segunda-feira, 10 de julho de 2017

aprendendo a jogar

Em 5 de janeiro de 1982 Elis Regina foi convidada do programa Jogo da Verdade, apresentado pelo jornalista Salomão Ésper, na TV Cultura, São Paulo.
Foi um show de raciocínio lúcido, pensamento astuto, reflexões brilhantes e verdadeiras, pertinentes àquele momento da música brasileira.
Questionada pelo jornalista Maurício Kubrusly sobre a participação de cantores consagrados em festivais na televisão, Elis foi direta na dosagem da pimentinha.
“Eu acho que eles não deveriam participar desse festival oficial. Se já existem, já se impõem, já têm o seu mercado, seria legal que eles não entrassem nessas 'gasolinas' da vida, nesses 'postos de gasolinas'* da vida porque, sabe? auxilia a gente. É mais uma via pra gente poder escoar a loucura da gente, porque senão fica tudo... sabe? aquela loucura via Embratel, padronizada, que nem ervilha em lata, entendeu? só muda a marca. Não é legal, loucura é loucura, sabe? e é fundamental. Deixa por aí, solta, como o diabo gosta, entendeu? e a gente vai catando um pedaço daqui, um pedaço dali, vai se reformulando, e de repente quando a gente... quando os homens perceberem, eles ‘tão com a cabeça feita. Porque é só isso que tá dando pé. O importante é a gente não fazer esse jogo, não aceitar esse jogo, a gente continuar... fique fora, salte fora, como é que é? parada de sucesso, então como é que é não parada de sucesso. Se é o sucesso, entendeu? O importante é também não deixar o espaço ser ocupado por qualquer coisa, como ‘tá, né?”
*A cantora se refere ao Festival MPB Shell.
Foi a última entrevista, gravada 14 dias antes de sua morte.

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