terça-feira, 4 de julho de 2017

o cinema que continua

Abaixo, o cineasta iraniano Abbas Kiarostami nas colinas que cercam a capital Teerã, onde seu filme Gosto de cereja (T’am e guilass) foi rodado, em 1997, Palma de Ouro em Cannes.
O longa tem um dos finais mais criativos da história do cinema. Após desenvolver por mais de uma hora a narrativa de um homem de classe média tentando suicídio, vagando por paisagens rurais e desertos, pedindo ajuda para o ato extremo a pessoas que encontra, o cineasta surpreende entrando ele mesmo em cena, gravando. Libera os atores que interpretam os soldados, que colhem flores, e o filme termina. O espectador sai, mas o filme continua: o homem, afinal, suicidou-se?
Abbas Kiarostami faleceu ano passado, em 4 de julho, aos 76, na França, onde morava desde 2010.
Seu cinema grandioso continua.

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