semente...”
Os versos de Cordilheira, de Paulo César Pinheiro, canção lamentavelmente cabível nestes tempos temerosos, foram musicados por Sueli Costa, por volta de 1977. A intenção era passar para Erasmo Carlos gravar, cantor e compositor que sempre esteve além das inocentes composições das jovens tardes de domingo, com discos primorosos onde faz incursões na black-music, no soul, no samba-rock.
Erasmo nunca quis ficar para sempre sentado à beira do caminho. Com sua fama de mau, queria mais era arrombar a festa e descolar o necessário da parceria Carlos com o dito “rei” da juventude.
Louvou as mulheres e as mulheres: de sua Narinha à Roberta Close, o doce grandalhão Erasmo achava um absurdo quando as chamavam de sexo frágil. Com a alma atarantada, o cantor atravessou umas barras pesadas com o suicídio da ex-mulher, a morte da mãe e do filho em acidente de moto.
Sobre a composição Cordilheira, a censura proibiu à época, claro. Além da letra direta aos ditadores de plantão, tinha o lado comportamental do "Tremendão" que incomodava os militares, ao contrário do "ar de moço bom" do parceiro Roberto. Os autores foram à Brasília tentar a liberação e não foram sequer recebidos pelos “zelosos guardadores” da moral e bons costumes impostos.
Somente em 1979 a música foi liberada e gravada por uma Simone-Pré-Então-é-Natal, no disco Pedaços. Ironicamente a mesma Simone Bittencourt depois de gravar no mesmo ano Pra não dizer que não falei de flores, de Vandré, no show ao vivo no Caneção, e apoiar o abjeto Collor vinte anos depois.
A única gravação de Erasmo Carlos está na caixa Mesmo que Seja Eu, com quinze cds comemorativos a sua carreira, lançada em 2002.

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