segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

visita no jardim



Um centauro em pleno século 20, filho de imigrantes russos judeus no interior do Rio Grande do Sul. Um ser metade homem, metade cavalo, culto, inteligente, vivendo, por motivos óbvios, excluído da sociedade. Um isolamento forçado, até decidir-se por mostrar-se quem é, o que pode fazer de bem para todos, enfrentando as discriminações.
Um resumo do resumo de O centauro no jardim, de Moacir Scliar, publicado em 1980. Um realismo fantástico tão cativante quanto, por exemplo, Cem anos de solidão, de Gabriel Garcia Marques, 1967.
Em Centauro, o personagem central, em sua singularidade irreal e quimérica, da pacata família Tartakovsky, vindo da pequena cidade Quatro Irmãos (que existe), conduz a leitura de uma forma que conseguimos “aceitar” naturalmente tais elementos absurdos, pela força que a fábula representa na dualidade da vida em sociedade, pela urgência de harmonizar individualismo e coletividade.
O recurso do escritor gaúcho Scliar em colocar seu personagem mitológico em tempo e espaço reais, é o grande desafio pela profundidade da narrativa provocadora. Não se espantaria se alguém após a leitura encontrasse um centauro em algum jardim, rua, praça...
Autor de romances, contos, crônicas, ensaios, e conciliando sua atividade literária com a de médico sanitarista, Moacir Scliar foi para outros jardins há seis anos, numa madrugada de 27 de fevereiro.

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