quarta-feira, 5 de julho de 2017

quadros de amor

A jornalista e crítica de arte Laura Cumming, do britânico The Guardian, elaborou uma lista em que considera as dez melhores pinturas de amor.
Numa constelação de obras que pintores criaram ao longo de séculos, é relativo, discutível e difícil fechar um índice tão moderado sobre o tema.
A seleção da crítica reúne quadros de artistas em períodos e movimentos estéticos diferenciados, colocados em ordem cronológica, do primeiro, o barroco A Noiva Judia, do holandês Rembrandt, século 17, ao décimo, o pop-art Love do norte-americano Robert Indiana, 1966, que virou uma icônica imagem reproduzida em escultura, postais, camisetas, botons, estampa de selo, e até piso de quadra de tênis.
Destaco o curioso Autorretrato como Tehuana, de Frida Khalo, de 1943, que começou a pintar três anos antes, logo quando se separou de seu grande amor, o também pintor Diego Rivera. Frida tem um olhar tristonho... e sobre as características sobrancelhas espessas, a imagem de Rivera, como uma tatuagem na alma. Não à toa, a obra é também intitulada Diego em meus pensamentos. Não por acaso a autora vestida como uma devota, com o Tehuana, um traje típico regional dos mexicanos, muito usado em eventos religiosos.
Rembrandt foi um artista quase obsessivo pelo autorretrato em suas pinturas, talvez em uns cem quadros esteja presente. Mas desde a Renascença, quando essa representação de si mesmo passou a ser reproduzida na história da arte, Frida Khalo é a que mais disseca o próprio espírito nos traços e nas tintas, a que mais dilacera sua condição emocional, expõe as vísceras de suas dores, sem constrangimento e muito menos autocomiseração. A arte e o amor pelo avesso.

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